# Escritos Compilados de Helena P. Blavatsky — Volume 4 ## UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA [*The Theosophist*, Vol. III, Nº 6, março de 1882, p. 139] Um estimado amigo e correspondente na Alta Índia escreve: "Não tivemos o prazer de ouvir notícias suas desde seu retorno a Bombaim. Não queremos abusar de seu valiosíssimo tempo, mas rogamos encarecidamente que tenha a bondade de nos escrever uma vez por mês, caso encontre disponibilidade." Isto é do Presidente de uma de nossas Sociedades de Ramo indianas, e publicamos o trecho para assim responder a muitas outras de teor semelhante recebidas pelos Fundadores. Desde que a Sociedade Teosófica foi estabelecida, nós dois tivemos que realizar todo o seu trabalho mais importante; não porque nossos colegas estivessem de modo algum indispostos a compartilhar o fardo, mas porque os indagadores pareciam, como os pacientes de um médico popular ou os clientes de um advogado renomado — relutantes em receber conselho ou instruções de qualquer pessoa na Sociedade que não fôssemos nós mesmos. Isto era aceitável na infância de nosso movimento, e trabalhando até tarde da noite, às vezes a noite inteira, durante todo o ano, conseguimos nos primeiros três anos manter em dia nossos deveres oficiais. Mas nossa vinda à Índia duplicou, talvez triplicou, as demandas sobre nosso tempo. Não fomos aliviados de nossa correspondência ocidental, enquanto ao mesmo tempo todo o volume de indagações, naturalmente provocado entre os povos da Ásia por nossa vinda, despejou-se sobre nós adicionalmente. Assim, nossa revista foi decidida, e no Prospecto emitido em Bombaim, em julho de 1879, declarou-se que "o rápido crescimento da Sociedade e da correspondência entre o Executivo e os Ramos da Sociedade em vários países europeus, e com os eruditos arianos, budistas, parsis e jainistas que têm profundo interesse em seu trabalho... tornou necessária a publicação do presente periódico". Há um limite tanto para a resistência física quanto para o número de horas em um dia. Com os mais benévolos desejos de atender, os Fundadores não podem se comprometer a corresponder regularmente com quem quer que seja, dentro ou fora da Sociedade. Farão o melhor que puderem, mas nossos amigos terão a gentileza de lembrar que nem o Cel. Olcott, com compromissos de palestras suficientes para derrubar um homem de resistência menos férrea, nem a Editora de *The Theosophist*, com os cuidados de sua administração e suas indispensáveis viagens pela Índia durante vários meses a cada ano, podem com justiça ser censurados por não manter correspondência privada mesmo com parentes ou amigos pessoais mais próximos. Tanto mais quando refletem que grande parte da orientação e instrução solicitadas pode ser encontrada nas páginas de nossa Revista. ## MORALIDADE BUDISTA Em uma edição recente do *China Mail* aparece um relato da destruição do "Templo da Longevidade", um dos mais ricos e famosos Viharas budistas em Cantão, China, por uma multidão enfurecida de leigos budistas. Há algum tempo, queixas vinham sendo feitas sobre as vidas imorais dos sacerdotes deste templo, mas eles parecem ter negligenciado prestar atenção até mesmo às advertências do Nam-hoi, Magistrado Chefe. Por fim, três mulheres foram vistas entrando no edifício; um clamor foi levantado, a população irrompeu, mas as mulheres haviam escapado pela porta dos fundos. A multidão, no entanto, encontrou "estojos de toucador femininos, ornamentos e sapatos bordados", e então espancou e expulsou os sacerdotes, e despedaçou o antigo edifício pedra por pedra até que não restasse vestígio algum. Mesmo isso não satisfez seu ultrajado senso de decoro, pois, nos conta o *Mail*, eles atearam fogo às ruínas e consumiram a última viga do telhado que jazia nos destroços. Diz-se que o (Abade) Sacerdote Chefe caiu de joelhos diante do Nam-hoi e implorou por sua ajuda, mas foi levado a sentir a força do pé de Sua Excelência após ser lembrado de que "advertências oportunas haviam sido desconsideradas". O Magistrado, em 15 de novembro passado, emitiu uma proclamação oficial que começava assim: "Considerando que os sacerdotes do mosteiro de Ch'eung-Shau desobedeceram à proclamação oficial ao permitir que mulheres entrassem no templo e as detivessem ali, e o povo da vizinhança subitamente cercou e ateou fogo ao edifício, as autoridades superiores ordenaram agora um destacamento de mais de mil soldados para serem posicionados ao longo das ruas para extinguir o fogo que ainda restar", etc. A proclamação não contém uma palavra sequer de censura ao ato de retribuição; do que se infere que este encontrou aprovação oficial. Voltando-nos à excelente obra do Bispo Bigandet sobre o Budismo birmanês, *The Life, or Legend, of Gaudama*, etc., encontramos (pp. 290, 291) que: > "A opinião popular [na Birmânia] é inflexível e inexorável quanto ao ponto do celibato, que é considerado essencial para todo aquele que tenha a pretensão de ser chamado de Rahan [no Ceilão denominado Rahat, ou Arahat]. O povo jamais pode ser levado a considerar qualquer pessoa como sacerdote ou ministro da religião a menos que viva nesse estado. Qualquer infração deste regulamento tão essencial por parte de um Talapoin é punida de imediato. O povo do lugar se reúne no Kiaong [Vihara, templo] do ofensor, às vezes expulsando-o a pedradas. Ele é despido de suas vestes — e frequentemente a punição pública, até mesmo a de morte, é infligida a ele por ordem do Governo. O pobre desgraçado é considerado um pária, e a mulher que ele seduziu compartilha de sua vergonha, confusão e desgraça. Uma opinião tão extraordinária, tão profundamente enraizada na mente de um povo antes notado pela licenciosidade de seus costumes, certamente merece a atenção de todo observador diligente da natureza humana."* O sociólogo ficará impressionado com o severo zelo aqui visto como sentido tanto entre os budistas chineses quanto birmaneses pela reputação de seus sacerdotes. O mesmo sentimento prevalece no Tibete, onde aquele que está incluído na ordem sacerdotal, seja como lama ou sacerdote ordenado, é punido com a morte por violação da regra de castidade. Ele e a mulher são ou amarrados juntos com cordas e lançados no riacho ou lago mais próximo para se afogar, ou enterrados até o queixo no solo e deixados para morrer lentamente. A honra generosa demonstrada ao sacerdócio budista em todos os países budistas é o tributo popular à suposta elevada excelência moral de uma classe de homens que professam imitar o caráter e seguir os preceitos do Senhor Buda. E a candura obrigará todo homem justo a dizer com o Bispo Romano de Rangoon que seus caracteres morais são, via de regra, irrepreensíveis. Preguiçosos eles são, sem dúvida, e com demasiada frequência egoístas e ignorantes; mas os casos de indulgência sexual entre os membros da Sangha são comparativamente muito raros. A experiência do Cel. Olcott, no Ceilão, coincide com a do Bispo Bigandet, na Birmânia. A vingança tomada contra sacerdotes transgressores na China e na Birmânia é ainda mais impressionante, já que não podemos recordar nenhum caso entre cristãos de casas religiosas terem sido demolidas por multidões por causa das imoralidades de clérigos ou sacerdotes. E, no entanto, provocações desse tipo foram dadas com frequência suficiente, a menos que os rumores tenham desmentido alguns Reverendos mundialmente famosos e muitos milhares mais de sua profissão na Europa e na América.