DHAMMAPADA
Versos do Dhamma

Tradução: Venerável Weragoda Sarada Maha Thero (Acesso ao Insight)
Fonte: https://www.acessoaoinsight.net/livros/dhammapada.pdf
423 versos completos.


1. Todas as ações são comandadas pela mente: A mente é o senhor delas, a mente é quem as fabrica. Aja ou fale com um estado mental claro, com serena confiança Que a felicidade virá em seguida, da mesma forma Como a sombra acompanha o seu objeto por toda a parte, sem nunca abandoná-lo.

2. Quem abriga pensamentos de hostilidade como: Ele me maltratou, ele me golpeou, Ele me derrotou, ele me roubou, Para aqueles que abrigam pensamentos como esses A raiva nunca será apaziguada.

3. Quem não abriga pensamentos de hostilidade como: Ele me maltratou, ele me golpeou, Ele me derrotou, ele me roubou, Para aqueles que não abrigam pensamentos como esses A raiva será apaziguada.

4. Pois neste mundo a raiva nunca é apaziguada com outras ações enraivecidas, Ela é apaziguada pela não-raiva. Essa é uma lei imutável e atemporal.

5. Há os que não percebem que nós teremos um fim nesse mundo, Mas aqueles que percebem isso têm suas desavenças apaziguadas.

6. Quem apenas a beleza contempla, Com os sentidos descontrolados, Que não sabe o que é moderação ao comer, Lânguido, indolente: Esse será subjugado por Mara como o vento que derruba uma árvore fraca.

7. Quem o repulsivo contempla, Com os sentidos bem controlados, Que sabe o que é moderação ao comer, Convicto, diligente: Esse não será subjugado por Mara, como o vento que não abala um rochedo.

8. Aquele que veste o manto dos bhikkhus Mas que ainda não é livre das impurezas, Imoderado e desonesto, Ele não é digno do manto dos bhikkhus.

9. Mas aquele que se purificou das impurezas, Firmemente estabelecido na conduta virtuosa, Moderado e honesto, Ele é digno do manto dos bhikkhus.

10. Aqueles que dão importância àquilo que não é importante E que não dão importância àquilo que é importante, Sustentando pensamentos errôneos, Eles nunca alcançarão aquilo que é importante.

11. Aqueles que dão importância àquilo que é importante, E que não dão importância àquilo que não é importante, Sustentando pensamentos corretos, Eles alcançarão aquilo que é importante.

12. Tal como a chuva penetra Em uma casa mal coberta, A cobiça penetra Numa mente mal cultivada.

13. Tal como a chuva nunca penetra Em uma casa bem coberta, A cobiça nunca penetra Numa mente bem cultivada.

14. Aqui ele se aflige e no futuro se afligirá, De ambos os modos o malfeitor se aflige; Ele se aflige e sofre Ao ver suas próprias ações prejudiciais.

15. Aqui ele se alegra e no futuro se alegrará, De ambas as formas o benfeitor se alegra; Ele se alegra e se rejubila Ao ver suas próprias ações benéficas.

16. Aqui ele sofre e no futuro sofrerá, De ambas as formas o malfeitor sofre; “Eu fiz o mal”, com o remorso ele sofre E sofre ainda mais quando passa para os mundos inferiores.

17. Aqui ele fica contente e no futuro ficará contente, De ambas as formas o benfeitor fica contente; “Eu fiz o bem”, com serenidade ele fica contente E fica ainda mais contente quando passa para os mundos felizes.

18. Embora alguém recite muitos dos ensinamentos, O homem negligente que não pratica É como um vaqueiro contando as vacas de outros, Ele não se beneficia da vida santa.

19. Embora alguém recite poucos dos ensinamentos Mas coloque em prática o Dhamma e tenha abandonado a delusão, cobiça e raiva, Dotado de perfeita sabedoria, com a mente liberta, Não se apegando a nada desse mundo ou do próximo, Ele de fato se beneficia da vida santa.

20. hh Nota 1: Versos 1 e 2 — Os primeiros como “mentalidade/materialidade” dois versos do Dhammapada revelam (nome e forma) — se referem não a duas um importante conceito do Budismo. “entidades” que coexistem numa relação Enquanto a maioria das religiões mútua, mas apenas a duas formas sustentam como uma parte importante de olhar para uma única “atividade” de seus dogmas que o mundo foi criado chamada “experiência”. por um ser sobrenatural chamado “Deus”, o Budismo ensina que tudo o que Nama (nomear) é a “experiência” experienciamos (o “mundo” e também vista subjetivamente como o “processo o “eu”) é criado pelo pensamento — mental de identificação de um objeto” (rupa kaye adhivacana sampassa). Rupa (forma) é o processo cognitivo de percepções e conceitos originados dos sentidos. a “experiência” vista objetivamente Isso também prova que as pessoas como uma “entidade” que é percebida e que escrevem sobre o Budismo estão concebida através do processo mental de erradas em afirmar que o Buda não identificação (nama kaye pathigha sampassa). falava nada sobre o surgimento do Mano se refere ao “pensamento” ou mundo. No Rohitassa-Sutta do processo mental de formulação de conceitos Samyutta Nikaya o Buda afirma claramente que integra e dá significado às diferentes que é exatamente nesta carcaça com percepções trazidas pelos diferentes uma braça de comprimento dotada de meios dos sentidos. Essa “experiência” percepção e mente que é encontrado o significativa completa é dhamma — visto mundo, a origem do mundo, a cessação subjetivamente como “identificação de do mundo e o caminho que conduz à uma entidade” (nama) e objetivamente cessação do mundo. como “a entidade identificada” (rupa). Dhamma — que é essa “experiência A palavra mano é comumente significativa completa” — é geralmente traduzida como “mente”. Mas o Buda visto como sendo uma circunstância adota o ponto de vista do fenomenalismo agradável ou desagradável (lokadhamma). na controvérsia mente/matéria — que deixou muitos filósofos perplexos ao A forma como experienciamos as longo da história. A dualidade mente/ circunstâncias depende da forma como corpo é rejeitada pelo Buda. O Buda as interpretamos. Se as interpretarmos explica no Sabba-Sutta do Samyutta da forma incorreta experienciamos Nikaya que tudo o que podemos falar sofrimento. Se as interpretarmos da é sobre as “experiências dos sentidos”, forma correta experienciamos felicidade. incluindo o pensamento ou concepção Em outras palavras, nossa felicidade e como sendo o sexto sentido. Os termos infelicidade dependem da forma como nama e rupa — traduzidos geralmente pensamos. O pensamento também cria situações claridade de pensamentos, a serenidade num sentido futurista. Se abrigarmos e a confiança.  a má-vontade e falarmos e agirmos « com má-vontade as pessoas passarão a nos detestar. Seremos punidos pela Nota 2: Versos 3 e 4 — Esse par de sociedade e pela lei. Também depois da versos revela o princípio psicológico morte renasceremos em um mundo de que é a base do controle emocional. sofrimento. Aqui “pensamento” se refere A emoção é uma excitação do corpo a kamma (ação intencional) e “experiência” que começa com um pensamento. Um se refere à vipaka (frutos ou consequências pensamento cria uma figura mental de kamma). que, se agarrada, faz surgir a emoção correspondente. Somente quando essa Por fim, a mensagem transmitida figura mental é descartada e não recebe por esse par de versos é: “Pense errado e atenção é que a emoção se apazigua. sofra, pense correto e seja feliz.” Esse par O conselho constante do Buda aos seus de versos ditos pelo Buda expressa a discípulos era para não retaliarem, inevitável consequência (vipaka) do bom mas praticarem a paciência em todas e do mau pensamento. O homem colherá as ocasiões e lugares, mesmo quando aquilo que plantou, tanto no passado provocados. O Buda elogia aqueles que como no presente. O que plantar agora, toleram as ofensas dos outros mesmo que ele colherá no presente e no futuro. O eles tenham capacidade para retaliar. No homem é responsável por sua própria próprio Dhammapada há várias ocasiões felicidade e sofrimento. Ele cria seus que mostram que o Buda praticava a próprios infernos e paraísos. Ele é o paciência mesmo quando severamente arquiteto de seu próprio destino. O que criticado, abusado ou atacado. A ele faz, ele pode desfazer. O Budismo paciência não é um sinal de fraqueza ou ensina o caminho para se libertar do derrotismo, mas é uma infalível força dos sofrimento através do entendimento e grandes homens e mulheres. O segredo uso da lei de causa e efeito. O Budismo da paciência é mudar a figura mental é muito realista e otimista. Ao invés ou como a situação é interpretada. Um de depender cegamente de forças exemplo é dado no Shantivadi Jataka, onde sobrenaturais desconhecidas na o monge Shantidavi era o Buda Gotama esperança de felicidade, o Budismo numa vida anterior. O monge continuou encontra o verdadeiro caminho para a repetindo em pensamento “Longa vida ao felicidade de forma realista. rei e que ele esteja livre do mal” enquanto seus membros eram decepados até à Manasa ce Pasannena: estado mental sua morte por esse rei cruel que queria claro com serena confiança. Pasannena/ Pasada é uma atitude mental e emotiva testar a sua paciência.  que compreende um sentimento « profundo abrangendo ao mesmo tempo hh Nota 3: Verso 5 — O princípio o apreço intelectual, a satisfação, a revelado nesse verso está bem claro. As terminam sem terem sido capazes de brigas nunca cessam através de brigas. A fazer nada. Portanto só há vantagens em guerra nunca vai chegar ao fim através refletir diariamente sobre a morte. de outras guerras. A hostilidade nunca cessará retribuindo a hostilidade com Estar atento à morte é algo essencial hostilidade. Somente colocando um fim para o modo Budista de entender a na raiva e hostilidade é que males como real natureza da vida. Há pessoas neste brigas e guerras podem cessar. É através mundo — pessoas com distintos estilos da amizade, perdão e esquecimento que de vida — que se ofendem com a mera palavra “morte”. Imaginem então como a hostilidade cessa.  reagiriam ao refletir sobre a morte. « Apaixonadas pela vida longa, boa hh Nota 4: Verso 6 — A essência do saúde, juventude e prosperidade, elas Budismo é encarar a realidade da morte se esquecem completamente do fato e da impermanência. Sofremos porque de que estão sujeitas à morte. Imersas fugimos da realidade arrebatados pelas nos prazeres evanescentes dos cinco emoções. As emoções estão em conflito sentidos elas somente buscam satisfação com a realidade; portanto, elas estão material no mundo, desconsiderando destinadas a serem frustradas pela completamente uma existência futura realidade. Não somente a raiva, mas e se entregando aos vícios através da também todas as emoções egocêntricas mente, corpo e fala. Elas consideram essa cessam quando encaramos a realidade vida impermanente e evanescente como da morte. É um pensamento realista sendo permanente e perpétua. que coloca um fim em toda infelicidade. Aqueles que não encaram a realidade O Buda disse essas palavras para fazer da morte desse modo Budista surgir uma sensação de insatisfação continuam frustrados e com raiva, e nessas pessoas cegas e ignorantes, para consequentemente sofrem. apaziguar os tormentos do sofrimento causados pela separação de pais e Geralmente as pessoas não estão filhos e da riqueza e prosperidade, para atentas ao fato de que a morte irá inculcar a doutrina da impermanência surpreendê-las um dia. Elas agem em todos os seres e assim convencê-los desatentas a essa verdade universal. da insatisfação da vida e direcioná-los Tanto monges como laicos, desatentos para a realização da eterna paz. à morte, considerando-se imortais, frequentemente negligenciam o cultivo Uma pessoa que não compreendeu de virtudes. Envolvem-se em disputas a doutrina do Buda está apaixonada e discussões e com frequência ficam pela vida longa e se considera imortal, desapontados, com suas esperanças e mesmo que ela veja muitas mortes ao aspirações destruídas. Algumas vezes seu redor; está apaixonada com a boa adiam seu trabalho na esperança de saúde e se considera livre das doenças, fazê-lo em larga escala no futuro, mas mesmo que veja incontáveis pessoas doentes ao seu redor; está apaixonada sofrimento, exatamente a coisa da qual pela juventude apesar de ver muitas estão tentando escapar. O verdadeiro pessoas velhas, e se considera não sujeita otimismo não é uma visão unilateral ao envelhecimento; está apaixonada com da vida, mas uma habilidade de ver a a riqueza e prosperidade apesar de ver solução dos problemas na vida. Esse é o incontáveis pessoas destituídas devido à otimismo do Budismo. perda de riqueza; e ela nunca pensa, por um momento sequer, que também está Esse par de versos revela o método para encontrar felicidade na vida, sujeita a tais situações.  através do abandono do apego às « coisas do mundo. O primeiro passo hh Nota 5: Versos 7 e 8 — Quem tem uma é pensar realisticamente. Conter falsa noção de otimismo e pensa que a os sentidos é aprender a parar de vida é um mar de rosas sem espinhos, reagir às circunstâncias agradáveis e mantém-se focado no lado agradável da desagradáveis com cobiça ou aversão. vida e ignora o lado desagradável. Como Exercitar o controle de nossos hábitos resultado há o apego às coisas, que são alimentares e superar a preguiça são consideradas como “isto é meu” ou “isto coisas necessárias para mantermos a é o meu eu”. Quando essas coisas às quais prática de focar a atenção nas coisas há apego mudam ou se separam, há a certas e então clarificar os pensamentos lamentação de que aquilo que é “meu” de apegos às emoções.  ou aquilo que é “o eu” está se destruindo « e morrendo. hh Nota 6: Versos 9 e 10 — O “pano Quem olha para o lado desagradável tingido” é um símbolo de pureza para um da vida — os espinhos das rosas — tem Budista. Ele considera como algo nobre os seus apegos enfraquecidos. Quando esse manto preparado especialmente isso acontece, a mudança e separação para os monges. Os Budistas se prostram dos objetos de apego não trazem tanto em homenagem àqueles que vestem esse sofrimento e pesar. manto. O manto representa a Sangha, que é parte da Tríplice Joia do Budismo: Buda, Asubhanupassana (quem o repulsivo Dhamma e Sangha. contempla) não significa a reflexão no dolorido da dor — o que produz Quando uma pessoa se ordena como raiva ou aversão) —, o que é chamado monge budista ela sente que se elevou cultivo da “percepção do repulsivo” acima do plano mundano e se tornou (patigha sañña) — o que também deve uma pessoa nobre. Esse sentimento é ser evitado. Seu verdadeiro significado reforçado com a prostração dos discípulos é a reflexão nas desvantagens do prazer leigos. Essa nova “autoimagem” ajuda sensual — desvantagens que as pessoas a pessoa recentemente ordenada a frequentemente gostam de ignorar e começar sua nova vida nobre. O leigo ao fazerem isso elas se deparam com o também se inspira ao ver e venerar quem veste o manto. Essa veneração ao manto, física e subjetivamente como mental. O portanto, é uma parte importante da termo citta nesses versos também pode prática Budista. se referir ao processo emocional, que pode ser traduzido mais adequadamente Esse é o porquê de uma pessoa como “temperamento”. contaminada não ser digna do manto. Se alguém for impuro, vesti-lo é O termo bhavana também é comumente considerado uma profanação. É uma traduzido como “meditação”. Mas ele profanação do nobre manto.  é melhor traduzido como “cultivo”. « Bhavana é o cultivo e o desenvolvimento do processo cognitivo e emocional que hh Nota 7: Versos 11 e 12 — Esse par de versos dá ênfase a um “conjunto leva à boa conduta e felicidade.  de valores” adequado que é essencial « para a prática do caminho espiritual. hh Nota 9: Versos 15 e 16 — Pessoas Nossos valores são aquilo que direciona que cometem ações prejudiciais estão as nossas vidas. A pureza e a riqueza inconscientes das consequências no de nossas vidas dependem de nossos momento em que as cometem. Portanto valores. De fato, nosso julgamento de elas tendem a se arrepender ao ver as superioridade e inferioridade e nossa consequências daquilo que fizeram. felicidade e senso de realização também Isso cria pesar. Isso não significa que dependem de nossos valores. um ser humano sempre terá de sofrer as consequências dos seus atos, sem Aqueles que têm entendimento qualquer esperança. Se fosse assim incorreto dos valores também têm não haveria nenhum benefício em aspirações incorretas, e assim, eles seguir uma vida religiosa, nem haveria nunca alcançam as verdadeiras riquezas oportunidade para se empenhar pela da vida.  própria libertação. « Nesse par de versos, sofrimento e hh Nota 8: Versos 13 e 14 — Os termos felicidade no próximo mundo também são citta e mano são imprecisamente mencionados. Os Budistas não acreditam traduzidos, por pessoas que escrevem que esta vida na Terra seja a única vida sobre o Budismo, como se fossem e que os seres humanos são o único tipo sinônimos e equivalentes. Ambas as de ser existente. Mundos de existência palavras são traduzidas como “mente”. são numerosos e os seres, inumeráveis. O Budismo não reconhece uma entidade Depois da morte alguém pode nascer chamada “mente” ou uma dualidade como um ser humano, num estado sub- “mente/corpo”. O Budismo no entanto humano ou num plano celestial, de reconhece o processo cognitivo (mano) e acordo com suas ações. O assim chamado emocional (citta) da atividade psicofísica ser na vida subsequente não é o mesmo — que pode ser vista objetivamente como que seu predecessor (já que ele mudou) nem absolutamente diferente (visto que um tipo de auto-tortura que é como estar é um fluxo de vida idêntico). O Budismo em chamas. Essa é a situação em que se nega a identidade do ser, mas afirma a viu Devadatta. identidade do processo. Pecca (futuro): os próximos mundos. Katapuñño (benfeitor): o comentário Uma vez que a pessoa morre, ela nasce menciona o discípulo leigo chamado em outro estado que é a vida futura. Dhammika desfrutando de grande alegria Ela continua suas atividades em termos no seu leito de morte porque durante a de bem e mau que acumulou enquanto sua vida ele tinha acumulado uma vasta estava nesse mundo. Portanto, pecca quantidade de ações benéficas. Qualquer implica o que acontece com ela depois. indivíduo que recorde uma vida de conduta virtuosa e, em consequência, Bhiyyo: “ainda mais”. O virtuoso possa esperar após a morte um se rejubila nessa vida e ainda mais na nascimento num estado agradável, pode próxima vida nos paraísos. Ele se rejubila ser descrito como um katapuñño. lembrando as ações benéficas que fez.  Modati: rejubilar-se. Esse é o estado « mental de uma pessoa que acumulou uma vida de conduta virtuosa. No fim da hh Nota 11: Versos 19 e 20 — Sahitam vida ela pode desfrutar de uma sensação (ensinamentos): ao pé da letra significa de alegria, assim como o discípulo qualquer texto. Mas nesse caso se refere especificamente aos textos Budistas. Dhammika nesse verso.  As Palavras do Buda estão preservadas « nos Três Cestos (Tipitaka). Esse verso hh Nota 10: Versos 17 e 18 — Duggati enfatiza o fato de que a mera recitação (mundos inferiores): aquelas pessoas que das palavras do Buda não vai fazer muita se entregam a maus caminhos, após a diferença na vida religiosa de uma morte nascem em mundos infelizes. pessoa, se o buscador da verdade não Visto que esses estados fazem as vítimas está preparado para colocar em prática sofrerem, eles são descritos como duggati. o que está sendo recitado. A realização Em oposição aos mundos infelizes há os da vida santa somente é garantida se a mundos felizes (sugati). Aqueles que têm pessoa organizar sua vida de acordo com uma conduta virtuosa consequentemente o que foi dito pelo Buda. O esforço da renascem nesses estados. pessoa que meramente recita as palavras do Buda é tão fútil como o de um vaqueiro Idha tappati (com remorso ele sofre): que toma a preocupação de contar o gado o arrependimento daqueles que dos outros enquanto que os laticínios são lembram com tormento mental as ações desfrutados somente por outra pessoa — prejudiciais que cometeram. Tappati pode o dono. Esse verso se refere à pessoa que ser traduzido como “estar em chamas”. entende muito dos textos Budistas, mas A lembrança das ações prejudiciais traz que não pratica o que foi dito. Suvimutta citto (mente liberta): liberto Anupadiyano (não se apegando a nada das emoções. Um indivíduo que se desse mundo ou do próximo): um indivíduo libertou do agarrar e apegar realiza a que colocou um fim ao hábito de agarrar total libertação das emoções. e apegar a este mundo e ao próximo.  « 2. Appamadavagga Diligência A diligência é o caminho para o imortal; A negligência é o caminho para a morte. Os diligentes não morrem; Os negligentes já estão mortos.

21. O sábio então, reconhecendo essa excelência da diligência, Fica contente de estar entre os nobres E na diligência se rejubila.

22. Os sábios, sempre absortos em jhana, Perseverando, firmes no seu esforço: Eles experimentam nibbana — A libertação incomparável dos grilhões.

23. Perseverante e plenamente atento, Praticando ações benéficas, Considerado, moderado, vivendo diligente com o dhamma — De tal pessoa se espalha uma boa reputação.

24. Com energia e diligência, Com domínio e autocontrole, Façam os sábios uma ilha Que as enchentes não possam inundar.

25. Os tolos e ignorantes se entregam à negligência, Mas os sábios preservam a diligência como o seu maior tesouro.

26. Não se entregue à negligência! Não se entregue aos prazeres sensuais! Porque uma pessoa diligente e absorta nos jhanas alcança êxtase abundante.

27. Quando um sábio afasta a negligência através da diligência — Tendo ascendido à torre da sabedoria, inabalável e sem aflição — Ele examina os tolos, observa o povo se afligindo, Tal como um montês observa aqueles na planície.

28. Entre os negligentes, diligente; Entre os adormecidos, bem desperto. Tal como um corcel deixa para trás um pangaré, o sábio avança rapidamente.

29. A diligência é sempre elogiada; A negligência, sempre censurada. Pela diligência Sakka se tornou o rei dos devas.

30. O bhikkhu que se deleita na diligência, Que teme a negligência, Avança como um incêndio — Queimando pequenos e grandes grilhões.

31. O bhikkhu que se deleita na diligência, Que teme a negligência, Jamais decairá — Ele está próximo de nibbana.

32. hh Nota 1: Versos 21, 22 e 23 — Appamada estão sujeitos a repetidos nascimentos e (diligência): essa é uma expressão mortes. encontrada em diversos contextos dos Ensinamentos do Buda. Ela aparece Nibbana: ni + vana — literalmente, até mesmo em suas palavras finais. abandono do desejo. É um estado O significado exato de appamada é supramundano que pode ser realizado “sanidade”, ou ausência de loucura — nessa própria vida. Este estado também que de acordo com o Budismo não é é explicado como sendo a extinção das um estado mundano (puthujjana), mas paixões — mas não como um estado sim um estado supramundano (ariya). O de nada. É um estado atemporal de que o Buda queria dizer com esse termo libertação e bem-aventurança que é a constante vigilância e a aguçada resulta da completa erradicação das consciência do processo de experiência. paixões.  Os treinandos são instruídos a estarem « constantemente conscientes da experiência interior, para evitarem o (perseverante): um indivíduo que é envolvimento com o ser/existir (bhava). alerta, enérgico e que não é letárgico. Portanto essa vigilância é o estado Ele continua no caminho de busca mental constante de um treinando mais pela verdade sem se cansar e com uma avançado e o de um Iluminado. resistência inabalável.  Amata (imortal): Nibbana, o objetivo « último dos Budistas. Esse é um termo hh Nota 3: Verso 25 — Medhavi (sábios): positivo que claramente indica nibbana os sábios são as pessoas em quem os não ser a aniquilação ou um estado de insights corretos estão presentes. nada, tal como algumas pessoas tendem a acreditar. É um estado permanente, Dipam (ilha): uma ilha situada num imortal e supramundano que não pode nível mais elevado não pode ser inundada, ser expresso em palavras mundanas. muito embora as terras mais baixas nos arredores possam ser cobertas pelas Na miyanti (não morrem): Isso não deve enchentes. Essa ilha se torna um refúgio ser entendido no sentido de que eles são para todos. Da mesma forma, o homem imortais. Nenhum ser é imortal — nem sábio que desenvolve insights deveria mesmo o Buda ou os Arahants. A ideia fazer de si mesmo uma ilha, realizando implícita aqui é a de que os diligentes, o estado de Arahant, de forma que ele que realizam nibbana, não renascem e, não se afogue nas quatro torrentes: portanto, não morrem. Os negligentes desejo sensual (kama), entendimentos são considerados como mortos porque incorretos (ditthi), desejo por ser/ eles não estão decididos a fazer o bem e diligente. Ele protege sua diligência como existir (bhava) e ignorância (avijja).  alguém protegeria um grande tesouro. « Aquelas pessoas que são sensuais pensam hh Nota 4: Verso 26 — Bala (tolo): essa em riqueza como meio para desfrutar categorização ocorre na maior parte dos dos prazeres mundanos. Portanto, para ensinamentos do Buda. A pessoa referida elas a riqueza mundana é o único tesouro através dessa expressão é geralmente que importa. Nos antigos comentários os considerada como uma pessoa ignorante tesouros mundanos são considerados ou tola. Mas isso não quer dizer que tal sete em número. Eles são ouro, prata, pessoa não seja uma conhecedora de pérolas, joias, lápis-lazúli, conchas e a artes e ofícios. O que se entende é que gema shila. Mas para os buscadores da a pessoa referida não é plenamente verdade os tesouros são a diligência e a atenta o suficiente à realidade, não perseverança. Estes asseguram os meios sendo capaz de entender a real natureza de se obter os mais elevados frutos da das coisas. O comportamento dessa realização espiritual.  pessoa é, algumas vezes, considerado « como infantil e imaturo em termos de evolução espiritual. Ela se entrega hh Nota 5: Verso 27 — Kamarati santhavam (se entregar aos prazeres sensuais): A ao egoísmo excessivo e à busca dos estrofe enfatiza o fato de que essa entrega prazeres sensuais. Ela não se esforça leva ao afrouxamento da diligência e pela integridade, pela virtude e em ao enfraquecimento do entusiasmo na levar uma vida com boa conduta. Ela busca pela verdade. O que se conclui não sabe o que é benéfico para si mesma aqui é que não deve haver a entrega neste mundo e no próximo. No jargão aos apegos, independentemente de qual da psicologia moderna, significa “uma forem sua natureza. Portanto, a ênfase pessoa emocionalmente imatura”. é sobre a necessidade de evitar tanha, Pamadam anuyuñjanti (se entregam à termo que é traduzido literalmente negligência): o termo pamada literalmente como “sede”. É esta “sede” — a cobiça, significa a “loucura básica” da qual o desejo —, que se manifesta de várias todas as pessoas não iluminadas sofrem. maneiras, que dá origem a todas as Significa ser arrastado pelas emoções formas de sofrimento e de ser/existir e perder a consciência da realidade. É ou vir a ser (bhava). Mas ela não deve ser falta de controle emocional. É o mesmo considerada como a causa primeira, pois que imaturidade emocional. Também de acordo com o Budismo não há uma pode ser chamada de “neurose”. Nós a causa primeira possível, porque tudo traduzimos aqui como negligência, em tem de ter uma causa. Assim, a “sede” oposição à diligência. não é a primeira ou a única condição para o surgimento do sofrimento. Mas Settham dhanam iva (como o seu maior ela é uma condição essencial para o tesouro): a expressão diz respeito ao surgimento do sofrimento. O termo “sede” não inclui apenas o desejo por — para o desejo por ser/existir, bhikkhus, antes e apego a — prazeres sensuais, riqueza da qual ele não existisse e depois da qual e poder, mas também o desejo por ele tivesse surgido. Mas pode ser discernido — e apego a — ideias e ideais, visões, que o desejo por ser/existir tem uma sua opiniões, teorias, concepções e crenças. condição específica. Eu digo, bhikkhus, que De acordo com a análise do Buda, todos os o desejo por ser/existir tem o seu alimento, problemas e conflitos no mundo — desde ele não está desprovido dele. E qual é ele? as pequenas querelas pessoais em família Deve-se responder: ‘ignorância’ — desejo por até as grandes guerras entre nações e ser/existir e ignorância são considerados ‘as países — surgem dessa “sede”. A partir causas proeminentes que levam a destinos deste ponto de vista, todos os problemas felizes e infelizes (cursos de existência).’” econômicos, políticos e sociais estão enraizados nesta “sede” egoísta. Grandes Kamacchanda significa desejos sensuais estadistas que tentam resolver disputas ou apego aos objetos prazerosos dos sentidos internacionais e falar sobre guerra e como forma, som, odor, sabor, e contato. paz somente em termos econômicos Ele também é considerado como um dos e políticos tocam as superficialidades, grilhões que prendem os seres ao samsara. e nunca vão fundo na verdadeira raiz Uma pessoa comum está destinada a do problema. Assim como o Buda disse ser tentada por esses objetos atraentes para ,Ratthapala: “A vida em qualquer aos sentidos. Falta de autocontrole mundo é incompleta, insatisfatória, é a resulta no inevitável surgimento das escravidão pelo desejo.” paixões. Este obstáculo é suprimido pela Unicidade da Mente (ekagatta) — Kamarati também pode ser descrito que é um dos cinco fatores dos Jhanas. como desejo sensual. Em termos modernos Kamacchanda é enfraquecido ao se realizar pode ser chamado de “desejo impulsivo”. o fruto de sakadagami e é completamente O Buda disse: erradicado ao se realizar o fruto de anagami. Formas sutis de apego, como “Agora, bhikkhus, esta é a nobre verdade Rupa-Raga e Arupa Raga (apego aos reinos da origem do sofrimento: é este desejo da matéria sutil e reinos imateriais) são que conduz a uma renovada existência, erradicadas apenas ao se realizar o fruto acompanhado pela cobiça e pelo prazer, de Arahant. As seis condições seguintes buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo levam à erradicação do desejo sensual: pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/ (i) perceber os aspectos repulsivos existir, o desejo por não ser/existir.” do objeto; (ii) frequente meditação sobre os aspectos repulsivos (asubha); O desejo sensual é acompanhado pelo (iii) a contenção dos sentidos; (iv) a desejo de ser/existir ou pelo desejo de moderação ao comer; (v) bons amigos; não ser/existir. Desse impulso ou desejo e (vi) conversa apropriada. Veja por ser/existir, é dito: também: ,os-cinco-obstáculos-mentais-e- “Não pode ser discernida uma origem inicial sua-superação. Ma pamadam anuyuñjetha (não se a felicidade da renúncia, a felicidade entregue à negligência): este é um alerta do apego e a felicidade do desapego, a para aqueles que buscam a verdade. Se felicidade física e a felicidade mental quiserem ter sucesso em alcançar seu etc. Mas todos esses são considerados objetivo eles nunca devem afrouxar sua como sofrimento. Mesmo os mais puros diligência. Eles não devem se envolver estados espirituais de êxtase realizados em atividades mundanas e que enfatizem pela prática da meditação mais profunda os prazeres mundanos. A não dedicação são considerados como sofrimento. à diligência é um obstáculo para uma conceito de sofrimento pode meditação adequada.  ser Ovisto a partir de três aspectos: (i) « sofrimento devido à dor (dukkha- hh Nota 6: Verso 28 — Sokinim pajam (o dukkhata); (ii) sofrimento devido à povo se afligindo): isto estabelece uma mudança (viparinama-dukkhata); e (iii) característica das massas comuns — dos sofrimento inerente às formações homens e mulheres mundanos. Todos (sankhara-dukkhata). Todos os tipos de são descritos como “sofrendo”. Pesar — sofrimento na vida como nascimento, sofrimento — é uma situação inevitável velhice, doença, morte, a associação da vida mundana. Apenas os homens com pessoas e situações desagradáveis, mais avançados em sabedoria podem a separação dos entes queridos e de superar essa situação de vida. Pesar, ou condições agradáveis, não conseguir sofrimento, foi descrito pelo Buda como o que se deseja, tristeza, lamentação, uma verdade universal. Nascimento estresse — todas essas formas de é sofrimento, envelhecimento é sofrimento físico e mental, que sofrimento, enfermidade é sofrimento, são universalmente aceitas como o morte é sofrimento, a união com aquilo sofrimento ou dor — são incluídos no que é desprazeroso é sofrimento, a aspecto de sofrimento devido à dor. Uma separação daquilo que é prazeroso é sensação prazerosa, uma situação feliz sofrimento, não obter o que se deseja na vida, não é permanente, não é eterna. é sofrimento. Em resumo, os cinco Ela muda mais cedo ou mais tarde e, agregados influenciados pelo apego são quando isso acontece, produz dor, sofrimento. O Buda não nega a felicidade sofrimento, infelicidade. Essa vicissitude na vida ao dizer que há sofrimento. Muito está incluída no aspecto de sofrimento pelo contrário, ele admite diferentes devido à mudança. É fácil entender as formas de felicidade, tanto materiais duas formas de sofrimento mencionadas quanto espirituais, tanto para os leigos acima. Ninguém vai contestá-las. Este como para os monges. Nos ensinamentos aspecto da Primeira Nobre Verdade é do Buda há uma lista de felicidades, mais popularmente conhecido porque como a felicidade da vida em família é fácil de entender. É uma experiência e a felicidade da vida de um recluso, comum em nossas vidas cotidianas. Mas a felicidade dos prazeres sensuais e o terceiro tipo — sofrimento inerente às formações — é o mais importante aspecto os outros para trás em realizações filosófico da Primeira Nobre Verdade, e espirituais. Eles também rejeitam o ele exige certa explicação analítica do mundo cotidiano.  que consideramos como um “ser”, como « um “indivíduo” ou como “eu”. hh Nota 8: Verso 30 — Pamado garahito O que chamamos de “ser”, ou sada (a negligência sempre censurada): “indivíduo”, ou “eu”, de acordo com aqueles que são preguiçosos são a filosofia budista, é apenas uma censurados porque quem é letárgico combinação de forças/energias físicas e não consegue alcançar seus objetivos, mentais em constante mudança, e que sejam eles mundanos ou espirituais. podem ser divididas em cinco grupos ou A ignorância obviamente é sempre agregados. censurada, depreciada por aqueles que são nobres. Por quê? Porque ela é a Dharo bale avekkhati (ele examina os condição raiz de todas as calamidades. tolos): os Arahants, livres do sofrimento, Toda calamidade — seja condições olham com compaixão através de seu humanas adversas, seja o nascimento Olho Divino para os tolos, que estando em um estado infeliz — é, de fato, sujeitos a repetidos nascimentos, não condicionado pela ignorância. estão livres do sofrimento.  « Sakka: o Jataka Maghamanavaka relata que num passado remoto uma pessoa hh Nota 7: Verso 29 — Hitva yati (deixa preocupada com o povo, que passou sua para trás): deixa para trás; derrota; vida inteira no trabalho de assistência ultrapassa. Estas são as ideias centrais social com a cooperação de seus amigos, desta estrofe. A ideia expressa nessa nasceu como Sakka como resultado de estrofe é a de que aqueles que são suas boas ações.  diligentes e alertas deixam para trás os « outros que são letárgicos e negligentes. Para enfatizar essa ideia vários símiles hh Nota 9: Verso 31 — Saññojanam são mostrados. A pessoa está acordada (grilhões). Há dez grilhões que amarram e bem desperta, enquanto os outros os seres à roda da existência, a saber: estão dormindo fora de hora. Um cavalo (i) ideia da existência de um eu incapacitado é ultrapassado pelo corcel. (identidade); (ii) dúvida; (iii) apego a Dessa mesma forma, a pessoa diligente preceitos e rituais; (iv) desejo sensual; deixa para trás os outros que são (v) má vontade; (vi) desejo pela negligentes e frouxos em seus esforços. forma; (vii) desejo pelos fenômenos Desta forma, os sábios muito facilmente sem forma; (viii) presunção; (ix) deixam para trás os menos inteligentes, inquietação; e (x) ignorância. Os indivíduos tolos que não são seus iguais. cinco primeiros são chamados “grilhões Entre os buscadores da verdade aqueles inferiores”, porque eles amarram os que são firmes em sua busca deixam seres aos mundos da esfera sensual. Os cinco últimos são chamados “grilhões verdade — é descrito como um indivíduo superiores”, porque eles amarram os que se deleita com a mente alerta. seres aos mundos superiores, ou seja, aos mundos da forma (ou matéria sutil) e aos Bhikkhu: um discípulo completamente mundos sem forma (ou imateriais). ordenado do Buda é chamado de bhikkhu. “Monge mendicante” pode ser apontado Aquele que se libertou de (i) a (iii) como o equivalente mais próximo para é um sotapanna ou aquele que entrou bhikkhu. Ele não é um sacerdote, já que na correnteza — ou seja, aquele que ele não é um mediador entre Deus e o entrou na correnteza para nibbana, por homem. Ele não tem de tomar votos para assim dizer. Aquele que além desses a vida toda, mas ele é restringido por três grilhões superou as formas mais certas regras que adota de acordo com grosseiras de (iv) e (v) é chamado sua vontade. Ele leva uma vida de pobreza sakadagami, ou “que retorna uma vez” voluntária e celibato. Se não for capaz de (a este mundo). Aquele que se libertou viver a vida santa, ele pode abandonar os completamente dos grilhões de (i) a (v) mantos, a qualquer momento.  é um anagami, ou “que não retorna” (para « os mundos da esfera sensual). Aquele que se libertou de todos os dez grilhões hh Nota 10: Verso 32 — Nibbana: é chamado um Arahant, isto é, um referindo-se a nibbana o Buda diz: perfeitamente iluminado. “Existe, bhikkhus, o que não nasceu Pamade bhayadassi va (teme a — o que não é, o que não é fabricado, o negligência): ele vê a falta de consciência que não é condicionado. Se não existisse o com temor. O temor que ele vê diz que não nasceu — o que não é, o que não é respeito ao ciclo repetitivo de existências. fabricado, o que não é condicionado, não Ele está consciente de que, se afrouxar o haveria a situação na qual a emancipação esforço em aperfeiçoar o seu progresso do nascido — do que é, do fabricado, do espiritual, enfrentará nascimentos e condicionado — seria discernida.” mortes incessantemente. Por isso ele “Aqui não há nem terra, nem água, considera a falta de diligência como a nem fogo, nem ar; não há as noções causa raiz de todos esses sofrimentos. de comprimento e largura, de sutil ou Esta é a razão pela qual ele vê com temor grosseiro, de bem e mal, nome e forma são a falta de diligência. completamente destruídos; não há nem este Appamada rato (deleita-se com a mundo e tampouco outro mundo, não há vir, diligência). O buscador da verdade pode nem ir, nem permanecer; não há morte nem alcançar o êxito em sua busca se assim renascimento; não há base, não há evolução fizer com alegria. Se o seu deleite pelo e não há suporte (objeto mental).” imortal cessar, ele não será capaz de Como nibbana é explicado em termos continuar em seu caminho para nibbana. negativos, há muitos que têm uma noção Portanto, o monge — que procura a errada de tratar-se de algo negativo, e Abhabbo parihanaya (jamais decairá): não que representa uma auto-aniquilação. está sujeito ao decaimento. Um monge Nibbana definitivamente não é uma que é tão (diligente) não está sujeito a aniquilação do eu, porque não há um eu decair, seja do processo contemplativo para aniquilar. Se fosse uma aniquilação, de samatha e vipassana ou dos caminhos e seria a aniquilação do próprio processo frutos — isto é, não decairá daquilo que de ser, da condição contínua do samsara, foi alcançado, e irá alcançar aquilo que com a ilusão ou delusão de permanência ainda não foi alcançado.  e de identidade, com um ego vacilante de « “eu” e “meu”. 3. Cittavagga Mente Esta mente agitada, vacilante, Difícil de vigiar e controlar, O sábio endireitará Tal como o flecheiro faz com as flechas.

33. Tal como um peixe tirado da água E jogado na terra, Esta mente se debate Enquanto está abandonando o reino de mara.

34. A mente é difícil de ser controlada, É sempre veloz, ela se inclina àquilo que deseja. É bom o treinamento da mente; Uma mente bem domada traz felicidade.

35. A mente é muito difícil de ser examinada, É muito sutil, ela se inclina àquilo que deseja. O sábio deve vigiar a mente, pois uma mente vigiada traz felicidade.

36. Indo longe, perambulando só, sem forma E repousando numa caverna. Aqueles que contêm a mente Com certeza se libertarão dos grilhões de mara.

37. Uma pessoa com a mente instável, Que não compreende o verdadeiro dhamma, Que tem convicção hesitante: A sabedoria não chega à sua plenitude.

38. Alguém que tem uma mente não inundada (pela cobiça), Uma mente que não é abalada pelo ódio, Que abandonou o mal — e o bem também —, Um desperto, para ele não há medo.

39. Percebendo que esse corpo é como um pote de barro, Fortalecendo essa mente tal como uma cidade fortificada, Combata mara com a arma da sabedoria, Enquanto, sem apegos, proteja aquilo que já foi conquistado.

40. Ah! Não demorará muito e este corpo Repousará sobre a terra. Descartado, sem consciência, Inútil como um tronco podre.

41. Qualquer dano que um inimigo faça a um inimigo Ou aquele que odeia ao odiado, A mente direcionada de forma inábil Deveras poderá causar a uma pessoa o maior dano.

42. Aquilo que nem uma mãe, tampouco um pai, nem qualquer outro ente querido pode fazer, A mente direcionada de forma hábil Deveras poderá causar a uma pessoa o maior benefício.

43. hh Nota 1: Versos 33 e 34 — Cittam este tipo de estado mental é bhavanga-citta, (mente): este termo é comumente que significa o estado mental natural traduzido como mente ou consciência e é que é a condição para a existência da visto como a essência do assim chamado pessoa. Surgindo e desaparecendo a ser, que desempenha o papel mais cada momento, bhavanga flui como uma importante no complexo “maquinário” corrente de água, não permanecendo a do homem. Citta é mais apropriadamente mesma por dois momentos consecutivos. traduzida como um “estado mental” ou, Nós de fato experimentamos este tipo melhor ainda, um “estado emocional”. É de estado mental não só em um sono citta que é ou contaminada ou purificada, sem sonhos, mas também em nosso e este é o pior inimigo e o maior amigo estado de vigília. No decorrer da nossa que alguém tem. Citta parece ser o vida experimentamos estados mentais equivalente a “alma” no pensamento de bhavanga mais do que qualquer outro Ocidental. No Budismo, no entanto, tipo de estado mental. Portanto bhavanga uma “alma” como entidade permanente torna-se o estado natural da mente. não é reconhecida. Citta — que toma o lugar da alma do pensamento Ocidental Alguns estudiosos consideram — se refere ao estado emocional de bhavanga como sendo o mesmo que uma pessoa. Citta não é uma entidade subconsciência. De acordo com o fixa, mas sim uma atividade instável Dicionário de Filosofia, subconsciência tal como uma chama. Algumas vezes é “um compartimento da mente suposto as emoções estão estimuladas e outras — por parte de certos psicólogos e vezes citta está calma (as emoções filósofos — existir abaixo do limiar da estão ausentes). Podemos até traduzi- consciência”. Na opinião de alguns la como “temperamento”. Algumas psicólogos Ocidentais, a subconsciência pessoas que escrevem sobre o Budismo e a consciência coexistem. erroneamente consideram citta como Mas bhavanga não é um sub-plano e equivalente a “mente” ou “consciência”. também não corresponde à consciência Mas o que se entende por citta é o subliminar de F. W. Myer. aspecto “emocional”, e não os aspectos cognitivos do processo mental. Quando Bhavanga é assim chamado porque uma pessoa está dormindo e está em um é o estado de repouso da mente que sono sem sonhos, ela experimenta uma é natural para o contínuo vital de um espécie de estado mental que é mais ou indivíduo. É por isso que o contínuo menos passivo do que ativo. É semelhante vital tem sido sugerido como o termo ao estado mental que se experimenta no equivalente em português para bhavanga. momento da concepção e no momento da Mas uma tradução melhor seria “estado morte. O termo da filosofia Budista para de repouso mental”. Este estado mental de bhavanga — “Por si mesmo o mal é feito, que a pessoa sempre experimenta Por si mesmo se é contaminado; enquanto não é interrompida por Por si mesmo nenhum mal é feito, estímulos externos — vibra por um Por si mesmo se é purificado. momento mental e desaparece quando Ambas — impureza e pureza — um estímulo ativa os sentidos. Suponha dependem de si mesmo. por exemplo que o olho seja estimulado. Ninguém é purificado por outro.” Então, o fluxo de consciência bhavanga é bloqueado e a consciência da porta do É um fato aceito que o ambiente, as sentido (cuja função é voltar a atenção circunstâncias, as tendências habituais para o objeto) surge e desaparece. e assim por diante condicionam nossos Imediatamente após isso, surge uma pensamentos. Em tais ocasiões a volição percepção visual que vê o objeto, mas é subordinada. Existe no entanto a que ainda não sabe exatamente do que possibilidade de nós superarmos as forças se trata. Esta operação do sentido é externas e produzirmos pensamentos seguida por um momento de recepção benéficos ou prejudiciais exercendo do objeto que é visto. Em seguida surge nossa vontade própria. Um elemento o momento mental de investigação que exterior pode ser um fator causal, momentaneamente analisa o objeto mas nós mesmos somos diretamente visto. Isto é seguido por um momento responsáveis pelas ações que se seguirão. mental de decisão. Disso depende É extremamente difícil sugerir uma javana, a importante fase psicológica tradução adequada para javana. Percepção subsequente. É nesta fase que uma ação é é uma tradução sugerida por alguns. julgada — seja ela benéfica ou prejudicial Impulso é sugerido como uma tradução —, quando o discernimento é exercido e alternativa, termo que parece ser menos fará a sua parte. Kamma é realizado nesta adequado do que Percepção. Aqui é fase. mantido o termo em Pali. Se decidida corretamente, torna- Javana, literalmente, significa “correr se benéfica; se de forma errônea, velozmente”. É assim chamado porque, prejudicial. Independentemente da no curso de um processo de pensamento, conveniência ou da inconveniência do ela “corre velozmente” por sete objeto apresentado à mente, é possível momentos mentais — ou, no momento que o indivíduo torne o processo de da morte, por cinco momentos mentais javana benéfico ou prejudicial. Se por — para um mesmo objeto. Os estados exemplo encontra-se um inimigo, a mentais que ocorrem em todos esses raiva vai surgir automaticamente. Uma momentos mentais são semelhantes, pessoa sábia pode em vez disso, com mas a força potencial deles é diferente. autocontrole, irradiar pensamentos de amor/bondade para ele. Esta é a razão Todo este processo de pensamento pela qual o Buda declarou: — que ocorre em um fragmento infinitesimal de tempo — termina com Sadosa (mente afetada pela raiva); (4). a consciência de registro, com duração Vitadosa (mente não afetada pela raiva); de dois momentos mentais. Assim, um (5). Samoha (mente afetada pela delusão); processo de pensamento é completado (6). Vitamoha (mente não afetada pela após o término de dezessete momentos delusão); (7). Samkhitta (mente contraída); mentais. Esta é a análise de um processo (8). Vikkhitta (mente distraída); (9). de pensamento envolvido na experiência Mahaggata (mente transcendente); (10). de percepção de um objeto. Amahaggata (mente não transcendente); (11). Sauttara (mente superável); (12). No sistema Budista um elemento Anuttara (mente insuperável); (13). essencial na busca pela suprema Samahita (mente concentrada); (14). realização espiritual é a contemplação Asamahita (mente não concentrada); (15). sobre a verdadeira natureza da mente, Vimutta (mente libertada); (16). Avimutta cittanupassana. (mente não libertada).  “Cittanupassana” significa contemplação « da mente. A mente é tão complexa e hh Nota 2: Verso 35 — Duññiggahassa, sutil que mesmo a ciência moderna não yatthakamanipatino (difícil de ser tem sido capaz de compreender sua controlada; focando-se onde queira e em real natureza. Mas o Buda foi capaz de qualquer coisa que deseje): estas duas compreender a verdadeira natureza da são consideradas como características da mente através do desenvolvimento de mente. A mente é tão rápida e veloz que sua própria mente. O desenvolvimento é muito difícil mantê-la sob controle. Por da mente leva à concentração. ser ágil ninguém é capaz de contê-la, a A mente assim desenvolvida pode ser menos que a pessoa seja extremamente facilmente dirigida para o conhecimento disciplinada. A outra qualidade da mente, supremo. No entanto tal estado não referida nesse verso, é a sua capacidade pode ser alcançado facilmente. A mente de pousar em qualquer coisa que deseje. não sossega em um objeto, ela sempre Esta também é uma característica da se desvia. Quando se tenta controlar a mente que a faz extremamente difícil mente, ela se contorce tal como um peixe de ser mantida sob controle. Nossas retirado da água. Portanto, o controle da emoções são processos impessoais. Elas mente é para ser realizado com grande não são aquilo que nós fazemos. É por isso esforço. que são difíceis de controlar. É somente não se identificando com as emoções De acordo com o Abhidhamma [,] que elas podem ser detidas. Através da existem 121 tipos de mente. Nesta identificação, damos-lhes força. Pela meditação (Cittanupassana) 16 aspectos da observação calma de como as emoções mente são descritos. Eles são: (1). Saraga vêm e vão, elas cessam. As emoções não (mente afetada pelo desejo); (2). Vitaraga podem ser detidas batalhando com elas. (mente não afetada pelo desejo); (3).  « uma pessoa com uma mente instável ou não estabilizada. Todas as pessoas hh Nota 3: Verso 36 — Sududdasam comuns têm mentes que são instáveis. sunipunam (muito difícil de ser examinada, Suas mentes não são constantes muito sutil): duas características da e, consequentemente, carecem de mente. Uma proeminente qualidade da unicidade. Uma pessoa que possuir tal mente é que ela é extremamente difícil tipo de mente terá dificuldades para de ser vista. Embora seja capaz de uma progredir no Caminho da Libertação. grande variedade de atividades, ela não pode ser vista de forma alguma. Saddhammam avijanato (não compreende Ela se move de forma despercebida. Ela o verdadeiro Dhamma): uma pessoa que força, convence, motiva, tudo isso sem não tem conhecimento do Ensinamento ser vista. A outra qualidade da mente bem exposto pelo Buda. referida nesse verso é que ela é muito sutil. É por isso que a mente não pode ser Pariplava pasadassa (convicção vista ou capturada de qualquer forma. O hesitante): um indivíduo cuja convicção verso enfatiza o fato de que a felicidade e confiança são hesitantes não será capaz vem para aquele que é capaz de vigiar de fazer um progresso constante. essa entidade imperceptível e sutil — a Anavassuta cittassa (mente não mente.  inundada): essa é uma qualidade « positiva. Aqui se refere à pessoa cuja hh Nota 4: Verso 37 — Durangamam mente não seja inundada pela cobiça. ekacaram asariram guhasayam (indo Isso envolve o contaminante fluxo de longe, perambulando só, sem forma entrada das impurezas por meio das e repousando numa caverna): esses reações sensoriais (isto é, responder a são mais quatro atributos da mente visões, sons, cheiros etc.). mencionados nesse verso. Indo longe Ananvahatacetaso (mente não abalada): significa que, a partir de um tópico a pessoa cuja mente permanece inicial de pensamento, a mente pode se inabalável (pela cobiça, ódio etc.). Como desviar para muito longe. Perambulando a mente está perfeitamente intacta, a só significa que a mente só pode pensar pessoa pode utilizá-la para seu progresso em uma coisa de cada vez. Sem forma espiritual. significa que a mente não é uma entidade que ocupa espaço, já que ela é apenas uma Natthi jagarato bhayam (não há medo atividade que pode ser vista como física para um Desperto): ele está sempre ou mental. Repousando numa caverna alerta observando as impurezas que significa que a mente é intangível.  podem afetar a sua mente. Devido « a esta vigilância a pessoa Desperta não tem medo de nada. Não deve ser hh Nota 5: Versos 38 e 39 — entendido erroneamente que os Arahants Anavatthitacittassa (mente instável): para não dormem. Tanto dormindo como acordados eles são considerados como os sem sono ou vigilantes, uma vez que causa e efeito.  as cinco faculdades espirituais — ou « seja, convicção (saddha), energia (viriya), atenção plena (sati), concentração hh Nota 6: Verso 40 — Kumbhupamam (pote (samadhi) e sabedoria (pañña) — estão de barro): os monges são convidados a sempre presentes neles. considerar o corpo humano como um pote de barro — frágil, muito vulnerável. Puññapapapahinassa (abandonou o mal e o bem também): aquele que Cittam nagarupamam (considerar a transcende as noções de boas e más mente como uma cidade fortificada): ações, sem nenhum apego particular às a qualidade especial da cidadela está recompensas. Isso implica num elevado dentro dela, todos os tesouros valiosos grau de equanimidade, uma vez que são armazenados e protegidos. Se ela indica um desapego livre de ego. Não há não for protegida, qualquer pessoa nenhum apego ao ato de dar, a quem o de fora pode entrar e saqueá-la. Ela (a recebe ou ao presente dado. Os Arahants mente), também, poderia ser atacada no entanto, tendo transcendido toda a por impurezas. vida — a presente e o renascimento — ao Yodhetha Maram paññayudhena (combata fazerem ações, são ditos estarem “além Mara — o Senhor do Mal — com a arma do mérito e demérito.” da sabedoria): quando as “forças do mal” As ações de um Arahant — um atacam a mente — a cidadela que precisa perfeitamente iluminado — não são ser protegida — a única arma para uma nem boas nem más, porque ele foi para contraofensiva é a sabedoria, que é o além do bem e do mal. Isso não significa perfeito conhecimento da natureza das que ele seja passivo. Ele é ativo, mas  coisas tal como elas na verdade são. sua atividade é altruísta e é direcionada « para ajudar os outros a trilharem o hh Nota 7: Verso 41 — Aciram vata (não caminho que ele mesmo trilhou. Suas demorará muito): muito em breve, sem ações — que em geral são aceitas como qualquer sombra de dúvida. O verso boas — carecem de força criativa dele explica a condição do corpo humano. Em mesmo para produzir efeitos Kammicos. breve, certamente ele decairá. Ele, contudo, não é isento dos efeitos de suas ações passadas. Ele não acumula Chuddho (descartado): novas atividades kammicas. Quaisquer independentemente de quantos amigos ações que ele faça como um Arahant são e parentes amem uma pessoa enquanto chamadas de “inoperantes” (kiriya), e ela está viva, quando ela morre o seu não são consideradas como Kamma. Elas corpo será jogado fora. são eticamente ineficazes. Entendendo as coisas tal como elas realmente são, ele Nirattham kalingaram (inútil como finalmente quebrou a cadeia cósmica de um tronco podre): o corpo descartado vai repousar sobre a terra tal como um pior do que um inimigo externo. tronco podre. Ele não terá nenhuma utilidade para ninguém. Uma vez que a Uma mente direcionada de forma consciência se foi, sem vida nosso corpo inábil: a mente voltada para os dez tipos é inútil. Ele é pior do que um tronco de de ações prejudiciais. São eles: (1). matar; madeira, porque o corpo não tem mais (2). roubar; (3). conduta imprópria nenhuma utilidade, enquanto que um com relação aos prazeres sensuais; (4). tronco de madeira poderia, de alguma linguagem mentirosa; (5). linguagem maliciosa; (6). linguagem grosseira; forma, ter ainda alguma utilidade.  (7). linguagem frívola; (8). cobiça; (9). « má vontade; e (10). entendimento hh Nota 8: Verso 42 — Diso disam (o que incorreto.  um inimigo faz a um inimigo): da mesma « forma que aquele que odeia pode causar dano ao odiado. A conclusão do verso é a hh Nota 9: Verso 43 — Samma panihitam de que o mal que é feito para uma pessoa cittam (mente direcionada de forma por sua própria mente mal direcionada é hábil): os pais de uma pessoa a pior do que o mal que um bandido poderia amam imensamente. Eles podem lhe fazer para outro bandido rival ou pior do dar generosamente todas as coisas que o mal que dois inimigos fazem um ao mundanas. Mas quando se trata dos outro. A mente não desenvolvida é o pior frutos da vida superior — libertação e inimigo que alguém pode ter. realizar o “imortal” — só a mente bem direcionada pode ajudar. Isso porque a Miccha panihitam (mal direcionada): a pessoa tem de experimentar o “imortal” mente pode ser direcionada da maneira por si só. A mente bem desenvolvida é o correta. Em tal situação, o resultado é melhor amigo que alguém pode ter. benéfico. Quando isso acontece, a mente bem direcionada prova ser o melhor Mente direcionada de forma amigo que alguém pode ter. Mas quando hábil: a mente voltada para os dez a direção dada à mente é errada, ela pode tipos de ações benéficas (kusala). São causar para a pessoa um dano maior do elas: (1). generosidade; (2). virtude; que qualquer inimigo causaria. (3). meditação; (4). reverência ou respeito; (5). trabalho voluntário; (6). Miccha panihitam cittam (mente transferência de méritos; (7). alegrar- direcionada de forma inábil): O que se com os méritos dos outros; (8). ouvir se conclui aqui é que a mente de uma o Dhamma; (9). expor e ensinar o Dhamma; pessoa pode causar um dano maior do e (10). retificar o entendimento dos que qualquer inimigo poderia causar outros.  a outro. Desta forma, uma mente mal « direcionada é um inimigo interno muito 4. Pupphavagga Flores Quem irá compreender este mundo, O mundo de yama e o mundo dos devas? Quem irá examinar profundamente o bem exposto dhamma, Assim como quem é habilidoso escolhe uma flor?

44. Um nobre aprendiz vai compreender este mundo, O mundo de yama e o mundo dos devas; Um nobre aprendiz irá examinar profundamente o bem exposto dhamma Assim como quem é habilidoso escolhe uma flor.

45. Conhecendo este corpo como espuma, Despertando para sua natureza quimérica, Destruindo as flechas floridas de mara, Vá para além da visão do rei da morte.

46. Com a mente apegada aos prazeres sensuais, Colhendo apenas as flores do prazer, De surpresa a morte o pegará e o arrastará, Tal como uma grande enchente o faz com um vilarejo adormecido.

47. Com os desejos insaciáveis, Colhendo apenas as flores do prazer, Com uma mente que se apega aos prazeres sensuais, Será subjugado pelo senhor da morte.

48. Assim como uma abelha numa flor, Sem ferir a cor ou o aroma, Coleta o néctar e vai embora, Assim nos vilarejos perambula o sábio.

49. Não procure os defeitos nos outros, Nem o que eles fizeram ou deixaram de fazer, Mas em você mesmo examine Coisas feitas e coisas que deixou de fazer.

50. Assim como uma magnífica flor com cores radiantes Mas sem fragrância, Infrutíferas são as belas palavras Daquele que não as coloca em prática.

51. Assim como uma magnífica flor com cores radiantes e com fragrância, Frutíferas são as belas palavras Daquele que as coloca em prática.

52. Tal como de uma massa de flores muitas grinaldas podem ser feitas, Alguém nascido como humano deveria fazer muitas ações benéficas.

53. A fragrância de nenhuma flor vai contra o vento, Mesmo a do sândalo, do jasmim ou da lavanda. Mas a fragrância dos virtuosos vai contra o vento. A virtude dos bons permeia todas as direções.

54. Sândalo ou lavanda, lótus ou jasmim, De todas essas muitas fragrâncias, A fragrância da virtude é suprema.

55. Fraca é esta fragrância de lavanda e sândalo, Mas a fragrância dos virtuosos remonta sublime até o mundo dos devas.

56. Aqueles com perfeita virtude, Que permanecem diligentes, Libertos através do conhecimento supremo: Mara não é capaz de encontrar os seus rastros.

57. Na beira de uma estrada, Numa fossa onde é jogado lixo Ali floresce uma flor de lótus Perfumada e agradável...

58. ...Similarmente, em meio à escória dos seres, Entre os cegos mundanos, O discípulo do supremo desperto resplandece em sabedoria.

59. hh Nota 1: Versos 44 e 45 — Loka (mundo): Yamaloka (o mundo de Yama): pelo denota os três reinos de existência termo “mundo de Yama” se entendem os que compõem o universo, ou seja: (i) o quatro estados miseráveis: os infernos, o reino da esfera sensual, ou reino dos mundo animal, o mundo dos fantasmas cinco sentidos; (ii) o reino da matéria famintos (peta), e o mundo dos titãs sutil, correspondente aos quatro jhanas (asura). De acordo com o Budismo o materiais; e (iii) o reino imaterial, inferno não é permanente. É um estado correspondente às quatro realizações miserável — pois é um dos mundos em imateriais. Veja a descrição dos ,31- que os seres sofrem pelos resultados de mundos-de-existência. suas ações prejudiciais passadas. Devas: literalmente, luminosos. Eles Yama é a morte — Yama é quase são uma classe de seres que desfrutam sinônimo de Mara. de prazeres resultado de suas ações benéficas passadas. Eles também estão Mara: a figura da “Tentação” no sujeitos à morte. O reino da esfera sensual Budismo. Ele é frequentemente chamado compreende os infernos, o mundo de “Mara, o Senhor do Mal” ou Namuci animal, o mundo dos fantasmas (“o não libertador”, o adversário da famintos, o mundo dos titãs, o mundo libertação). Mara aparece nos textos humano e os seis primeiros mundos tanto como um ser real (um deva) quanto celestiais. No reino da matéria sutil como a personificação do mal e das ainda existem as faculdades de ver paixões, da existência mundana e da e ouvir — que, juntamente com as morte. Há cinco conceitos de “Mara” outras faculdades dos sentidos, são no Budismo: (1). A morte em si (maccu mara); (2). Os cinco agregados (khandha temporariamente suspensas nos quatro mara); (3). As contaminações mentais jhanas. No reino imaterial não há qualquer tipo de materialidade, apenas quatro (kilesa mara); (4). As fabricações mentais agregados mentais (khandhas). (sankhara mara); e (5). Uma divindade chamada Mara, que sempre tenta Embora o termo loka não seja usado obstruir o progresso espiritual do mundo nos suttas para se referir aos três reinos, (devaputta mara). Mara é igualado à morte mas sim o termobhava (existência), não na maioria dos casos. “Morte”, no uso há dúvidas de que o ensinamento sobre comum, significa o desaparecimento da os três reinos pertença ao período faculdade vital de uma única existência, mais antigo, ou seja, à época dos suttas e também do processo vital físico/ das escrituras Budistas — tal como mental convencionalmente chamado de demonstrado em muitos trechos “Homem”, “Animal”, “Personalidade”, relevantes. “Ego” etc. No entanto, estritamente falando, a morte é o surgimento, dissolução e desaparecimento, momento vida tenha se esgotado, a força que até a momento, de cada combinação agora atuou não foi destruída. físico/mental. Sobre esta natureza momentânea de existência, é dito: Tal como a luz de uma lâmpada elétrica é a manifestação externa “No sentido absoluto, os seres têm apenas visível da energia elétrica invisível, nós um momento muito curto para viver, a vida somos as manifestações exteriores de dura apenas o único momento de vigência energia kármica invisível. A lâmpada daquela consciência. Assim como a roda pode quebrar, e a luz pode ser extinta, de uma carroça — seja em movimento ou mas a corrente elétrica permanece e parada — o tempo todo está repousando a luz pode ser gerada em uma outra sobre um único ponto em sua periferia, da lâmpada. Da mesma forma, a energia mesma forma a vida dos seres dura apenas a kármica permanece intocada após vigência de tempo de um único momento de a desintegração do corpo físico, e o consciência. Assim que esse momento cessa, desaparecimento da consciência atual o ser também cessa. Pois é dito: ‘O ser do leva ao surgimento de uma nova em um momento passado de consciência viveu, mas outro nascimento. Mas não há nenhuma não vive agora, nem vai viver no futuro. O entidade imutável ou permanente que ser do momento futuro ainda não viveu, nem “passa” do presente para o futuro. vive agora, mas ele vai viver no futuro. O ser do momento presente não viveu, ele vive Sadevakam (mundo dos devas): esses apenas agora, mas não vai viver no futuro’.” seres são referidos como “luminosos”. Seres celestiais, divindades; seres que Em um outro sentido, ao chegar ao vivem em mundos felizes — e que, fim do processo vital físico/mental do via de regra, são invisíveis ao olho arahant, o perfeitamente Iluminado, no humano. No entanto, assim como todos momento de seu falecimento, pode ser os seres humanos e outros seres, eles chamado a morte final e última, já que também estão sujeitos aos repetidos até aquele momento o processo vital renascimentos, envelhecimentos e físico/mental ainda estava acontecendo. mortes, e portanto não estão livres do ciclo de existências, e não estão livres Morte, no sentido comum, combinada do sofrimento. Existem muitas classes de com o envelhecimento, forma o décimo seres celestiais. segundo elo da Origem Dependente. Kusalo (habilidoso): neste contexto Morte, de acordo com o Budismo, esta expressão se refere a perícia, é a cessação da vida físico/mental de habilidade. Mas na literatura Budista kusala qualquer existência individual. É o está imbuída de muitos significados. cessar da vitalidade, ou seja, da vida Kusala significa “karmicamente saudável” físico/mental, do calor e da consciência. ou “benéfico”, salutar, moralmente A morte não é a aniquilação completa de bom, hábil. As conotações do termo, de um ser, pois embora um certo tempo de acordo com os comentários, são: boa saúde, ausência de remorso, geração de do quarto fruto supramundano, arahatta- resultados karmicamente favoráveis, hábil. phala, é chamado de “alguém além do Em termos psicológicos, “karmicamente treinamento”. O mundano é chamado de saudável” são todas aquelas intenções “nem nobre aprendiz, nem perfeito em kármicas — e as consciências e fatores conhecimento”. mentais a elas associados — que são acompanhadas por duas ou três raízes Dhammapadam (bem exposto Dhamma): benéficas, ou seja, pela não-cobiça e o comentário declara que este termo não má vontade e, em alguns casos, se aplica às 37 Asas do Despertar. São também pela não-delusão. Tais estados elas: (i) os Quatro Fundamentos da Atenção de consciência são considerados como Plena: (1). contemplação do corpo, “karmicamente saudáveis”, já que eles (2). contemplação das sensações, são causas para resultados kármicos (3). contemplação da mente, e (4). positivos e contêm as sementes para um contemplação dos objetos mentais; (ii) destino ou renascimento feliz. A partir os Quatro Esforços Corretos: (1). o esforço desta explicação, dois fatos devem ser para que não surjam os estados levados em conta: (i) é a intenção que mentais prejudiciais que ainda não faz com que um estado de consciência surgiram, (2). o esforço para abandonar ou um ato seja “bom” ou “ruim”; (ii) o os estados mentais prejudiciais que critério moral no Budismo é a presença já surgiram, (3). o esforço para que ou ausência das Três Raízes Benéficas ou surjam estados mentais benéficos que Morais. As explicações acima se referem ainda não surgiram, e (4). o esforço à consciência hábil mundana. Os estados para a continuidade dos estados supramundanos saudáveis, ou seja, mentais benéficos que já surgiram; os quatro caminhos supramundanos, (iii) as Quatro Bases do Poder Espiritual: têm como resultados somente os desejo, energia, mente e investigação; correspondentes frutos supramundanos; (iv) as Cinco Faculdades Dominantes: eles não são karma e eles também não convicção, energia, atenção plena, levam ao renascimento, e isso também se concentração, sabedoria; (v) os Cinco aplica às ações benéficas de um Arahant e Poderes (Cinco Indriyas); (vi) os Sete a seus estados meditativos, que são todos Fatores da Iluminação: atenção plena, karmicamente inoperantes. investigação dos fenômenos, energia, êxtase, tranquilidade, concentração, Sekho (nobre aprendiz): um discípulo equanimidade; (vi) o Nobre Caminho no treinamento superior, ou seja, Óctuplo: entendimento correto, um dos que são diligentes no tríplice pensamento correto, linguagem treinamento, um dos sete tipos de correta, ação correta, modo de vida nobres discípulos (os que realizaram correto, esforço correto, atenção o primeiro dos quatro caminhos plena correta, concentração correta. supramundanos ou os três primeiros  frutos supramundanos). Aquele dotado « hh Nota 2: Verso 46 — Kaya (corpo): tem muitas conotações. Significa literalmente significa “Grupo”, “Corpo”. literalmente “Portador”, Constituição Pode se referir tanto ao corpo físico (ou natureza de uma coisa), Norma, Lei, como ao corpo mental. Neste último Doutrina; Justiça, Retidão; Qualidade; caso, pode ser um nome coletivo para Coisa, Objeto Mental; “Fenômeno”. os quatro agregados mentais (sensações, Todos esses significados para a palavra percepções, formações mentais e “Dhamma” são encontrados nos textos. consciência) ou apenas para a sensação, O comentário do Dhammapada dá quatro percepção e algumas poucas formações aplicações deste termo: qualidade, mentais. Kaya tem esse mesmo significado virtude, instrução, texto, insubstancialidade, (corpo mental) na descrição padrão do ou seja, “todos os dhammas são não-eu terceiro jhana: etc”. O Dhamma — como a lei libertadora descoberta e proclamada pelo Buda — é “Ele permeia e impregna, cobre resumido nas Quatro Nobres Verdades. e preenche o corpo com a felicidade O Dhamma é uma das Três Joias e uma das despojada do êxtase, de forma que não Dez Contemplações. exista nada em todo o corpo que não esteja permeado com a felicidade Dhamma como objeto mental pode ser despojada do êxtase”. qualquer coisa do passado, presente ou futuro, corporal ou mental, condicionada Kaya é também o quinto órgão dos sentidos, o corpo. ou não, real ou imaginária.  « Phenupamam (como espuma): o hh Nota 3: Verso 47 — Pupphani’ heva corpo é comparado com espuma e pacinantam (colhendo flores): a imagem borbulhas, porque ele se desintegra do fazedor de grinaldas continua muito rapidamente, assim como espuma sendo usada aqui. O ardente fazedor de e borbulhas. Em muitas ocasiões a grinaldas se absorve, em um jardim, na transitoriedade do corpo humano é seleção das flores de que ele precisa. Sua equiparada à desintegração de uma principal e mais importante preocupação borbulha. é a coleta de flores. Ele faz isso ignorando Marici dhammam abhisambudhano todos os outros pensamentos. Da mesma (despertando para a sua natureza forma, aqueles que buscam os prazeres quimérica): tornar-se profundamente sensuais também se concentram em seus consciente da quimérica substancialidade prazeres, ignorando todo o resto. e da natureza ilusória da vida. A borbulha Mahogo iva maccu adaya gacchati (de e a quimera juntamente enfatizam a surpresa a morte o pegará e o arrastará, natureza evanescente e ilusória da vida. tal como uma grande enchente): Marici Dhammam (natureza quimérica): o vilarejo adormecido não tem a natureza de uma miragem. “Dhamma” conhecimento de que uma enchente está chegando — e, consequentemente, todos os moradores são arrastados até a gostadas, conectadas com o desejo sensual morte pelas águas da enchente. Aqueles e que provocam a cobiça. que estão se entregando aos sentidos Sons conscientizados pelo ouvido que também desconhecem as ameaças são desejáveis, agradáveis e fáceis externas. Aqueles que se entregam aos de serem gostados, conectados com o prazeres sensuais são arrastados pela desejo sensual e que provocam a cobiça. morte. Aromas conscientizados pelo nariz que são desejáveis, agradáveis e fáceis Suttam gamam (um vilarejo de serem gostados, conectados com o adormecido): quem está exclusivamente desejo sensual e que provocam a cobiça. preocupado com os prazeres sensuais Sabores conscientizados pela língua é como aqueles em um vilarejo que são desejáveis, agradáveis e fáceis adormecido. Eles não têm consciência de serem gostados, conectados com o das ameaças externas.  desejo sensual e que provocam a cobiça. « Tangíveis conscientizados pelo corpo que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem hh Nota 4: Verso 48 — Antako (morte): gostados, conectados com o desejo sensual literalmente, o assassino. Este é um outro e que provocam a cobiça.” epíteto para Mara — morte. Nesse verso, o assassino é dito manter sob seu domínio Os dois tipos de sensualidade são todos aqueles que estão apegados aos também chamados de kama como uma prazeres sensuais e ignoram todas as impureza mental, como a base objetiva outras coisas. da sensualidade. O desejo sensual é completamente eliminado no estágio Kama (prazeres sensuais): pode de não-retorno. O perigo e o sofrimento denotar: (1). sensualidade subjetiva, o dos desejos sensuais são frequentemente desejo sensual; (2). sensualidade objetiva, descritos nos textos, que muitas vezes os objetos dos sentidos. insistem no fato de que aquilo que Sensualidade subjetiva — ou desejo prende o homem ao mundo dos sentidos sensual — é direcionada para todos os não são os órgãos dos sentidos nem os objetos dos sentidos: é um dos cinco objetos dos sentidos, mas sim o desejo obstáculos, um dos dez grilhões, um dos sensual.  três tipos de desejos, um dos três tipos « de pensamentos incorretos. O desejo sensual também é uma das impurezas hh Nota 5: Verso 49 — Game muni care (assim, nos vilarejos, perambula o (asavas) e apegos. sábio): o sábio tranquilo continua sua “Bhikkhus, existem esses cinco elementos ronda de esmolas no vilarejo, de casa do prazer sensual. Quais são os cinco? em casa, tomando apenas um punhado Formas conscientizadas pelo olho que são de cada casa, e somente o que é dado desejáveis, agradáveis e fáceis de serem de forma respeitosa e de boa vontade. Os ascetas errantes e todos os outros religiosos mendicantes são dependentes chamativa aos olhos. Pode ser colorida do vilarejo para os seus requisitos. Mas e brilhante. Mas, se não tem fragrância, o sábio virtuoso e tranquilo cuida para ela falha como flor. A analogia aqui é que o vilarejo não seja explorado de com as palavras do Buda ditas por alguém forma alguma. A abelha ao extrair o mel que não as coloca em prática. As palavras das flores as poliniza, sem lhes causar são brilhantes e cheias de cor. Mas o o menor dano. Enquanto em busca seu aroma adocicado somente aparece de esmolas o sábio tranquilo também quando colocadas em prática. está fazendo, espiritualmente, um favor ao povo. O mérito que ele obtém Sagandhakam (com fragrância): Se uma através de sua prática é compartilhado flor é colorida, bonita de se ver e tem com as pessoas que sustentam a sua uma fragrância sedutora, ela cumpriu o sobrevivência. Os doadores obtêm muitos seu papel como flor. Assim também o é méritos — o que lhes traz felicidade aqui com as palavras do Buda. Elas adquirem e no futuro. Um monge Budista, apesar seu aroma adocicado quando praticadas. de estar afastado da sociedade, não está Akubbato (aquele que não as coloca trabalhando apenas para seu próprio em prática), sakubbato (aquele que as benefício, como alguns pensam. Ele está coloca em prática): estas duas palavras trabalhando para o bem de todos. Este salientam o verdadeiro caráter do verso nos lembra deste fato.  Budismo. O caminho do Buda não é uma « religião de mera fé. Se fosse, a pessoa hh Nota 6: Verso 50 — Paresam katakatam só teria que depender de divindades (coisas feitas e coisas que deixou de externas ou salvadoras para a libertação. fazer): este verso pondera sobre uma Mas no caso da palavra do Buda a coisa fraqueza da maioria dos seres humanos. mais essencial é a prática. A “beleza” ou o Eles prestam muita atenção aos defeitos “aroma adocicado” das palavras do Buda dos outros, mas não aos seus próprios vêm através da prática. Se uma pessoa defeitos. Isto não se limita aos leigos. meramente fala as palavras do Buda, mas Mesmo monges têm esse hábito de não as pratica — se ele é um akubbato —, observar os defeitos dos outros. Esta ela é como uma flor em tons coloridos atitude de olhar para os outros é um e brilhantes, mas sem fragrância. Mas obstáculo ao desenvolvimento espiritual se ele é um sakubbato — uma pessoa que pois atrapalha a introspecção, que é pratica as palavras do Buda — ele se essencial para o progresso espiritual. torna uma flor ideal — bonita em cor e aparência, e em seu aroma adocicado.   « « hh Nota 7: Versos 51 e 52 — Agandhakam (sem fragrância): a essência de uma flor é hh Nota 8: Verso 53 — Neste verso, o seu aroma adocicado. Uma flor pode ser artesanato do fazedor de guirlandas é comparado com aqueles que levam uma vida virtuosa. As atividades da que realiza a “libertação” (vimutti), vida de uma pessoa são comparadas tornando-se plenamente consciente da a uma massa de flores. É um dever de experiência interior. cada pessoa arranjar estas flores em guirlandas de ações saudáveis. Este verso Añña (Conhecimento Supremo): nos lembra de que a vida não é um mar realmente significa “supra-conhecimento”. de rosas sobre o qual repousar, mas sim Embora seja comumente traduzido como um canteiro de flores no qual crescem conhecimento, esse supra-conhecimento belas flores. O propósito da vida é fazer não é a apreensão de conceitos. É a belas guirlandas a partir destas flores libertação dos conceitos. É a cessação da que embelezam o mundo. O melhor visão objetiva e do envolvimento com uso da nossa vida transitória e mortal é objetos do conhecimento. É a consciência fazer boas ações que tragam felicidade do processo de cognição, ao invés de do para todos. Este verso deixa claro que objeto conhecido, que leva ao desejo. os Budistas não são pessimistas que É o repouso mental. Isso é chamado de lamentam constantemente os espinhos “cessação da cognição” (viññassa nirodha). nas rosas. Eles fazem o melhor uso do É também chamado de “cognição não- que é bom no mundo, para torná-lo manifesta” (anidassana viññana). Toda a gama de objetos passíveis de cognição ainda melhor.  cai dentro do alcance de Mara. Esta « libertação do objeto de conhecimento hh Nota 9: Versos 54, 55 e 56 — Gandho não faz parte do domínio de Mara. (fragrância): em uma série de versos o Buda coloca a fragrância da virtude em Maro (Mara): Há cinco conceitos de oposição às fragrâncias convencionais “Mara” no Budismo: (1). A morte em como lavanda, sândalo e jasmim. Em si (maccu mara); (2). Os cinco agregados comparação com o aroma adocicado da (khanda mara); (3). As contaminações virtude, o aroma doce de tais fragrâncias mentais (kilesa mara); (4). As fabricações convencionais é apenas muito fraco. mentais (sankhara mara); e (5). Uma Essa analogia faz parte das cerimônias divindade chamada Mara, que sempre devocionais dos Budistas, onde o incenso tenta obstruir o progresso espiritual é oferecido diante do Buda em honra à do mundo (devaputta mara). Neste verso particular o termo Mara está associado a Sua virtude.  este ser maléfico chamado Mara.  « « hh Nota 10: Verso 57 — Sammadaññavimuttanam (libertos através do hh Nota 11: Versos 58 e 59 — Padumam tattha jayetha (ali floresce uma flor Conhecimento Supremo): ter realizado a libertação através da sabedoria, de lótus): o surgimento de alguém ou poderíamos dizer, do supra- excepcional dentre os inferiores e conhecimento. Isso se refere a alguém depravados é um tema recorrente nos discursos do Buda. A pessoa sábia, que venceu o mundo, embora tenha surgido de pessoas depravadas. no povo comum, é comparado a uma flor de lótus. Embora tenha saído da Atirocati paññaya (resplandece em lama, o lótus não está contaminado pela sabedoria): ninguém é condenado no lama. Nestes versos o sábio buscador da Budismo, pois a grandeza está latente verdade é comparado a uma flor de lótus mesmo nos aparentemente mais que brota de uma fossa de lixo à beira da inferiores, assim como os lótus brotam estrada. Apesar de ter surgido da lama o de lagoas lamacentas.  lótus é belo e perfumado, muito parecido « com a pessoa santa que emergiu do meio 5. Balavagga Tolos Longa é a noite para o insone, Longa é a légua para o cansado, Longo é o samsara para os tolos Que não conhecem o verdadeiro dhamma.

60. Se alguém não conseguir encontrar uma companhia melhor ou igual, Então ele deveria, com determinação, seguir sozinho. Não há companheirismo com os tolos.

61. “Eu tenho filhos, eu tenho riquezas”, Pensando assim, o tolo se preocupa. Se nem ele é dele mesmo, Como seriam dele filhos e riquezas?

62. Consciente da sua própria tolice, O tolo por isso é sábio, Enquanto que o tolo de fato tolo É o sábio presumido.

63. Mesmo que por toda uma vida o tolo conviva com um sábio, Ele nunca compreenderá o dhamma, Tal como a colher não sente o sabor da sopa.

64. Mesmo que por um breve momento o perspicaz conviva com um sábio, Ele rapidamente compreenderá o dhamma, Tal como a língua sente o sabor da sopa.

65. Tolos de pouca sabedoria são inimigos de si próprios, Já que vivem praticando ações prejudiciais que trarão frutos amargos.

66. Não é bem feita a ação da qual há remorso, Cujos resultados são sentidos com o choro e o rosto marcado pelas lágrimas.

67. Mas é bem feita a ação da qual não há remorso, Cujos resultados são sentidos com alegria e felicidade.

68. Quando a ação prejudicial ainda não frutificou O tolo pensa que ela é doce como o mel, Mas quando ela frutificar o tolo irá sofrer.

69. Mês após mês, com a ponta do capim o tolo ingere o seu alimento; Ele não vale um dezesseis avos daqueles que compreendem o dhamma.

70. Igual ao leite é a ação prejudicial, Que tão lentamente azeda. Mas latente permanece no tolo, Como as brasas cobertas por cinzas.

71. Deveras em seu detrimento o tolo obtém conhecimentos; O seu bom caráter, arruinado; As suas boas qualidades, destruídas.

72. Proeminência um tolo pode desejar: Precedência entre os bhikkhus, Autoridade nos monastérios E honras de outras famílias.

73. Que os leigos e bhikkhus pensem ‘Isso foi feito por mim; em todas tarefas, grandes ou pequenas, que eles sempre dependam de mim.’ Essa é a intenção do tolo; Inchadas a sua cobiça e presunção.

74. Uma é a busca pelo ganho mundano, Outra o caminho que leva a nibbana. Claramente compreendendo isto, O bhikkhu — discípulo do buda — Não se lambuza com as oferendas recebidas, Entregando-se, ao invés disso, ao afastamento.

75. hh Nota 1: Verso 60 — Samsara: o e os frutos supramundanos. Nenhuma perpétuo ciclo dos seres de vida em dessas qualidades são encontradas nos vida, o ciclo vicioso do nascimento, tolos. morte e renascimento, para o qual os Budistas aspiram dar um fim. O Por compaixão, para contribuir no renascimento não é visto pelos budistas seu aperfeiçoamento uma pessoa pode se como uma continuação da vida, associar com os tolos, mas não deve ser mas sim como uma perpetuação da contaminada por eles.  morte. Nós somente renascemos para « morrermos de novo. “Vida eterna” é hh Nota 3: Verso 62 — Atta hi attano uma ilusão. A vida não é nada além de natthi (nem ele é dele mesmo): os tolos se nascimento, envelhecimento e morte. consideram como possuidores de filhos Sua continuidade não é bem vista por e riquezas, mas na verdade nem eles um Budista. A meta Budista é o “imortal” próprios são “deles”. Se o “eu” “deles” ou “não-morte”, que é a única realidade pertencesse a eles, então eles poderiam possível, mas que é bastante diferente de controlá-lo como quisessem. Mas eles “vida eterna”. O Imortal — Nibbana — não é envelhecem, decaem; adoecem; coisas alcançado através do renascimento, mas inesperadas acontecem com eles. Dessa através do fim dos renascimentos. Nibbana forma, como eles podem pensar que são não é a aniquilação da “existência” ou do donos de si mesmos? “ser”, porque “ser” ou “existência” são apenas ilusões. Nibbana é o dissipar da “Grãos, posses, dinheiro, todas as coisas ilusão de “ser” e o abandono do apego que você ama, serviçais, empregados, à ela. Veja o ,Ciclo-de-Renascimentos. sócios... Nada disso você poderá levar  consigo, terá que deixá-los de lado. « Mas todo kamma que você fizer — quer seja com o corpo, linguagem ou hh Nota 2: Verso 61 — Sahayata mente —, essa é a sua real possessão, (companheirismo): este verso insiste e você deve viver com esse kamma. em que não se deve buscar a companhia Esse kamma irá segui-lo, tal como a sombra de pessoas imaturas. A associação com segue o seu dono.” pessoas imaturas não é de nenhum [SN.I.93] (SN.III.20) modo favorável mesmo para o progresso mundano, o que dizer então para o Todos os seres morrem. A vida progresso espiritual. De acordo com termina na morte. Os seres seguem de o comentário, o progresso espiritual acordo com suas ações, experimentando compreende a virtude superior, o os resultados de suas ações benéficas insight, os caminhos supramundanos e prejudiciais. Aqueles que praticam atos prejudiciais vão para os estados das Quatro Nobres Verdades, ou seja, do miseráveis, e os que fazem ações sofrimento, de sua origem, da sua cessação e benéficas alcançam os paraísos. do caminho que conduz à sua cessação.” Veja no glossário a definição de moha e avijja. “Portanto, pratiquem ações benéficas, colham benefícios para o futuro. Como avijja é o fundamento de todos A bondade é o fundamento os males e sofrimentos, este encontra-se para o que virá depois.” em primeiro lugar no ensinamento da [SN.I.93] (SN.III.20) Origem Dependente. Avijja não deve ser  considerado como “a causa primordial « de todas as coisas”. Avijja também tem uma causa. A sua causa é assim descrita: hh Nota 4: Verso 63 — Yo balo maññati balyam (consciente da sua própria tolice): “Tendo os asavas (impurezas) como a implicação deste verso é a de que a condição, avijja (ignorância) surge”. verdadeira sabedoria é encontrada no entendimento da realidade. Se alguém O Buda disse: está consciente da sua própria tolice, “Bhikkhus, uma origem inicial esse entendimento o torna sábio. A base da ignorância não pode ser discernida, da verdadeira sabedoria é o correto da qual se possa dizer, ‘Antes disso não entendimento das coisas tal como elas havia a ignorância e ela surgiu depois realmente são. Aqueles que são tolos disso.’ Embora isso seja assim, bhikkhus, mas que costumam acreditar que são ainda assim uma condição específica da sábios, são na verdade tolos, porque ignorância é discernida.” esse entendimento incorreto tinge (AN X.61). completamente os seus pensamentos. Veja no glossário a definição de asava. Balo (tolo): tolice é resultado de delusão (moha) e ignorância (avijja). A Como a ignorância (avijja) ainda existe ignorância é a raiz principal de todos — mesmo que de forma muito sutil — os males e sofrimentos no mundo, até a realização do fruto de arahant (ou encobrindo a visão do homem e perfeição), esta é considerada como impedindo que ele veja sua verdadeira o último dos dez grilhões (samyojana) natureza. A ignorância traz consigo a que aprisionam os seres no ciclo de delusão que engana os seres fazendo a renascimentos. Como as duas primeiras vida parecer permanente, feliz, pessoal Raízes Prejudiciais (mula) — cobiça e desejável. A delusão os impede de e aversão — estão enraizadas na ver que todas as coisas são na verdade ignorância e, consequentemente, todos impermanentes, sujeitas ao sofrimento, os estados mentais prejudiciais estão vazias de “Eu” ou “Meu” e, basicamente, inerentemente associados com ela, a indesejáveis. Ignorância (avijja), é delusão (moha) é a mais obstinada das definida como “o desconhecimento três Raízes Prejudiciais. Veja no glossário a definição de samyojana e mula. dessa e daquela forma. A colher continua a fazer isso em todos os tipos de pratos Avijja é um dos asavas (impurezas) — doces, azedos, adstringentes etc. A que motivam o comportamento. Muitas colher continua assim por séculos, até vezes é chamada de obstáculo, embora que se deteriore. Mas a afirmação feita não faça parte da lista usual dos Cinco pelo Buda é a de que, mesmo assim, a Obstáculos. colher não sabe o sabor dos alimentos. Esta é uma imagem muito apropriada Ignorância (avijja) da verdade do para mostrar o que acontece quando sofrimento, da origem do sofrimento, uma pessoa tola se associa com um sábio da cessação do sofrimento e do caminho ao longo de uma vida. Ela não obtém que conduz à cessação do sofrimento, nem um pingo de benefício de toda essa é a causa principal que coloca em associação. movimento a roda da vida (samsara). Em outras palavras, é o desconhecimento de Dhamma: o termo Dhamma assume como as coisas realmente são, ou do que vários significados. O significado mais a pessoa realmente é. A ignorância cobre proeminente no Budismo é “as Palavras de nuvens todo o entendimento correto. do Buda”. O Buda ensinou ao mundo o que ele “experienciou”. O processo através “Avijja é a cegueira obstaculizadora do qual o mundo veio a saber sobre esta que nos mantém presos neste ciclo de “experiência” foram as Palavras do Buda renascimentos”, diz o Buda. Quando a — chamadas de Buddhadhamma — que ignorância é destruída e substituída pela foram registradas detalhadamente nas sabedoria, a “cadeia causal” é quebrada, escrituras budistas. assim como no caso dos Budas e Arahants. No ,Itivuttaka o Buda afirma: O modo como os ensinamentos do Buda tiveram início está descrito “Aqueles que destruíram avijja e que no ,Ariyapariyesana-Sutta–MN26,- romperam sua densa escuridão não vão versos-19-a-24. Os Ensinamentos do Buda mais dar voltas no samsara.” começaram assim. O Dhamma significa,  em primeira instância, a experiência « da verdade que o Buda revelou para o hh Nota 5: Verso 64 — Dabbi (colher): benefício de todos os seres.  o Buda apresentou neste verso uma « imagem bastante nítida do que está sendo dito por ele. Dabbi — a colher — hh Nota 6: Verso 65 — Jivha suparasam yatha (tal como a língua sente o sabor mexe nos pratos. No decorrer do seu da sopa): a imagem do sabor da comida trabalho a colher entra em contato com continua sendo usada aqui. O sabor dos todas as formas de alimentos. A colher alimentos é uma experiência humana vira para a esquerda e para a direita, universal. Portanto, uma imagem que para cima e para baixo, virando a comida esteja associada ao sabor dos alimentos pode ser entendida universalmente. as variedades de consciência, seja ela Neste verso o Buda compara o sábio à passada, futura ou surgida no presente, língua. A língua tem contato com muitos grosseira ou sutil, interior ou exterior, tipos de comida. Mas, com zelo, pode inferior ou superior, próxima ou examinar vários sabores — em total distante. Veja no glossário a definição de contraste com a colher, que não sabe o khandha, ahara, dhatu. gosto de alimentos, mesmo passando sua vida inteira no meio de alimentos. Assim De acordo com os seis sentidos a como a língua, a pessoa sábia conhece o consciência se divide em seis tipos: “sabor” da pessoa virtuosa no instante consciência no olho ou consciência em que entra em contato com ela. visual e assim por diante. Sobre a origem dependente desses seis tipos de Viññu (perspicaz): aquele que possui consciência: viññana (consciência). Aqui viññana implica inteligência. Consciência é um dos cinco “Tendo o olho, o objeto visível, a luz e a agregados (khandha); um dos quatro atenção como condições, surge a tipos de alimentos (ahara); o terceiro consciência no olho elo da origem dependente; o quinto (consciência visual). dos seis elementos (dhatu). Vista como Tendo o ouvido, o objeto sonoro audível, um dos cinco agregados, a consciência o orifício do ouvido e a atenção como é inerentemente ligada aos outros condições, surge a consciência no ouvido três agregados mentais (sensação, (consciência auditiva). percepção e formações mentais) e Tendo o nariz, o objeto olfativo, o ar e fornece a consciência pura do objeto, a atenção, surge a consciência no nariz enquanto que os outros três contribuem (consciência olfativa). com funções mais específicas. Seu Tendo a língua, o objeto gustativo, a caráter ético e kármico e seu maior ou umidade e a atenção como condições, surge menor grau de intensidade e clareza a consciência na língua são determinados principalmente pelas (consciência gustativa). formações mentais a ela associadas. Tendo o corpo, o toque no corpo, o elemento Assim como os outros agregados, a terra e a atenção como condições, surge a consciência é um fluxo e não se constitui consciência no corpo de uma substância mental permanente; (consciência tátil). nem é uma entidade transmigradora ou Tendo a mente subconsciente, o objeto alma. As três características universais mental e a atenção como condições, surge a — impermanência, sofrimento e não- consciência na mente eu — lhe são frequentemente aplicadas (consciência mental).” nos textos. O Buda muitas vezes enfatizou A literatura do ,Abhidhamma que “sem condições, não há surgimento da distingue 89 classes de consciência, consciência” — e todas estas declarações entre karmicamente saudáveis, não sobre sua natureza valem para todas saudáveis e neutras; pertencentes ao reino sensual, ao reino da matéria sutil, descrito é o resultado de ações benéficas, ao reino imaterial, ou à consciência que não causam arrependimento. O supramundana.  agente da ação refletiu previamente « sobre quais seriam os resultados de suas ações. Com essa pré-reflexão ele hh Nota 7: Verso 66 — Bala dummedha praticou apenas ações que não vão levá- (tolos de pouca sabedoria): as duas palavras são mais ou menos sinônimas. lo ao remorso.  Mas a falta de sabedoria intensifica « o significado de tolo. A sabedoria é hh Nota 10: Verso 69 — Papam (ação comparada, em alguns textos, com um prejudicial): muitas vezes esse tipo raio no pico de uma montanha. Aquele de ação é caracterizada como akusala. raio destrói tudo no topo da montanha. Akusala implica “não-saudável”. Elas Da mesma forma, os sábios são capazes são aquelas volições kármicas, as de destruir todas as impurezas. Mas a consciências e os outros fatores mentais pessoa tola e a pessoa sem sabedoria concomitantes a elas associadas, que são não têm essa capacidade de desenraizar acompanhadas pela cobiça, ou ódio, ou as impurezas. As pessoas tolas, que apenas delusão; e todos esses fenômenos carecem de sabedoria, cometem ações são causas para resultados kármicos prejudiciais que lhes trarão resultados desfavoráveis e contêm as sementes de danosos. Elas estão sendo inimigas de si destinos e renascimentos infelizes. Veja mesmas.  no glossário a definição de akusala. « « hh Nota 8: Verso 67 — Assumukho rodam hh Nota 11: Verso 70 — Kusaggena bhojanam (com o choro e o rosto marcado pelas (com a ponta do capim ingere o seu lágrimas): esse foi o resultado apontado alimento): este verso se refere àqueles para o tipo de ação que, depois de que praticam austeridades extremas e praticada, é vista com arrependimento. auto-mortificação. O Buda muito cedo A advertência aqui é para evitar essas em seus Ensinamentos desconsiderou as ações que levam posteriormente ao austeridades como meios de realizar a remorso. Verdade.  Anutappati (há remorso): o remorso é « considerado como o resultado da ação hh Nota 12: Verso 71 — Sajju khiram que foi cometida sem nenhuma ideia das iva muccati (leite tão lentamente repercussões que viriam mais tarde. azeda): o leite tem que se submeter  a determinados processos antes de « azedar. Ocorre o mesmo com as ações prejudiciais. Elas não começam a hh Nota 9: Verso 68 — Patito sumano (com mostrar seus resultados desfavoráveis alegria e felicidade): neste caso, o que é até que se passe um certo tempo. Porque o processo é de longo prazo, o malfeitor egoístas são atividades inferiores não pode ver imediatamente os maus daqueles que ainda estão no sopé da resultados de sua ação. Isso faz com que ascensão espiritual. Esses tolos tendem ele cometa o mal sem ver os resultados a adquirir esses bens da vida laica que prejudiciais que isso trará no futuro. eles abandonaram. Estar rodeado de  comitivas, ser procurado para receber « presentes especiais é importante para eles. Eles se sentem feridos quando são hh Nota 13: Verso 72 — Ñattam negligenciados. Eles começam a ansiar (conhecimentos): esse verso enfatiza por requisitos de outras famílias que que até mesmo o conhecimento das não a sua, de forma a permitir que se pessoas tolas lhes traz a destruição. amplie o seu círculo de admiradores. O conhecimento precisa de outros Essas atitudes arruínam suas realizações refinamentos, como a capacidade de usá-lo de forma que nenhum mal seja espirituais.  feito para si mesmo ou para os outros. « As pessoas tolas, apesar de poderem hh Nota 15: Verso 75 — Viveke adquirir alguma habilidade, estão (afastamento): de acordo com o desprovidas de sabedoria para usá-la Niddesa, o afastamento é de três tipos: corretamente.  (1). afastamento corporal, ou seja, « viver na solidão e distante dos objetos sensuais; (2). afastamento mental, ou hh Nota 14: Versos 73 e 74 — Asatam seja, o afastamento interior dos objetos bhavanam iccheyya purekkharañca sensuais; e (3). o afastamento de todo o (Proeminência e precedência): esses dois substrato da existência. Na descrição versos são inteiramente sobre as diversas do primeiro jhana, as palavras “afastado formas de egoísmo experienciadas na dos prazeres sensuais” se referem ao vida monástica. Estas formas afetam “afastamento corporal”; as palavras principalmente os monges e ascetas que “afastado das qualidades não hábeis” não são muito avançados no caminho se referem ao “afastamento mental”; as espiritual. Uma vez que eles não palavras “nascidos do afastamento” se começaram a apreciar os verdadeiros referem à ausência dos cinco obstáculos. valores da vida monástica, eles se Veja no glossário a definição de viveka e enamoram de presentes fascinantes jhana. Veja a descrição do ,primeiro- de falso esplendor, de oferendas, do prestígio da liderança etc. Essas buscas jhana.  « 6. Panditavagga Sábios Considere como um guia que mostra o caminho para um tesouro O sábio que, vendo os seus defeitos, lhe censura. Permaneça com tal sábio, pois para aquele que permanece com tal sábio as coisas melhoram, não pioram.

76. Que ele aconselhe, que ele alerte e o proteja de praticar ações prejudiciais. Pelos virtuosos ele é bem visto, Pelos não virtuosos, não é.

77. Não se associe com amigos prejudiciais; Não se associe com pessoas não virtuosas. Associe-se com amigos admiráveis; Associe-se com as pessoas verdadeiras.

78. Quem bebe o dhamma vive feliz, com o coração puro e claro. Quem é sábio sempre se deleita no dhamma proclamado pelos nobres.

79. Irrigadores governam as águas; Flecheiros modelam as flechas; Carpinteiros modelam a madeira; Os sábios dominam a si mesmos.

80. Tal como um rochedo sólido não se abala com o vento, Diante do elogio ou da crítica os sábios nunca se movem.

81. Tal como um lago profundo, um lago tão claro e tranquilo, Ouvindo o dhamma serenos se tornam os sábios.

82. A tudo os nobres renunciam. Em paz, sem tagarelar em busca da sensualidade. Tocados sejam pela alegria ou pela tristeza, os sábios não demonstram nenhuma oscilação.

83. Nem para si mesmo nem para os outros deve-se desejar filhos, tesouros, reinos ou sucessos obtidos por meios incorretos. Agindo assim tal pessoa será virtuosa, sábia e íntegra.

84. Poucos são os seres humanos que cruzam até a outra margem. O resto — a massa dos seres — apenas corre para cá e para lá nesta margem.

85. Mas aqueles que praticam o dhamma de acordo com o dhamma perfeitamente ensinado, Esses irão cruzar o reino da morte Tão difícil de cruzar.

86. Abandonando os dhammas escuros, Que o sábio cultive os luminosos; Que ele abandone a vida em família pela vida santa — Um afastamento tão difícil de apreciar.

87. Que eles desejem esse raro deleite, Renunciando aos prazeres sensuais, não possuindo nada. Que esses sábios se purifiquem de todas as impurezas da mente.

88. Iluminados, com os fatores da iluminação completamente desenvolvidos; Deleite, sem apego por nada; Renúncia: Sem impurezas, radiantes, neste mundo realizaram nibbana.

89. hh Nota 1: Verso 76 — Vajjadassinam mensagem de uma é transmitida à niggayhavadim (que vendo os seus defeitos outra por um intermediário, isso é lhe censura; aquele que repreende): descrito como alertar (anusasana). Além estas são duas qualidades características disso, dizer apenas uma vez é ovada da pessoa que faz críticas construtivas. (aconselhar). Dizer repetidas vezes é Há aqueles que apontam os defeitos e anusasana (alertar). reprovam, com a intenção de insultar. Mas este verso se refere apenas aos Asabbha ca nivaraye (proteja de praticar críticos construtivos. Eles obviamente ações prejudiciais): é a abstenção de ressaltam as falhas e repreendem, ações inábeis: matar, roubar e a conduta mas suas intenções são diferentes. sexual incorreta. Significa inculcar a Eles realizam essas atividades como compaixão para com todos os seres “reveladores de tesouros”. Quem poderia vivos; tomar apenas as coisas que forem descrever um “revelador de tesouros” dadas livremente; e viver uma vida pura como uma pessoa que insulta? Esse tipo e casta. Através da conduta virtuosa ele de guia vai permitir ao discípulo perceber dá aos outros destemor, segurança e paz. por si mesmo os tesouros interiores que Toda a virtude — ou vida virtuosa — é ele possui, e fará dele um adepto da fundamentada no amor bondade (metta) conduta virtuosa, de modo que possa e na compaixão (karuna). Uma pessoa sem progredir de forma satisfatória ao longo essas duas qualidades notáveis não pode do caminho para a realização espiritual. ser considerada como dotada de moral. Ações verbais e físicas não coloridas  com amor e compaixão não podem ser « consideradas benéficas e saudáveis. hh Nota 2: Verso 77 — Ovadeyya, Certamente não se pode matar, roubar anusaseyya (aconselhe e alerte): em alguns e assim por diante, com pensamentos de comentários a distinção entre ovada e amor e uma boa consciência; isso apenas anusasana é cuidadosamente estabelecida. pode ser feito quando se é movido por “Aconselhar” (ovada) é descrita como pensamentos de crueldade, cobiça e dizer a uma pessoa sobre o que é bom e o ignorância. Veja no glossário a definição que é ruim, em termos do que já foi feito. de metta e karuna. Dizer a uma pessoa sobre o que é provável É necessário cultivar certo grau acontecer se alguém fizer isto ou aquilo de disciplina mental, porque a mente no futuro é referido como “Alertar” destreinada sempre encontra desculpas (anusasana). Aconselhar (ovada) é feita para cometer o mal através de palavras quando se está fisicamente presente ou ações. diante da pessoa. Mas se as duas pessoas não estão fisicamente presentes, e a “Quando o pensamento “Desenvolvam o que é hábil, bhikkhus. não é resguardado, a ação corporal É possível desenvolver o que é hábil. também não é resguardada; Se não fosse possível desenvolver o que e assim também são as ações verbais é hábil, eu não lhes diria ‘Desenvolvam e mentais”. o que é hábil.’ Porém porque é possível desenvolver o que é hábil, eu lhes digo, A conduta constrói o caráter. ‘Desenvolvam o que é hábil.’” Ninguém pode conceder o dom de um bom caráter a outro. Cada um tem que Este é o tipo de orientação que construí-lo através do pensamento, um bom conselheiro deve oferecer reflexão, zelo, esforço, atenção plena e para fazer uma pessoa abster-se de introspecção. No domínio de uma arte comportamentos inaceitáveis, imorais e se tem de trabalhar duro; assim também, antissociais (asabbha).  no domínio da arte da nobre conduta — « da qual depende o caráter bom e forte — a pessoa tem de ser diligente e atenta. hh Nota 3: Verso 78 — Mitta (amigo): na literatura Budista o conceito de No treinamento do caráter a amigo é extensivamente analisado. primeira coisa necessária é praticar o Nos comentários 7 tipos de amigos são autocontrole. Se em vez disso alguém se mencionados. Eles são: entrega aos prazeres sensuais, sua boa conduta social e caráter vão decair. Neste (1). Pana sakha: aqueles que somente ponto todos os professores de religião e são amigáveis bebendo em bares; (2). psicologia concordam. Aqueles que estão Sammiya sammiyo: aqueles que somente intoxicados com prazeres e são movidos são amigáveis quando você os encontra; pelo ímpeto da gratificação sensual, não (3). Atthesu jatesu: aqueles que somente podem ser devidamente treinados até são amigáveis quando lhes convém; que tenham aprendido a admitir suas (4). Upakaraka: aqueles amigos que são faltas. verdadeiros amigos quando se precisa deles; (5). Samana sukha dukkha: aqueles Em relação à conduta moral elevada, que estão sempre com você, tanto na o Buda aconselhou o seguinte: alegria como na tristeza; (6). Atthakkayi: aqueles bons amigos que o apoiam ao “Abandonem o que não é hábil, bhikkhus. longo do caminho para o progresso É possível abandonar o que não é hábil. espiritual, dissuadindo-o do que não é Se não fosse possível abandonar o que não hábil; e (7). Anukampaka: aqueles bons é hábil, eu não lhes diria ‘Abandonem o amigos que ficam tristes quando você que não é hábil.’ Porém porque é possível está sofrendo, mas que ficam muito abandonar o que não é hábil, eu lhes digo, felizes quando você está bem. Eles não ‘Abandonem o que não é hábil.’” permitem que outros falem mal a seu O Buda continua: respeito e elogiam aqueles que falam coisas boas a seu respeito. Um bom amigo é um kalyana-mitta (amigo admirável). distintas. No Budismo ele indica nobreza Papa mitta (amigo prejudicial) é aquele de caráter, e é invariavelmente aplicado a que o leva àquilo que não é hábil. Veja no todos os Budas e Arahants.  glossário a definição de kalyana-mitta. « No ,Sigalovada-Sutta (Exortação hh Nota 5: Verso 80 — Nettika, usukara, para Sigala) são descritos 8 tipos de tacchaka (irrigadores, flecheiros, amigos. Destes 8, 4 são bons amigos. carpinteiros): neste verso, toda uma Eles são: (1). Upakaraka mitta — um amigo série de especialistas é listada. Todos eles que lhe ajuda quando você precisa; (2). são habilidosos em atividades diversas. Samana sukha dukkha mitta — um amigo Todas essas três categorias de artesãos disposto a sacrificar sua própria vida controlam e domam coisas inanimadas: pelo seu bem; (3). Atthakkhayi mitta — um o irrigador leva a água para onde lhe amigo que lhe refreia de fazer o mal; (4). convenha; o flecheiro modela a vara de Anukampaka mitta — um amigo que é feliz madeira e a transforma numa flecha quando você é bem sucedido e elogia que atravessa o ar com velocidade; aqueles que falam bem de você. Existem e o carpinteiro transforma qualquer também 4 amigos prejudiciais: Eles são: madeira nos objetos que queira fazer. (1). Aññadatthuhara — um amigo que está Mas o buscador da verdade modela a sua interessado em tirar proveito de você; própria mente, o que é muito mais difícil (2). Vaciparama — um amigo que ajuda do que esses três citados acima.  apenas em palavras; (3). Anuppiyabhani — um amigo que aprova tanto as coisas « boas como as coisas ruins que você faz; hh Nota 6: Verso 81 — Ninda pasamsasu (4). Apaya Sahaya — um amigo que o leva (diante do elogio ou da crítica): as a ações prejudiciais tais como ingerir pessoas comuns tendem a ser abaladas pelas vicissitudes da vida. Quando intoxicantes.  « algo dá errado, elas ficam deprimidas. Quando as coisas vão bem, elas ficam hh Nota 4: Verso 79 — Dhammapiti sukham entusiasmadas. Mas o sábio é inabalável seti (quem bebe o Dhamma vive feliz): o qualquer que seja a fortuna que ele significado desse verso é que aqueles que enfrente. Diz-se que as pessoas em geral seguem os ensinamentos do Buda — os enfrentam 8 tipos de vicissitudes. Elas seguem em termos práticos — viverão são descritas em Pali: felizes. A expressão piti implica beber. Mas beber, nesse contexto, quer dizer Labho, alabho, ayaso, yasoca, absorver os ensinamentos como parte da (ganho, perda, elogio e crítica,) própria vida. ninda, pasansa, sukham, ca dukkham. (Má reputação, fama, alegria e tristeza.) Ariya (Nobre): significa “aquele que Ete anicca manujesu dhamma está distante das paixões”. Originalmente (essas são coisas transitórias na vida foi um termo que caracterizava raças humana) asassati viparinama dhamma. hh Nota 7: Verso 82 — Rahado gambhiro (Impermanentes e sujeitas à mudança.) (lago profundo): neste verso, a pureza ,Lokavipatti-sutta mental experimentada por aqueles que ouviram as palavras do Buda é declarada Essas são as 8 condições do mundo ser semelhante à clareza das águas dos (attha loka dhamma). As pessoas comuns lagos profundos. As pessoas comuns que são abaladas por essas vicissitudes, não tiveram a oportunidade de ouvir as enquanto que o sábio não se abala. palavras do Buda são impuras na mente, Os sábios conhecem a natureza impermanente do mundo, e em resposta, agitadas e conturbadas.  eles permanecem impassíveis diante do « mundo. Neste verso, esta estabilidade mental é comparada com a estabilidade hh Nota 8: Verso 83 — Sukhena dukkhena de um rochedo, que permanece (tocado pela alegria ou pela tristeza): o inabalável ao vento. A atenção plena sábio permanece imperturbável tanto dos sábios e suas mentes inabaláveis, em na alegria como na tristeza. Alegria e face de tais vicissitudes, se resume dessa tristeza são um par de opostos. Eles são forma: os fatores mais poderosos que afetam a humanidade. O que pode ser suportado Eteva ñatva satima sumedho com facilidade é sukha (alegria); o que é (O sábio, com atenção plena, as difícil de suportar é dukkha (sofrimento). compreende bem,) A felicidade ordinária é a realização de avekkhati viparinama dhamma. um desejo. Mal obtemos a coisa desejada (Observante dessas condições mutáveis.) e então nós já passamos a desejar algum Itthassa dhamma na mathenti cittam outro tipo de prazer. Dessa forma, nossos (As coisas desejáveis não encantam a desejos egoístas são insaciáveis. O gozo sua mente,) dos prazeres sensuais é a única e mais anitthato na patighatameti elevada felicidade apenas para uma (As indesejáveis não ocasionam pessoa mediana. Sem dúvida há uma nenhuma resistência.) felicidade momentânea na antecipação, ,Lokavipatti-sutta na gratificação e no relembrar de tais prazeres sensuais altamente cotados A pessoa sábia considera essas pelo sensualista, mas ela é ilusória e vicissitudes cuidadosamente e observa temporária. que elas estão sujeitas à impermanência. Sua mente não é abalada pela boa fortuna A verdadeira felicidade é encontrada nem é deprimida pelos infortúnios. É este no interior e não deve ser definida em reconhecimento da impermanência que termos de riqueza, poder, honras ou o ajuda a preservar a sua tranquilidade. conquistas.   « « hh Nota 9: Verso 84 — Este verso dá uma de nascimento da Revelação do Buda e resposta adequada à pergunta comum: da Sangha, a comunidade de monges, os “Por que o príncipe Siddhattha abandonou discípulos ordenados. sua esposa, filho, pais e reino, se não em seu próprio benefício?” Este verso nos lembra No ,Marapasa-Sutta o Buda se de que ele não faria coisas injustas para dirigiu aos seus discípulos — os arahants seu próprio benefício ou para o benefício perfeitamente iluminados — e disse: de outros. “Bhikkhus, eu estou livre de todas as É devido ao entendimento correto da armadilhas, tanto celestiais como humanas. natureza do mundo, sua instabilidade, Vocês também, bhikkhus, estão livres de sofrimento e impessoalidade, que ele todas as armadilhas, tanto celestiais como abandonou sua casa. Ao mesmo tempo, ele humanas. Peregrinem, bhikkhus, pelo não menosprezou a sabedoria mundana. bem-estar de muitos, para a felicidade de Ele tentou adquirir conhecimento até muitos, por compaixão pelo mundo, para mesmo dos seus servos. Nunca ele o bem, bem-estar e felicidade de devas e demonstrou qualquer desejo de exibir humanos. Que dois não sigam pela mesma seus conhecimentos. O que ele sabia estrada. Ensinem, bhikkhus, o Dhamma — que sempre estava à disposição dos outros, e é admirável no início, admirável no meio, isso ele concedia sem reservas. Ele dava admirável no final — com o correto fraseado o seu melhor para levar os outros das e significado. Revelem a vida santa que é trevas para a luz. O que ele fez foi parar perfeita e imaculada. Há seres com pouca de perseguir ilusões. Ele começou a viver poeira sobre os olhos, que estão decaindo de forma realista — não só para si, mas por não ouvir o Dhamma. Há aqueles que também para servir de exemplo para os entenderão o Dhamma. Eu também, bhikkhus, irei para Senanigama em Uruvela para outros.  ensinar o Dhamma.” « Assim o Buda começou sua sublime hh Nota 10: Versos 85 e 86 — Dhamme missão, que durou até o fim de sua vida. Dhammanuvattino (aqueles que praticam Com seus discípulos ele andou pelas o Dhamma de acordo o Dhamma estradas e caminhos de Jambudipa, a terra perfeitamente ensinado): o Buda expôs do jambo-rosa (outro nome para a Índia), seus ensinamentos inicialmente para envolvendo a todos dentro da aura de os cinco contemplativos e pregou seu sua compaixão ilimitada e sabedoria. primeiro discurso — ,Colocando-a- Roda-do-Dhamma-em-Movimento. E assim O Buda não fez distinção de casta, clã o Iluminado proclamou o Dhamma e pôs ou classe quando ensinava o Dhamma. em movimento a incomparável “Roda da Homens e mulheres de diferentes Verdade”. Com a proclamação do Dhamma esferas da vida — os ricos e os pobres, pela primeira vez e com o convencimento os mais humildes e os mais elevados, dos cinco contemplativos, o Parque do os alfabetizados e os analfabetos, os Gamo, em Isipatana, tornou-se o local brâmanes e os párias, os príncipes e os grande número dessas nobres monjas, indigentes, os santos e os criminosos — seus esforços enérgicos para realizar a ouviram o Buda, tomaram refúgio nele e meta de libertação e os seus gritos de seguiram aquele que mostrou o caminho vitória ao realizarem a libertação da para a paz e a iluminação. O caminho mente são vividamente descritos nos está aberto a todos. Seu Dhamma era para “Versos das Monjas Anciãs” (Therigatha). todos. As castas, que eram uma questão de importância vital para os brâmanes Enquanto viajava de vilarejo em da Índia, foi uma das questões de maior vilarejo, de cidade em cidade, instruindo, desinteresse do Buda, que condenou iluminando e alegrando a muitos, o fortemente tal aviltante sistema. O Buda Buda viu como o povo — supersticioso, livremente admitia na Sangha pessoas de mergulhado na ignorância — sacrificava todas as castas e classes, quando ele sabia animais em adoração aos seus deuses. Ele que elas estavam aptas para viverem lhes disse: a vida santa — e algumas delas, mais “A vida, que todos podem tomar, tarde, se destacaram na Sangha. O Buda mas ninguém pode dar, foi o único professor contemporâneo vida que todas as criaturas amam que se esforçou para associar em mútua e se esforçam para manter, tolerância e concórdia aqueles que maravilhosa, amada e prazerosa até então tinham sido segregados por para cada um, diferenças de castas e de classes. até mesmo para o mais malvado...” O Buda também elevou o status das O Buda nunca incentivou disputas e mulheres na Índia. De modo geral, na animosidade. Dirigindo-se aos monges, época do Buda — devido à influência no ,Puppha-Sutta ele disse: brâmane — as mulheres não tinham muito reconhecimento. Às vezes elas eram “Bhikkhus, eu não disputo com o mundo, detidas por desacato, embora houvessem é o mundo que disputa comigo. casos isolados de exibição de sua erudição Quem fala o Dhamma não disputa com em matéria de filosofia, e assim por ninguém no mundo.” diante. Em sua magnanimidade, o Buda tratava as mulheres com consideração Para o Buda a prática do Dhamma e civilidade, e apontou-lhes também o é de grande importância. Portanto, caminho para a pureza, paz e santidade. os budistas têm de ser Dhammanuvatti O Buda estabeleceu a ordem de monjas (aqueles que praticam o Ensinamento). (Bhikkhuni Sasana) pela primeira vez na Os aspectos práticos são os mais história, pois nunca antes houvera uma essenciais para a realização dos objetivos ordem em que as mulheres pudessem espirituais indicados pelo Dhamma levar uma vida celibatária de renúncia. (Ensinamento) do Buda. Mulheres de todas as esferas da vida Não há atalhos para a verdadeira paz juntaram-se à ordem. A vida de um e felicidade. Como o Buda apontou em muitos discursos, este é o único caminho embora haja orientação, alertas e que leva ao objetivo supremo da vida santa instruções, a verdadeira prática — que vai dos níveis mais baixos para os do Dhamma, o trilhar do caminho, é mais elevados do mundo mental. É um deixada para nós. Devemos proceder treinamento gradual, um treinamento com a mesma energia incansável para na linguagem, ação e pensamento, que superarmos todos os obstáculos, e traz a verdadeira sabedoria que culmina atentos aos nossos passos ao longo do com a iluminação completa e a realização Caminho Correto — o caminho trilhado de Nibbana. É um caminho para todos — e apontado por todos os Budas. independentemente de raça, classe ou credo —, um caminho a ser cultivado a Para explicar a ideia de cruzar, cada momento da nossa vida de vigília. o Buda usou o símile da balsa no ,Alagaddupama-Sutta: O primeiro e único objetivo do Buda ao apontar esse Ensinamento é indicado “Bhikkhus, eu lhes mostrarei que no ,Culasaccaka-Sutta: o Dhamma é semelhante a uma balsa, existindo para o propósito de cruzar “O Abençoado é iluminado e ele ensina o (a torrente) e não para que vocês Dhamma tendo como objetivo a iluminação. se agarrem a ela.” O Abençoado é domado e ele ensina o Dhamma para cada um domar a si mesmo. O Buda — o Mestre compassivo — não O Abençoado está em paz e ele ensina está mais vivo, mas ele deixou um legado o Dhamma tendo como objetivo a paz. O — o Dhamma sublime. O Dhamma não é uma Abençoado cruzou a torrente e ele ensina invenção, mas uma descoberta. É uma lei o Dhamma para cruzar a torrente. O atemporal, que está em toda parte com Abençoado realizou Nibbana e ele ensina o cada homem e mulher — Budistas ou Dhamma para realizar Nibbana.” não-Budistas, Orientais ou Ocidentais. O Dhamma não tem rótulos, não conhece Sendo esta a finalidade para a qual limites de tempo, espaço ou raça. É para o Buda ensina o Dhamma, é óbvio que todos os tempos. Cada pessoa que vive o o objetivo do ouvinte ou seguidor do Dhamma vê a sua luz, o vê e o experimenta caminho deveria ser o mesmo — e não por si próprio. O Dhamma não pode ser para qualquer outra coisa que seja. O transferido a uma outra pessoa, pois tem objetivo, por exemplo, de um médico que ser realizado por cada um.  misericordioso e inteligente deveria ser « curar os pacientes que o procuram em busca de tratamento, e o único objetivo hh Nota 11: Versos 87, 88 e 89 — do paciente, como sabemos, é conseguir Pariyodapeyya attanam cittaklesehi pandito se curar o mais rápido possível. Esse é o (que esses sábios se purifiquem de todas único objetivo de uma pessoa doente. as impurezas da mente): este é um resumo de todo o processo de purificação Também devemos entender que da mente, de modo que esta seja um instrumento adequado para a exploração glossário a definição de jhana, sakadagami e do Imortal (Nibbana). Das impurezas que anagami. poluem a mente, as principais são os cinco obstáculos. As seis condições seguintes levam ao abandono do desejo sensual: (i) perceber Nivarana (obstáculo, bloqueio): os aspectos repulsivos do objeto; (ii) neste contexto, o significado é o de um dedicar-se à meditação nos aspectos comportamento obstaculizante que não repulsivos (asubha); (iii) guardar as é propício para a realização dos cumes portas dos sentidos; (iv) moderação no espirituais. Os fatores que dificultam comer; (v) apoio de amigos admiráveis; ou impedem o progresso de alguém ao e (vi) conversa apropriada. longo do caminho para a libertação e estados mais elevados são descritos como (2). Má vontade ou aversão. Um nivarana. Existem cinco obstáculos. São objeto prazeroso conduz ao apego, eles: (1). desejo sensual (kama-cchanda); enquanto que um desprazeroso conduz (2). má vontade (vyapada); (3). preguiça à aversão. Estes são as duas grandes e torpor (thina-middha); (4). inquietação chamas que queimam o mundo todo. e ansiedade (uddhacca/kukkucca); e (5). Auxiliados pela ignorância, estes dois dúvida (vicikiccha): produzem todos os sofrimentos no mundo. A má vontade é suprimida pelo (1). Desejo sensual ou apego aos êxtase (piti), um dos fatores de jhana. A objetos dos sentidos (formas, sons, má vontade é atenuada ao se realizar o aromas, sabores e tangíveis) que são estado de sakadagami e é completamente prazerosos. Também é considerado erradicada ao se realizar o estado de como um dos grilhões (samyojana) que anagami. aprisionam os seres no samsara. Veja no glossário a definição de samyojana. As seis condições seguintes levam ao abandono da má vontade: (i) perceber Uma pessoa comum está destinada a o objeto com pensamentos de amor ser tentada por esses objetos atraentes bondade (metta); (ii) dedicar-se à dos sentidos. Falta de autocontrole meditação de amor bondade; (iii) resulta no inevitável surgimento das refletir que se é herdeiro e dono paixões. Este obstáculo é suprimido de suas próprias ações (kamma); (iv) pela unicidade (ekagatta), um dos dedicação a essa reflexão; (v) apoio cinco fatores de jhana. Ele é atenuado de amigos admiráveis; e (vi) conversa ao se realizar o estado de sakadagami e é apropriada. completamente erradicado ao se realizar o estado de anagami. Formas mais sutis de (3). A preguiça é explicada como apego, como rupa-raga (desejo pela forma) um estado mórbido da mente (citta), e arupa-raga (desejo pelos fenômenos e o torpor como um estado mórbido sem forma) são erradicados somente ao dos objetos mentais (dhamma). A mente se realizar o estado de arahant. Veja no indolente é “inerte como um morcego pendurado a uma árvore, ou como melaço arahant, e a ansiedade é completamente grudado em um bastão, ou como um pedaço erradicada ao se realizar o estado de de manteiga muito dura para se espalhar”. anagami. Preguiça e torpor não devem ser entendidos como sonolência corporal, As seis condições seguintes levam porque mesmo os arahants — que ao abandono destes dois estados: (i) erradicaram completamente esses dois conhecer as escrituras budistas obstáculos — também experienciam (doutrina e disciplina); (ii) fazer a fadiga corporal. Preguiça e torpor perguntas sobre elas; (iii) familiaridade promovem a inércia mental e se opõem com o ,Vinaya (o código de disciplina ao esforço vigoroso. São suprimidos pelo monástica e, para os discípulos leigos, pensamento aplicado (vitakka) — um dos os princípios de conduta ética); (iv) fatores de jhana —, e são completamente associar-se com aqueles maduros na erradicados ao se realizar o estado de idade e experiência, que possuem arahant. dignidade, moderação e calma; (v) apoio de amigos admiráveis; e (vi) As seis condições seguintes levam conversa apropriada. ao abandono da preguiça e torpor: (i) reflexão sobre a moderação ao comer; (5). Dúvida ou indecisão. Aquilo que (ii) trocar a postura do corpo; (iii) focar- é desprovido do remédio da sabedoria. se na percepção da luminosidade; (iv) Também é explicado como desorientação ficar ao ar livre; (v) apoio de amigos devido a pensamentos confusos. Aqui não é admiráveis; e (vi) conversa apropriada. usado no sentido de dúvida com relação ao Buda, Dhamma, Sangha etc., porque (4). Inquietação da mente e mesmo os não budistas suprimem ansiedade. É um estado mental vicikiccha e realizam os jhanas. Como associado com todos os tipos de grilhão vicikiccha é aquela dúvida sobre consciência imorais. Como regra geral o Buda, Dhamma e Sangha etc., mas como um mal é feito com alguma inquietação obstáculo denota uma incerteza sobre ou agitação. A ansiedade ou remorso uma coisa particular que está sendo pode ser o arrependimento sobre algum feita. A explicação dos comentários mal cometido ou sobre o bem que não foi sobre vicikiccha é a incapacidade de decidir feito. O arrependimento em relação ao com certeza sobre qualquer coisa. Em outras mal cometido não isenta a pessoa de suas palavras, é a indecisão. consequências inevitáveis. O melhor arrependimento é a intenção de não Este obstáculo é suprimido pelo repetir tal ação. pensamento sustentado (vicara), um dos fatores de jhana. Ele é completamente Esse obstáculo é suprimido pela erradicado ao se realizar o estado de felicidade (sukha), um dos fatores de sotapanna (entrar na correnteza). Veja no jhana. A inquietação é completamente glossário a definição de sotapanna. erradicada ao se realizar o estado de As seis condições seguintes levam ele permanece com a mente desprovida ao abandono da dúvida: (i) conhecer de cobiça; ele purifica a sua mente as escrituras budistas (doutrina e da cobiça. disciplina); (ii) fazer perguntas sobre elas; (iii) familiaridade com o Vinaya “Abandonando a má vontade, (o código de disciplina monástica e, ele permanece com a mente livre para os discípulos leigos, os princípios de má vontade, com compaixão pelo de conduta ética); (iv) firme convicção bem estar de todos os seres vivos; ele no Buda, Dhamma, Sangha etc.; (v) apoio purifica a sua mente da má vontade. de amigos admiráveis; e (vi) conversa “Abandonando a preguiça e o torpor, apropriada. ele permanece livre da preguiça e torpor, perceptivo à luz, atento e plenamente [Outro comentário sobre os obstáculos consciente; ele purifica a sua mente mentais para Nibbana, que cegam a nossa da preguiça e do torpor. visão mental]: Na presença deles não se “Abandonando a inquietação e pode chegar à concentração de acesso e à a ansiedade, ele permanece calmo concentração de absorção, e se é incapaz com a mente em paz; ele purifica de discernir claramente a verdade. a sua mente da inquietação Eles são: desejo sensual, má vontade, e da ansiedade. preguiça e torpor, inquietação e ansiedade, e dúvida cética. “Abandonando a dúvida, Nos símiles, desejo sensual é ele assim permanece tendo superado comparado com água misturada com a dúvida, sem perplexidade tinturas variadas, má vontade com em relação a qualidades mentais hábeis; água fervente, preguiça e torpor com ele purifica a mente da dúvida. água coberta por musgos e plantas aquáticas, inquietação e ansiedade com “Tendo assim abandonado esses água agitada pelo vento e dúvida com cinco obstáculos — imperfeições da mente água túrbida e barrenta. Assim como que enfraquecem a sabedoria — a água nessas condições não permite um bhikkhu, afastado dos prazeres sensuais, ver o reflexo da própria face, com a afastado das qualidades não hábeis, presença desses cinco obstáculos da entra e permanece no primeiro jhana, mente não se pode distinguir claramente que é caracterizado pelo pensamento o que é para o próprio bem, para o bem aplicado e sustentado, com o êxtase e dos outros ou para o bem de ambos. O felicidade nascidos do afastamento...” ,Culahatthipadopama-Sutta descreve da A superação destes cinco obstáculos seguinte forma a suspensão temporária pelos jhanas, como já foi mencionado, dos cinco obstáculos ao entrar nos jhanas: é apenas uma suspensão temporária, “Abandonando a cobiça pelo mundo, chamada de “superação através da repressão”. Os obstáculos são iluminação da tranquilidade completamente erradicados ao se (passaddhi) ... realizar um dos quatro caminhos Estando presente nele o fator da supramundanos, isto é, a dúvida é iluminação da concentração (samadhi) ... erradicada ao se realizar o estado de Estando presente nele o fator da sotapanna; o desejo sensual e a má iluminação da equanimidade (upekkha), vontade, ao se realizar o estado de um bhikkhu compreende: ‘O fator da anagami; preguiça e torpor e inquietação iluminação da equanimidade está em e ansiedade ao se realizar o estado de mim’; ou se o fator da iluminação da arahant. equanimidade não estiver presente nele, ele compreende: ‘O fator da iluminação Sambodhi angesu (fatores da da equanimidade não está em mim’; e iluminação): Estes são sete fatores que ele também compreende como estimular levam à iluminação. Eles são chamados o fator da iluminação da equanimidade bojjhanga, em Pali. A atitude dos que não está estimulado e como o fator buscadores da verdade em relação a estes da iluminação da equanimidade que está sete fatores da iluminação é descrita no estimulado alcança a sua plenitude ,Mahasatipatthana-Sutta: através do desenvolvimento. “Aqui, estando presente nele o fator da “Dessa forma ele permanece contemplando iluminação da atenção plena (sati), um os objetos mentais como objetos mentais bhikkhu compreende: internamente, externamente e tanto ‘O fator da iluminação da atenção plena interna como externamente ... E ele está em mim’; ou se o permanece independente, sem nenhum fator da iluminação da atenção plena apego a qualquer coisa mundana. não estiver presente nele, ele compreende: ‘O fator da iluminação da atenção plena “Assim é como um bhikkhu permanece não está em mim’; e ele também compreende contemplando os objetos mentais como como estimular o fator da iluminação objetos mentais em relação aos da atenção plena que não está estimulado sete fatores da iluminação.” e como o fator da iluminação da atenção plena que está estimulado alcança a sua Os Bojjhanga (sete fatores da plenitude através do desenvolvimento. iluminação) são: atenção plena, investigação dos fenômenos, energia, “Estando presente nele o fator da êxtase, tranquilidade, concentração iluminação da investigação dos e equanimidade. “Como eles levam à fenômenos (dhamma-vicaya) ... iluminação eles são chamados de fatores da Estando presente nele o fator da iluminação”. Veja no glossário a definição iluminação da energia (viriya) ... de bojjhanga. Estando presente nele o fator da iluminação do êxtase (piti) ... Os sete fatores são considerados Estando presente nele o fator da os meios de se alcançar os três conhecimentos verdadeiros (te-vijja). energia de um bhikkhu é estimulada sem Veja no glossário a definição de te-vijjha. enfraquecimento enquanto ele investiga aquele dhamma com sabedoria, nessa Os sete fatores da iluminação podem ocasião o fator da iluminação da energia ser realizados por meio dos quatro é estimulado pelo bhikkhu; nessa ocasião o fundamentos da atenção plena. No bhikkhu desenvolve o fator da iluminação da ,Anapanasati-Sutta o Buda disse: energia; nessa ocasião o fator da iluminação da energia alcança a sua plenitude através “Bhikkhus, quando um bhikkhu do desenvolvimento naquele bhikkhu. permanece contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente “Quando a energia dele é estimulada, surge consciente e com atenção plena, tendo nele o êxtase. Sempre que o êxtase surge colocado de lado a cobiça e o desprazer num bhikkhu cuja energia é estimulada, pelo mundo — nessa ocasião a nessa ocasião o fator da iluminação do atenção plena constante é estabelecida êxtase é estimulado pelo bhikkhu; nessa naquele bhikkhu. Sempre que a atenção ocasião o bhikkhu desenvolve o fator da plena constante tenha sido estabelecida num iluminação do êxtase; nessa ocasião o bhikkhu, nessa ocasião o fator da iluminação fator da iluminação do êxtase alcança a da atenção plena é estimulado pelo bhikkhu; sua plenitude através do desenvolvimento nessa ocasião o bhikkhu desenvolve o fator naquele bhikkhu. da iluminação da atenção plena; nessa ocasião o fator da iluminação da atenção “Naquele cuja mente está elevada pelo plena alcança a sua plenitude através do êxtase o corpo fica tranquilo e a mente desenvolvimento naquele bhikkhu. fica tranquila. Sempre que o corpo fica tranquilo e a mente fica tranquila num “Permanecendo assim com atenção plena, bhikkhu cuja mente está elevada pelo êxtase, ele investiga aquele dhamma com sabedoria, nessa ocasião o fator da iluminação da ele o examina, faz uma análise. Sempre tranquilidade é estimulado pelo bhikkhu; que um bhikkhu permanece assim com nessa ocasião o bhikkhu desenvolve o fator da atenção plena, nessa ocasião o fator da iluminação da tranquilidade; nessa ocasião iluminação da investigação dos fenômenos o fator da iluminação da tranquilidade é estimulado pelo bhikkhu; nessa ocasião o alcança a sua plenitude através do bhikkhu desenvolve o fator da iluminação da desenvolvimento naquele bhikkhu. investigação dos fenômenos; nessa ocasião o fator da iluminação da investigação dos “Naquele em que o corpo está tranquilo fenômenos alcança a sua plenitude através e que sente felicidade a mente se torna do desenvolvimento naquele bhikkhu. concentrada. Sempre que a mente fica concentrada num bhikkhu cujo corpo “Enquanto ele investiga aquele dhamma está tranquilo e que sente felicidade, com sabedoria, ele o examina, faz uma nessa ocasião o fator da iluminação da análise, a energia dele é estimulada concentração é estimulado pelo bhikkhu; sem enfraquecimento. Sempre que a nessa ocasião o bhikkhu desenvolve o fator da iluminação da concentração; nessa ocasião alguém sem posses. o fator da iluminação da concentração alcança a sua plenitude através do Parinibbute (realizaram Nibbana): esta desenvolvimento naquele bhikkhu. expressão está associada exclusivamente com a morte do Buda na literatura “Ele olha de perto com equanimidade budista, embora possa ser usada no caso para a mente assim concentrada. Sempre de qualquer Arahant. Também se refere que um bhikkhu olhe de perto para a à realização da completa iluminação. O mente assim concentrada, nessa ocasião Parinibbana do Buda é descrito em detalhe o fator da iluminação da equanimidade é no ,Mahaparinibbana-Sutta, relatando estimulado pelo bhikkhu; nessa ocasião o os últimos momentos do Buda da seguinte bhikkhu desenvolve o fator da iluminação forma: da equanimidade; nessa ocasião o fator da iluminação da equanimidade alcança a “Então, o Abençoado entrou no sua plenitude através do desenvolvimento primeiro jhana. Emergindo dele ele entrou naquele bhikkhu. no segundo jhana ... no terceiro ... no quarto jhana ... na esfera do espaço infinito ... na “Bhikkhus, sempre que um bhikkhu esfera da consciência infinita ... na esfera do permanecer contemplando as sensações nada ... na esfera da nem percepção, como sensações, contemplando a mente nem não percepção. Emergindo dela, ele como a mente, contemplando os objetos entrou na cessação da percepção e sensação. mentais como objetos mentais, ardente, plenamente consciente e com atenção “Então o Abençoado, emergindo da cessação plena, tendo colocado de lado a cobiça e o da percepção e sensação, entrou na esfera desprazer pelo mundo ... (repetir como da nem percepção, nem não percepção. nos anteriores) nessa ocasião o fator da Emergindo dela, ele entrou na esfera do iluminação da equanimidade alcança a nada … na esfera da consciência infinita sua plenitude através do desenvolvimento ... na esfera do espaço infinito ... no quarto naquele bhikkhu.” jhana ... no terceiro ... no segundo ... no primeiro jhana. Emergindo do primeiro jhana Kanham dhammam (dhammas escuros): ele entrou no segundo ... no terceiro ... no são aquelas atividades e crenças que não quarto jhana. No quarto jhana, conduzem à realização da libertação. ele faleceu.” Akiñcano (não possuindo nada):  abandonando a tudo e tornando-se « 7. Arahantavagga Arahants Com a jornada terminada e livre de lamentações, Completamente libertos de todas as coisas, Naqueles que destruíram todos os grilhões o fogo das paixões não é encontrado.

90. Eles seguem com atenção plena, não se deleitando com nenhuma morada; Assim como cisnes abandonando seu lago, lar após lar eles deixam para trás.

91. Aqueles que não acumulam; com a completa compreensão do alimento; Sua permanência é a libertação no vazio e sem sinais — Tal como pássaros atravessando o espaço, cujo rastro é difícil de traçar.

92. Para aqueles cujas impurezas foram destruídas; Com a completa compreensão do alimento; Sua permanência é a libertação no vazio e sem sinais — Tal como pássaros atravessando o espaço, cujo rastro é difícil de traçar.

93. Aqueles com os sentidos pacificados — tal como um corcel bem domado pelo treinador —, Com o orgulho abandonado, livres das impurezas, Mesmo os devas os apreciam.

94. Como a terra, sem ressentimentos; Como um pilar de indra, firme; Como um lago livre de lodo, puro. Não existe o samsara para alguém que é assim.

95. Pacíficos são seus pensamentos. Pacíficas as suas palavras e as suas ações também. Liberto pelo conhecimento supremo. Alguém assim realizou a paz suprema.

96. Sem crenças, conhecendo nibbana, Com as amarras finalmente cortadas, Que destruiu todas as causas e abandonou todos os desejos; Alguém assim é verdadeiramente nobre.

97. Seja nas cidades ou na floresta, Nos vales ou nas colinas, Onde quer que permaneçam os arahants, O local é extremamente encantador.

98. Encantadoras são as florestas, Onde as pessoas não se deleitam. Mas aqueles livres das paixões ali se deleitam, Porque eles não buscam os prazeres sensuais.

99. hh Nota 1: Verso 90 — Gataddhino (com apego a preceitos e rituais; e (4). Idam a jornada terminada): aquele que saccabhiniveso: a obstinação de achar que percorreu a estrada até o fim, que somente aquilo a que nos agarramos percorreu todo o caminho — essa pessoa é verdadeiro, enquanto que todo o é um arahant. Há dois caminhos que restante é falso. Esses quatro grilhões podem ser tomados pelos seres humanos. mantêm uma pessoa aprisionada no ciclo Um deles é um caminho por uma região de existências (samsara).  desolada. O outro é o caminho que leva « ao fim do ciclo de existências — que é o samsara. As regiões desoladas são de cinco hh Nota 2: Verso 91 — Satimanto tipos. A primeira região desolada é a dos (plenamente atentos): sati é estado de bandidos, que é dominada por ladrões atenção — atenção plena. Atenção plena, e assassinos. A segunda região desolada que é uma atenção introspectiva, é uma é a dos animais selvagens. Animais das cinco faculdades e poderes, um dos ferozes mantêm o controle sobre ela. A sete fatores de iluminação, e o sétimo terceira é a região desolada sem água: elo do nobre caminho óctuplo — e, no não há água para beber ou se lavar. A seu sentido mais amplo, é um dos fatores quarta é a região desolada das espécies mentais associados de forma inseparável não humanas e sub-humanas. Esse tipo à toda consciência com kamma benéfico. de região desolada é dominada por Arahants: os arahants perambulam demônios. A quinta é a região desolada por onde querem, sem qualquer apego a sem alimento. Coisas comestíveis não algum local em particular, pois são livres são encontradas lá. Mas quando os arahants são descritos como gataddhino de concepções de “eu” e “meu”.  — com a jornada terminada —, o que se « quer dizer é que o caminho que leva ao hh Nota 3: Verso 92 — Sannicayo natthi (não fim dos ciclos de existências foi seguido acumulam): As pessoas completamente até o fim. Os arahants encerraram sua desenvolvidas espiritualmente — as jornada pelo samsara. pessoas santas — não acumulam nada. Esta afirmação é verdadeira em dois Sabba ganthappahinassa (destruíram sentidos. É bem claro que eles não todos os grilhões): Gantha em geral se acumulam requisitos mundanos e coisas refere aos grilhões corporais (kayagantha). materiais. Eles também não acumulam Esses grilhões são quatro em número: novos méritos ou deméritos. Eles não (1). Abhijjha: cobiça, desejo pelas posses criam novos kammas. Por causa disso, eles dos outros; (2). Vyapada: má vontade, não têm mais renascimentos. Um arahant ressentimento, raiva e ódio com relação pode praticar uma ação benéfica, mas ele aos outros; (3). Silabbata-paramasa: não acumula o mérito por esse ato. Arahant: esse verso aborda algumas ,Sammasambuddha-Sutta qualidades especiais de um arahant. Quem, então, são os arahants? São Arhat (sânscrito): “O Consumado”, aqueles que cultivaram o caminho e “O Digno”, são títulos aplicados alcançaram o mais elevado estágio de exclusivamente ao Buda e aos discípulos realização (arahatta) — a liberação final plenamente iluminados. Como as do sofrimento. escrituras revelam, a primeira aplicação do termo foi feita pelo próprio Buda. “Os vitoriosos são como eu: Foi quando o Buda estava viajando de venceram destruindo Gaya para Benares para dar seu primeiro as contaminações.” discurso aos cinco ascetas. ,Ariyapariyesana-Sutta No caminho, não muito longe de Gaya, Os arahants abandonaram todos o Buda se encontrou com Ajivaka Upaka, os apegos, até mesmo os mais sutis. um asceta — que, impressionado com a Portanto, a mente de um arahant aparência serena do Mestre, perguntou: permanece na libertação do vazio, “Sob qual mestre você adotou a vida santa, sem sinais, e a completa liberdade de amigo? Quem é o seu mestre? Qual Dhamma pensamento. você professa?” O Buda respondeu em versos: O Buda, no entanto, também deixou claro aos seus discípulos a diferença “... Eu sou o Consumado no mundo, entre ele e os arahants que eram seus eu sou o Mestre Supremo. ...” discípulos. O Buda declarou que eles eram ,Ariyapariyesana-Sutta iguais no que diz respeito à emancipação das impurezas e à libertação final: Ele usou a palavra pela segunda vez, ao abordar os cinco ascetas assim: “O Tathagata, bhikkhus — o Arahant, o Perfeitamente Iluminado —, é aquele que “O Tathagata é um arahant, perfeitamente fez surgir o caminho que não havia surgido, iluminado.” aquele que produziu o caminho que não Ariyapariyesana-Sutta estava produzido, aquele que declarou A palavra é aplicada somente àqueles o caminho que não estava declarado; que destruíram completamente as ele conhece o caminho, ele encontrou o impurezas. Neste sentido, o Buda foi o caminho, ele tem habilidade no caminho. primeiro arahant no mundo, como ele Os seus discípulos agora seguem esse caminho e eles se tornarão possuidores próprio revelou a Upaka.  dessas qualidades no futuro. Essa, « bhikkhus, é a distinção, é a disparidade, é a hh Nota 4: Verso 93 — Asava (impurezas): diferença entre o Tathagata — o Arahant, o normalmente traduzido como impureza, Perfeitamente Iluminado — e um bhikkhu mácula, úlcera, corrupção. Traduzimos libertado através da sabedoria.” esta palavra (a + sava = fluir para dentro) como uma impureza que motiva influência. Ele é semelhante ao termo o comportamento. Quatro impurezas tanha, comumente traduzido como desejo. são listadas nos suttas: (1). desejo Tanha também é de três tipos: desejo por sensual (kamasava); (2). desejo por ser/ prazer sensual (kama tanha); desejo por existir (bhavasava); (3). entendimento ser/existir (bhava tanha); e desejo por incorreto (ditthasava); e (4). ignorância não ser/não existir (vibhava tanha).  (avijjasava). Uma lista de três qualidades « — omitindo o entendimento incorreto — é provavelmente mais antiga e hh Nota 5: Verso 94 — Indriyani (sentidos): aparece com mais frequência nos suttas. é a denominação dos seis órgãos dos O agrupamento das quatro impurezas sentidos mencionados nos suttas. Eles também aparece com o nome de são: (1). olho (cakkhu); (2). ouvido (sota); “torrente” (ogha) e “grilhões” (yoga). Veja (3). nariz (ghana); (4). língua (jivha); (5). no Glossário a definição de asava. corpo (kaya); e (6). mente (mano). Através do caminho de entrar na Tadino (livre das impurezas): correnteza o entendimento incorreto é imperturbável; não afetado pelas destruído; pelo caminho de não retorno o influências e efluências da mente. O Buda desejo sensual é destruído; pelo caminho é imperturbável de três formas, porque do estado de arahant a ignorância é ele encerrou sua perambulação pelo destruída. O Buda mostra como superar as samsara. Estas são as três maneiras pelas impurezas pela visão, pelo autocontrole, quais ele é imperturbável: (1). Bhagava pelo uso, pela paciência, pela prevenção, kamogham tinno: o Buda cruzou a torrente pela remoção e pelo desenvolvimento. dos desejos; (2). Bhagava bhavogham tinno: o Veja o ,Sabbasava-Sutta. Buda cruzou a torrente do ser/existir; e (3). Bhagava avijjogham tinno: o Buda cruzou Khinasava (aqueles com as impurezas a torrente da ignorância. Devido a estas destruídas): é outro termo para se referir e a muitas outras razões, o Buda é sereno aos arahants ou santos. O estado de arahant e imperturbável (tadi). é frequentemente chamado asavakkhaya, “a destruição das impurezas”. Os suttas A estabilidade de uma pessoa é a que terminam com a realização do estabilidade emocional que vem de não estado de arahant pelos ouvintes muitas reagir ao que é visto, ouvido, cheirado, vezes se encerram com as palavras: degustado ou tocado. A reação começa com o julgamento das coisas como boas “E enquanto essa explanação ou ruins, agradáveis ou desagradáveis. estava sendo dada, as mentes do grupo de Guardar as portas dos sentidos (indriya bhikkhus foram libertadas das impurezas samvara) previne as reações. Ao não através do desapego.” reagir, os sentidos se tranquilizam.  Este termo — asava — também pode « significar impulso, compulsão, motivo ou hh Nota 6: Verso 95 — Indakhila (Pilar literalmente, “ingrato” — mas, neste de Indra): uma coluna tão firme e alta contexto, significa “conhecendo o como a de Sakka (rei dos devas), ou a torre incondicionado, isto é, Nibbana”. principal que fica na entrada de uma fortaleza ou cidade. Os comentadores Sandhicchedo (com as amarras afirmam que essas indakhilas são colunas finalmente cortadas): literalmente é firmes erigidas dentro ou fora da cidade um termo aplicado aos ladrões, porque como um enfeite. Normalmente elas são eles invadem casas — mas aqui significa feitas de tijolos ou de madeira durável cortar todas as amarras com o mundo. e têm formato octogonal. Metade da Hatavakaso (que destruiu todas as coluna fica fincada na terra, daí a causas): literalmente, ‘uma pessoa metáfora “tão firme e constante como uma que tenha desistido de todas as indakhila”.  oportunidades’ — mas aqui se entende « como tendo desistido das oportunidades para o renascimento. hh Nota 7: Verso 96 — Santa (pacífico): o santo — arahant — é verdadeiramente NOTA ESPECIAL: todas as expressões pacífico. Ele é pacífico porque atingiu o neste verso podem ser interpretadas conhecimento supremo — ou liberdade como aplicáveis não a pessoas nobres, dos conceitos —, alcançando esse nível mas sim a pessoas depravadas. Mas de calma que é imperturbável. Como a a interpretação dessas expressões de mente é a fonte de todas as atividades, forma a dar significados positivos e suas palavras são pacíficas. Como sua espiritualmente saudáveis — que não mente e suas palavras são pacíficas, suas sejam negativos — é bastante intrigante. ações também são pacíficas. Portanto, ele Em outras palavras, o Buda neste verso é totalmente sereno na personalidade. usou um conjunto de expressões usadas Isto o leva ao estado de completa na linguagem coloquial para designar serenidade — upasanta (paz suprema). pessoas de comportamento mediano. “Conhecimento supremo” significa Mas devido às implicações que lhes que ele não forma opiniões sobre as são atribuídas pelo Buda, esses termos circunstâncias com base na experiência depravados adquirem um significado passada ou presente. Não o fazendo, elevado. permanece impassível e em paz.   « « hh Nota 8: Verso 97 — Assaddho (sem hh Nota 9: Verso 98 — Arahant: os Nobres. crenças): ele tem uma convicção tão Eles também são descritos como ariya- firme na sua própria experiência e na puggala (nobres). Ariya-puggala são aqueles experiência do Buda que ele não precisa que realizaram um dos oito estágios de acreditar em mais ninguém. iluminação, a saber, os quatro caminhos supramundanos (magga) e os quatro Akataññu (conhecendo Nibbana): frutos supramundanos (phala) desses repetidos por inúmeras vezes durante o caminhos. São quatro pares: (1). a pessoa tempo de vida.  que entrou no caminho para realizar « o fruto de entrar na correnteza; (2). a pessoa que realizou o fruto de entrar na hh Nota 10: Verso 99 — Vitarago (livre correnteza; (3). a pessoa que entrou no das paixões): o arahant. O arahant é caminho para realizar o fruto daquele essencialmente alguém livre das paixões. que retorna uma vez; (4). a pessoa que Um arahant — literalmente um digno — realizou o fruto de retornar uma vez; não está sujeito ao renascimento porque (5). a pessoa que entrou no caminho ele não realiza novos kammas. As sementes para realizar o fruto de não retorno; de seus renascimentos foram todas (6). a pessoa que realizou o fruto de não destruídas. O arahant percebe que o que retorno; (7). a pessoa que entrou no deveria ser feito foi feito, que o fardo do caminho para realizar o fruto de arahant; sofrimento foi finalmente abandonado e (8). a pessoa que realizou o fruto de que todas as formas de desejos e todos arahant. Em resumo, há quatro tipos de os véus da ignorância foram totalmente indivíduos nobres: os que entraram na destruídos. O peregrino feliz agora correnteza, os que retornam uma vez, fica em alturas mais do que celestiais, os que não retornam e os arahants. Em distante das paixões descontroladas e das alguns textos, gotrabhu é listado como impurezas do mundo, experimentando a o nono nobre indivíduo. De acordo felicidade indescritível de Nibbana. Um com o ,Abhidhamma, o caminho arahant é chamado de asekha — aquele supramundano — ou simplesmente o que está além do treinamento —, pois ele caminho (magga) — é uma designação do viveu a vida santa e realizou seu objetivo. momento de realizar um dos quatro Os outros Nobres — do estado de entrar estágios de iluminação (sendo Nibbana na correnteza até estado do caminho de o objeto), produzido pelo insight arahant — são chamados de sekhas porque das características da existência: ainda estão em treinamento. Os arahants impermanência, sofrimento e não-eu, podem experimentar a felicidade de iluminando e transformando a vida e a Nibbana ininterruptamente durante o natureza da pessoa. Por frutos se designam tempo que desejarem, mesmo nesta vida. aqueles momentos de consciência que Isso em pali é conhecido como nirodha- seguem como resultado do caminho, e samapatti, a realização da cessação.  que em certas circunstâncias podem ser « 8. Sahassavagga Milhares Melhor do que mil palavras insignificantes, É uma palavra com significado. Ao ouvi-la se obtém a paz.

100. Melhor do que mil versos insignificantes, É um único verso com significado. Ao ouvi-lo se obtém a paz.

101. Melhor do que recitar centenas de versos insignificantes, É recitar um único verso do dhammma. Ao ouvi-lo se obtém a paz.

102. Embora mil vezes mil homens possa alguém em batalhas conquistar, Ainda assim, maior conquistador é aquele que conquista a si mesmo.

103. Nobre é a conquista de si mesmo, subjugar os outros não é nobre. Aquele que domou a si mesmo, Que vive sempre com a conduta contida...

104. ...Nem deva, nem gandhabba, nem Mara junto com Brahma Podem arruinar o triunfo de alguém assim.

105. Mês a mês por uma centena de anos alguém pode fazer milhares de sacrifícios, Mas se apenas por um único momento ele homenagear os que purificaram as suas mentes, Tal homenagem seria muito melhor do que um século de sacrifícios.

106. Por uma centena de anos alguém pode se prostrar ao fogo sagrado na floresta, Mas se apenas por um único momento ele homenagear os que purificaram as suas mentes, Tal homenagem seria muito melhor do que um século de sacrifícios.

107. Quaisquer donativos ou oblações que alguém buscando méritos ofereça por todo um ano, Tudo isso não equivale nem a um quarto de homenagear os homens retos (arahants).

108. Para alguém com natureza respeitosa, Que sempre honra e serve aos anciãos, Quatro qualidades aumentam: vida longa e beleza, felicidade e força.

109. Embora viva cem anos tolo, descontrolado, Melhor viver apenas um dia, virtuoso, absorto em jhana.

110. Embora viva cem anos tolo, descontrolado, Melhor viver apenas um dia, sábio, absorto em jhana.

111. Embora viva cem anos preguiçoso, sem esforço, Melhor viver apenas um dia com plena energia.

112. Embora viva cem anos sem ver o surgir e cessar dos fenômenos, Melhor viver apenas um dia Vendo o surgir e cessar dos fenômenos.

113. Embora viva cem anos sem ver o imortal, Melhor viver apenas um dia vendo o imortal.

114. Embora viva cem anos sem ver o supremo dhamma, Melhor viver apenas um dia vendo o supremo dhamma.

115. hh Nota 1: Verso 100 — Vaca indivíduo — ele mesmo. Mesmo assim, anatthapadasamhita (mil palavras essa vitória é maior do que conquistar insignificantes): palavras que não dezenas de milhares em batalhas. A conduzem para a realização dos mais consequência dessa afirmação é a de elevados objetivos espirituais. Nos que derrotar milhares em batalhas comentários tradicionais as descrições é relativamente mais fácil do que do céu, montanhas, florestas, vilarejos, conquistar nossa própria ignorância. cidades, povoados, oceanos, o nascer da  lua, o nascer do sol, parques, esportes « aquáticos, bebedeiras, encontros, são considerados como assuntos impróprios hh Nota 4: Versos 104 e 105 — Gandhabba: para serem discutidos pelos aspirantes. um grupo de seres celestiais que vivem Eles são considerados fúteis e inúteis na cantando, dançando e festejando. busca espiritual. Trinta e dois (32) temas Nesse verso se diz que nem mesmo um se enquadram na categoria de assuntos gandhabba pode arruinar o triunfo de uma inúteis. Similarmente, tópicos como falar pessoa que conquistou a si mesma. De sobre reis (rajakatha), ladrões (corakatha), acordo com os comentários tradicionais, ministros de estado (mahamaccakatha), os gandhabbas vivem no paraíso dos exércitos (sena), alarmes (bhaya), batalhas Quatro Grandes Reis (catumaharajika). Eles (yuddha), são considerados assuntos se deleitam na música e na dança. inúteis para serem discutidos por aqueles Todos os gandhabbas são divididos em busca dos mais elevados objetivos em dois grupos principais: (1). matarva espirituais. Veja a lista dos 32 tópicos gandharva (aqueles que nascem nesse inferiores que não devem ser discutidos, estado devido a méritos passados no ,DN2.  realizados nesse éon); e (2). deva gandharva « (aqueles que nasceram nesse estado hh Nota 2: Verso 101 — Gatha (verso): devido a méritos realizados em éons uma composição de versos em pali, passados). geralmente constituída de quatro linhas. Attadantassa posassa (pessoa que  domou a si mesma): no pensamento « Budista, atta (eu) é mencionado às vezes com o propósito convencional de hh Nota 3: Versos 102 e 103 — Attanam identificar uma pessoa. Mas o conceito (a si mesmo): nesse verso se defende de não-eu (anatta) é um princípio central a supremacia da vitória da pessoa que do pensamento Budista. Veja no Glossário conquista a si mesma. O indivíduo que a definição de anatta. conquista a si mesmo vence apenas um Brahma-kayika-deva: os Seres Celestiais chamado de huta. Na literatura Védica da dos Mundos de Brahma habitam os três Índia antiga, a manteiga jogada no fogo primeiros paraísos do Reino da Matéria em favor do Deus do Fogo era chamada Sutil (rupa-loka), correspondentes ao de huta.  primeiro jhana. O maior governante « deles é chamado o Grande Brahma (maha- brahma). Com humor cáustico é dito que hh Nota 6: Verso 107 — Aggim paricare vane ele tem a pretensão de que: (prostrar-se ao fogo sagrado na floresta): nas três histórias dos comentários do “Eu sou Brahma, o Grande Brahma, Dhammapada que deram origem a esses o Conquistador, o Não-conquistado, versos (106, 107 e 108) — relativas ao tio, Omnisciente, Todo Poderoso, Senhor, Deus ao sobrinho e a um amigo do venerável e Criador, Soberano, Providência Divina, Sariputta — são feitas menções aos Pai de todos aqueles que são e serão”. sacrifícios sancionados pelas práticas (,DN11) Védicas Hindus nos tempos do Buda. Aqui, no comentário desse verso, é dito Veja mais sobre a cosmologia Budista ao sobrinho do discípulo-chefe Sariputta nos ,Os-31-mundos-de-existência e na que oferecer sacrifícios ao Deus do Fogo ,Introdução-ao-Majjhima-Nikaya. e morar na floresta é uma atividade inútil Embora haja um ser celestial chamado se ele pretende, através desse ritual, Maha Brahma, que acredite ser o criador atingir metas espirituais mais elevadas. — e quem os brâmanes acreditam ser O Ensinamento do Buda enfatizando a o criador — e da existência desse Maha pureza interior e a conduta imaculada Brahma ser reconhecida no Budismo, os exerceu grande força contra os sistemas Budistas não consideram como válida contemporâneos que procuravam sua reivindicação de ser o criador do alcançar a libertação por meio de mundo. práticas externas, como o Culto ao Fogo. No caso desse verso, o Culto ao Fogo é Brahma-loka: “Mundo de Brahma”. No realizado na floresta. O adorador do fogo sentido mais amplo, é um nome para renunciou à vida em família e foi para o Reino da Matéria Sutil (rupa-loka) e a floresta para se dedicar unicamente a o Reino Imaterial (arupa-loka); em um essa atividade. Ele atribuiu importância sentido mais restrito, porém, se refere tão grande a este ritual de adoração apenas aos três primeiros mundos do ao fogo por estar convencido de que Reino da Matéria Sutil.  somente esse ritual iria lhe garantir o « renascimento no mundo de Brahma. hh Nota 5: Verso 106 — Hutam (sacrifício):  esse termo denota geralmente os « sacrifícios feitos por não Budistas. hh Nota 7: Verso 108 — Nos comentários Nos tempos do Buda o culto ao fogo era do Dhammapada aos versos desse capítulo são feitas referências a Brahma. No sistema Budista todos os leigos Além das histórias que motivaram o honram todos os monges Budistas pronunciamento desses versos, eles porque estes estão comprometidos com também estão relacionados com aqueles certos princípios superiores de vida, que praticavam várias cerimônias e mesmo que o monge possa ter entrado rituais com a intenção de renascer no na Ordem há apenas alguns segundos. mundo de Brahma.   « « hh Nota 8: Verso 109 — Vaddhapacaino (honra e serve os anciãos): esse verso hh Nota 9: Verso 110 — Jhaino (absorto exalta a excelência de honrar aqueles em jhana): jhana — absorção meditativa que são desenvolvidos espiritualmente. — refere-se às quatro realizações Em termos dos comentários tradicionais, de absorção meditativa da “matéria há quatro categorias que devem ser sutil”. Elas são realizadas através de consideradas como “maduras” e um processo de purificação mental merecedoras de honras. As quatro durante o qual há um gradual, embora categorias são: temporário, aquietamento das atividades dos cinco sentidos e dos (1). Jati vuddha: maduro ou mais cinco obstáculos. O estado mental, no elevado em termos de raça. Entre alguns entanto, é de total atenção e lucidez. grupos de pessoas há a convenção de que Este grau elevado de tranquilidade algumas raças devem ser consideradas (samatha) é geralmente desenvolvido pela como superiores. Embora esta forma prática de um ou mais dos 40 Exercícios de de superioridade não seja aceita no Meditação de Tranquilidade. Há também Budismo, os comentários reconhecem a os quatro níveis de absorção nas esferas sua existência; imateriais (arupa ayatana) — as chamadas “realizações imateriais”. Veja mais sobre (2). Gotta vuddha: merecedores de os ,cinco-obstáculos. Veja os ,40- honras devido à casta ou superioridade exercícios-de-meditação. Veja a descrição do do clã. Em alguns sistemas esse tipo de superioridade é aceita, mas não no Buda para os ,jhanas.  sistema Budista; « (3). Vayo vuddha: superioridade devido hh Nota 10: Verso 112 — Viriyam à idade. Na maioria das culturas esse tipo (energia): está intimamente associada de honra é válido. Os mais jovens devem com pañña (sabedoria). Aqui viriya não sempre respeitar os mais velhos; significa força física — apesar de esse ser um de seus significados —, mas sim (4). Guna vuddha: superior em termos o vigor mental ou persistência, que é de de caráter. Na hierarquia da Sangha longe muito mais importante. É definida Budista, este é o sistema que prevalece. como o esforço persistente para purificar a mente. Estabelecendo-se firmemente em sua virtude, o bodisatva desenvolveu viriya realização do objetivo. Naquele que e fez dela uma de suas características trilha o nobre caminho óctuplo, o esforço proeminentes. correto (samma vayama ou viriya) impede o surgimento de estados prejudiciais, Viriya de um bodisatva está claramente abandona os estados prejudiciais que representada no Mahajanaka Jataka. já surgiram, estimula o surgimento de Tendo naufragado em alto mar, ele se estados benéficos e mantém e desenvolve empenhou por sete dias — sem perder as os estados benéficos que já surgiram. Ele esperanças nem mesmo por um instante é um dos sete fatores da iluminação (viriya — até que foi finalmente resgatado. Ele sambojjhanga). É uma das quatro bases do vê os fracassos como passos para o êxito, poder espiritual (viriyiddhipada). É viriya adversidades fazem com que ele duplique que executa a função dos quatro tipos de o seu empenho, perigos aumentam sua esforço correto (sammappadhana). É um dos coragem. Abrindo seu caminho através cinco poderes (viriya bala) e uma das cinco das dificuldades — que comprometem o faculdades predominantes (viriyindriya). entusiasmo dos fracos —, superando os Viriya, por conseguinte, pode ser obstáculos — que desanimam os fracos —, considerada como um agente que realiza ele mantém seus olhos em seu objetivo. nove funções. É este esforço persistente Ele também nunca para enquanto seu para desenvolver a mente que funciona objetivo não for alcançado. Ele disse para como uma ferramenta poderosa para Mara, que o aconselhou a abandonar alcançar todos os objetivos. Veja no sua busca: “morte na batalha seria melhor Glossário a definição de bojjhanga e padhana. do que, se derrotado, eu sobrevivesse.” Veja mais sobre a ,perfeição-(parami)- (,Snp-III.2). da-energia.  Assim como sua sabedoria é sempre « dirigida a serviço dos outros, assim hh Nota 11: Verso 113 — Udayabbayam também é o seu fundo de energia. Em (surgir e cessar): mais especificamente vez de confiná-lo a um curso estreito que o surgir e cessar dos cinco agregados conduz para a realização de objetivos do apego (panca khanda): (1). forma; (2). pessoais egoístas, ele o dirige para o sensação; (3). percepção; (4). formações canal aberto de atividades que levam à mentais; e (5) consciência. Veja no felicidade universal. Incessantemente e incansavelmente ele trabalha para Glossário a definição de khandha.  os outros, não esperando nenhuma « remuneração ou recompensa em hh Nota 12: Verso 114 — Amatam padam retorno. Ele está sempre pronto para (Imortal): nibbana. Nibbana é caracterizado servir aos outros com o melhor de sua como “o imortal” porque é a cessação da capacidade. ilusão de existência. Nibbana é realizado através da completa desidentificação Em certos aspectos, viriya desempenha com relação aos cinco agregados do um papel ainda maior do que pañña na apego (pancupadanada khanda). A ideia de um “eu” que carregamos em nossa agora.  mente é criada pela personalização de « fenômenos impessoais. Nossa existência hh Nota 13: Verso 115 — Dhammam ou este “ser” é a continuação desta ideia Uttamam (Supremo Dhamma): o mais Nobre de “eu” chamada personalidade. Quando dos Nobres — o Ensinamento do Buda. O removemos essa ideia de “eu” por meio Dhamma — os Ensinamentos de Buda — é da desidentificação, deixamos de existir. o caminho para transcender o mundo. Quando deixamos de existir, deixamos O Dhamma é descrito de nove formas: os de morrer. Esse é o estado Imortal. quatro caminhos supramundanos, Contemplar a experiência à medida que os quatro frutos supramundanos e esta surge e cessa livre de todo apego é experimentar o imortal Nibbana aqui e Nibbana — (o Imortal).  « 9. Papavagga O Mal Apresse-se em praticar o bem E proteja sua mente do mal. Para aquele que hesita em fazer o bem Sua mente se deleita com o mal.

116. Se alguém praticar algum mal, Que não o faça vez após vez. Que nisso não encontre deleite: Sofrimento é acumulá-lo.

117. Se alguém praticar algum bem, Que ele o faça vez após vez. Que nisso encontre deleite: Felicidade é acumulá-lo.

118. Enquanto o mal não amadurece os malfeitores podem ser bem afortunados, Mas quando o mal amadurecer o malfeitor verá maus resultados.

119. Enquanto o bem não amadurece os benfeitores podem ser desafortunados, Mas quando o bem amadurecer o benfeitor verá bons resultados.

120. Não subestime o mal pensando: “Ele não irá me atingir”. Pois tal como gota a gota se enche um pote, Também o tolo se enche do mal pouco a pouco acumulado.

121. Não subestime o bem pensando: “Ele não irá me beneficiar”. Pois tal como gota a gota se enche um pote, Também o sábio se enche do bem pouco a pouco acumulado.

122. Tal como um rico comerciante com pequena caravana evita um caminho perigoso, Igual a um homem que ama a vida evita o veneno, Deve-se evitar todo mal.

123. Se na mão não há ferida, Até mesmo veneno se pode levar. O veneno não afeta a alguém sem feridas, Tal como o mal não afeta àqueles que não o praticam.

124. Aquele que é rude com os puros, imaculados e livres das impurezas, Sobre esse tolo o mal se volta tal como poeira fina atirada contra o vento.

125. Alguns nascem no ventre, Malvados no inferno, Aqueles no bom caminho vão para o paraíso, Enquanto que aqueles sem impurezas: nibbana.

126. Nem no céu, nem no meio do oceano, nem habitando uma caverna numa montanha, Não há nenhum lugar nesse mundo onde alguém possa permanecer e escapar de suas ações prejudiciais.

127. Nem no céu, nem no meio do oceano, nem habitando uma caverna numa montanha, Não há nenhum lugar nesse mundo onde alguém possa permanecer e não ser subjugado pela morte.

128. hh Nota 1: Verso 116 — Abhittharetha sua presença na mente determinam a kalyane (apresse-se em praticar o bem): qualidade moral — benéfica (kusala) ou dedique-se à prática de ações benéficas prejudicial (akusala) — de uma volição sem qualquer perda de tempo. A prática ou intenção (cetana), e a consciência do caminho espiritual foi chamada pelo (citta) e os fatores mentais (cetasika) Buda de patisogatami — ir contra a torrente associados a esta — em outras palavras, do mundo. A tendência normal da mente a qualidade do kamma. Há seis raízes, é ser arrastada por emoções e praticar três kammicamente benéficas e três ações inábeis. Se alguém não se esforça kammicamente prejudiciais, a saber, em ir contra essa torrente, essa pessoa respectivamente: cobiça, aversão e praticará ações inábeis e seguirá pelo delusão (lobha, dosa, moha) e não-cobiça, não-aversão e não-delusão (alobha, caminho incorreto.  « adosa, amoha). hh Nota 2: Verso 117 — Papa (mal): A cobiça surge através da atenção ações inábeis ou prejudiciais — akusala. sem sabedoria a um objeto atraente; Prejudiciais são aquelas volições a aversão surge através da atenção kármicas, as consciências e os outros sem sabedoria a um objeto repulsivo. fatores mentais concomitantes a elas Assim, a cobiça (lobha ou raga) engloba associados que são acompanhados pela todos os graus de atração em direção a cobiça (lobha) ou aversão (dosa) ou apenas um objeto, desde o traço mais sutil de um delusão (moha), e todos esses fenômenos pensamento de desejo até as formas mais são causas para resultados kármicos grosseiras de egoísmo, enquanto que desfavoráveis e contêm as sementes de a aversão (dosa) engloba todos os graus destinos e renascimentos infelizes. de aversão, desde o traço mais sutil de má vontade até os mais altos picos Akusala-sadharana-cetasika (fatores de ódio e ira. Essas ações prejudiciais mentais associados com todas as (papa) — matar, roubar, conduta sexual ações prejudiciais) — são quatro: imprópria, linguagem mentirosa, (1). não ter vergonha de cometer linguagem maliciosa, linguagem transgressões (akirika); (2). não temer grosseira, linguagem frívola, cobiça, cometer transgressões (anottapa); má vontade e entendimento incorreto (3). inquietação (uddhacca); e (4) — ocorrem devido à cobiça, aversão ou delusão (moha). Veja mais no Glossário delusão. sobre a vergonha e temor em cometer transgressões, hiri-ottappa. Encantado com a luxúria (cobiça), enfurecido com o ódio, cego pela Mula (raiz): também chamadas de delusão, dominado completamente, com hetu,são aquelas condições que pela a mente agrilhoada, o homem almeja sua própria ruína, a ruína dos outros, mundo. Quando em alguma ocasião — a ruína de ambos, e ele experimenta de acordo com a inevitável lei de kamma o sofrimento mental e a tristeza. E ele — suas ações prejudiciais frutificarem, segue maus caminhos em suas ações, então ela verá os resultados dolorosos palavras e pensamentos, e ele realmente de sua maldade. Veja mais sobre kamma no não entende o que é benéfico para ele ,guia-de-estudo-sobre-kamma. mesmo, o que é benéfico para os outros, nem o que é benéfico para ambos. Atha bhadro bhadra ni passati (o Essas coisas o tornam cego e ignorante, benfeitor verá bons resultados): obstruem sua sabedoria, são dolorosas, e uma pessoa virtuosa, como muitas vezes acontece, pode se deparar com não o conduzem à paz.  adversidades devido ao potencial de suas « ações prejudiciais passadas superarem hh Nota 3: Verso 118 — Puñña (bem): suas ações benéficas do presente. Ela ações meritórias. Kusala é outro termo somente se convence da eficácia de suas para designar tais tipos de ações. Veja ações benéficas do presente quando, no no glossário a definição de puñña e kusala. momento oportuno, elas frutificarem, trazendo felicidade abundante. O fato  « de que às vezes os maus são prósperos e os virtuosos são desafortunados é em si hh Nota 4: Versos 119 e 120 — Esses uma forte evidência que apoia a crença dois versos foram ditos pelo Buda na lei de kamma e renascimento.  no decorrer de um evento em que o tesoureiro Anathapindika estava presente. « Anathapindika, um milionário, era o hh Nota 5: Verso 122 — Mavamaññetha principal discípulo leigo e patrocinador (não subestime): a intenção deste verso do Buda. Seu nome — Anathapindika é enfatizar que as ações benéficas, por — significa “alimentador dos mais insignificantes que possam parecer, desamparados”. Seu nome original era não devem ser subestimadas. Uma vez Sudatta. Devido à sua generosidade ímpar que esse tipo de ação gera resultados em ele recebeu o novo nome. Sua terra natal termos de felicidade, até mesmo uma era Savatthi. pequena quantidade de bem pode ser Atha papo papa ni passati (o malfeitor verá útil.  maus resultados): uma pessoa má pode « levar uma vida próspera como resultado hh Nota 6: Verso 123 — Appasattho (com de suas ações benéficas passadas. Ela pequena caravana): a expressão “sattha” irá experienciar a felicidade devido denota um grupo de comerciantes. ao potencial das suas ações benéficas Eles viajam de um lugar para outro passadas superarem as ações prejudiciais comercializando suas mercadorias. do presente — uma aparente injustiça Às vezes eles viajam em caravanas que muitas vezes prevalece neste formidáveis. Nos tempos antigos tais caravanas eram compostas de carroças a história dela aos monges eles lhe e carruagens tracionadas por bois. Uma perguntaram: vez que eles tinham de percorrer uma variedade de regiões, algumas vezes “Venerável, a esposa do caçador, que é eles eram atacados por bandidos. Para uma sotapanna, não é também culpada enfrentar esses ataques os comerciantes por matar seres vivos, já que ela pega viajavam em grandes grupos capazes coisas como redes, arcos e flechas de dissipar um ataque de bandidos. para o seu marido quando ele Na época do Buda essas caravanas de vai caçar?” carroças eram uma característica E o Buda responde: marcante na economia. Nesse verso é enfatizado um hábito destes “Monges, os sotapannas não matam, nem comerciantes extremamente ricos. Se desejam que os outros morram. A esposa do eles fossem muito ricos mas a caravana caçador estava somente obedecendo a seu fosse pequena (appasattho), eles evitariam marido ao pegar coisas para ele. Assim como os “caminhos perigosos” (bhayam maggam). uma mão sem feridas não é afetada pelo Caminhos perigosos eram aqueles veneno, assim também, como ela não tem conhecidos por serem habitados por nenhuma intenção de praticar o mal, ela bandidos. não está praticando nenhum mal”. Papani (mal): ações prejudiciais com Veja o o corpo, a linguagem e o pensamento. ,guia-de-estudo-sobre-sotapanna.  Elas estão enraizadas na cobiça (lobha), aversão (dosa) e delusão (moha). Esses são « atos emocionais que trazem infelicidade hh Nota 8: Verso 125 — Ananganassa (livre tanto para si mesmo como para os das impurezas): alguém desprovido outros. O mal é tão perigoso e evidente de impurezas (anganas). Anganas são como bandidos e venenos.  impurezas que surgem de raga (paixão), « dosa (aversão) e moha (delusão). Estas são descritas como anganas (literalmente, hh Nota 7: Verso 124 — Visam (veneno): espaços abertos, playgrounds) porque o Se um homem que não tem feridas em mal surge a partir delas sem inibição. sua mão toca em veneno, este não o Às vezes o termo “mácula” também afetará. Da mesma forma, o mal não é usado com referência aos anganas. vai afetar alguém que não pratica ações Etimologicamente, ‘anganas' também prejudiciais. significa a capacidade de depravar uma pessoa contaminada por máculas. Em No comentário desse verso conta- alguns contextos ‘anganas’ significa se a história de uma discípula leiga que sujeira. Um indivíduo que é desprovido tinha alcançado o primeiro estágio de de impurezas é referido como anangana. iluminação (sotapanna) e era casada com um caçador. Depois do Buda relatar  « de acordo com seus kammas benéficos passados. hh Nota 9: Verso 126 — Sagga (paraíso): nos comentários tradicionais sagga é Parinibbanti anasava (aqueles sem definido como se segue: rupadihi pañca impurezas: Nibbana): os arahants, após a kama gunehi sutthu aggoti – saggo, que morte, não renascem, mas sim realizam significa: o lugar onde os prazeres dos cinco o parinibbana. Veja no glossário a definição sentidos aparecem com a maior intensidade de parinibbana.  possível. Aqueles que vivem nos paraísos « são chamados de devas. hh Nota 10: Verso 127 — Na vijjati so Gabbham eke uppajjanti (nascem no jagatippadeso (não se conhece nenhum ventre): de acordo com o Budismo lugar no mundo): a implicação aqui é existem quatro tipos de geração, a saber: a de que não há nenhum lugar — quer geração em um ovo (andaja); geração seja na terra, no mar ou no céu — em um ventre (jalabuja); geração onde um malfeitor possa escapar das na umidade (samsedaja); e geração consequências de suas ações prejudiciais. espontânea (opapatika). Veja mais no O verso menciona alguns dos lugares ,MN12. que poderiam ser considerados seguros: antalikkhe (espaço ou céu); samuddamajjhe Nirayam pa pakammino (malvados no (no meio do mar); pabbatanam vivaram inferno): niraya = ni + aya — desprovido de felicidade. Existem quatro tipos de (caverna numa montanha).  nirayas: os estados de privação (apaya); o « reino animal (tiracchanayoni); o reino dos hh Nota 11: Verso 128 — Nappasahetha petas (petayoni); e o reino dos demônios- maccu (não ser subjugado pela morte): a asuras (asurayoni). Nenhum desses estados implicação desse verso é a de que não há é eterno. De acordo com seus kammas nenhum lugar no mundo onde a morte prejudiciais os seres podem renascer não possa alcançar uma pessoa. Em nesses mundos de existência miseráveis. termos positivos, onde quer que se vá Depois de morrerem nesses mundos eles podem renascer em mundos mais felizes não há escapatória da morte.  « 10. Dandavagga Punição Todos tremem diante da punição, Todos temem a morte. Colocando-se no lugar dos outros, Não mate nem faça com que os outros matem.

129. Todos tremem diante da punição, A vida é preciosa para todos. Colocando-se no lugar dos outros, Não mate nem faça com que os outros matem.

130. Quem pune ferindo àqueles que buscam a felicidade Ele mesmo buscando a felicidade, Não encontrará felicidade após a morte.

131. Quem não pune ferindo àqueles que buscam a felicidade Ele mesmo buscando a felicidade, Encontrará felicidade após a morte.

132. Não use linguagem grosseira com ninguém — Tratados dessa forma eles podem revidar. Sofrimento de fato é a linguagem raivosa; a retaliação pode lhe ferir.

133. Se, como um gongo quebrado, você permanecer em silêncio, Despojado do bate-boca, Você já realizou Nibbana.

134. Assim como um vaqueiro punindo conduz o seu gado para pastar, O envelhecimento e a morte expulsam a vida de todos os seres vivos.

135. Quando o tolo pratica ações prejudiciais ele desconhece seus frutos, E devido a essas ações o tolo sofre como se fosse queimado pelo fogo.

136. Quem pune os inimputáveis ou ofende os benévolos, Bem depressa cairá em uma destas dez situações:

137. Experimentar dores agudas, Ou ferimentos no corpo, Ou doenças graves, Ou loucura...

138. ...Problemas com o governo, Ou falsa acusação, Ou perda de parentes, Ou perda da riqueza...

139. ...Ou sua casa queima em um grande incêndio. Após a dissolução do corpo, No inferno tal tolo renascerá.

140. Nem andar nu, nem ter cabelos emaranhados, nem sujeira, nem jejum, nem dormir no chão, Nenhuma penitência sobre os calcanhares, nem se cobrir com cinzas e sujeira Podem purificar um mortal ainda dominado pela dúvida.

141. Mesmo que bem vestido, permanecendo em paz, Calmo, contido e estabelecido na vida santa, Abandonando a violência contra todos os seres: Ele de fato é um brâmane, um contemplativo, um bhikkhu.

142. Onde nesse mundo é encontrado alguém que é contido pela vergonha de cometer transgressões, Que teme a reprovação tal como um cavalo puro-sangue o chicote?

143. Como um cavalo puro-sangue tocado pelo chicote, Seja ardente, tomado pela urgência espiritual, pela fé, virtude e esforço também, Pela concentração, pela investigação dos fenômenos, Com atenção plena, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta: Liberte-se dessa grande massa de sofrimento.

144. Irrigadores governam as águas; Flecheiros modelam as flechas; Carpinteiros modelam a madeira; Os de boa conduta dominam a si mesmos.

145. hh Nota 1: Verso 129 — Maccuno bhayanti do kamma de renascimento ainda (temem a morte): o Budismo analisa restante, o ser irá no entanto sucumbir à o fenômeno da morte de maneira morte quando o limite de tempo de vida bastante extensa. A ,origem-dependente é atingido. Se a potencialidade do kamma (paticca-samuppada), descreve o processo de renascimento for extremamente de renascimento em termos técnicos poderosa, o renascimento ocorrerá perspicazes, atribuindo a morte de um no mesmo mundo de existência — ou, ser a uma das quatro seguintes causas: no caso dos devas, em algum mundo de existência superior. (1). O esgotamento do kamma de renascimento (kammakkhaya). A doutrina (3). O esgotamento simultâneo do Budista descreve que, como regra, o potencial do kamma de renascimento e do pensamento, volição ou desejo — que é tempo de vida (ubhayakkhaya). extremamente forte durante a vida — torna-se predominante no momento (4). A ação contrária de um da morte e condiciona o nascimento kamma mais forte, inesperadamente subsequente. Nesse último processo interrompendo o fluxo do kamma de de pensamento (kamma mental) está renascimento antes do tempo de vida presente uma potencialidade especial. se esgotar (upacchedaka-kamma). Mortes Quando a potencialidade desse kamma súbitas prematuras e a morte de de renascimento (janaka) se esgota, crianças são devidas a esta causa. Uma cessam as atividades orgânicas da força contrária mais poderosa pode forma material — da qual faz parte a interceptar a trajetória de uma flecha formação vital — até mesmo antes do no ar e derrubá-la no chão. Da mesma término do tempo de vida estimado para forma, um kamma muito forte do passado aquele mundo específico. Isto acontece é capaz de anular o potencial do último frequentemente no caso de seres que processo de pensamento e assim, colocar renascem nos estados de privação (apaya), um fim na vida de um ser. A morte de mas isso também pode acontecer em Devadatta por exemplo, ocorreu devido outros mundos de existência. a um kamma destrutivo que ele praticou durante sua vida. (2). O esgotamento do tempo de vida (ayukkhaya), que varia nos diferentes Os três primeiros são chamados mundos de existência. Mortes naturais conjuntamente de mortes no tempo devido à idade avançada podem ser certo (kala-marana), enquanto que o classificadas nesta categoria. Existem quarto tipo é chamado de morte fora diferentes ,mundos-de-existência do tempo certo (akalamarana). A chama com diferentes tempos de vida. de uma lamparina por exemplo, pode Independentemente da potencialidade se extinguir devido a uma das quatro causas seguintes: o esgotamento matem): nesse verso a qualidade que está do pavio, o esgotamento do óleo, o sendo apontada é a compaixão (karuna). esgotamento simultâneo do pavio e óleo, Desentendimentos e disputas surgem ou por alguma causa externa, como uma devido à falta de compaixão. A compaixão rajada de vento. Da mesma forma, a universal surge apenas quando há a morte de um ser pode ocorrer devido a percepção da verdadeira realidade. A qualquer uma das quatro causas citadas compaixão se expressa através de ações anteriormente. benéficas. Compaixão não consiste apenas de pensamentos compassivos. Pouquíssimas pessoas, de fato, estão Ela tem que se mostrar através de ações preparadas para morrer. Elas querem compassivas. Compaixão é notar o viver mais e mais — uma ilusão que sofrimento dos outros seres no mundo. as pesquisas contemporâneas estão Ela supera a indiferença insensível ao tornando mais possível de ser realizada. sofrimento dos seres, humanos ou não. O desejo por mais e mais desta vida é um pouco atenuado se a pessoa acreditar — Similarmente, a compaixão deve se como muitos fazem — que esta é apenas refletir na vida de uma pessoa através da uma vida em uma série de outras vidas. boa vontade em fazer um esforço extra As dores reais de morrer naturalmente e dar auxílio onde for possível, ajudando variam e nem todas as pessoas passam as pessoas que estão aflitas. A compaixão por agonias físicas. Mas há um outro tem a vantagem de reduzir o próprio tipo de aflição: o estresse amedrontador egoísmo através da compreensão dos criado na mente quando o corpo está infortúnios dos outros. É o remédio do morrendo — contra a vontade. Esta Buda para a crueldade, porque como é realmente a prova final de que o pode alguém ferir os outros se ele já corpo não nos pertence, pois se isso viu o quanto as pessoas já sofreram? A fosse verdade poderíamos fazer o que compaixão também tem dois “inimigos”: quiséssemos com ele; mas no momento da o “próximo” é a pena ou dó, enquanto o morte, embora queiramos a continuação seu inimigo “distante” é a crueldade. da vida, o corpo simplesmente morre — e não há nada que possa ser feito com Metta (amor bondade). Metta é a relação a isso. Se formos para a morte primeira das quatro moradas divinas. despreparados, então no momento em Seu significado é aquilo que suaviza o que o corpo estiver morrendo o medo coração de uma pessoa, ou a condição de e a insegurança serão experimentados, um verdadeiro amigo. É definida como o como resultado de se ter erroneamente desejo sincero pelo bem-estar e felicidade identificado o corpo com sendo “eu”. genuína de todos os seres vivos, sem exceção. Também é explicada como uma  disposição amigável, pois um verdadeiro « amigo deseja sinceramente o bem-estar hh Nota 2: Verso 130 — Na haneyya, na de seu amigo. ghataye (não mate, nem faça que os outros “Tal qual uma mãe, colocando em risco plataforma comum como irmãos e irmãs, a própria vida, ama e protege o seu filho então certamente a missão de mestres — o seu único filho —, da mesma forma, compassivos mundiais lamentavelmente abraçando a todos os seres, cultive falhou. A doce metta transcende esses um coração sem limites”. tipos limitados de fraternidade. Seu alcance e escopo são ilimitados. Não Este é o conselho dado pelo Buda no tem barreiras. Não faz discriminações. ,Karaniya-Metta-Sutta. Não é o amor Metta permite que se considere o mundo apaixonado da mãe pelo filho que está inteiro como uma pátria e todos como sendo enfatizado aqui, mas sim o seu seres companheiros. Assim como o sol desejo sincero pelo bem-estar genuíno lança seus raios de luz sobre todos, sem de seu filho. Metta não é amor carnal qualquer distinção, da mesma forma nem afeto pessoal, porque a tristeza a sublime metta concede seus doces surge inevitavelmente de ambos. Metta benefícios igualmente sobre o agradável não é a mera boa-vizinhança, pois não e o desagradável, sobre o rico e o pobre, faz distinção entre os vizinhos e os sobre o alto e o baixo, sobre o vicioso e outros seres. Metta não é uma mera o virtuoso, sobre o homem e a mulher, e fraternidade universal, pois abrange sobre o homem e o animal. todos os seres vivos — incluindo os animais, nossos “irmãos” e “irmãs” Assim, foi a metta ilimitada do menores que necessitam de maior Buda que trabalhou pelo bem-estar e compaixão por serem indefesos. Metta felicidade daqueles que o amavam, bem também não é fraternidade religiosa. como daqueles que o odiavam e até Devido às tristes limitações da chamada mesmo tentaram feri-lo e matá-lo. O Buda fraternidade religiosa humana, cabeças tinha metta igualmente pelo seu próprio foram cortadas sem o menor escrúpulo, filho Rahula, pelo seu oponente Devadatta, homens e mulheres sinceros foram pelo seu atendente Ananda, pelos seus assados e queimados vivos; muitas admiradores e pelos seus oponentes. atrocidades de perplexa descrição foram Esse amor bondade deve ser cultivado cometidas; guerras cruéis que mancham em igual medida para si mesmo, para as páginas da história mundial foram amigos, para inimigos e para pessoas travadas. Mesmo neste supostamente neutras. Suponha que um bandido iluminado século XXI, os seguidores de abordasse uma pessoa que está viajando uma religião odeiam ou impiedosamente por uma floresta juntamente com um perseguem e até mesmo matam aqueles amigo íntimo, uma pessoa neutra e um de outras religiões simplesmente porque inimigo, e suponha que fosse pedido que não podem forçá-los a pensar como eles ela escolhesse um deles para ser a vítima. pensam, ou porque eles têm um “rótulo” Se o viajante dissesse que ele deveria ser diferente. Se, por conta de pontos de o escolhido, então ele não teria metta por vista religiosos, pessoas de diferentes si mesmo. Se ele dissesse que qualquer religiões não podem se reunir em uma uma das outras três pessoas devesse ser a escolhida, então ele não teria metta com “O que é a felicidade da propriedade? É o relação a elas. caso em que um leigo possui riqueza íntegra — ganha de forma correta, proveniente da Essa é a característica da verdadeira sua própria iniciativa, do seu empenho, metta. No exercício deste amor bondade do seu esforço, acumulada pela força do ilimitado não se deve ignorar a si seu braço, obtida com o seu suor. Com o mesmo. Este ponto sutil não deve ser mal pensamento ‘eu possuo riqueza íntegra — interpretado, pois o auto-sacrifício é uma ganha de forma correta, proveniente da doce virtude distinta e o desprendimento minha própria iniciativa, do meu empenho, é outra virtude mais elevada. O cume de do meu esforço, acumulada pela força do metta é a identificação de si mesmo com meu braço, obtida com o meu suor’ ele todos os seres (sabbattata), não vendo experimenta felicidade, ele experimenta diferença entre si mesmo e os outros. O alegria. Isso é chamado de felicidade da assim chamado “eu” se dilui no “todo”. propriedade. O separatismo se evapora. A unidade é realizada. “O que é a felicidade de usar a riqueza? É o caso em que um leigo possui riqueza íntegra Não há um equivalente adequado — ganha de forma correta, proveniente da em Português para o elegante termo em sua própria iniciativa, do seu empenho, do pali metta. Amor bondade, boa vontade, seu esforço, acumulada pela força do seu benevolência e amor universal são braço, obtida com o seu suor —, partilha da sugeridos como as melhores traduções. O sua riqueza e faz méritos. Com o pensamento oposto de metta é a raiva, má vontade, ódio ‘usando a riqueza íntegra — ganha de forma ou aversão. Metta não tem como coexistir correta, proveniente da minha própria com a raiva ou a conduta vingativa. iniciativa, do meu empenho, do meu esforço,  acumulada pela força do meu braço, obtida « com o meu suor —, partilho da minha riqueza e faço méritos’ ele experimenta hh Nota 3: Versos 131 e 132 — Sukham felicidade, ele experimenta alegria. Isso é (felicidade): comentando sobre os quatro chamado de felicidade de usar a riqueza. tipos de felicidade que um leigo pode desfrutar, o Buda declarou: “O que é a felicidade de estar livre de dívidas? É o caso em que um leigo não tem “Existem quatro tipos de felicidade que nenhuma dívida — grande ou pequena — podem ser obtidos por um leigo que desfruta com ninguém. Com o pensamento ‘eu não dos prazeres sensuais, na época adequada tenho nenhuma dívida — grande ou pequena e na ocasião adequada. Quais quatro? A — com ninguém’ ele experimenta felicidade, felicidade de propriedade (atthisukha), a ele experimenta alegria. Isso é chamado de felicidade de usar a riqueza (bhogasukha), felicidade de estar livre de dívidas. a felicidade de estar livre de dívidas (ananasukha) e a felicidade de não ser “O que é a felicidade de não ser repreensível (anavajjasukha). repreensível? É o caso em que um nobre discípulo é irrepreensível nas ações como a capacidade de discernir entre o corporais, irrepreensível nas ações verbais, benéfico e o prejudicial.  irrepreensível nas ações mentais. Com o « pensamento ‘eu possuo ações corporais irrepreensíveis, ações verbais irrepreensíveis hh Nota 6: Versos 137 a 140 — Estes e ações mentais irrepreensíveis’ ele quatro versos estão relacionados com experimenta felicidade, ele experimenta a morte — em circunstâncias trágicas alegria. Isso é chamado de felicidade de não — do principal discípulo: Moggallana. Se ser repreensível.” Sariputta podia ser considerado como o principal discípulo à direita do Buda, Conhecendo a felicidade de estar Moggallana foi o principal discípulo à livre de dívidas e lembrando-se da esquerda. Eles nasceram no mesmo dia felicidade da propriedade, desfrutando e foram amigos durante muitas vidas da felicidade de usar a riqueza, o mortal passadas — bem como em sua última então vê com discernimento. Vendo vida. É uma das mais antigas amizades claramente, (o sábio) conhece ambos registradas no mundo. O venerável os lados: que estas não equivalem a um Moggallana era o mais destacado na nobre dezesseis avos da felicidade de não ser Sangha com relação aos ,poderes-supra- repreensível.  humanos. « Certa vez um rei dos Nagas chamado hh Nota 4: Versos 133 e 134 — Pharusam Nandopananda, também destacado ma avoca (não use linguagem grosseira): o nos poderes supra-humanos, estava conselho positivo dado aqui é a prática da ameaçando o Buda e alguns arahants. linguagem correta. Linguagem correta é: Vários membros da nobre Sangha (1). abster-se da mentira e sempre falar assediavam o Buda para subjugarem o a verdade; (2). abster-se da linguagem rei dos Nagas. Por fim chegou a vez do maliciosa — que traz discórdias e Venerável Moggallana, e o Buda consentiu desarmonia — e falar palavras que são prontamente. O Buda sabia que ele estava favoráveis à concórdia e harmonia; à altura dessa tarefa. O resultado foi um (3). abster-se da linguagem grosseira e confronto de poderes supra-humanos abusiva, e em vez disso falar palavras com o rei dos Nagas — que foi derrotado e amáveis e refinadas; e (4). abster- suplicou pela paz. O Buda esteve presente se da linguagem frívola, conversa durante esse encontro. inútil ou fofocas, e em vez disso falar palavras que são significativas e Esse feito heroico é comemorado no sétimo verso do Jayamangala Gatha, que irrepreensíveis.  é recitado em quase toda celebração « Budista. Ele estava igualmente à vontade, hh Nota 5: Verso 136 — Dummedho (tolo): quer seja ,sacudindo-com-o-dedo-do-pé o um indivíduo que não possui sabedoria. palácio de mármore de Sakka — o rei dos Nesse contexto sabedoria é entendida devas —, quer seja visitando os infernos. Estas visitas permitiram que ele fosse frutos benéficos e prejudiciais de kamma uma espécie de “agência de informações”. cessam. Ele quase foi pego numa cilada Ele podia narrar graficamente para duas vezes por ladrões, mas conseguiu os moradores deste mundo o destino escapar. Mas na terceira vez ele viu com de seus antigos amigos ou parentes: seu ,olho-divino a futilidade de sua como, pelos kammas prejudiciais, alguns fuga. Ele foi impiedosamente espancado obtiveram um renascimento infame no — tanto que seu corpo poderia até inferno e outros, pelos kammas benéficos, mesmo ser colocado em um saco. Mas um renascimento feliz em um dos seis a morte tem que esperar a sua hora. paraísos. Esses ensinamentos trouxeram Está escrito que um discípulo principal grande fama ao Dhamma do Buda, bem como não só deve morrer antes do Buda, mas desgosto para as outras seitas. Sua vida é também tem que visitá-lo antes de sua um exemplo — e uma advertência severa. morte (parinibbana), realizar feitos supra- Mesmo sendo um discípulo principal — humanos e falar versos em despedida capaz de tais façanhas heroicas — ele não e, em retorno, o Buda enumera as suas estava imune ao resíduo de um kamma virtudes. Ele não foi exceção.  prejudicial praticado num passado muito « remoto. Foi um crime bárbaro. Ele tinha cometido matricídio e parricídio sob as hh Nota 7: Verso 141 — Na naggacariya circunstâncias mais revoltantes. Muitos (nem andar nu): esse verso se refere renascimentos no inferno não foram às inumeráveis cerimônias e rituais suficientes para esgotar completamente praticados pelos vários contemplativos os potenciais prejudiciais da terrível e buscadores da libertação. Nesse verso ação praticada. fala-se sobre seus esforços equivocados. Há muito tempo, atendendo aos O gimnosofismo ainda é praticado pedidos de sua jovem esposa — cuja na Índia. Sujeira externa é considerada obsessão era se livrar de sua sogra e de seu por alguns como um sinal de santidade. sogro —, ele levou seus pais idosos para O Buda critica o ascetismo extremo a floresta — como se estivesse indo em confinado a tais fatores externos. Os uma viagem —, os atocaiou no caminho membros da sua Sangha celibatária e os agrediu até a morte, em meio aos seguem o caminho do meio — evitando gritos de seus pais implorando que o os extremos da mortificação e da busca filho fugisse dos bandidos e se salvasse da felicidade nos prazeres sensuais. (eles pensavam que os bandidos é que os Simplicidade, humildade e pobreza estavam espancando, e não seu próprio devem ser as principais características filho). Em face de tal crueldade o amor dos bhikkhus, bem como o asseio. Cabelos de seus pais foi o mais emocionante. Na emaranhados e sujos são considerados última vida de Moggallana, ele não poderia pelos tolos como um sinal de santidade. escapar da força implacável de kamma — A não limpeza dos dentes, cobrir o corpo pois com o parinibbana de um arahant os com lama e o jejum, isoladamente, não levam à purificação. Os bhikkhus também jejuam diariamente do meio-dia até a « manhã do dia seguinte. Dormir no chão não leva à pureza. Bhikkhus só devem hh Nota 9: Versos 143 e 144 — Sila evitar leitos elevados e luxuosos. Esfregar (,virtude): combinada com a o corpo com cinzas ainda é praticado por extraordinária generosidade de um bodisatva está a sua conduta virtuosa alguns ascetas. (sila). O significado do termo pali é Práticas superficiais e votos não virtude. Ela consiste de deveres (caritta) purificam uma pessoa — não importa e abstinências (varitta) que devem ser por quanto tempo essas coisas sejam praticados. Estes deveres para com os praticadas. Enquanto a mente oscilar pais, filhos, esposo, esposa, mestres, entre o benéfico e o prejudicial (e pupilos, amigos, contemplativos, enquanto não se tenha alcançado empregados etc. são descritos em uma integridade onde a mente está detalhe no ,Sigalovada-Sutta.  estabelecida naquilo que é benéfico « sem hesitação), a pureza da mente ainda não foi alcançada. A superação hh Nota 10: Verso 145 — Subbata (os de dessa oscilação é a realização dessa boa conduta): subbata é uma pessoa que integridade, que é o começo do processo aceita ser aconselhada. Ela obedece aos conselhos dados. Uma pessoa que se de purificação mental.  pode facilmente aconselhar e instruir. « Uma pessoa realmente obediente hh Nota 8: Verso 142 — Brahma-cariya (subbata) nunca fica ressentida diante de (vida santa): vida pura ou casta, é um qualquer aconselhamento, mesmo que termo para a vida de um bhikkhu. Também este seja feito de uma forma muito dura. se aplica a um discípulo leigo que adota A resposta de uma pessoa assim seria: “se os oito preceitos e se abstém das você não me aconselhasse, quem iria fazê- relações sexuais, mantendo a castidade. lo?”.  O objetivo mais elevado e o propósito da « vida santa é a ,libertação-inabalável- da-mente.  11. Jaravagga Velhice Por que o riso, por que a alegria, Quando tudo está em chamas? Envelopado na escuridão, Por que não buscar pela luz?

146. Observe este corpo apreciado por muitos, maquiado com encanto. Neste corpo nada é estável, nada é duradouro; De fato, é um aglomerado de feridas escorado por muitos ossos, afligido pelas enfermidades.

147. Este corpo é frágil, se desintegra com facilidade. Deveras um antro de enfermidades. Matéria pútrida ressuma dos seus orifícios. A morte lhe dará um fim.

148. No outono espalhados, Esses ossos — pálidos como cabaceiros-amargosos esbranquiçados — tendo visto, Quem sentirá paixão?

149. Esta cidade é feita de ossos com reboco de carne e sangue, Abrigando a presunção e difamação, velhice e morte.

150. Até mesmo as carruagens reais decaem, O corpo também decai; Mas o Dhamma dos nobres não decai, declarado por aqueles bem treinados.

151. Um touro envelhece, Assim também um homem com pouco aprendizado: A sua massa aumenta, não a sua sabedoria.

152. Incontáveis nascimentos, neste samsara perambulei, Buscando sem encontrar o construtor desta casa: Renascer é sofrimento.

153. Construtor desta casa, você foi visto; Você nunca mais construirá uma casa: Todas as vigas cederam, a estrutura foi demolida, a mente superou o condicionado, A cessação do desejo.

154. Quem quando jovem Não viveu a vida santa nem enriqueceu, Definha como garças envelhecidas numa lagoa sem peixes.

155. Quem quando jovem Não viveu a vida santa nem enriqueceu, Definha como um arco sem flechas, remoendo o passado.

156. hh Nota 1: Verso 146 — Estando ardendo simbolizando a decadência. perpetuamente com as chamas da paixão, por que o riso, por que a alegria? Jara: envelhecimento, decadência — Envelopado na escuridão da ignorância, é um dos três mensageiros divinos. por que não buscar a luz da sabedoria Os mensageiros divinos são um nome simbólico para o envelhecimento, que dissipa a escuridão?  enfermidade e morte. Veja o « ,Devadutta-Sutta.  hh Nota 2: Verso 148 — Jivitam « maranantam: a morte lhe dará um fim. Este verso enfatiza a impermanência hh Nota 4: Verso 150 — Makkhi: da vida. A impermanência (anicca) é difamação. Aqui apresentada como um a primeira das três características de defeito comum a todos seres humanos, todos fenômenos condicionados. Em a tendência de negar o bem recebido geral, as outras duas características — de outrem. Também a característica de sofrimento (dukkha) e não-eu (anatta) tentar anular as melhores qualidades — são derivadas da impermanência. dos outros.  O significado da impermanência é que « as coisas nunca persistem do mesmo hh Nota 5: Verso 152 — Appassuto: com modo, mas estão sempre num estado de pouco aprendizado; literalmente alguém constante mudança. que não ouviu muito. Na época do Buda “Dessa forma, bhikkhus, eu os encorajo: o aprendizado provinha de ouvir os todas as coisas condicionadas estão sujeitas ensinamentos. à dissolução. Esforcem-se pelo objetivo Balivaddo: touro. A sua medida de com diligência”. crescimento e maturidade é o seu Essa foi a última exortação do Buda tamanho físico. para os seus discípulos enfatizando pañña: sabedoria, compreensão, a impermanência e o empenho pelo conhecimento, insight. Pode haver objetivo. Sem o insight profundo da três tipos de conhecimento: baseado impermanência e ausência de substância no raciocínio, baseado no estudo em todos os fenômenos da existência não e baseado no desenvolvimento da é possível alcançar a libertação.  mente através da experiência pessoal. « O conhecimento baseado na experiência hh Nota 3: Verso 149 — Atthini: ossos. O pessoal é o que conduz à libertação da verso descreve uma variedade de ossos mente.  humanos espalhados num cemitério, « hh Nota 6: Versos 153 e 154 — O construtor representa o processo mental de percepção e concepção, e o desejo por existir (bhava tanha).  « 12. Attavagga O Eu Com apreço por si mesmo, Um sábio se protege e resguarda Durante os três estágios da vida, Desenvolvendo a virtude como proteção.

157. Estabeleça primeiro a si mesmo na virtude apropriada. Um sábio depois ensina os outros — Assim não sendo objeto de crítica.

158. Ao ensinar os outros o bom exemplo é o que mais vale. Bem controlado, ele consegue com que os outros se controlem; O mais difícil é disciplinar a si mesmo.

159. Cada um é o seu próprio refúgio; Quem mais poderia ser um refúgio? Treinando bem a si mesmo, um refúgio difícil de ser obtido é conquistado.

160. O mal é feito pela própria pessoa. Nascido dela, por ela produzido. As más ações moem a pessoa tola tal como o diamante a gema mais dura.

161. Desprovido de disciplina e virtude Tal como uma árvore sufocada por uma trepadeira, Ele, assim, faz contra si mesmo aquilo que os seus inimigos desejariam.

162. Fácil é agir com o mal, prejudicando a si mesmo. Mas o que é bom, o que traz benefício, É difícil de ser feito.

163. Os tolos que se apoiam em ideias equivocadas e desdenham os ensinamentos dos arahants ou dos nobres que vivem o dhamma: Iguais à fruta do bambu, que frutifica para a auto-destruição.

164. A própria pessoa faz o mal, ela mesma se contamina. Ela mesma deixa o mal, ela mesma se purifica. Pureza, contaminação, dependem dela mesma, Ninguém pode purificar outrem.

165. Não negligencie o bem maior por conta de outrem, embora importante. Saiba bem o que lhe traz benefício e dedique-se a isso.

166. hh Nota 1: Verso 157 — attanam surakkhitam egoísmo, pelo contrário, é uma questão rakkheyya: se protege e resguarda. Essa de definir corretamente as prioridades. advertência enfatiza uma das principais Primeiro busque desenvolver a si características do Budismo. A libertação próprio, depois será possível ajudar de cada um é responsabilidade de cada os outros. Sem ter superado o próprio um. Ninguém pode fazer isso no nosso egoísmo não é possível ajudar os outros lugar. a fazerem o mesmo.  O Budismo não pode ser considerado « como uma religião no sentido em que hh Nota 3: Verso 159 — attanam tatha essa palavra é entendida normalmente, kariya: o bom exemplo é o que mais pois não é um sistema de fé e devoção vale. Isso é dito com relação aos que que deve lealdade a algum tipo de instruem de uma certa forma mas se entidade sobrenatural. O Budismo não comportam de forma contrária. O Buda demanda a fé cega dos seus adeptos. Por sempre enfatizou a prática, não somente conseguinte, a mera crença é deposta as palavras, prática que cada um deve sendo substituída pela confiança assumir como sua responsabilidade. baseada no conhecimento. A confiança  de um adepto do Budismo é semelhante « à de um paciente em relação a um médico respeitado, ou de um estudante hh Nota 4: Verso 163 — attano ahitani em relação ao seu mestre. Embora um sukarani: Fácil é agir com o mal, Budista busque refúgio no Buda como prejudicando a si mesmo. Isto foi dito guia e mestre incomparável que indica com referência ao cisma criado por o caminho para a emancipação, isso não Devadatta.  significa uma capitulação servil. Um « Budista não crê ser possível alcançar a emancipação simplesmente através hh Nota 5: Verso 164 — ditthi: ideia, do refúgio no Buda, ou através da mera entendimento, opinião. Se não estiver fé. Não faz parte dos poderes do Buda qualificado com samma (correto), se refere remover as impurezas mentais das em geral a entendimentos ou ideias/ pessoas. O Buda como mestre é de grande opiniões ruins e prejudiciais (miccha) que ajuda, mas cada um é responsável pela devem ser rejeitados por serem fonte de conduta e aspirações ruins e capazes sua própria emancipação.  de conduzir os seres aos abismos mais « profundos da depravação. hh Nota 2: Verso 158 — pathamam attanam Nos ensinamentos do Buda há vários eva: estabeleça primeiro a si mesmo. níveis de entendimento incorreto. Isso não significa que o Buda defendia o O nível mais fundamental é descrito hh Nota 6: Verso 166 — attadattham: bem no ,Saleyyaka-Sutta, no qual o maior, que significa nibbana. Alguém não entendimento incorreto é definido deve sacrificar o progresso no caminho como a negação da vida após a morte e das espiritual devido à prática de muitos consequências de kamma. atos de serviço para os outros. Ajude os outros mas não negligencie o seu próprio Phalani iva attaghaññaya: frutifica para progresso espiritual, aquilo que lhe traz a auto-destruição. O bambu é destruído depois que produz os frutos.  benefício.  « « 13. Lokavagga O Mundo Não tenha uma conduta inferior Nem seja negligente. Não adote ideias incorretas Nem seja envolto pelo mundo.

167. Desperte! Não seja negligente! Mantenha a conduta correta, de acordo com o dhamma. Quem vive de acordo com o dhamma Terá felicidade neste mundo e no próximo.

168. Mantenha a conduta correta, de acordo com o dhamma. Evite a conduta prejudicial. Quem vive de acordo com o dhamma Terá felicidade neste mundo e no próximo.

169. Como uma bolha, como uma miragem: Quem assim vê o mundo não é visto pelo Senhor Da Morte.

170. Venha, olhe para este mundo tal como uma rica carruagem real Onde os tolos naufragam, mas quem vê não tem apego.

171. Tendo sido negligente mas agora diligente, Ilumine o mundo, como a lua liberta das nuvens.

172. Quem substitui as ações ruins por ações benéficas ilumina o mundo, Como a lua liberta das nuvens.

173. Essa população do mundo está cega, Poucos são aqueles que enxergam. Tal como os pássaros que se libertam da armadilha, Poucos são aqueles que renascem nos paraísos.

174. Cisnes no caminho para o sol, Com poderes supra-humanos homens cruzam o espaço; Derrotando Mara com a sua horda, Os sábios vão além do mundo.

175. Quem diz mentiras desconsiderando o Dhamma, Desdenhando vidas futuras: Não há mal do qual seja incapaz.

176. Os avaros não vão para os paraísos, Os ignorantes não elogiam a generosidade; Mas o sábio que se delicia em dar desfrutará de felicidade na vida futura.

177. Reinar absoluto sobre toda a Terra, Renascer nos paraísos, Ser um monarca universal: O fruto de entrar na correnteza supera tudo isso.

178. hh Nota 1: Verso 167 — Micchaditthim realidade o esforço e a disciplina são na seveyya: não adote ideias incorretas. necessários. A disciplina se aplica às Ideias incorretas são aquelas contrárias palavras e ações; a concentração controla ao Dhamma, aos ensinamentos do Buda a mente e o insight permite a erradicação — como por exemplo a crença no das contaminações que obscurecem a eternalismo ou na aniquilação, não realidade dos fenômenos.  acreditar em kamma e seus efeitos etc. «  hh Nota 4: Verso 172 — « abbha mutto candima iva: como a lua liberta das nuvens. hh Nota 2: Verso 170 — Lokam: o Esta imagem é empregada com relação mundo. Os três reinos de existência aos que realizaram algum dos estados compreendendo: (1). os mundos da de libertação. A lua brilha com toda sua esfera sensual (kama-loka); (2). os intensidade quando escapa da escuridão mundos da matéria sutil ou com das nuvens. A escapatória das nuvens forma (rupa-loka), correspondentes aos escuras dos obstáculos mundanos ocorre quatro jhanas; e (3). os mundos da esfera em várias etapas. Quando os jhanas imaterial ou sem forma (arupa-loka), são desenvolvidos através da remoção correspondentes às quatro realizações temporária dos obstáculos (nivarana), a imateriais. Os mundos do reino da esfera mente está tão pura que se assemelha sensual compreendem aos infernos, aos a um espelho polido no qual tudo é animais, fantasmas famintos, asuras, refletido de forma clara e precisa, como seres humanos e seis mundos de devas. na verdade é.  Bubbulakam maricikam: uma bolha, uma « miragem. O mundo deve ser visto como hh Nota 5: Verso 173 — katam papam kammam composto por fenômenos efêmeros e kusalena pithiyati: substitui as ações ruins transitórios. por ações benéficas. Cada um colhe os frutos de kamma. Mas nem todos os frutos Maccuraja: o Senhor ou Rei da morte. de todas ações (kamma) serão colhidos  no curso de samsara. Se assim fosse, a « escapatória de samsara seria impossível. O kamma prejudicial pode ser minimizado hh Nota 3: Verso 171 — vijanatam: quem através da purificação da mente. Veja o vê, compreende, percebe, reconhece a realidade. Para ver e compreender a ,Lonaphala-Sutta.  « 14. Buddhavagga O Buda Por quais rastros traçar o Buda Que não deixa rastros, cujo alcance é ilimitado? Nenhuma das impurezas destruídas poderão lhe acossar.

179. Por quais rastros traçar o Buda Que não deixa rastros, cujo alcance é ilimitado, Que não mais possui o enredamento e o embaraço do desejo que conduz ao devir?

180. Dedicado aos jhanas, Deliciando-se na paz da renúncia, com atenção plena, O perfeito Buda até mesmo pelos devas é querido.

181. Difícil é nascer como humano — a vida para os mortais é difícil. Difícil é encontrar o verdadeiro Dhamma — raro o surgimento de um Buda.

182. Evitar todo o mal, Cultivar o bem, Purificar a própria mente: Esse é o ensinamento do Buda.

183. A paciência é a suprema ascese, ‘Nibbana é supremo’, diz o Buda. Não é um verdadeiro bhikkhu quem fere os outros, Nem um verdadeiro contemplativo quem prejudica os outros.

184. Não buscando defeitos, nem causando dano, Contido pelo patimokkha, Moderado na alimentação, Permanecendo isolado, Dedicado à mente superior: Esse é o ensinamento do Buda.

185. Mesmo que chovam moedas de ouro Os desejos sensuais não são saciados; Desejos sensuais são dukkha, proporcionam pouca alegria — Isso o sábio compreende.

186. Mesmo os prazeres celestiais não oferecem deleite. O discípulo do perfeito Buda se delicia apenas com o fim do desejo.

187. Elas buscam muitos refúgios, Nas montanhas e florestas, Nos parques e santuários : Pessoas ameaçadas pelo medo.

188. Esse não é o refúgio seguro, Não é o refúgio supremo; Esse não é o refúgio ao qual se você for Ganhará a libertação de todo sofrimento.

189. Mas ao buscar refúgio No Buda, Dhamma e Sangha Alguém vê com perfeita sabedoria As Quatro Nobres Verdades.

190. Dukkha, a sua causa, A sua cessação E o Nobre Caminho Óctuplo — O caminho para silenciar dukkha.

191. Esse é o refúgio seguro, Esse é o refúgio supremo. De todo dukkha alguém estará liberto Buscando esse refúgio.

192. Difícil encontrar uma pessoa extraordinária, Que não nasce em qualquer lugar. Onde quer que essa pessoa sábia e nobre nasça A sua família desfruta de felicidade.

193. Afortunado é o nascimento de um Buda, Afortunado é o ensino do Dhamma, Afortunada é a harmonia da Sangha E afortunada é a sua busca espiritual.

194. Quem venera os veneráveis — Buda e os seus discípulos, Que superaram a proliferação, Abandonaram a tristeza e a lamentação —...

195. ...Aqueles que reverenciam os pacificados e destemidos, Seu mérito não pode ser computado por nenhuma medida.

196. hh Nota 1: Verso 183 — Este é um resumo ‘Essa pessoa é igual a mim. Com da doutrina Budista. Evitar o mal significa ou sem intenção devo ter causado não cometer ações prejudiciais através esse sofrimento, ou pode ser devido a do corpo, linguagem e mente. O modo algum fruto de kamma passado. Visto mais simples e básico para evitar o mal que esse sofrimento é resultado das é adotar os ,cinco-preceitos. Cultivar minhas próprias ações, por que devo o bem significa praticar ações benéficas despertar má vontade em relação a como por exemplo a generosidade, essa pessoa?’ cultivar o amor bondade, desenvolver a khanti: paciência, tolerância é uma paciência, cultivar o contentamento etc. Purificar a mente significa desenvolver a excelente qualidade, muito elogiada nos textos Budistas. A paciência é meditação.  desenvolvida quando a inquietação e a « raiva tenham sido controladas na mente. hh Nota 2: Verso 184 — khanti paraman A paciência é uma qualidade essencial tapo:a paciência é a suprema ascese. na prática da meditação. O processo de Suportar pacientemente o sofrimento purificação da mente requer tempo e que os outros nos causam, com o persistência.  pensamento: « 15. Sukhavagga Felicidade Amigáveis entre os hostis, felizes permanecemos. Entre as pessoas enraivecidas Permanecemos livres da raiva.

197. Amigáveis entre os aflitos, felizes permanecemos. Entre as pessoas aflitas Permanecemos livres da aflição.

198. Livres da cobiça entre os cobiçosos, felizes permanecemos. Entre as pessoas cobiçosas Permanecemos livres da cobiça.

199. Felizes permanecemos nada possuindo. Alimentando-nos de êxtase, Iguais aos devas do Abhassara.

200. A vitória gera hostilidade, sofrimento nos derrotados. Os pacificados permanecem felizes Abrindo mão da vitória e da derrota.

201. Não há fogo como a paixão, Não há aflição como a raiva, Não há dukkha como os agregados, Não há felicidade superior à paz.

202. Fome é a pior enfermidade; Formações, o pior dukkha. Tendo compreendido como as coisas na verdade são, Nibbana é a felicidade suprema.

203. Saúde é o maior ganho; Contentamento, a maior riqueza; Alguém confiável, o melhor companheiro; Nibbana é a felicidade suprema.

204. Tendo saboreado o isolamento e provado o apaziguamento, Livre da dor, imaculado, Ele saboreia a alegria do Dhamma.

205. Bom é ver os nobres, Sempre bom estar em sua companhia. Não ter que lidar com os tolos sempre traz felicidade.

206. Deveras quem permanece com os tolos sofre por muito tempo. A companhia dos tolos é sempre dolorosa, como uma parceria com um inimigo. Mas a companhia dos sábios traz a felicidade, como o encontro com um parente confiável.

207. Portanto busque a companhia do nobre que é sábio, estudado, sólido na virtude, determinado (por nibbana). Alguém assim deve ser seguido, tal como a Lua segue o caminho das estrelas.

208. hh Nota 1: Verso 198 — Afligidos ou hh Nota 4: Verso 203 — sankhara parama enfermos devido às contaminações. dukkha: formações são o pior dukkha  (sofrimento). « Sankhara: formações ou fabricações, hh Nota 2: Verso 199 — Cobiçosos são pode ter diferentes conotações, com as aqueles que ansiosamente perseguem os respectivas qualificações de acordo com o contexto. Sankhara pode ser aplicado prazeres dos sentidos.  « tanto à situação ativa — o ato de formar ou fabricar algo — como à situação hh Nota 3: Verso 200 — pitibhakkha: passiva de ter sido formado/fabricado alimentando-se de piti ou êxtase. Piti é (ou ambos). Como o segundo elo na uma das qualidades mentais presentes cadeia da origem dependente sankhara na concentração de acesso e no primeiro tem a conotação ativa de formações e segundo jhanas. Os devas do Abhassara volitivas, que significa a geração de kamma. correspondem ao segundo jhana.  Sankhara também pode ter um significado « mais amplo incluindo tudo o que seja formado ou condicionado, abrangendo todos os fenômenos da existência.  « 16. Piyavagga Afeição Entregando-se ao que deve ser evitado, Não se esforçando onde o esforço é devido, Abandonando o caminho em busca dos prazeres, Sente inveja daqueles que são dedicados.

209. Não desfrute da companhia daqueles que são queridos Nem daqueles que não são queridos; Não ver aqueles que são queridos, Ver aqueles que não são queridos, É dukkha.

210. Portanto nada tenha como querido, Pois a separação daquilo que é querido é dolorosa. Não há amarras em quem não tem nada amado nem desamado.

211. Da afeição nasce a tristeza, nasce o medo. Quem está livre da afeição não entristece; como então temer?

212. Do amor nasce a tristeza, nasce o medo. Quem está livre do amor não entristece; como então temer?

213. Da paixão nasce a tristeza, nasce o medo. Quem está livre da paixão não entristece; como então temer?

214. Do apego nasce a tristeza, nasce o medo. Quem está livre do apego não entristece; como então temer?

215. Do desejo nasce a tristeza, nasce o medo. Quem está livre do desejo não entristece; como então temer?

216. Perfeito em virtude e insight, Firme no Dhamma, conhecedor da verdade, Querido pelas pessoas ao fazer aquilo que deve ser feito.

217. Despertando o desejo por nibbana, Com a mente assim bem permeada, desconectada dos prazeres sensuais, É dito ser aquele que vai contra a corrente.

218. Alguém por muito tempo ausente, ao chegar ileso das regiões distantes Amigos e parentes se alegram com o seu retorno.

219. Do mesmo modo, tendo realizado méritos, ao partir deste mundo para outro Os méritos o receberão, como parentes que recebem alguém querido.

220. 17. Kodhavagga Raiva Abandonando a raiva e renunciando à presunção, Deixando de lado todos os obstáculos, Não há dukkha em quem nada possui — Desapego da mentalidade/materialidade (nome/forma).

221. Quem contém a raiva que surge de igual modo como a conter uma carroça em movimento, Esse eu digo ser um verdadeiro cocheiro. Os demais apenas seguram as rédeas.

222. Conquiste a raiva com a não-raiva, Conquiste o mal com o bem; Com a generosidade conquiste a avareza, Conquiste a mentira com a verdade.

223. Diga a verdade, não sinta raiva; Do pouco que tenha dê para quem precisa. Por esses três caminhos alguém chega à companhia dos devas.

224. Os sábios, inofensivos, as ações com o corpo bem controladas, Realizam o estado imortal libertos do sofrimento.

225. Sempre vigilante, Treinando dia e noite, Decidido por nibbana, As suas impurezas são destruídas.

226. Este é um antigo ditado, atula, não dito apenas nos dias de hoje: ‘Quem permanece em silêncio é censurado, censurados são os que falam demais e censurados são os que falam com moderação’. Ninguém no mundo escapa da censura.

227. Nunca houve, nunca haverá, tampouco agora há Alguém que seja sempre censurado, ou alguém que seja sempre elogiado.

228. Mas aqueles que são inteligentes, sábios, Tendo observado dia após dia, Elogiam aquele que tem conduta imaculada, Dotado de virtude e sabedoria.

229. Quem ousaria censurá-lo, tão puro como o ouro refinado? Ele é elogiado pelos devas, Brahma também o elogia.

230. Proteja-se das ações grosseiras. Com o corpo bem controlado, Tendo abandonado a conduta ruim, Treine naquilo que é bom.

231. Proteja-se da linguagem grosseira. Com a linguagem bem controlada, Tendo abandonado a conduta verbal ruim, Treine naquilo que é bom.

232. Proteja-se dos pensamentos grosseiros. Com os pensamentos bem controlados, Tendo abandonado a conduta mental ruim, Treine naquilo que é bom.

233. Contidos no corpo são os sábios, Na linguagem também eles são contidos, Da mesma forma são contidos na mente, São perfeitamente contidos.

234. 18. Malavagga Impurezas Você agora está como uma folha murcha. Os mensageiros da morte o aguardam. Estando no limiar da sua partida, sem ter feito provisões para a jornada.

235. Seja uma ilha para você mesmo. Esforce-se com rapidez e torne-se sábio. Livre de impurezas e desapaixonado, Você irá para o plano celestial dos nobres.

236. A sua vida agora chegou ao fim. Você está a caminho do Senhor Da Morte. Ao longo do caminho não há descanso. Provisões tampouco você dispõe.

237. Seja uma ilha para você mesmo. Esforce-se com rapidez e torne-se sábio. Livre de impurezas e desapaixonado, Você não retornará para o nascimento e morte.

238. Gradualmente, pouco a pouco, momento a momento o sábio remove as suas impurezas, Tal como um prateiro remove as impurezas da prata.

239. Tal como a ferrugem originada do ferro devora ela mesma o ferro, Assim também as próprias ações conduzem a um destino ruim.

240. A não repetição é a impureza das escrituras; O desleixo, a impureza do lar; O desalinho, a impureza da beleza; A negligência, a impureza de quem quer ter controle.

241. A conduta ruim é a impureza no homem; A avareza, a impureza no doador. As impurezas são de fato ruins — neste mundo ou no próximo.

242. A pior de todas as impurezas é a ignorância — a pior de todas. Abandonem essa impureza e assim livrem-se das impurezas, bhikkhus!

243. Fácil é a vida de um desavergonhado — Impudente como um corvo, maledicente, presunçoso, arrogante e corrompido.

244. Mas difícil é a vida de quem é modesto, Sempre em busca da purificação, desapegado, humilde, Vivendo imaculado e com discernimento.

245. Quem no mundo destrói a vida, Diz palavras falsas, Toma aquilo que não é dado livremente, Comete adultério...

246. ...Ou tem o vício de bebidas embriagantes: Quem com abandono tem esse comportamento Extirpa a sua própria raiz neste mesmo mundo.

247. Portanto, amigo, lembre-se disto: As ações ruins são difíceis de conter. Não permita que a cobiça e a raiva o arrastem para o sofrimento prolongado.

248. As pessoas dão com base na fé, com claridade e serena confiança. Descontente com as oferendas, com a comida e a bebida recebidas dos outros, Ele não irá desfrutar da concentração nem durante o dia nem à noite.

249. Mas quem extirpou, desenraizou, destruiu o descontentamento da mente De fato irá desfrutar da concentração durante o dia e à noite.

250. Não há fogo igual à paixão Nem agarramento igual à raiva; Sem igual é a rede da delusão; Nenhum rio igual ao desejo.

251. Fáceis de serem vistos são os defeitos dos outros, difíceis mesmo de ver são os nossos; Os defeitos dos outros são revelados como no ato de separar a casca do grão, Mas os seus próprios defeitos você esconde como o trapaceiro esconde a jogada perdida.

252. Quem sempre busca defeitos nos outros — constantemente criticando — As suas impurezas se incrementam, estando distante da destruição das impurezas.

253. No céu não há nenhum caminho, Nenhum contemplativo do lado de fora. As massas se deleitam com a proliferação, Os Tathagatas estão livres da proliferação.

254. No céu não há nenhum caminho, Nenhum contemplativo do lado de fora. Aquilo que é condicionado não é eterno, Não há vacilação nos Budas.

255. hh Nota 1: Verso 236 — Ariyabhumi: correnteza furiosa de um rio. Essas o plano celestial dos nobres são as comparações em termos físicos ajudam a moradas puras. As moradas puras são os entender as impurezas da mente.  cinco mundos superiores do ,reino- « da-matéria-sutil: Akanittha deva, Sudassi deva, Sudassa deva, Atappa deva e Aviha deva. hh Nota 5: Verso 253 — A destruição Aqueles que não retornam — ou anagamis das impurezas corresponde ao fruto do — renascem nesses mundos. estado de arahant.   « « hh Nota 6: Verso 254 — No céu não é hh Nota 2: Verso 241 — Não-repetição possível discernir pegadas; do mesmo significa a falta de memorização que modo, do lado de fora — ou seja, fora da conduz ao esquecimento, quer seja de revelação do Buda — não são encontrados ensinamentos religiosos ou científicos. contemplativos que tenham realizado os quatro caminhos e os seus frutos.  « Proliferação — veja papañca no hh Nota 3: Verso 249 — Samadhi: glossário.  concentração que corresponde aos « quatro jhanas.  hh Nota 7: Verso 255 — S ankhara: « condicionado, fabricado. Qualquer coisa hh Nota 4: Verso 251 — Ragasamo, dosasamo, formada ou criada por condições. mohasamam, tanhasama:as impurezas da Iñjita — vacilação; significa que não há mente são comparadas a vários tipos nenhum tipo de impedimento como por de calamidades: a paixão é comparada exemplo o desejo, presunção etc. através ao fogo, a um incêndio; a raiva é algo do qual os Budas poderiam considerar os que agarra; a ignorância ou delusão é comparada a uma rede; o desejo, à sankharas como eternos.  « 19. Dhammatthavagga Justo Não é justo quem julga apressadamente. Um sábio deve investigar o certo e o errado.

256. Quem não é arbitrário ao julgar os outros, Mas julga com imparcialidade de acordo com o Dhamma, Esse sábio é um guardião do Dhamma — um justo.

257. Não é falando muito que alguém é sábio. Livre da inimizade, seguro, destemido, Esse é o sábio.

258. Não é por falar muito que alguém é hábil no Dhamma, Mas mesmo tendo ouvido pouco, diligente, realizando o Dhamma, ele de fato é hábil no Dhamma.

259. Apenas os cabelos grisalhos não fazem um ancião — Isso é simplesmente velhice, alguém que envelheceu em vão.

260. Com a verdade, virtude, sem causar dano, Contido e controlado, sábio e livre das impurezas, Esse de fato é um ancião.

261. Não pela eloquência ou pela bela aparência uma pessoa é bela Se ela for invejosa, egoísta, enganadora.

262. Belo é aquele em quem essas qualidades foram completamente descartadas, desenraizadas, totalmente destruídas. Um sábio purificado da raiva de fato tem boa índole.

263. Não é raspando a cabeça que alguém indisciplinado e enganador se torna um contemplativo. Como pode alguém tomado pelo desejo e a cobiça ser um contemplativo?

264. Quem subjuga o mal pequeno ou grande é chamado contemplativo, Porque superou todo o mal.

265. Não é apenas mendigando comida que ele se torna um bhikkhu. Não é apenas pela aparência externa que ele se torna um verdadeiro bhikkhu.

266. Vivendo a vida santa, transcendendo o meritório e o demeritório, Tendo compreendido o mundo, Ele de fato é um bhikkhu.

267. Não é através do silêncio que alguém tolo e confuso se torna um sábio. Aquele que é sábio, como se tivesse uma balança, pesa e adota apenas aquilo que é bom.

268. Por essa razão ele é um sábio. Aquele que compreende ambos os mundos É assim chamado sábio.

269. Ele não é um nobre ao causar dano aos seres vivos. Inofensivo, ele é um nobre.

270. Não é apenas pela virtude e austeridades, Ou por muito aprendizado, Ou pela concentração, Ou por viver em isolamento...

271. ...Ou por pensar: ‘eu desfruto da felicidade da renúncia que não é experimentada pelos mundanos’, Que vocês bhikkhus deveriam estar satisfeitos, não tendo alcançado a destruição das impurezas.

272. hh Nota 1: Verso 260 — ‘Ancião’ — thera « em pali — em termos literais significa hh Nota 2: Verso 261 — ‘Verdade’: as alguém que é firme ou estável. Esse é um Quatro Nobres Verdades. termo aplicável a bhikkhus que tenham pelo menos dez vassa — dez anos de ‘Livre das impurezas’: através dos ordenação.  Quatro Caminhos Supramundanos.  « 20. Maggavagga O Caminho De todos os caminhos, o Caminho Óctuplo é o melhor; De todas as verdades, as Quatro Nobres Verdades é a melhor; De todos os estados, o desapego é o melhor; De toda a humanidade, aquele que vê é o melhor.

273. Esse é o único caminho — não há um outro — Para a purificação da visão. Siga esse caminho, assim desorientando Mara.

274. Seguindo esse caminho será o fim de dukkha. Tendo compreendido como remover a flecha, lhes ensinei o caminho.

275. Os Tathagatas apenas ensinam o caminho, vocês devem fazer o esforço. Seguindo o caminho, meditadores — com os jhanas — se libertarão dos grilhões de Mara.

276. ‘Todas as coisas condicionadas são impermanentes’. Quando alguém vê isso com discernimento e se desencanta do sofrimento, Esse é o caminho para a purificação.

277. ‘Todas as coisas condicionadas são insatisfatórias’. Quando alguém vê isso com discernimento e se desencanta do sofrimento, Esse é o caminho para a purificação.

278. ‘Todos os dhammas são não-eu’. Quando alguém vê isso com discernimento e se desencanta do sofrimento, Esse é o caminho para a purificação.

279. Ocioso sem se esforçar quando deve — embora jovem e vigoroso —, Tomado pela preguiça e pensamentos inúteis, Não encontrará o caminho para a sabedoria.

280. Vigiando a linguagem, com a mente bem controlada, sem praticar ações inábeis com o corpo. Assim deve alguém purificar esses três meios para realizar kamma e conquistar o caminho declarado pelo Grande Sábio.

281. Do empenho nasce a sabedoria; sem empenho a sabedoria míngua: Conhecendo esses dois caminhos — o do progresso e o do declínio —, Que ele exorte a si mesmo para que a sabedoria se incremente.

282. Cortem a floresta mas não a árvore — Visto que é da floresta que nasce o medo. Tendo cortado a floresta, permaneçam livres da floresta.

283. Enquanto a mais sutil das paixões não for eliminada, A mente estará agrilhoada — Tal como um bezerro à sua mãe.

284. Elimine a afeição Tal como uma mão que colhe uma flor de lótus no outono. Cultive este caminho para a paz — nibbana —, tal como ensinado pelo abençoado.

285. ‘Aqui permanecerei durante as chuvas: aqui no inverno, aqui no verão.’ Assim pensa o tolo, sem se dar conta do perigo (da morte).

286. Com a mente tomada pelo apego, Deleitando-se com os filhos e os rebanhos, A morte o encontra e arrasta Tal como uma grande inundação arrasta um vilarejo sonolento.

287. Quem é tomado pela morte não tem a proteção de compatriotas. Não tem ninguém para salvá-lo, quer sejam filhos, pai ou parentes.

288. Tendo compreendido essa realidade, que o virtuoso e sábio Se apresse em abrir o caminho que conduz à nibbana.

289. hh Nota 1: Verso 273 — Caminho hh Nota 3: Verso 275 — Veja dukkha. Óctuplo e Quatro Nobres Verdades, Quanto ao significado de ‘flecha’ veja o veja magga no glossário. ,Salla-Sutta.  Desapego — viraga em pali — é o « completo distanciamento da mente hh Nota 4: Verso 276 — Veja o significado do apego a todos os fenômenos, com a de Tathagata no glossário. Leia sobre os mente desprovida de cobiça e aversão. ,jhanas.  Através do desapego é realizado o caminho supramundano. « hh Nota 5: Verso 279 — Veja dhamma no Aquele que vê — é o ser iluminado que vê a realidade dos fenômenos tal glossário.  « como ela na verdade é.  hh Nota 6: Verso 283 — Cortem a « floresta das contaminações, pois das hh Nota 2: Verso 274 — Visuddiiya contaminações nasce o medo. Tendo dassanassa: Purificação da visão ou eliminado as contaminações, nibbana é purificação do insight.  realizado. Não cortar a árvore significa « não mortificar o corpo.  « 21. Pakinnavagga Miscelânea Se pela renúncia a uma felicidade inferior é possível alcançar uma felicidade superior, Que o homem sábio abandone a inferior pela superior.

290. Quem almeja a felicidade impondo o sofrimento aos demais, Enredado pelos grilhões da raiva Não se liberta da raiva.

291. Aquilo que deve ser feito não é feito, É feito aquilo que não o deve ser; As impurezas proliferam naqueles que são arrogantes e negligentes.

292. Com determinação praticando a atenção plena no corpo, Sem fazer aquilo que não deve ser feito, Com atenção plena e plena consciência, As impurezas cessam.

293. Aniquilando a mãe, o pai e os dois reis guerreiros, Destruindo um reino junto com o seu tesoureiro, Incólume segue o verdadeiro Brâmane.

294. Aniquilando a mãe, o pai e os dois reis guerreiros, Bem como os cinco tigres, Incólume segue o verdadeiro Brâmane.

295. Os discípulos de Gotama, sempre despertos, Constantemente dia e noite Contemplam as qualidades do Buda.

296. Os discípulos de Gotama, sempre despertos, Constantemente dia e noite Contemplam as qualidades do Dhamma.

297. Os discípulos de Gotama, sempre despertos, Constantemente dia e noite Contemplam as qualidades da Sangha.

298. Os discípulos de Gotama, sempre despertos, Constantemente dia e noite Praticam a atenção plena no corpo.

299. Os discípulos de Gotama, sempre despertos, Constantemente dia e noite Se deliciam com a inocuidade.

300. Os discípulos de Gotama, sempre despertos, Constantemente dia e noite Se deliciam com o cultivo da mente.

301. Difícil seguir a vida santa, nela encontrar o deleite. Difícil e sofrida é a vida em família. Sofrimento é a companhia daqueles que são diferentes. O sofrimento acompanha a perambulação no samsara. Portanto, não perambule sem rumo em busca do sofrimento.

302. Quem possui fé e virtude, Boa reputação e riqueza, Onde quer que vá é sempre respeitado.

303. A bondade é vista à distância, tal como as montanhas do Himalaia. Mesmo próximos os malvados não são vistos, tal como flechas lançadas na escuridão da noite.

304. Só ao sentar, só ao deitar, Só ao caminhar, só no esforço e na contenção, Deliciando-se só na floresta.

305. hh Nota 1: Verso 293 — A prática Brâmane é o arahant.  da atenção plena no corpo. Veja o « ,Kayagatasati-Sutta.  hh Nota 3: Verso 295 — Os cinco tigres são « os cinco obstáculos — .  nivarana hh Nota 2: Verso 294 — Mãe representa « o desejo, pai a presunção. Os dois guerreiros representam as ideias hh Nota 4: Verso 299 — A prática baseadas no eternalismo e na aniquilação. da atenção plena no corpo. Veja o O reino são as bases dos sentidos e ,Kayagatasati-Sutta.  o tesoureiro o apego. O verdadeiro « 22. Nirayavagga Inferno O falso acusador vai para o inferno; Também aquele que nega o que tenha feito. Ambos depois se tornam iguais — pessoas vis no mundo além.

306. Muitos impostores vestem o manto de cor ocre, Embora com caráter ruim e descontrolados. Devido às suas ações ruins esses malfeitores renascem no inferno.

307. Melhor que ele engula uma bola de ferro incandescente, Do que esse imoral descontrolado se alimentar de comida esmolada.

308. Quatro infortúnios acometem aquele que comete o adultério: Demérito, sono ruim, má reputação, renascimento no inferno.

309. Demérito e um renascimento infeliz. Breve o prazer de homens e mulheres amedrontados. O rei decreta pesada punição. Portanto, que ninguém seja adúltero.

310. Tal como o capim kusa que, se for pego incorretamente, corta as mãos, Assim também a vida do contemplativo, vivida incorretamente, arrasta-o ao inferno.

311. Atos negligentes, Práticas corrompidas, Celibato duvidoso — Nada disso produz bons frutos.

312. Se algo deve ser feito, que assim seja com determinação. Uma vida monástica negligente apenas agita a poeira das paixões.

313. Melhor não praticar uma ação prejudicial, Pois uma ação condenável atormentará mais tarde. Melhor praticar uma ação benéfica — Que, praticada, não atormenta.

314. Tal como uma cidade fronteiriça é protegida interna e externamente, Assim também vocês devem se proteger. Não negligenciem essa oportunidade, pois quem perde essa oportunidade lamenta, tendo renascido num estado infeliz.

315. Quem se envergonha onde não há vergonha Mas onde há vergonha não se envergonha — Assim adotando ideias prejudiciais —, Os seres renascem no inferno.

316. Quem vê perigo onde não há perigo Mas onde há perigo não o vê — Assim adotando ideias prejudiciais —, Os seres renascem no inferno.

317. Quem vê defeito onde não há defeito Mas onde há defeito não o vê — Assim adotando ideias prejudiciais —, Os seres renascem no inferno.

318. Vendo o defeito como tal, Também sabendo onde não há defeito — Assim adotando ideias corretas —, Os seres renascem num destino feliz.

319. hh Nota 1: Verso 315 — A oportunidade são as condições apropriadas para a prática do caminho Budista.  « 23. Nagavagga O Elefante Tal como um elefante num campo de batalha resiste às flechas lançadas dos arcos, Assim também suportarei as ofensas. Há muitos, deveras, que não são virtuosos.

320. Um elefante treinado passa pela multidão. O rei monta o animal treinado. Superior entre os homens são os domesticados Que suportam as ofensas.

321. Excelentes são as mulas bem treinadas, Os puros-sangues de Sindh, e um poderoso elefante. Melhor ainda é aquele domesticado.

322. No entanto não é com essas montarias que alguém segue o caminho não trilhado (nibbana). Segue o caminho aquele com a mente bem treinada e domesticada.

323. Difícil de ser controlado o elefante Dhanapala no cio, Com o odor pungente escorrendo das têmporas. Mantido no cativeiro ele não come nem um bocado, Saudoso, recordando-se da floresta.

324. Estúpido e preguiçoso, glutão e dorminhoco, Chafurdando como um gordo porco doméstico, Repetidas vezes segue ao renascimento.

325. Antes esta mente perambulava como desejava, de acordo com os seus caprichos e prazeres. Agora com sabedoria conterei a mente, tal como um domesticador controla um elefante no cio.

326. Delicie-se sendo diligente! Proteja bem a mente! Livre-se do atoleiro de contaminações, Tal como o elefante se livra do lamaçal.

327. Se, para a prática, você encontrar um amigo prudente, virtuoso e sábio, Permaneça com ele com atenção plena e alegria, superando todas as dificuldades.

328. Se, para a prática, não for encontrado um amigo prudente, virtuoso e sábio, Tal como um rei que deixa para trás a terra conquistada Siga só, como um elefante solitário na floresta.

329. Melhor é permanecer só, pois não há companheirismo com os tolos. Sem fazer o mal, despreocupado, permaneça só, tal como o elefante na floresta.

330. Felicidade é ter amigos quando surge a necessidade, Felicidade é o contentamento com pouco, Felicidade é o mérito no fim da vida, Felicidade é o abandono de todo sofrimento.

331. Felicidade neste mundo é servir à mãe, Também felicidade é servir ao pai. Neste mundo felicidade é servir aos monges, Também felicidade é servir aos nobres.

332. Felicidade é a virtude até o fim da vida, E felicidade é a fé bem estabelecida. Felicidade é a realização da sabedoria, E felicidade é evitar o mal.

333. hh Nota 1: Verso 323 — Sudantena: bem hh Nota 2: Verso 330 — Veja Sahayata treinada através do desenvolvimento do (companheirismo).  Nobre Caminho Óctuplo.  « « 24. Tanhavagga O Desejo Tal como uma furtiva trepadeira, o desejo cresce naquele que é negligente. Assim ele segue saltando de vida em vida, tal como um macaco em busca de fruta na floresta.

334. Se, no mundo, esse desejo pegajoso e grosseiro o subjuga, As tristezas crescerão como o capim após a chuva.

335. Se, no mundo, você subjuga esse desejo pegajoso e grosseiro — do qual é difícil de escapar —, As tristezas se esvairão, como gotas de água num lótus.

336. Todos aqui presentes, eu digo, estejam bem! Desenraízem o desejo tal como alguém em busca da perfumada raiz de birana. Não se permitam ser esmagados repetidas vezes por Mara tal como as hastes do junco numa enxurrada.

337. Tal como uma árvore, embora cortada, brota outra vez se as raízes permanecerem intactas e fortes, Da mesma forma, até que o desejo latente tenha sido desenraizado, o sofrimento irá brotar repetidas vezes.

338. Quando as trinta e seis torrentes (do desejo) fluem com intensidade para os objetos do prazer, Essa pessoa deludida é arrastada pelos pensamentos apaixonados.

339. Por toda parte essas torrentes fluem e a trepadeira (do desejo) brota e cresce. Ao ver que a trepadeira brotou, decepe a sua raiz com sabedoria.

340. Nos seres impregnados pelo desejo surgem os prazeres dos sentidos. Com inclinação pelo prazer, em busca do deleite, eles são aprisionados pelo nascimento e decrepitude.

341. Seres aprisionados pelo desejo são aterrorizados como um coelho apanhado no laço. Presos por grilhões e apegos, o seu sofrimento persiste por muito tempo.

342. Seres aprisionados pelo desejo são aterrorizados como um coelho apanhado no laço. Portanto um bhikkhu que almeja pelo desapego deveria subjugar o desejo.

343. Sem desejo (pela vida em família), encontra prazer na floresta (isto é, como um bhikkhu). Mas depois de livre corre de volta para a vida em família. Observem bem essa pessoa: embora livre, regressa para a escravidão.

344. Um grilhão feito de cânhamo, madeira ou ferro não é tão forte — Assim diz um sábio — Quanto o desejo e paixão por filhos, esposas, joias e ornamentos.

345. Esse é um forte grilhão — assim diz um sábio — que puxa para baixo; embora flexível, é difícil de ser removido. O sábio disso também se desfaz — eliminando a paixão, renunciando ao mundo, abandonando os prazeres sensuais.

346. Enredado pela paixão, recairá na torrente (de samsara) — Tal como uma aranha na sua própria teia. Elimine a paixão, renuncie ao mundo, abandone todo sofrimento.

347. Abandone o passado, abandone o futuro, abandone o presente, cruze para a outra margem. Com a mente liberta de tudo não regresse ao nascimento e decrepitude.

348. Contemplando os sinais de beleza, Atormentado por pensamentos, dominado pelas paixões, o desejo apenas cresce; Assim de fato os grilhões são fortalecidos.

349. Contemplando os aspectos repulsivos do corpo, Acalmando os pensamentos, sempre com atenção plena, O desejo terá um fim; Assim de fato os grilhões serão rompidos.

350. Tendo realizado o objetivo, destemido, livre do desejo e das paixões, arrancou o espinho da existência; Este é o seu último corpo.

351. Livre do desejo e do apego, Hábil no verdadeiro significado e conhecendo a correta sequência dos ensinamentos; Sendo este o seu último corpo — com profunda sabedoria, um homem superior.

352. Eu sou aquele que transcendeu tudo, aquele que tudo conhece, Imaculado entre todas as coisas, renunciando a tudo, libertado pela cessação do desejo. Tendo conhecido tudo isso por mim mesmo, a quem devo apontar como mestre?

353. Oferecer o Dhamma supera todas as demais oferendas. O sabor do Dhamma supera todos os demais sabores. O prazer do Dhamma supera todos os demais prazeres. A libertação do desejo é o fim do sofrimento.

354. As riquezas arruínam o tolo, mas não aquele em busca da outra margem; Desejando riquezas, o tolo arruína a si mesmo e aos outros.

355. As ervas daninhas são a praga dos campos; a cobiça é a praga da humanidade. Assim, aquilo que é oferecido a quem está livre da cobiça resulta em abundantes frutos.

356. As ervas daninhas são a praga dos campos; a raiva é a praga da humanidade. Assim, aquilo que é oferecido a quem está livre da raiva resulta em abundantes frutos.

357. As ervas daninhas são a praga dos campos; a delusão é a praga da humanidade. Assim, aquilo que é oferecido a quem está livre da delusão resulta em abundantes frutos.

358. As ervas daninhas são a praga dos campos; o desejo é a praga da humanidade. Assim, aquilo que é oferecido a quem está livre do desejo resulta em abundantes frutos.

359. hh Nota 1: Verso 334 — Desejo — tanha cobiça (raga), raiva (dosa), delusão (moha), em pali — pela sensualidade, por ser/ presunção (mana) e ideias (ditthi).  existir, ou por não ser/existir.  « « hh Nota 5: Verso 348 — Abandonar hh Nota 2: Verso 339 — As trinta e seis o passado, o futuro e o presente é o torrentes do desejo são os três tipos abandono do apego aos agregados. Veja de desejo (pelos prazeres dos sentidos, khandha no glossário. por ser/existir, por não ser/existir) em relação a cada uma das doze bases (os Cruzar para a outra margem: veja o seis meios dos sentidos — incluindo a símile da balsa no ,Alagaddupama- mente — e os seus respectivos objetos). Sutta.  Veja também o ,Bahuvedaniya-Sutta. «  hh Nota 6: Verso 350 — Contemplar os « aspectos repulsivos do corpo: veja asubha hh Nota 3: Verso 340 — O desejo brota no glossário.  através dos seis meios dos sentidos « e cresce com base nos objetos dos hh Nota 7: Verso 353 — Esta foi a resposta sentidos.  do B uda à pergunta de Ajivaka Upaka no « ,Ariyapariyesana-Sutta.  hh Nota 4: Verso 342 — Grilhões e « apegos: samyojana e sanga em pali. Samyojana hh Nota 8: Verso 355 — Busca da outra são os grilhões que aprisionam a mente margem: veja o símile da balsa no ao ciclo de renascimentos. ,Alagaddupama-Sutta.  Sanga são cinco tipos de apegos: « 25. Bhikkhuvagga O Monge Boa é a contenção no olho; A contenção no ouvido é boa; Boa é a contenção no nariz; A contenção na língua é boa.

360. Boa é a contenção no corpo; A contenção na linguagem é boa; Boa é a contenção na mente; A contenção em tudo é boa. O bhikkhu contido de todas as formas Está livre de dukkha.

361. Com as mãos e os pés controlados — bem como a linguagem —, Com completo controle, deliciando-se com a meditação, tranquilo, Só, satisfeito, ele é chamado um bhikkhu.

362. Um bhikkhu com a língua sob controle fala com sabedoria, despretensioso, Capaz de explicar o fraseado e o significado. Doce como o mel é o seu discurso.

363. O bhikkhu que permanece com o Dhamma, Pondera e se delicia com o Dhamma, Se recorda do Dhamma, Não decai do verdadeiro Dhamma.

364. Sem desprezar o que recebeu nem invejar o que outros receberam. O bhikkhu que é invejoso não realiza samadhi.

365. Sem desprezar o que tenha recebido — mesmo que seja pouco —, Com o modo de vida purificado, dedicado, Esse bhikkhu é elogiado pelos devas.

366. Em quem não há a fabricação ‘meu’ em relação à mentalidade/materialidade, Que não se aflige pelo que não é, Deveras ele é chamado bhikkhu.

367. O bhikkhu que permanece com amor-bondade, Dedicado aos ensinamentos do buda, Realiza o estado de paz e felicidade, O silenciar da condicionalidade.

368. Oh bhikkhu, esvazie esse barco! Vazio, seguirá com presteza. Livre da cobiça e da raiva, Nibbana será realizado.

369. Corte cinco e abandone cinco, Cultive outros cinco, Um bhikkhu livre de cinco grilhões é chamado aquele que cruzou a torrente.

370. Medite, bhikkhu! Não seja negligente! Não permita que os prazeres dos sentidos rodopiem a mente! Negligente devorará bolas de ferro incandescentes! Ao arder não lamente: ‘isso é dukkha’!

371. Não existe concentração (jhana) sem sabedoria, E não existe sabedoria sem concentração. Aquele que tem ambos concentração e sabedoria Está mais próximo de nibbana.

372. O bhikkhu que busca um local isolado, Com a mente calma, Que compreende o Dhamma com insight, Experimenta a felicidade transcendente.

373. Vendo com clareza o surgimento e cessação dos agregados Ele experimenta o êxtase e o contentamento. É o imortal para aqueles que sabem.

374. Controle dos sentidos, contentamento, contenção pelas regras do Patimokkha. Essa é a base para a vida santa de um bhiikhu sábio.

375. Bons amigos, nobres, enérgicos e puros. Gentil e com fina conduta. Assim pleno de contentamento dará um fim a dukkha.

376. Tal como o jasmim Que descarta as flores murchas, Assim também vocês bhikkhus descartem a cobiça e a raiva.

377. O bhikkhu com o corpo e a linguagem calmos, Com a mente calma e bem controlada, Tendo renunciado aos prazeres mundanos, Deveras é chamado de ‘pacificado’.

378. Você mesmo exorte a si mesmo! Você mesmo examine a si mesmo! Com atenção plena protegendo a si mesmo, O bhikkhu sempre estará feliz.

379. Seja o seu próprio protetor, seja o seu próprio refúgio. Assim controle a si mesmo tal como um mercador a sua preciosa montaria.

380. Pleno de contentamento e confiante nos ensinamentos do buda O bhikkhu realizará o estado de paz, a felicidade da cessação do condicionado.

381. Com certeza o jovem bhikkhu que se empenha no ensinamento do buda Ilumina todo o mundo, tal como a lua livre das nuvens.

382. hh Nota 1: Verso 360 — Veja a hh Nota 4: Verso 364 — Seis qualidades prática da contenção como parte do extraordinárias do Dhamma são treinamento gradual de um bhikkhu no enumeradas: ,Culahatthipadopama-Sutta.  “O Dhamma é bem proclamado « pelo Abençoado, visível no aqui hh Nota 2: Verso 362 — Samahito: e agora, com efeito imediato, que tranquilo, uma mente que é tranquila convida ao exame, que conduz para tendo realizado samadhi — concentração. adiante, para ser experimentado No ,Culavedalla-Sutta a bhikkhuni pelos sábios por eles mesmos.” Dhammadina explica o que é concentração, qual é a base da concentração, qual é o O Dhamma possui um único sabor equipamento da concentração e qual é o — nibbana. Os benefícios do Dhamma desenvolvimento da concentração: se manifestam de imediato — não é necessário aguardar uma vida futura. O “Unificação da mente é concentração; os Dhamma é atemporal — não se esvai com quatro Fundamentos Da Atenção Plena o tempo. O Dhamma está aberto para que são a base da concentração; qualquer um descubra por si mesmo. os quatro tipos de esforço constituem o  equipamento da concentração; a repetição, « o desenvolvimento e o cultivo desses mesmos estados constituem o hh Nota 5: Verso 365 — Veja samadhi no desenvolvimento da concentração.” glossário.  « Os quatro Fundamentos Da Atenção Plena são explicados no ,Satipatthana- hh Nota 6: Verso 367 — Nama-rupa: Sutta. Os quatro tipos de esforço são mentalidade/materialidade ou nome/ explicados no ,Mahasakuludayin- forma é a união de fenômenos mentais (nama) e fenômenos materiais (rupa) Sutta.  que constituem os cinco agregados « (khandha). hh Nota 3: Verso 363 — Neste verso são destacadas as virtudes da linguagem Com relação à “fabricação ‘meu’”, correta — que é um dos elementos veja o ,Mahapunnama-Sutta.  do Nobre Caminho Óctuplo. No « ,Saleyyaka-Sutta o Buda descreve os hh Nota 7: Verso 368 — Amor-bondade: quatro tipos de linguagem de acordo veja metta no glossário. com o Dhamma.  « O estado de paz e felicidade é nibbana. A condicionalidade é paticca-samuppada. — ‘Isso é sofrimento’. Não permita que isso  aconteça.  « « hh Nota 11: Verso 373 — A felicidade hh Nota 8: Verso 369 — O barco precisa transcendente não pode ser alcançada ser esvaziado da água que, se for pelas mentes comuns. É a felicidade dos acumulada, irá afundá-lo. Uma vez que quatro jhanas e das quatro realizações o barco esteja vazio ambos a cobiça e imateriais.  a raiva se foram, e com presteza irá « alcançar o destino — nibbana.  hh Nota 12: Versos 379-380 — Este é « um dos conceitos centrais do Budismo: hh Nota 9: Verso 370 — Os cinco a pessoa deve ela mesma buscar a primeiros grilhões devem ser cortados, motivação para seguir o caminho de os cinco grilhões superiores devem ser prática, sabendo que não há fontes abandonados; veja samyojana no glossário. externas ou rituais que possam salvá- la. O Budista depende apenas dos seus As cinco faculdades (indriya) devem esforços. Alcançar a libertação pode ser ser cultivadas. comparado com uma enfermidade: se Aquele que cruzou a torrente realizou alguém está enfermo, procura um médico o caminho supra-mundano; veja ariya- que diagnostica a doença e prescreve o tratamento. Para ser curado ele deverá puggala no glossário.  por si mesmo seguir as instruções do « tratamento.  hh Nota 10: Verso 371 — Não permita « que a mente vagueie pelos prazeres dos sentidos pois, se permitir, será como hh Nota 13: Verso 381 — A cessação do engolir bolas de ferro incandescentes no condicionado: veja paticca-samuppada. inferno. Assim lamentará o seu destino « 26. Brahmanavagga O Brâmane Brâmane, empenhe-se e destrua a torrente, Deixe de lado os prazeres dos sentidos. Tendo compreendido a cessação do condicionado, realize nibbana.

383. Quando o brâmane alcança o ápice dos dois caminhos, Ele realiza a verdade E todos grilhões desaparecem.

384. Em quem não há esta nem a outra margem — Tampouco ambas —, Sem temores e livre dos grilhões — Esse é o verdadeiro brâmane.

385. Meditando, isolado, livre de contaminações, Com a tarefa feita, livre das impurezas, Tendo realizado o objetivo supremo — Esse é o verdadeiro brâmane.

386. O sol brilha durante o dia; a lua ilumina a noite. O rei brilha na sua armadura; o brâmane brilha nos jhanas. Mas durante todo o dia — e à noite também — Resplandecente brilha o buda.

387. Removendo o mal ele é chamado brâmane. Com a conduta serena ele é chamado samana. Tendo removido todas as contaminações ele é chamado pabbajita.

388. Não acerte um brâmane — nem ele por isso reaja. Vergonha quem acerta um brâmane — mais vergonha quem se deixa tomar pela raiva.

389. A mente que se afasta do que é querido é de grande benefício para um brâmane. O tanto que cessa a intenção de causar o dano, na mesma medida dukkha cessa.

390. Quem não pratica o mal através do corpo, linguagem ou mente; Contido dessas três formas — esse é o verdadeiro brâmane.

391. Tal como o sacerdote brâmane reverencia o fogo, Da mesma forma deve ser reverenciado aquele de quem se aprende o Dhamma ensinado pelo perfeitamente iluminado.

392. Não pelo ascetismo, linhagem ou nascimento alguém se torna um brâmane. Mas naquele em quem está presente a verdade e o Dhamma, ele é puro — é um brâmane.

393. Para que serve esse cabelo emaranhado? Para que serve esse manto de pele de antílope? No seu íntimo há o emaranhado das paixões, Somente no exterior você se mostra purificado.

394. Vestindo um manto feito de trapos; o corpo com veias expostas; Só na floresta, cultivando os jhanas. Esse é o verdadeiro brâmane.

395. Eu não digo que alguém seja um brâmane Devido à sua origem e linhagem. Se os impedimentos ainda nele se ocultam, Ele é apenas um dos que diz ‘senhor.’ Mas aquele que está desimpedido e não tem mais apego: Esse é o verdadeiro brâmane.

396. Rompendo todos os grilhões; Não mais abalado pela raiva; Superando todos os vínculos, emancipado: Esse é o verdadeiro brâmane.

397. Cortando todas as amarras e correias, bem como o cabresto e a embocadura; Cuja trave foi removida, iluminado: Esse é o verdadeiro brâmane.

398. Aguentando — sem o menor indício de ressentimento — O abuso, a violência e também o cativeiro; Cujo poder e força verdadeira é a paciência: Esse é o verdadeiro brâmane.

399. Não se incendeia com a raiva; Obediente, virtuoso e modesto; Domesticado, suportando o seu último corpo: Esse é o verdadeiro brâmane.

400. Como a chuva nas folhas do lótus ou uma semente de mostarda na ponta duma agulha, De modo algum se apega aos prazeres sensuais: Esse é o verdadeiro brâmane.

401. Nesta mesma vida realizando por si mesmo o fim de todo o sofrimento; Deitando o fardo e se emancipando: Esse é o verdadeiro brâmane.

402. Com profundo entendimento, sábio, Hábil na distinção entre o caminho e o descaminho, Tendo alcançado o objetivo supremo: Esse é o verdadeiro brâmane.

403. Reservado em relação aos chefes de família e da mesma forma em relação aos contemplativos; Perambulando sem morada fixa e com poucas necessidades: Esse é o verdadeiro brâmane.

404. Renunciando à violência contra todos os seres vivos, fracos ou fortes; Que não mata ou faz com que outros matem: Esse é o verdadeiro brâmane.

405. Amigável entre os hostis; Pacífico entre os violentos; Desapegado entre os apegados: Esse é o verdadeiro brâmane.

406. Cobiça e raiva, presunção e desprezo se despegaram — igual à semente de mostarda da ponta duma agulha —: Esse é o verdadeiro brâmane.

407. Empregando linguagem gentil, instrutiva, verdadeira, Sem ofender a ninguém: Esse é o verdadeiro brâmane.

408. No mundo nunca toma nada que não tenha sido dado — quer seja longo ou curto, grande ou pequeno, bom ou ruim —: Esse é o verdadeiro brâmane.

409. Não deseja mais nada — quer seja deste mundo ou do próximo —, Livre do desejo e emancipado: Esse é o verdadeiro brâmane.

410. Não possui mais apegos nem perplexidades — pois sabe, tendo mergulhado no Imortal —: Esse é o verdadeiro brâmane.

411. Neste mundo transcendendo todos os vínculos — tanto com os méritos como com os deméritos —; Livre do sofrimento, imaculado e puro: Esse é o verdadeiro brâmane.

412. Imaculado como a lua, Puro, sereno e imperturbado, Tendo destruído o desejo por ser/existir: Esse é o verdadeiro brâmane.

413. Superando esse samsara lodoso, perigoso, enganador; Meditando com os jhanas, cruzando para a outra margem; Imperturbável, sem perplexidade, Realizando nibbana através do desapego: Esse é o verdadeiro brâmane.

414. Abandonando os prazeres sensuais; Renunciando à vida em família, perambulando como um eremita; Destruindo ambos O desejo pelos prazeres dos sentidos e pela continuada existência: Esse é o verdadeiro brâmane.

415. Abandonando o desejo; Renunciando à vida em família, perambulando como um eremita; Destruindo ambos o desejo E a continuada existência: Esse é o verdadeiro brâmane.

416. Abandonando todos os vínculos humanos e transcendendo todos os vínculos celestiais, Desapegando-se de todos os vínculos: Esse é o verdadeiro brâmane.

417. Abandonando o deleite e o descontentamento; Arrefecido e sem apegos; O herói que transcendeu todo o mundo: Esse é o verdadeiro brâmane.

418. Conhecendo de todos os modos a morte e o renascimento dos seres; Desapegado, abençoado, iluminado: Esse é o verdadeiro brâmane.

419. Cujo destino não é do conhecimento de devas e humanos; Um arahant com as impurezas destruídas: Esse é o verdadeiro brâmane.

420. Sem apego por absolutamente nada do passado, presente e futuro; Desimpedido e sem se agarrar a nada: Esse é o verdadeiro brâmane.

421. O líder do rebanho, o perfeito herói, o grande sábio, o conquistador; Imperturbável, imaculado, iluminado: Esse é o verdadeiro brâmane.

422. Conhecendo as suas vidas passadas; Vendo os mundos paradisíacos e os mundos inferiores; Chegando ao fim dos nascimentos. Um sábio com perfeito conhecimento supra humano, completo em todos aspectos: Esse é o verdadeiro brâmane.

423. hh Nota 1: Verso 383 — Sota chinda: glossário.  “destrua a torrente”, sendo que a « torrente representa os desejos pelos prazeres dos sentidos. hh Nota 4: Verso 386 — Livre de contaminações: kilesa. Originalmente o termo “brâmane” era empregado para pessoas com elevada Livre das impurezas: asava.  estatura espiritual — homens santos; na « época do Buda os brâmanes haviam se hh Nota 5: Verso 388 — Brâmane, samana, convertido numa casta de sacerdotes pabbajita:essas são as categorias dos privilegiados que conquistavam o seu religiosos na época do Buda. Eles se status com base no nascimento e não dedicavam a diversos tipos de práticas com base em alguma genuína santidade religiosas. Aqui o Buda explica quem é o interior. Nos seus discursos o Buda verdadeiro brâmane, samana e pabbajita. identificou o arahant como sendo o verdadeiro brâmane — pois ele merece  esse título por conta da purificação da « mente com a completa eliminação de toda hh Nota 6: Verso 393 — A verdade neste cobiça, raiva e delusão, independente da caso se refere às Quatro Nobres Verdades. sua linhagem familiar.  O Dhamma se refere aos quatro caminhos « supramundanos, os seus frutos e nibbana. hh Nota 2: Verso 384 — O ápice dos dois Veja ariya-puggala no glossário.  caminhos representa o cultivo de samadhi « (concentração) e vipassana (insight). Os hh Nota 7: Verso 394 — Na época do Buda grilhões (samyojana) aprisionam a mente esse tipo de prática ascética — como o ao ciclo de renascimentos (samsara). cabelo emaranhado e vestir-se com peles  de animais — era considerada sinal de « santidade.  hh Nota 3: Verso 385 — Esta margem « e a outra margem representam hh Nota 8: Verso 395 — O corpo com respectivamente as seis bases internas e veias expostas devido ao ascetismo e as seis bases externas — veja ayatana no glossário. Tampouco ambas representam magreza.  não fabricar nada como “eu” ou “meu” — « veja o ,Mahapunnama-Sutta. hh Nota 9: Verso 398 — Amarras (raiva); correias (desejo); cabresto (ideias Livre dos grilhões: veja samyojana no incorretas); embocadura (tendências hh Nota 11: Verso 403 — Que conhece o latentes); trave (ignorância).  caminho para os mundos inferiores, para « os mundos paradisíacos e para nibbana. hh Nota 10: Verso 402 — O fardo são os  agregados (khandha). A emancipação de « todas as contaminações: kilesa.  hh Nota 12: Verso 413 — Imperturbado « pelas contaminações: .  kilesa « Glossários Glossário de termos Budistas em Pali Glossário de termos Budistas em Pali 305 Glossário de termos Budistas em Pali Este glossário cobre muitas das palavras em Pali e termos técnicos que você irá encontrar nas traduções do Cânone em Pali (Tipitaka), livros, ensaios e demais textos disponíveis neste livro e no site http://www.acessoaoinsight.net/index.htm. As palavras, expressões, termos e símbolos na cor indicam um link para o destino referente a eles. O símbolo , indica um link com uma página na internet; para acessá-la é necessária conexão com a internet e um aplicativo navegador. O símbolo indica um retorno ao verso referente à nota em questão. O símbolo « indica  um link para o Sumário no início da obra. A hh abhidhamma: (1) Nos discursos do sekha. Veja também parijanati. Cânone em Pali este termo simplesmente « significa “Dhamma mais elevado ou superior.” , (2) Uma coleção de hh abhiñña: Os seis tipos de poderes tratados analíticos baseados em listas de ou conhecimentos supra-humanos categorias extraídas dos ensinamentos resultantes do conhecimentos direto: dos discursos, adicionada ao Cânone poderes mágicos, ouvido divino, vários séculos após a morte do Buda. , penetrar as mentes de outros, relembrar vidas passadas, olho divino, « extinção de todas as impurezas da hh abhijanati: Conhecimento direto, mente — sendo que apenas este último é compreensão direta. Compreender considerado supramundano (lokuttara), através da experiência. Saber por enquanto que os demais são mundanos inteiro ou a fundo. O conhecimento (lokiya). Veja asava. dos fenômenos de acordo com o « padrão estabelecido pelas Quatro Nobres Verdades. Esse conhecimento é hh acariya: Mestre; mentor. Veja kalyana- partilhado tanto pelo arahant como pelo mitta. « pelo tempo ou estação. hh adinava: Perigo, desvantagem. O « perigo é o contínuo aprisionamento ao hh akusala: Prejudicial, inábil. São todas ciclo de samsara através por exemplo dos as vontades kâmmicas (kammacetana, s. prazeres sensuais. , cetana) e a consciência e fatores mentais « a elas associados que são acompanhados pela cobiça/desejo (lobha), raiva/ hh adhitthana: Determinação; decisão. aversão (dosa) ou apenas delusão (moha). Uma das dez perfeições (paramis). Todos esses fenômenos são causas para « resultados kâmmicos desfavoráveis e contêm as sementes para renascimentos hh ahara: Alimento, nutrimento. Os desfavoráveis. Veja o seu oposto, kusala. quatro alimentos são comida, contato, volição e consciência. Os alimentos « são condições (paccaya). As condições são hh anagami: Que não retorna. Uma chamadas de alimentos (ahara) porque pessoa que abandonou os cinco primeiros elas nutrem (ou produzem) os seus grilhões que aprisionam a mente ao próprios efeitos. Embora existam outras ciclo de renascimentos (veja samyojana), condições para a existência, apenas estas e que após a morte irá renascer em um quatro são chamadas de alimento porque dos mundos de Brahma denominados servem como condições especiais para as Moradas Puras para aí realizar o o contínuo da vida. A comida é uma parinibbana, nunca mais retornando desse condição importante para o corpo físico, mundo. o contato para a sensação, a volição mental para a consciência e a consciência « para a mentalidade/materialidade (nome hh anapanasati: Atenção plena na e forma) — o organismo psicofísico na respiração. É uma das práticas de sua totalidade. O desejo é denominado meditação mais importantes para a origem do alimento no sentido de que o alcançar a concentração (samadhi) desejo na existência anterior é a fonte da e as quatro absorções (jhana). O presente individualidade que depende método é descrito no Anapanasati Sutta e consome continuamente os quatro (,MN118); no Satipatthana Sutta alimentos nesta existência. , (,MN10) e (,DN22); no Kayagatasati « Sutta (,MN119). hh ajaan: (Tailandês; também “Ajarn”, « “Ajahn” etc.) Mestre; mentor. Equivalente hh anatta: Não-eu, ausência de um eu. ao Pali acariya. É a última das três características da « existência (ti-lakkahana). A doutrina de anatta ensina que nem nos fenômenos hh akaliko: Atemporal; não condicionado Glossário de termos Budistas em Pali 307 corporais nem nos fenômenos mentais treinamento gradual. O método do Buda — ou mesmo fora deles — pode ser de ensino do Dhamma que guia os ouvintes encontrada qualquer coisa que no progressivamente através de tópicos cada final das contas possa ser considerada vez mais avançados: generosidade (dana), como um eu ou ego ou outra substância virtude (sila), paraísos, desvantagens inerente qualquer. Esta é uma doutrina (dos prazeres sensuais), vantagens da central no Budismo da qual depende renúncia e, por fim, culminando com as toda a estrutura dos ensinamentos. Quatro Nobres Verdades. , Qualquer um que não tenha penetrado « essa impessoalidade de toda a existência e não compreenda que na realidade hh anusaya: Inclinações, tendências existe apenas esse contínuo processo latentes ou subjacentes ou obsessões de surgimento e desaparecimento de — que em geral são 7 em número fenômenos mentais e corporais e que (,ANVII.11): desejo sensual (kama- não existe um eu separado como parte raga), aversão (patigha), ideias (dithi), ou fora desse processo, não será capaz de dúvida (vicikiccha), presunção (mana), compreender o Budismo. , , desejo por ser/existir (bhavaraga), « ignorância (avija). No ,MN64 são identificadas 5 tendências subjacentes hh anicca: Impermanente, inconstante, idênticas aos 5 primeiros grilhões instável, incerto. É a primeira das (samyojana); no ,MN148 são três características da existência (ti- identificadas 3 tendências subjacentes lakkahana). É a partir da impermanência (desejo, aversão, ignorância), que que, na maioria dos suttas, as outras duas têm as sensações como condição. características, sofrimento (dukkha) e Nos comentários as impurezas são não-eu (anatta) são derivadas. , identificadas como ocorrendo em três « níveis: nível anusaya — no qual elas permanecem como inclinações latentes hh anupadisesa-nibbana: Nibbana sem na mente; nível pariyutthana — onde restar nenhum combustível (a analogia elas surgem para obcecar e escravizar é um fogo que foi extinto e cujas brasas a mente; e nível vitikkama — onde elas estão frias) — o nibbana do arahant após a causam as ações corporais e verbais sua morte. , prejudiciais. « « hh anupassana: (Passana: ‘ver’; anu : hh apaya-bhumi: Destino infeliz — os ‘continuar’, ‘sustentar’). Ver repetidas quatro planos ou mundos inferiores de vezes ou ver de perto. existência no qual alguém pode renascer « como resultado de ações inábeis no passado (kamma): renascimento hh anupubbi-katha: Instrução gradual, no inferno; renascimento como um fantasma faminto (Peta); renascimento tipos: forma visível, som, aroma, sabor, como um Titã (Asura); renascimento tangível e objeto mental. como um animal comum. Nenhum « desses estados é permanente. Compare com sugati. , hh ariya: Nobre, ideal. Também “Alguém « Nobre”. (Veja ariya-puggala). « hh apaya-mukha: Caminho para um destino infeliz: relações sexuais hh ariyadhana: Riqueza Nobre — extraconjugais; entregar-se a qualidades que servem como ‘capital’ substâncias embriagantes; entregar- na busca pela libertação: convicção se ao jogo; associar-se com pessoas (saddha), virtude (sila), vergonha de más. A realização desses atos prepara o cometer transgressões (hiri), temor de caminho para o renascimento em um dos cometer transgressões (ottapa), estudo, mundos inferiores. (Veja apaya-bhumi). generosidade (dana), e sabedoria (pañña). « « hh appamada: Aplicação, zelo, diligência, hh ariya-puggala: Pessoa nobre. Um seriedade. É considerado como a base indivíduo que realizou pelo menos para todo o progresso. O seu oposto um dos quatro nobres caminhos é a negligência (pamada). “Dessa forma, supramundanos — ou melhor, um bhikkhus, eu os encorajo: todas as coisas caminho com quatro níveis de condicionadas estão sujeitas à dissolução. refinamento: o caminho para ‘entrar Esforcem-se pelo objetivo com diligência.” na correnteza’ (sotapanna), o caminho Essas foram as últimas-palavras do para ‘um retorno somente’ (sakadagami), Tathagata. , o caminho para ‘não retorno’ (anagami), « e o caminho para arahant. Veja phala. Compare com puthujjana (mundano). , hh arahant: “Digno” ou “puro”; uma pessoa cuja mente está livre de « contaminações (kilesa), que abandonou hh ariya-sacca: Nobre verdade. A todos os dez grilhões que aprisionam palavra “ariya” (nobre) também pode a mente ao ciclo de renascimentos significar ideal ou padrão, e nesse (samyojana), cujo coração está livre contexto significa verdade “objetiva” de impurezas (asava) — e que dessa ou “universal”. “Sacca” também pode forma não está destinada a um futuro significar realidade ou atual. Existem renascimento. Um título para o Buda e o quatro: sofrimento, a origem do nível mais alto dos seus Nobre Discípulos. sofrimento, a cessação do sofrimento, , e o caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. , hh arammana: Objeto. Pode ser de seis « Glossário de termos Budistas em Pali 309 hh assada: Gratificação, prazer, gozo. O etimologia, quando descreve os asavas sentido literal de assada é ‘doce sabor’. como estados “que contaminam, resultam A gratificação é a satisfação que é na renovação dos seres, trazem problemas, proporcionada para as necessidades causam sofrimento e conduzem a um futuro psicológicas, por exemplo pelos prazeres nascimento, envelhecimento e morte”. Dessa sensuais. forma outros tradutores, deixando « de lado o sentido literal, utilizam a interpretação de máculas, corrupções hh asava: Impureza, mácula, úlcera, ou impurezas. Também traduzido como corrupção. São de quatro tipos: (1) “venenos da mente” principalmente em desejo sensual (kamasava) — desejo e textos Mahayana. , cobiça pelos cinco elementos do prazer « sensual; (2) entendimento incorreto ou ideias incorretas (ditthasava) — os 62 hh asubha: Não atraente, repulsivo, tipos de ideias descritas no Brahmajala nojento. O Buda recomenda a Sutta (,DN1); (3) desejo por ser/ contemplação desse aspecto do corpo existir (bhavasava) — desejo e cobiça como antídoto para a luxúria e a pela existência nos planos materiais e complacência. Veja também kayagata-sati. imateriais e apego a jhana; (4) ignorância, , desconhecimento das quatro nobres « verdades (avijjasava). Uma lista de três qualidades — omitindo o entendimento hh asura: Seres divinos que, tal como os incorreto — é provavelmente mais Titãs da mitologia grega, lutaram contra antiga e aparece com mais frequência os devas pela superioridade sobre os nos suttas. O agrupamento das quatro paraísos e perderam, habitando um dos qualidades também aparece sob os reinos inferiores. Veja apaya-bhumi. nomes ‘torrente’ (ogha) e ‘grilhões’ « (yoga). Os asava são uma classificação das contaminações consideradas no seu hh atapi: Ardente. Esta é uma das papel de sustentação do ciclo samsárico. qualidades mentais necessárias para Os comentários derivam a palavra a a prática de meditação Satipatthana e partir da raiz ‘su' que significa “fluir”. significa ‘continuidade, manter a mente Existe divergência entre os estudiosos naquilo que estiver sendo feito, retornar sobre se o fluxo implícito no prefixo ‘a’ é ao objeto de meditação assim que este for para fora ou para dentro; por conseguinte perdido’. alguns o interpretam como “fluxo para « dentro” ou “influências”, e outros como hh atta: ‘Eu’, identidade. No Budismo “fluxo para fora” ou “efluentes”. Um é uma mera expressão convencional, trecho encontrado com frequência nos não sendo a designação de algo que na suttas indica no entanto o real significado realidade exista. do termo, independentemente da sua « desprovida de um eu. A Ignorância é definida como o desconhecimento hh atta-ditthi: Crença na existência das Quatro Nobres Verdades, isto é, o de um ‘eu’, crença ou ideia de uma sofrimento, a sua origem, a sua cessação identidade. e o caminho para a sua cessação. A « ignorância é uma das impurezas (asava). , hh avijja: Ignorância. Sinônimo de delusão (moha), é a principal causa de « todo o mal e sofrimento no mundo, hh ayatana: Base ou meio dos sentidos ou obscurecendo a vista dos seres e sensuais. As bases internas são os órgãos impossibilitando que eles vejam a dos sentidos — olhos, ouvidos, nariz, verdadeira natureza dos fenômenos. É língua, corpo e mente. As bases externas a delusão que engana os seres fazendo são os seus respectivos objetos. , com que a vida pareça ser permanente, feliz, com substância e bela, evitando « que eles vejam que na realidade ela hh ayoniso-manasikara: Veja manasikara. é impermanente, insatisfatória e « B hh bhagavant: um epíteto para o Buda, e reino da esfera imaterial. em geral traduzido como “Abençoado” « ou “Louvado”. Alguns comentaristas, no entanto, identificam a raiz etimológica hh bhavana: cultivo ou desenvolvimento da palavra em Pali como significando da mente; meditação. O terceiro dos três “dividir” e, por extensão, “analisar”, e fundamentos para atos meritórios. Veja dessa forma o traduzem como “Analista”. também dana e sila.  « « hh bhante: venerável senhor; usado com hh bhavanga-sota e bhavanga-citta: o frequência quando se dirige a palavra a primeiro termo pode ser interpretado um monge budista. como ‘a correnteza subterrânea que forma a condição de ser ou existir’, e o segundo « termo como ‘subconsciente’ embora hh bhava: ser/existir ou vir a ser/devir, — como ficará evidente a seguir — processo da existência — que pode ele difira em muitos aspectos do uso ocorrer em três reinos: reino da esfera que esse termo possui na psicologia sensual, reino da esfera da matéria sutil Ocidental. Bhavanga — que nos textos Glossário de termos Budistas em Pali 311 canônicos é mencionado duas ou três de abandonar quaisquer estados vezes no Patthana — é explicado nos prejudiciais que já surgiram, o esforço comentários do Abhidhamma como o de fazer com que estados benéficos fundamento ou condição para a existência surjam, e o esforço de manter os estados (bhava), como a condição sine qua non da vida, benéficos que já surgiram; (3) as Quatro tendo a característica de um processo Bases Do Poder Espiritual (iddhipada): — literalmente um fluxo ou correnteza desejo, energia, mente, investigação (sota). Nela, desde tempos imemoriais ; (4) as Cinco Faculdades todas as impressões e experiências são Dominantes (indriya): convicção, armazenadas — ou, melhor dizendo, energia, atenção plena, concentração, estão atuantes mas ocultas da plena sabedoria ; (5) os Cinco Poderes consciência de onde, no entanto, (bala) [idêntico ao (4)]; (6) os Sete Fatores elas ocasionalmente emergem como Da Iluminação (bojjhanga): atenção plena, fenômenos do subconsciente e podem investigação dos fenômenos, energia, se tornar totalmente conscientes. Essa êxtase, tranquilidade, concentração, assim chamada ‘correnteza subterrânea equanimidade ; e (7) o Nobre da vida’ explica a faculdade da memória, Caminho Óctuplo (magga): Entendimento fenômenos psíquicos paranormais, Correto, Pensamento Correto, Linguagem evolução mental e física, kamma e Correta, Ação Correta, Modo De Vida renascimento etc. Correto, Esforço Correto, Atenção Plena « Correta, Concentração Correta . hh bhikkhu (bhikkhuni): um “monge” « (“monja”) budista; um homem (mulher) hh bodhisatta: bodisatva, “Um ser que desistiu da vida em família para viver empenhando-se pela iluminação”; o uma vida com virtude engrandecida (veja termo utilizado para descrever o Buda sila), de acordo com o Vinaya em geral e as antes de ele se tornar um Buda, desde a regras do Patimokkha em particular. Veja sua aspiração inicial ao estado de Buda até sangha, parisa, upasampada. o momento da sua perfeita iluminação. « Em Sânscrito: Bodhisattva. hh bodhi-pakkhiya-dhamma: “asas para o « despertar” ou apoios para a iluminação hh bojjhanga: os Sete Fatores Da — sete conjuntos que conduzem à Iluminação são: atenção plena (sati), iluminação e que, de acordo com o Buda, investigação dos fenômenos (dhamma- formam o núcleo do seu ensinamento: vicaya), energia (viriya), êxtase (piti), (1) os Quatro Fundamentos Da Atenção tranquilidade (passaddhi), concentração Plena (satipatthana) ; (2) os Quatro (samadhi), equanimidade (upekkha).  Esforços Corretos (sammappadhana): « o esforço para prevenir que estados prejudiciais surjam na mente, o esforço hh brahma: “aquele que é grande” — habitante dos mundos de Brahma no hh brâmane: a casta de brâmanes na Índia, reino da matéria sutil.  que defende que os seus membros, pelo « seu nascimento, são dignos do maior respeito. O Budismo emprestou o termo hh brahma-cariya: vida santa, vida pura brâmane aplicando-o aos arahants, para ou casta — é um termo para a vida de um mostrar que o respeito não é obtido bhikkhu. Também se aplica a um discípulo pelo nascimento, raça ou casta, mas pela leigo que adota os Oito Preceitos e se realização espiritual. Em muitos suttas abstém das relações sexuais, mantendo este termo aparece como sinônimo de a castidade. arahant.  « « hh brahma-vihara: este termo pode ser hh buddho: desperto; iluminado. Um interpretado como estados excelentes, epíteto para o Buda. louvados, sublimes ou divinos da mente ou como moradas divinas. Essas atitudes são « ditas excelentes ou sublimes porque elas hh Buddha: Buda. O nome dado a alguém são a conduta correta ou ideal em relação que redescobre por si mesmo o Dhamma — aos seres vivos. Quem desenvolver esses o caminho da libertação — após um longo estados mentais com afinco, através da período em que ele tenha sido esquecido conduta e da meditação, irá se tornar pelo mundo.  De acordo com a igual a Brahma. Se esses estados se tradição, existe uma longa sequência de converterem em influências dominantes Budas que se estende ao passado distante. na mente, a pessoa irá renascer em  O mais recente Buda que nasceu mundos agradáveis — nos mundos de foi Siddhattha Gotama na Índia no sexto Brahma. Por isso, esses estados mentais século antes da era cristã. Um jovem são chamados de divinos. Eles são bem educado e rico, ele abandonou sua chamados moradas porque deveriam se família e herança real no auge da sua converter nos estados em que a mente vida em busca da verdadeira felicidade deveria estar a maior parte do tempo, em e do fim do sofrimento, (dukkha). Após que se sentisse “em casa”. O Buda ensinou seis anos de austeridades na floresta, quatro estados sublimes da mente: metta ele redescobriu o “caminho-do-meio” (amor bondade), karuna (compaixão), e atingiu o seu objetivo, tornando-se um mudita (alegria altruísta) e upekkha Buda.  (equanimidade).  « « C Glossário de termos Budistas em Pali 313 hh cankama: meditação andando, — um dos cinco obstáculos (nivarana); em geral na forma de caminhar indo chanda-raga, ‘desejo voluptuoso’. (3). e voltando ao longo de um trecho Como qualidade boa é a vontade íntegra predeterminado.  ou zelo (dhamma-chanda). « « hh cetana: intenção, volição. hh ceto-vimutti: libertação da mente. « Com o sentido mais elevado significa a fruição do estado de arahant, e hh cetasika: ‘fatores mentais’. São os em particular a concentração a ela fatores mentais que estão associados associada. Em geral a libertação da e que surgem em concomitância com mente acompanha a libertação através a consciência (citta = viññana) e que são da sabedoria (pañña-vimutti). Também condicionados pela presença desta. pode ser chamada de libertação inabalável Enquanto que nos suttas todos os da mente ou libertação da mente sem sinais, fenômenos da existência são agrupados visto que esse estado mental está livre em 5 agregados: forma (rupa), sensação da cobiça, raiva e delusão. A libertação (vedana), percepção (sañña), formações imensurável da mente tem um sentido mentais (sankhara) e consciência mais restrito e corresponde aos quatro (viññana), o Abhidhamma, como regra, brahma-viharas. trata os fenômenos sob um aspecto mais « filosófico em três aspectos: consciência (citta), fatores mentais (cetasika) e forma hh citta: mente; coração (de um ponto (rupa). Dessa forma, os fatores mentais de vista psicológico); o centro e o foco compreendem a sensação, percepção e 50 da natureza emocional do homem, outros fatores, o que no todo resulta em bem como aquele elemento intelectual 52 fatores mentais.  que lhe é inerente e acompanha as « suas manifestações; pensamento. O significado de citta é melhor hh chanda: aspiração, desejo. (1). Como compreendido quando explicado através um termo psicológico neutro sob o de expressões convencionais que nos ponto de vista ético, com o sentido de são mais familiares, como: com todo ‘intenção,’ é um dos fatores mentais meu coração; coração e alma; não tenho gerais (cetasika) ensinados no Abhidhamma, coração para fazer isso; abençoados cuja qualidade moral é determinada são aqueles puros de coração. Esses pelo caráter da volição (cetana) à qual exemplos enfatizam o aspecto ou esteja associada. (2). Como qualidade “pensamento” emocional e conativo ruim tem o significado de ‘desejo’ e está mais do que o aspecto mental e racional com frequência associado com termos (em relação a estes veja mano e viññana). relativos a sensualidade, cobiça etc., por Pode portanto ser interpretado como exemplo: kama-cchanda, ‘desejo sensual’ estado de humor, estado mental, disposição, reação a impressões. Também deve ser suttas, citta aparece como sinônimo de mencionado, como complemento a essa viññana e mano. O Dhammasangani divide interpretação, que citta quase sempre todos os fenômenos em consciência (citta ocorre no singular (= coração), e de 150 = viññana), fatores mentais (cetasika) e casos nos Nikayas apenas 3 vezes ocorre forma (rupa).  no plural (= pensamentos). Em alguns « D hh dana: generosidade; liberalidade; religião por dentro. oferendas; dádivas. Especificamente « dar para satisfazer qualquer uma das quatro necessidades dos monásticos. Em hh dhamma (Skt. dharma): constituição termos mais gerais, a inclinação para a ou natureza de alguma coisa; norma, generosidade, sem esperar qualquer forma lei, doutrina; justiça, retidão; qualidade; de recompensa por parte de quem recebe. coisa, objeto da mente, fenômeno. Nos Dana é o primeiro tema no sistema de textos a palavra dhamma é encontrada treinamento gradual do Buda ( veja com todos esses significados. Também anupubbi-katha), o primeiro dos dez princípios de comportamento que os seres paramis, um dos sete tesouros (veja dhana), e humanos deveriam seguir de forma a se o primeiro dos três fundamentos para atos encaixar dentro da ordem natural das meritórios (veja sila e bhavana).  coisas; qualidades da mente que se deveria desenvolver de forma a compreender « a mente em si mesma. Por extensão, hh deva (devata): tradução literal: “dhamma” também é usado para se “luminoso” — divindades habitantes dos referir a qualquer doutrina que ensine paraísos que como regra são invisíveis essas coisas. Portanto o Dhamma do Buda aos seres humanos. Os devas estão sujeitos se refere tanto aos seus ensinamentos no entanto, tal como os seres humanos e como à experiência direta da qualidade demais seres, ao ciclo de renascimento, de nibbana para a qual esses ensinamentos envelhecimento e morte.(Veja sagga e estão direcionados. sugati).  « « hh dhamma-vicaya: investigação dos hh devadatta: um primo do Buda que fenômenos. É um dos Sete Fatores Da tentou criar um cisma na Sangha e que Iluminação (bojjhanga). A explicação deste desde então se tornou emblemático para fator da iluminação sugere que apesar todos os Budistas que atuam consciente da “investigação dos fenômenos” ser ou inconscientemente para minar a identificada sob o ponto de vista técnico Glossário de termos Budistas em Pali 315 com a sabedoria — pañña —, a função um conjunto de três mantos; (3). esmolar inicial de pañña como fator da iluminação alimentos; (4). não evitar nenhum não é discernir as três características doador de esmola de alimentos; (5). não (sofrimento etc.), mas simplesmente comer mais do que uma refeição ao dia; discriminar entre as qualidades mentais (6). comer somente da tigela de coleta benéficas e prejudiciais que se tornam de esmola de alimentos; (7). recusar aparentes com o aprofundamento da qualquer alimento oferecido depois da atenção plena.  coleta de esmola de alimentos; (8). morar « na floresta; (9). morar sob uma árvore; (10) .viver a céu aberto; (11). viver em hh dhamma-vinaya: “doutrina (dhamma) um cemitério; (12). estar satisfeito e disciplina (vinaya).” O nome dado pelo com qualquer moradia que tenha; (13). Buda para os seus ensinamentos. dormir sentado e nunca se deitar.  « « hh dhana: tesouro(s). As sete qualidades: hh ditthi: (tradução literal: visão). convicção (saddha), virtude (sila), Entendimento, ideia, opinião. Se não vergonha e temor de cometer estiver qualificado com samma (correto), transgressões (hiri-ottappa), estudo, se refere em geral a entendimentos generosidade (dana) e sabedoria (pañña). ou ideias/opiniões ruins e prejudiciais « (miccha) que devem ser rejeitados por serem fonte de conduta e aspirações hh dhatu: elemento; propriedade, ruins e capazes de conduzir os seres aos condição impessoal. Os quatro elementos abismos mais profundos da depravação. físicos ou propriedades são terra (solidez), água (coesão), ar (movimento) « e fogo (calor). Os seis elementos incluem hh domanassa: tristeza, desprazer, os mencionados anteriormente mais angústia. Uma sensação de dor mental. espaço e consciência. « « hh dosa: aversão; ódio; raiva. Uma das hh dhutanga: práticas ascéticas três raízes (mula) de estados prejudiciais voluntárias que monges e outros na mente. Veja também vyapada. praticantes de meditação podem adotar de tempos em tempos ou como um « compromisso a longo prazo de forma a hh dukkha: (1). sensação (vedana) cultivar a renúncia e o contentamento/ dolorosa que pode ser física e/ou satisfação, e para estimular a energia. mental. (2). sofrimento, estresse. Na Para os monges existem treze práticas primeira Nobre Verdade e na segunda deste tipo: (1). usar somente mantos das três características da existência feitos com retalhos; (2). usar somente (ti-lakkhana) o termo dukkha não está limitado à experiência da dor (1), mas das experiências agradáveis — o que é às se refere à natureza insatisfatória e à vezes erroneamente assumido. Dukkha insegurança geral de todos os fenômenos tem o sentido literal de algo duro de condicionados que, por conta da sua aguentar. Talvez uma expressão que diz impermanência, estão todos sujeitos ao respeito a pessoas mas que captura bem sofrimento — e isso inclui também as a noção de dukkha seja mala-sem-alça. experiências agradáveis. Dessa forma a  primeira Verdade não nega a existência « E hh ehipassiko: que convida ao exame. hh ekayana-magga: um caminho Um epíteto para o Dhamma. unificado; um caminho direto. Um epíteto « para a prática de estar plenamente atento nos quatro fundamentos: corpo, hh ekaggatarammana: preocupação sensações, mente e objetos mentais única; unicidade da mente em um só (satipatthana).  ponto. Na meditação, é a qualidade mental que permite que a atenção do « meditador permaneça controlada e hh evam: assim; dessa forma. Este termo é focada no objeto de meditação escolhido. usado na Tailândia para o encerramento Ekaggatarammana atinge plena maturação formal de um sermão e é empregado no com o desenvolvimento do quarto jhana. início de muitos suttas: evam me suttam — « assim ouvi. « F hh fundamentos da atenção plena: veja « Satipatthana. G hh gotrabhu-ñana: “conhecimento para nibbana que faz alguém mudar de pessoa mudança de linhagem”: o vislumbre de comum (puthujjana) para um Nobre (ariya- Glossário de termos Budistas em Pali 317 puggala). « H hh hinayana: “veículo Inferior” — benéficas. Essas emoções têm como base originalmente um temo pejorativo o conhecimento da lei de causa e efeito, (cunhado por um grupo que se ao invés do mero sentimento de culpa. autodenominava como os seguidores Hiri equivale à vergonha de cometer do mahayana, o “grande veículo”) para transgressões ou o autorrespeito, aquilo denotar o caminho da prática daqueles que nos refreia de cometer atos que que aderiam somente aos discursos colocariam em risco o respeito que mais antigos como a palavra do Buda. Os temos por nós mesmos; ottappa equivale “hinayanistas” se recusavam a reconhecer ao temor de cometer transgressões os discursos mais recentes, compostos que produzam resultados de kamma pelos “mahayanistas”, que reivindicavam desfavoráveis ou o temor da crítica e conter ensinamentos que o Buda sentiu da punição imposta por outros. Acariya serem muito profundos para a sua Buddhaghosa ilustra a diferença entre os primeira geração de discípulos, e que dois com o símile de uma barra de ferro por isso ele os confiou a serpentes besuntada com excremento em uma das subterrâneas. pontas e quente como uma brasa na outra ponta: hiri é a repulsa em agarrar a barra « pela ponta besuntada com excremento; hh hiri-ottappa: escrúpulo. Essas ottappa é o medo de agarrar a barra pela emoções gêmeas são chamadas “as ponta que está em brasa. Veja kamma. guardiãs do mundo” porque estão  associadas com todas as ações hábeis ou « I hh idappaccayata: condicionalidade isto/ são experimentadas no âmbito da aquilo. Este nome para o princípio causal experiência direta, sem ser necessário que o Buda descobriu na noite do seu fazer referência a forças que operem Despertar enfatiza o ponto de que, com fora desse âmbito. o propósito de dar fim ao sofrimento « e estresse, o processo de causalidade pode ser entendido inteiramente em hh indriya: faculdades. Nos suttas este termos das forças e condições que termo em geral se refere às seis bases internas (ayatana) ou aos cinco fatores energia (viriya), atenção plena (sati), mentais que fazem parte do conjunto concentração (samadhi) e sabedoria dos apoios para a iluminação (bodhi- (pañña).  pakkhiya-dhamma): convicção (saddha), « J hh jagariya: vigilância, estado de alerta, nos sentidos. Esse estado de consciência manter-se desperto. Especialmente com no entanto é acompanhado por perfeita o sentido de ser cauteloso com relação lucidez e clareza mental. O primeiro aos perigos que aquele que busca a jhana é acompanhado e caracterizado perfeição irá provavelmente enfrentar. pela presença de cinco fatores mentais: vitakka (pensamento aplicado), vicara « (pensamento sustentado), piti (êxtase), hh jhana (Skt. dhyana): absorção mental. sukha (felicidade) e ekaggatarammana Se refere principalmente às quatro (unicidade mental). Nos comentários realizações meditativas da matéria sutil, as realizações meditativas imateriais assim chamadas devido à característica também são chamadas de jhanas do objeto empregado para o imateriais. Isso no entanto não ocorre desenvolvimento da concentração. Essas nos suttas. Esses estados são chamados realizações são caracterizadas por uma de imateriais devido à característica do forte concentração num único objeto objeto empregado para a concentração. acompanhada da suspensão temporária  dos cinco obstáculos (nivarana) e da « suspensão temporária das atividades K hh kalyana-mitta: amigo admirável. hh kama: pode significar (1). sensualidade O bom amigo ou nobre amigo é um subjetiva, desejos sensuais; (2). bhikkhu mais sênior que é o mentor e sensualidade objetiva, os cinco objetos amigo do seu pupilo, que deseja o bem- dos sentidos. A sensualidade subjetiva ou estar e progresso deste, guiando-o na desejos sensuais são dirigidos a todos os meditação. Em particular o mestre de cinco objetos dos sentidos e é sinônimo meditação é assim denominado.  de ‘desejo sensual’ — kama-cchanda, um « dos cinco obstáculos (nivarana); ‘desejo sensual’, — kama-raga, também é um Glossário de termos Budistas em Pali 319 dos dez grilhões (samyojana). O desejo contemplação do corpo: cabelos da cabeça sensual também é uma das impurezas (kesa), pelos do corpo (loma), unhas (nakha), (asava) e um dos apegos (upadana). Os dentes (danta) e pele (taco). Por extensão, o cinco objetos dos sentidos são as formas kammatthana inclui todos os quarenta [40] visíveis, os sons, os odores, os sabores temas clássicos de meditação. Embora e os tangíveis. O desejo sensual é se possa dizer que cada praticante de completamente eliminado no estado de meditação se dedica a kammatthana, o ‘não retorno’ (anagamami). termo é mais frequentemente usado « para identificar em particular a tradição das florestas da Tailândia que foi hh kamaguna: elementos do prazer estabelecida por Phra Ajaan Mun e Phra sensual. Os objetos externos dos Ajaan Sao.  cinco sentidos: formas visíveis, sons, aromas, sabores e tangíveis. Também « são chamados de bases externas (ayatana). hh karuna: compaixão; simpatia; a  empatia com o sofrimento dos outros. « Uma das dez perfeições (paramis) e uma das quatro “moradas divinas” (brahma-vihara). hh kamma (Skt. karma): ação intencional. Denota a intenção ou volição (cetana) « benéfica (kusala) ou prejudicial (akusala) hh kaya: (tradução literal: acumulação) e os seus fatores mentais concomitantes — corpo, grupo. Pode se referir ao corpo que causam o renascimento e moldam físico (rupa-kaya; veja rupa), ou ao corpo o destino dos seres. As intenções se mental (nama-kaya; veja nama). Neste manifestam como ações benéficas ou último caso é um nome coletivo para os prejudiciais com o corpo, a linguagem e agregados mentais (sensação, percepção, a mente.  formações mentais, consciência). « « hh kammatthana: tradução literal: “base hh kayagata-sati: atenção plena no de trabalho” ou “lugar de trabalho”. corpo. Este é um termo geral que A palavra se refere à “ocupação” de abrange vários temas de meditação: um monge praticante de meditação — manter a atenção plena na respiração; em outras palavras, a contemplação manter a atenção plena nas posturas de certos temas de meditação através do corpo; manter a atenção plena em dos quais as forças das contaminações todas atividades; analisar o corpo em (kilesa), desejo (tanha) e ignorância (avijja) suas partes; analisar o corpo de acordo possam ser desenraizadas da mente. No com suas propriedades físicas (veja procedimento de ordenação, a cada novo dhatu); contemplar o fato de que o corpo monge são ensinados cinco kammatthana está inevitavelmente sujeito à morte e à básicos que constituem a base para a desintegração.  « (dúvida, ceticismo), (7). thina (torpor mental), (8). uddhacca (inquietação), (9). hh khandha: agregado; amontoado; ahirika ( não ter vergonha de cometer grupo (veja sakkaya). Componentes físicos transgressões) e (10). anottappa (não e mentais da identidade e da experiência temer cometer transgressões). Não é sensual em geral. As cinco bases do apego encontrada uma classificação dos kilesas (veja upadana). Veja: nama (fenômeno nos suttas embora esse termo ocorra mental), rupa (fenômeno material), com frequência. Também traduzido vedana (sensação), sañña (percepção), como “emoções perturbadoras” sankhara (formações mentais) e viññana principalmente em textos Mahayana. (consciência).  « « hh kusala: benéfico, hábil, bom. São hh khanti: paciência; autodomínio. Uma todas as intenções (kamma-cetana, s. cetana) das Dez Perfeições (paramis). e os fatores mentais a elas associados « que são acompanhados por duas ou três raízes (mula) — isto é, ausência de hh khattiya: na época do Buda, uma cobiça/desejo (alobha) e ausência de pessoa que pertencia a um dos clãs raiva/aversão (adosa) e em alguns casos ou tribos reconhecidos com sendo também ausência de delusão (amoha: de descendência nobre — um Ariya sabedoria). Tais estados de consciência —, o que significava ocupar a classe são considerados como kamma benéfico social superior. Todos os reis e líderes pois são as causas de resultados kammicos pertenciam a essa classe social. favoráveis e contêm a semente de um « renascimento feliz. Veja seu oposto akusala. Veja kamma.  hh kilesa: poluições, contaminações, qualidades prejudiciais que poluem a « mente. Existem 10 contaminações — hh kukkucca: ansiedade, remorso, assim chamadas porque são impuras preocupação, arrependimento com em si mesmas e porque contaminam relação a coisas feitas de modo os fatores mentais (cetasika) a elas incorreto e coisas corretas que foram associados (Vism XXII 45). Elas são: (1). negligenciadas, peso na consciência. É lobha (cobiça), (2). dosa (raiva), (3). moha um dos cinco obstáculos (nivarana). (delusão), (4). mana (presunção), (5). ditthi (entendimento incorreto), (6). vicikiccha « L hh lakkhana: veja ti-lakkhana. « Glossário de termos Budistas em Pali 321 hh lobha: cobiça; paixão. Sinônimo de ou assuntos, fenômenos do mundo. A lista tanha e raga. Uma das três raízes (mula) de padrão indica oito: ganho e perda, estados prejudiciais na mente. elogio e crítica, fama e má reputação, alegria e tristeza. « « hh loka: mundo. Denota as três esferas de existência que compreendem todo o hh lokavidu: conhecedor dos mundos. universo, isto é: (1). o reino da esfera Um epíteto para o Buda. sensual (kama-loka) — o mundo dos « cinco sentidos; (2). o reino da esfera da matéria sutil (rupa-loka); e (3). o reino hh lokuttara: transcendente; da esfera imaterial (arupa-loka).  supramundano (veja magga, phala e nibbana). « « hh loka-dhamma: condições do mundo M hh magga: caminho. Nos suttas em geral « este termo aparece com dois significados: hh majjhima: intermediário; apropriado; (1). Os Quatro Caminhos Supramundanos adequado; médio; meio. — veja ariya-pugala; (2). O Nobre Caminho Óctuplo — é o caminho que conduz à « cessação do sofrimento, isto é, a última hh mana: presunção, orgulho. Um dos das Quatro Nobres Verdades (ariya-sacca). dez grilhões que aprisionam ao ciclo de O Nobre Caminho Óctuplo compreende existências (samyojana). Também é uma três grupos: Sabedoria (pañña) — das contaminações (kilesa). Desaparece Entendimento Correto, Pensamento completamente apenas com o estado de Correto; Virtude (sila) — Linguagem arahant. Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto; Concentração (samadhi) — Esforço « Correto, Atenção Plena Correta, hh manasikara: atenção, advertência Concentração Correta.  mental. Este termo aparece com « frequência nos suttas como yoniso- manasikara — atenção com sabedoria. hh mahathera: “grande ancião”. Um título honorífico automaticamente « conferido a um bhikkhu com pelo menos hh mano: mente, no Abhidhamma é vinte anos como bhikkhu. Compare com usado como sinônimo de viññana e thera. citta. De acordo com os comentários faz diminuir a má vontade e fracassa quando do Visudhimagga algumas vezes significa dá origem ao apego”. (Vsm 318). Uma bhavanga-sota. definição alternativa para metta pode ser « encontrada na Bíblia Cristã. Na epístola aos Coríntios São Paulo usa a palavra hh mara: tradução literal: o assassino. grega ágape, que tem o mesmo significado Mara é o Senhor do Mal no Budismo, a de metta no Budismo, descrevendo-a Tentação e Senhor da Sensualidade, desta forma: “O amor é paciente, o amor é cujo objetivo é desviar os praticantes bondoso. Não sente inveja, não se vangloria, do caminho para a libertação e mantê- não é orgulhoso. Não é rude, não é egoísta, los aprisionados no ciclo de sucessivos não se irrita, não guarda rancor. O amor não nascimentos e mortes. Algumas vezes os se deleita com o mal mas se rejubila com a textos empregam o termo “Mara” com verdade.”  um sentido metafórico, representando as causas psicológicas internas para o « cativeiro — como o desejo e a cobiça — e as hh moha: delusão; ignorância (sinônimo coisas externas às quais nos apegamos, de avijja). Uma das três raízes (mula) de em particular os próprios cinco estados prejudiciais na mente. agregados. Mas é evidente que a linha « de pensamento dos suttas não concebe Mara apenas como uma representação hh mudita: alegria altruísta, regozijo com das fraquezas morais humanas, mas o vê as virtudes e êxitos dos outros. Uma das como uma divindade maléfica real cujo Dez Perfeições (paramis) e uma das quatro objetivo é frustrar os esforços daqueles “moradas divinas” (brahma-vihara). que têm como meta alcançar o objetivo « supremo.  hh mula: tradução literal: raiz. São « aquelas condições que pela sua presença hh metta: amor-bondade; boa vontade, o na mente determinam a qualidade desejo de bem-estar e felicidade para os moral — benéfica (kusala) ou prejudicial outros. Uma das Dez Perfeições (paramis) (akusala) — de uma volição ou intenção e uma das quatro “moradas divinas” (cetana) e a consciência (citta) e os fatores (brahma-vihara). O Visudhimagga Buddhaghosa mentais (cetasika) associados a esta, em diz o seguinte: “Metta é caracterizado outras palavras, a qualidade do kamma. As como a promoção do bem-estar dos outros, três raízes prejudiciais são lobha (cobiça), e sua função é se concentrar no bem-estar dosa (aversão) e moha (delusão); as raízes deles. Manifesta-se como a remoção da benéficas são os seus opostos. Veja kilesa irritação e a sua causa imediata é ver a (contaminações). natureza amável dos seres. Sucede quando « Glossário de termos Budistas em Pali 323 N hh naga: um termo comumente mente das impurezas mentais (asava), usado para se referir a animais fortes, das contaminações (kilesa), do ciclo de majestosos e heroicos, tais como renascimentos (vatta), e de tudo o que elefantes e serpentes mágicas. No pode ser descrito ou definido. Como Budismo, também é utilizado para este termo também denota a extinção referir-se aos que atingiram o objetivo de um fogo, carrega a conotação de da prática: os arahants. acalmar, esfriar e pacificar. De acordo com a física que se ensinava nos tempos « do Buda, o fogo se agarra ou adere ao seu hh nama: mentalidade, fenômeno mental. combustível; quando extinto, ele está Este termo se refere aos componentes desatado.  mentais dos cinco khandhas, incluindo: « vedana (sensações), sañña (percepção), sankhara (formações mentais) e viññana hh nibbida: desencantamento. O (consciência). Compare com rupa. desencantamento representa o distanciamento de toda existência « condicionada representada pelos hh nama-rupa: nome e forma; cinco khandhas, os ayatanas e a primeira mentalidade-materialidade. A união de Nobre Verdade (ariya-sacca), e surge do fenômenos mentais (nama) e fenômenos conhecimento e visão de como as coisas materiais (rupa) que constituem os na verdade são (yatha-butha-ñanadassana). cinco agregados (khandha), e que é um De acordo com os comentários, elo crucial na cadeia causal da origem desencantamento (também dependente (paticca-samuppada).  interpretado como “náusea”, “nojo” ou « “repulsa”) significa o estágio máximo de insight. Nibbida conduz ao desapego hh ñana: sabedoria, insight; compreensão; (viraga) — a realização do caminho conhecimento; entendimento. É um supramundano — que por sua vez sinônimo de pañña. conduz a vimutti — o fruto do caminho « supramundano.  hh nekkhamma: renúncia; tradução « literal: “liberdade do desejo sensual”. Um hh nimitta: marca, sinal, imagem, dos dez paramis.  objeto. Esses significados aparecem em « vários contextos. Num deles é a imagem mental que pode surgir durante a meditação. hh nibbana (Skt. nirvana): libertação; Na meditação existem três tipos de em termos literais, o “desatamento” da nimitta. O primeiro tipo é parikamma- nimitta, que se refere à percepção do « objeto bem no início da concentração — este também é conhecido como hh nirodha: cessação; dispersão; “imagem ou sinal preparatório”. interrupção. A mente em suspensão Quando a mente alcança um grau débil nos intervalos da percepção dualista, de concentração, surge uma imagem como um objeto arremessado no ar ou sinal ainda instável e não muito que permanece imóvel no ápice da sua nítido chamado uggaha-nimitta ou “sinal trajetória.  adquirido”. Essa percepção antecede o « surgimento de uma imagem totalmente clara e estável chamada patibhaga-nimitta hh nissarana: escapatória, estar livre, ou “imagem de contrapartida” ou deixar para trás. “sinal de contrapartida”. O surgimento « desse terceiro tipo de nimitta indica o aparecimento da concentração de hh nivarana: cinco qualidades que são acesso, o estado que antecede a plena obstáculos para a mente e que cegam a absorção do jhana. Em outro contexto, nossa visão mental. Com a sua presença nimitta é a aparência através da qual os não é possível alcançar a concentração objetos externos são apreendidos, as (samadhi) e não é possível discernir com qualidades mais distintas de um objeto clareza como as coisas na verdade são. que, quando agarradas sem atenção Elas são: desejo sensual (kama-cchanda), plena, podem dar origem a pensamentos má vontade (vyapada), preguiça e torpor com contaminações. Os detalhes (thina-middha), inquietação e ansiedade podem em seguida ser agarrados pela (uddhacca — kukkucca) e dúvida (vicikiccha). atenção depois que o primeiro contato  perceptivo não tenha sido acompanhado « pela contenção.  O hh ogha: torrente. Um sinônimo de asava « (impurezas). As torrentes são assim hh opanayiko: que conduz para adiante. chamadas porque mantêm os seres Um epíteto para o Dhamma. submersos no ciclo de existências e não permitem que eles se elevem aos estados « superiores e até à Nibbana. P Glossário de termos Budistas em Pali 325 hh pabbajja: “sair (da vida em família o idioma em que esses textos foram para a vida santa)”; ordenação como um compostos. samanera / samaneri. Veja upasampada. « « hh pamujja (ou pamojja): satisfação, hh paccekabuddha: alguém que contentamento, alegria.  realizou a Iluminação sem ter ouvido « os ensinamentos do Buda. Em outras palavras, um arahant que realizou nibbana hh pañña: sabedoria, insight; tendo compreendido as Quatro Nobres compreensão; conhecimento; Verdades sem a ajuda de um mestre, entendimento. Veja também ñana. por esforço próprio. Ele no entanto não « tem a capacidade de ensinar o Dhamma aos outros. De acordo com a tradição, hh pañña-vimutti: libertação através da os paccekabudhas surgirão apenas quando sabedoria. Significa a sabedoria associada os ensinamentos de um Buda estiverem com a fruição do estado de arahant. Este desaparecido por completo. termo com frequência acompanha cetto- vimutti. « « hh paccattam: pessoal; individual. hh papañca: complicação, proliferação. « A tendência da mente para proliferar hh padhana: intento, empenho, esforço assuntos a partir da noção de “eu”. Este enérgico, concentração da mente. O termo também pode ser traduzido como DN-33.1.11(10) menciona estes pensamento autorreflexivo, reificação, quatro tipos de esforço: (a) contenção falsificação, distorção, elaboração ou (samvara-padhanam), (b) abandono (pahana- exageração.  padhanam), (c) desenvolvimento da mente « (bhavana-padhanam), (d) preservação (anurakkharana-padhanam). Padhana como hh parami (também paramita): perfeição sinônimo de vayama também aparece no de caráter. Um grupo de dez qualidades DN-33.1.11(2).  desenvolvidas ao longo de muitas vidas por um bodhisatta, que aparece como « um grupo no Cânone em Pali somente hh pajanati: compreender, conhecer, no Jataka (“Histórias de Nascimentos”): entender, descobrir, distinguir. Veja generosidade (dana), virtude (sila), também Parijanati. renúncia (nekkhamma), sabedoria (pañña), energia (viriya), paciência (khanti), « honestidade (sacca), determinação hh pali: o cânone de textos preservado (adhitthana), amor-bondade (metta) e pela escola Theravada e, por extensão, equanimidade (upekkha).  « upasika. hh parijanati: compreensão completa: « compreender de modo completo hh pariyatti: entendimento teórico ou totalmente, entender de modo do Dhamma obtido através da audição completo, conhecer de modo completo; e leitura, estudo, memorização e saber com precisão ou com certeza. aprendizado. Veja patipatti e pativedha. Compreender de modo completo através da investigação é o conhecimento ou « sabedoria do insight, vipassana-pañña. hh pasada: claridade e serena confiança. Compreender de modo completo é a Uma atitude mental e emotiva que consumação do conhecimento iniciado compreende um sentimento profundo pelo conhecimento direto, abhijanati. abrangendo ao mesmo tempo o apreço Parijanati é um termo em geral empregado intelectual, a satisfação, a claridade de apenas em relação ao arahant. Veja pensamentos, a serenidade e a confiança. também pajanati.  « « hh parinibbana: pode ser de dois tipos: hh passaddhi: tranquilidade, calma, com combustível (sa-upadisesa) e sem serenidade. Consiste na tranquilidade combustível restante (anupadisesa): a do corpo e a pacificação dos meios analogia é com relação ao fogo. No dos sentidos e, como consequência, a primeiro caso as chamas foram extintas tranquilidade da mente. É um dos Sete mas as brasas ainda ardem. No segundo, Fatores Da Iluminação (bojjhanga). Com o fogo foi extinto de tal forma que frequência é combinado com pamujja e as brasas esfriaram. O “combustível” piti.  neste caso são os cinco agregados. « Enquanto o Arahant estiver vivo ele ainda experimenta os cinco agregados hh paticca-samuppada: origem (khandhas), mas eles não ardem com o dependente; surgimento codependente. fogo da cobiça, raiva e delusão. Quando Um mapa mostrando a forma como o Arahant falece, não há mais nenhuma os agregados (khandha) e as bases dos experiência dos agregados aqui ou em sentidos (ayatana) interagem com a nenhum outro lugar. ignorância (avijja) e desejo (tanha) « produzindo o sofrimento (dukkha). Como as interações são complexas, existem hh parisa: discípulos; assembleia. Os várias versões diferentes do paticca- quatro grupos dos discípulos do Buda, samuppada nos suttas. Na mais comum o que inclui monges, monjas e discípulos mapa inicia com a ignorância.  leigos — homens e mulheres. Compare « com sangha. Veja bhikkhu/bhikkhuni, upasaka/ hh patimokkha: o código básico de Glossário de termos Budistas em Pali 327 disciplina monástica que consiste de hh phra: (Tailandês) venerável. Usado 227 regras para monges (bhikkhus) e 310 como prefixo ao nome de um monge regras para monjas (bhikkhunis). Veja (bhikkhu). Vinaya. « « hh piti: êxtase. É um dos Sete Fatores hh patipatti: a prática do Dhamma em Da Iluminação (bojjhanga). Na meditação, oposição ao mero entendimento teórico uma sensação prazerosa sentida no (pariyatti). Veja também pativedha. corpo, que alcança plenitude com o « desenvolvimento do segundo jhana. Veja sukha.  hh pativedha: a realização direta, através da própria experiência, da verdade do « Dhamma. Veja pariyatti. hh puja: honra; respeito; observância « devocional. Mais comumente, as observâncias devocionais que são hh peta: um fantasma faminto — uma praticadas nos monastérios diariamente classe de seres de um dos mundos (pela manhã e à noite), nos dias de inferiores, às vezes capazes de aparecer uposatha ou outras ocasiões especiais. para os seres humanos. Os petas são frequentemente representados na arte « Budista como seres famintos com bocas hh puñña: mérito; a sensação interior do tamanho de um alfinete através da de bem-estar que resulta de ter agido qual eles nunca conseguem fazer passar corretamente ou bem, e que estimula alimento suficiente para saciar a sua alguém a continuar agindo bem. fome.  « « hh puthujjana: um dos muitos; um hh phala: fruto, fruição. Especificamente, “mundano” ou pessoa comum. o fruto ou estado mental que se segue Uma pessoa comum que ainda não após realizar um dos quatro caminhos realizou nenhum dos quatro caminhos supramundanos (veja ariya-pugala). supramundanos ou estágios da « iluminação. Veja ariya-puggala. « Q R hh raga: cobiça, paixão. Veja os listas dos objetos dos sentidos é dada sinônimos lobha e tanha. como o objeto do sentido da visão. Como um dos khandha se refere a fenômeno « material (aparência visível ou forma hh rupa: forma; fenômeno material; sendo a característica que define o que materialidade. O significado básico dessa é material). Esse também é o significado palavra é “aparência” ou “forma”. É quando se opõe a nama (fenômeno usada no entanto em contextos distintos, mental). adotando diferentes graduações de « significados em cada um deles. Nas S hh sacca: verdade, honestidade. As “faculdade da fé” (saddhindriya) deve Quatro Nobres Verdades (ariya-sacca) ser equilibrada com a da sabedoria. É são o resumo mais sintético de todos os dito: “Um bhikkhu que tem entendimento ensinamentos do Buda. Elas são a verdade estabelece a sua fé de acordo com esse do sofrimento (dukkha), da origem (tanha) entendimento.” Através do entendimento do sofrimento, da cessação (nibbana) do e sabedoria a fé se transforma em certeza sofrimento e do caminho (magga) que interior e firme convicção baseadas conduz à cessação do sofrimento.  na própria experiência pessoal. A fé é chamada de a semente de todos os estados « benéficos porque ela inspira a mente com hh saddha: convicção, fé, confiança, confiança e determinação para iniciar apreço. É dito que um Budista tem a travessia da torrente do samsara. A fé fé se “ele acredita na iluminação do inabalável é alcançada com o estágio de Buda” (MN-53) ou nas três joias ‘entrar na correnteza’ (sotapanna), no qual (tiratana), através da toma de refúgio o grilhão da dúvida é erradicado.  (tisarana) nelas. A sua fé no entanto deve « ser “equilibrada e fundamentada no entendimento”, e ele deve investigar e hh sadhu: (exclamação) “isso é testar o objeto da sua fé (MN-47). A bom”; uma expressão que demonstra fé no Budismo não está em conflito com apreciação ou concordância. o espírito inquisitivo, e a “dúvida com « respeito a coisas duvidosas” é admitida e a sua investigação é encorajada. A hh sagga: paraíso, reino divino. A morada dos devas. Se diz que o renascimento no Glossário de termos Budistas em Pali 329 paraíso é uma das recompensas para a estando no eu; considerar o eu como prática da generosidade (veja dana) e da estando na forma material. O mesmo virtude (veja sila). Porém, como todos os com as sensações, percepções, formações estágios no samsara, o renascimento no mentais e consciência.  paraíso é temporário. Veja também sugati. «  « hh sakyamuni: “sábio dos Sakyas”; um epíteto para o Buda. hh sakadagami: ‘que retorna uma vez’. « Uma pessoa que abandonou os primeiros três grilhões que aprisionam a mente ao hh sakya-putta: filho do Sakya. Um ciclo de renascimentos (veja samyojana), epíteto para os monges Budistas, tendo enfraqueceu os grilhões da paixão sido o Buda um nativo de Sakya. sensual e má vontade, e que após a morte « está destinada a renascer neste mundo somente uma vez mais. hh salekha-dhamma: tópicos para obliteração (obliterando as « contaminações) — ter poucos desejos, hh sakkaya: grupo existente. Em geral estar satisfeito com o que tem, esta palavra é interpretada como isolamento, não se envolver com ‘identidade’, mas de acordo com os companhias, energia, virtude (veja sila), comentários ela corresponde a sat-kaya, concentração, sabedoria, libertação, e corpo ou grupo existente. Nos suttas é o conhecimento e visão da libertação. tomada como um nome para os cinco  agregados da existência (khandhas). « « hh samadhi: concentração, hh sakkaya-ditthi: crença na identidade, tranquilidade, calma, aquietação; a ideia da existência de um eu. A ideia que prática de aquietar a mente. É um dos erroneamente identifica qualquer um Sete Fatores Da Iluminação (bojjhanga). A dos khandha como um “eu”; o primeiro Concentração Correta (samma-samadhi) dos dez grilhões (samyojana). O abandono que é o último elo do Nobre Caminho de sakkaya-ditthi é uma das marcas do Óctuplo (magga) é definida como as quatro nível de ‘entrar na correnteza’ (veja absorções mentais (jhana). Em um sentido sotapanna). Existem 20 tipos de ideias da mais amplo, também compreende existência de um eu, que são obtidos ao estados de concentração mais débeis aplicar os 4 tipos de crença aos 5 khandha. e está associada a todos os estados de Os 4 tipos de crença são: considerar a consciência com kamma benéfico (kusala). forma como sendo o eu; considerar o A concentração incorreta (miccha-samadhi) eu como possuído de forma material; é a concentração associada com todos considerar a forma material como os estados de consciência com kamma prejudicial (akusala).  /  mentais são compreendidos quando « surgem, compreendidos enquanto estão presentes, compreendidos quando hh samana: contemplativo. Em termos desaparecem (SN-XLVII.35). Os literais, uma pessoa que abandona as comentários analisam quatro tipos de obrigações convencionais da vida social plena consciência: (1). do propósito, de forma a encontrar uma forma de discernir um propósito benéfico na ação vida “em sintonia” (sama) com o estilo da intencionada; (2). da adequação dos natureza. meios utilizados, discernir que os meios « utilizados para alcançar os objetivos são adequados; (3). do domínio, não hh samanera (samaneri): em termos abandonar o objeto da meditação literais um samana pequeno; um monge durante a rotina diária; (4). como não (monja) noviço que observa dez preceitos delusão, discernir que as próprias ações e que é um candidato para admissão são processos condicionados desprovidos na ordem dos bhikkhus (bhikkhunis). Veja de um eu substancial. Veja sati. pabbajja. « « hh samsara: transmigração e hh sambhavesin: (um ser) buscando por perambulação; o ciclo de morte e um lugar para renascer. renascimento. Veja vatta.  « « hh sammati: realidade convencional; hh samvega: a opressiva sensação de convenção; verdade relativa; suposição; choque, e a emoção, que surgem ao se dar qualquer coisa criada pela mente. conta da futilidade e falta de sentido da « vida da forma como ela é normalmente vivida; uma sensação de culpa pela hh sampajañña: plena consciência; própria complacência e tolice em ter se clara compreensão. Também poder permitido viver de maneira tão cega; e ser interpretado como introspecção um senso de urgência em encontrar uma — o contínuo exame minucioso dos saída desse ciclo sem sentido.  fenômenos mentais e corporais. Os suttas identificam três tipos de aplicação da « plena consciência: (1). Como um dos hh samyojana (sanyojana): grilhões componentes para a prática da meditação que aprisionam a mente ao ciclo de (satipatthana), significa a qualidade renascimentos (veja vatta): ideia da mental do conhecimento, saber com clareza existência de um eu (identidade – (MN-10); (2). Plena consciência sakkaya-ditthi); dúvida (vicikiccha); apego ao caminhar, olhar, movimentar- a preceitos e rituais (silabbata-paramasa); se, comer etc. (SN-XLVII.2); (3). desejo sensual (kama-raga); má vontade As sensações, percepções e objetos Glossário de termos Budistas em Pali 331 (vyapada); desejo pela forma (rupa- dualidade sujeito/objeto. Sankhara pode raga); desejo pelos fenômenos sem se referir a qualquer coisa formada forma (arupa-raga); presunção (mana); ou criada por condições, ou mais inquietação (uddhacca); e ignorância especificamente, formações mentais, (avijja). Os cinco primeiros grilhões são como um dos cinco khandhas.  também chamados grilhões inferiores « porque levam ao renascimento no reino da esfera sensual.  hh sañña: percepção; alusão; ato « da memória ou reconhecimento; interpretação. Veja khandha. hh sanditthiko: óbvio; aparente « imediatamente; visível no aqui e agora. Um epíteto para o Dhamma. hh sanyojana: veja samyojana. « « hh sangha: no nível convencional hh sasana: tradução literal: mensagem. (sammati) este termo denota a comunidade A revelação, doutrina e legado do Buda; a de monges e monjas Budistas; no nível religião Budista (veja Dhamma-vinaya). ideal (ariya) denota aqueles discípulos do « Buda, leigos ou ordenados, que alcançaram pelo menos o nível de ‘entrar na correnteza’ hh sati: Atenção Plena, poderes de (veja sotapanna), o primeiro dos caminhos referência e retenção. Na prática de transcendentes (veja ariya-pugala) meditação satipatthana significa manter culminando em nibbana. Recentemente, o objeto de meditação presente na mente, particularmente no Ocidente, o termo não se esquecer do objeto de meditação, “sangha” tem sido popularmente manter a mente no presente. É um dos adaptado para comunicar o sentido mais Sete Fatores Da Iluminação (bojjhanga) e amplo da “comunidade de discípulos o sétimo elo do Nobre Caminho Óctuplo do caminho Budista”, embora essa (magga). No seu sentido mais amplo, utilização não tenha suporte no Cânone é um dos fatores mentais (cetasika) em Pali. O termo “parisa” pode ser mais associados de forma inseparável com adequado para esse significado muito toda consciência com kamma benéfico mais amplo.  (kusala). Em alguns contextos a palavra sati, quando usada só, também abrange « plena consciência (sampajañña).  hh sankhara: formação, composto, « criação, fabricação — as forças e fatores que criam as coisas (físicas ou mentais), hh satipatthana: fundamentos da o processo de criação e as coisas que são atenção plena; estrutura de referência criadas como resultado. Nesse sentido — corpo, sensações, mente e objetos também pode ser interpretado como a mentais, vistos em si e por si mesmos à medida que ocorrem. A descrição detalhada deste tema, tão importante qualidade de pureza ética e moral que na prática da cultura mental Budista, previne que alguém decaia do caminho pode ser encontrada nos dois Satipatthana óctuplo. Também, os preceitos de Suttas (DN-22 e MN-10). treinamento que refreiam alguém de « realizar atos inábeis. Sila é o segundo tema no treinamento gradual (anupubbi- hh sa-upadisesa-nibbana: nibbana com katha), um dos dez paramis, o segundo de combustível restando (a analogia é sete tesouros (dhana), e o primeiro dos com um fogo extinto cujas brasas ainda três fundamentos para atos meritórios estão incandescentes) — libertação (dana e bhavana).  experimentada nesta vida por um arahant.  « « hh sotapanna: aquele que entrou na correnteza ou venceu a correnteza. Uma hh savaka: tradução literal: ouvinte. Um pessoa que abandonou os primeiros três discípulo do Buda, especialmente um grilhões (samyojana) que aprisionam a discípulo nobre (ariya-puggala). mente ao ciclo de renascimentos (samsara) « e dessa forma entrou na “correnteza” fluindo inexoravelmente para nibbana, hh sayadaw: (Birmanês) Venerável com a garantia de que a pessoa terá no ancião; um título honorifico concedido máximo mais sete renascimentos.  a um bhikkhu Birmanês altamente respeitado. « « hh stupa (pali: thupa): originalmente, um túmulo ou colina com uma sepultura hh sekha: um ‘nobre discípulo’ — um guardando as relíquias de uma pessoa discípulo no treinamento superior, isto é, santa — tal como o Buda — ou objetos um discípulo que se dedica ao treinamento associados com a sua vida. Ao longo tríplice (virtude, concentração e dos séculos isso se desenvolveu nos sabedoria). Sete tipos de discípulos: os monumentos altos e espiralados que alcançaram um dos quatro caminhos familiares nos templos na Tailândia, Sri supramundanos ou os que alcançaram Lanka e Birmânia, e nos pagodes da China, um dos três frutos; aquele que alcançou Coreia e Japão. o quarto fruto — que é o arahant — se diz estar além do treinamento.  « « hh sugati: destinação feliz; os dois níveis de existência mais elevados em que hh sikkhati: aprender, treinar. alguém pode renascer como resultado de « ações hábeis (kamma) feitas no passado: renascimento no mundo humano ou nos hh sila: virtude, moralidade — ou paraísos (sagga). Nenhum desses estados viver em harmonia, livre de remorso. A Glossário de termos Budistas em Pali 333 é permanente. Compare com apaya-bhumi. fenômenos. « « hh sugato: bem-aventurado; que se saiu hh sutta (Skt. sutra): tradução literal: bem; indo (ou tendo ido) para uma boa corda; um discurso ou sermão do Buda destinação. Um epíteto para o Buda. ou de seus discípulos contemporâneos. « Após a morte do Buda os suttas foram transmitidos no idioma Pali de acordo hh sukha: felicidade. Na meditação, com uma bem estabelecida tradição oral, uma sensação mental prazerosa que e foram finalmente colocados na forma alcança plena maturidade com o escrita no Sri Lanka por volta de 100 A.C. desenvolvimento do terceiro jhana. Veja Mais de 10.000 suttas estão contidos no piti.  Sutta Pitaka, o principal conjunto de « escrituras do Budismo Theravada. Os suttas em Pali são amplamente considerados hh suññata: vazio. Como termo como o registro mais antigo dos doutrinário, no Theravada, se refere ensinamentos do Buda.  exclusivamente à doutrina de anatta — isto é, a falta de substância em todos os « T hh tadi: “assim, Tal,” descreve aquele significa assim ou tal; a segunda parte que atingiu o objetivo. Indica que o agata significa vir. No entanto a palavra estado da pessoa não pode ser definido, gata significa ir. Há muito debate se o porém não está sujeito a mudanças ou significado de tathagata é "assim ido" influências de qualquer tipo. (tatha-gata) ou "assim vindo" (tatha-agata). O tathagata está totalmente presente ou ele « se foi totalmente? Ele é completamente hh tanha: tradução literal: sede. Desejo: imanente ou transcendente? Talvez pela sensualidade, por ser/existir, ou por a melhor interpretação seja a de que não ser/existir (bhava). É a causa principal tathagata significa ambos: completamente do sofrimento e do interminável ciclo imanente, compassivo, sintonizado em de renascimentos — veja sacca. Veja os todas as coisas, completamente atento; sinônimos lobha e raga.  ao mesmo tempo transcendente, dotado « da sabedoria transcendente. Por outro lado, os comentadores em Pali explicam hh tathagata: este é o epíteto que o o tathagata como aquele que veio para Buda empregava com mais frequência o nosso meio trazendo a mensagem do para referir-se a si mesmo . Tatha imortal, para o qual ele “foi” através da sua própria prática do caminho.  « « hh ti-lakkhana: três características hh te-vijja: os três conhecimentos inerentes a todos fenômenos verdadeiros: conhecimento das vidas condicionados — impermanência, passadas, olho divino e destruição das sofrimento e não-eu. impurezas.  « « hh tipitaka (Skt. tripitaka): o Cânone hh than: (Tailandês; também “tan”) Budista; tradução literal: os três cestos reverendo, venerável. — regras de disciplina (Vinaya), « discursos (Sutta) e tratados de filosofia (Abhidhamma).  hh thera: sênior, “ancião”: um título « honorifico que é conferido a um bhikkhu com pelo menos dez anos como bhikkhu. hh tiratana: a “Joia Tríplice” consistindo Compare com mahathera. do Buda, Dhamma e Sangha — ideais nos « quais todos Budistas buscam refúgio. Veja tisarana. hh theravada: a “doutrina dos anciãos” — « a única das primeiras escolas de Budismo que sobrevive até o presente; atualmente hh tisarana: o “Refúgio Tríplice” — o é a forma de Budismo dominante na Buda, Dhamma e Sangha.  Tailândia, Sri Lanka e Birmânia. Veja também « Hinayana.  U hh uddhacca: inquietação, desassossego. uma breve explanação do Dhamma; aqueles É um dos dez grilhões (samyojana) e um que alcançariam a iluminação somente dos cinco obstáculos (nivarana). após uma longa explanação (vipacitaññu); aqueles que alcançariam a iluminação « apenas após serem conduzidos através hh ugghatitaññu: de rápido da prática (neyya); e aqueles que, ao invés entendimento. Após o Buda ter alcançado de alcançarem a iluminação obteriam, na a iluminação, estava considerando se melhor das hipóteses, um entendimento devia ou não ensinar o Dhamma. Então ele intelectual do Dhamma (padaparama). percebeu que haviam quatro categorias « de seres: aqueles de rápido entendimento, que alcançariam a iluminação depois de hh upadana: apego ou combustível, Glossário de termos Budistas em Pali 335 aquilo que alimenta ou dá sustento. O « apego é uma intensificação do desejo (tanha). Os quatro tipos de apego são: à hh upasampada: aceitação; ordenação sensualidade, às ideias, a preceitos e completa como um bhikkhu ou bhikkhuni. rituais e a ideias da existência de um Veja pabbajja. eu. « « hh upasika (upasaka): um discípulo hh upadhi: aquisições; tem o sentido feminino (masculino) leigo do Buda. literal de “aquilo sobre o que algo Compare com parisa. se apoia”, isto é, os fundamentos ou « parafernália da existência. A palavra tem tanto um sentido objetivo como hh upekkha: equanimidade, a atitude de um sentido subjetivo. Com o sentido imparcialidade desapegada com relação objetivo significa as coisas adquiridas, isto aos seres (não apatia ou indiferença). é, as posses da pessoa. Com o sentido É um dos Sete Fatores Da Iluminação subjetivo significa a ação de se apropriar (bojjhanga). Uma das Dez Perfeições de algo com base no desejo. (paramis) e uma das quatro “moradas divinas” (brahma-vihara). « « hh upakkilesa: a palavra upakkilesa é usada algumas vezes com o sentido hh uposatha: dia de observância, de imperfeições da meditação de correspondendo às fases da lua, no qual concentração; algumas vezes com o pessoas leigas Budistas se reúnem para sentido de 'imperfeições no insight' ouvir o Dhamma e observar preceitos (veja vipassanupakkilesa); e algumas vezes especiais. Nos dias de uposatha da lua significando corrupções que surgem à nova e lua cheia os monges se reúnem partir das três raízes prejudiciais — desejo, para recitar as regras do Patimokkha.  raiva e delusão — nessas formas ou nos seus « desdobramentos.  V hh vassa: retiro das chuvas. O período « de Julho a Outubro (que corresponde hh vatta: o ciclo de nascimento, morte e aproximadamente à época de chuvas) renascimento. Isto denota ambos a morte em que se requer que cada monge e renascimento de seres vivos e a morte e permaneça vivendo em um só lugar sem renascimento das contaminações (kilesa) perambular livremente. dentro da mente. Veja samsara. « um dos Três Grilhões (samyojana) que desaparecem completamente ao ‘entrar hh vayama: esforço, empenho. Veja na correnteza’ (sotapanna). também viriya e padhana.  « « hh vijanati: discernimento, hh vedana: sensação — a qualidade de conhecimento discriminador. prazer, desprazer, ou neutralidade, que ocorre com cada contato nos « sentidos. Em cada órgão do sentido essa hh vijja: conhecimento verdadeiro ou qualidade recebe um nome distinto, por superior. Por exemplo te-vijja, os três exemplo: aquilo que é visto como prazeroso conhecimentos verdadeiros. é chamado de belo, o desprazeroso de feio; aquilo que é ouvido como prazeroso « é chamado de melodioso, o desprazeroso hh vijja-carana-sampanno: perfeito no de ruidoso; aquilo que é cheirado como verdadeiro conhecimento e conduta. Um prazeroso é chamado de perfumado, o epíteto para o Buda. desprazeroso de malcheiroso e assim por « diante. Veja khandha.  « hh vimutti: libertação. Pode ser de dois tipos: libertação da mente (ceto-vimutti) hh vicara: avaliação; investigação; e libertação através da sabedoria deliberação; pensamento sustentado; (pañña-vimutti). pensamento discursivo. Na meditação, « vicara é o fator mental que faz com que a mente permaneça com o objeto de hh vimokkha: libertação, como os seres meditação. Vicara também é descrito se libertam das coisas do mundo. Há como a fricção da mente sobre o objeto. três libertações: animitta — na qual todas Vicara e o seu fator acompanhante as formações são consideradas como vitakka alcançam plena maturidade com impermanentes; appanihita — na qual o desenvolvimento do primeiro jhana. todas as formações são consideradas Vitakka é comparado com a ação de tocar como sofrimento; suññata — na qual todas um sino, enquanto que Vicara equivale as formações são consideradas como não- à ressonância produzida. Outro símile eu ou vazias. seria vitakka como uma abelha que vai « voando em direção a uma flor enquanto que vicara seria a abelha voando em volta hh vinaya: a disciplina monástica, da flor. compreendendo seis volumes no texto impresso, cujas regras e tradições « definem cada aspecto do modo de vida hh vicikiccha: dúvida, ceticismo. É dos bhikkhus e bhikkhunis. A essência das um dos Cinco Obstáculos (nivarana) e regras para os monásticos está contida Glossário de termos Budistas em Pali 337 no Patimokkha. A conjunção do Dhamma hh vipassana: ‘insight.’ Nas palavras de com o Vinaya forma o núcleo da religião Ayya Khema, “insight é uma experiência Budista: “Dhamma-vinaya” — “a doutrina e que é vista com discernimento, que é disciplina” — é o nome que o Buda deu ao compreendida e que subsequentemente movimento que ele fundou.  conduz a uma transformação. O insight é « verdadeiro quando fazemos uso na nossa vida daquilo que foi compreendido.” Nos hh viññana: consciência; o ato de notar suttas o primeiro estágio de insight é os objetos sensoriais e ideias na medida definido como o conhecimento e visão em que eles ocorrem; a cognição mais de como as coisas na verdade são (Yatha elementar dos objetos sensoriais e bhuta ñanadassana). O insight revela a ideias; uma qualidade mental que é um natureza impermanente, insatisfatória dos Cinco Agregados (veja khandhas). e insubstancial de todos os fenômenos Em alguns suttas viññana aparece como materiais e mentais (veja ti-lakkhana). sinônimo de citta e mano. O progresso O conhecimento do insight (vipassana- de viññana de uma vida para outra, pañña) é o fator libertador decisivo no transformando (de acordo com o kamma Budismo, embora ele tenha que ser individual) a vida do ser (após a morte) desenvolvido em paralelo como os para a vida seguinte, está expresso em outros dois elementos de virtude (sila) alguns suttas, no entanto a ideia de que e concentração (samadhi). O Insight não se trata de uma substância imutável é é o resultado da mera compreensão rejeitada e condenada de forma enfática. intelectual, mas é conquistado através « da meditação observando de forma direta — fundamentado na experiência hh vipallasa: distorções, perversões — os próprios processos mentais e ou alucinações que podem ocorrer corporais. Sayadaw U Pandita no seu livro na percepção (sañña-vipallasa), na In This Very Life explica que a palavra mente (citta-vipallasa) ou nas ideias vipassana tem duas partes — vi e passana. Vi (ditthi-vipallasa). As distorções podem se refere a vários modos e passana é visão. ser de quatro tipos: considerar o Portanto o significado de vipassana seria impermanente como permanente, “ver através de vários modos.” Os vários considerar o doloroso como prazeroso, modos no caso são a impermanência, o considerar aquilo que não é o eu como sofrimento e o não-eu — anicca, dukkha e o eu, e considerar aquilo que é feio ou anatta. Veja também abhijanati.  impuro como belo ou puro.  « « hh vipassanupakkilesa: máculas ou hh vipaka: a consequência, resultado imperfeições no insight; experiências ou fruto de cada ação intencional do intensas que podem ocorrer ao longo da passado (kamma). meditação e que podem levar alguém a « acreditar que completou o caminho. A lista padrão inclui: luzes, conhecimento e sammasankappa (pensamento correto) psíquico, êxtase, serenidade, é o segundo elemento do Nobre prazer, convicção extrema, esforço Caminho Óctuplo. O pensamento pode excessivo, obsessão, indiferença e ser benéfico, prejudicial ou neutro sob o contentamento. ponto de vista de kamma. Existem três « tipos de pensamentos prejudiciais ou inábeis (akusala): pensamentos hh viraga: desapego. O completo sensuais, pensamentos com raiva distanciamento da mente do apego e pensamentos com crueldade. a todos os fenômenos, com a mente Existem três tipos de pensamentos desprovida de cobiça e aversão. Através benéficos ou hábeis: pensamentos de do desapego é realizado o caminho renúncia, pensamentos de não raiva e supramundano. O fruto do desapego é pensamentos de não crueldade. Estes vimutti. Veja nibbida. três últimos constituem o ‘Pensamento « Correto’ que é o segundo elemento do Nobre Caminho Óctuplo . Na hh viriya: energia, virilidade, vigor, meditação, vitakka é dirigir a mente para o persistência. Uma das Dez Perfeições objeto de meditação. Vitakka e o seu fator (paramis), um dos Sete Fatores Da acompanhante vicara alcançam plena Iluminação (bojjhanga). Veja também maturidade com o desenvolvimento vayama.  do primeiro nível de jhana. Vitakka é « comparado com a ação de tocar um sino, enquanto que Vicara equivale à hh visakha (também vesakha, vesak, ressonância produzida. Outro símile wesak etc.): o antigo nome para o seria vitakka como uma abelha que vai mês lunar Indiano da primavera voando em direção a uma flor enquanto correspondendo ao nosso Abril-Maio. De que vicara seria a abelha voando em volta acordo com a tradição, o nascimento do da flor. Buda, a sua iluminação e o seu Parinibbana ocorreram todos na noite de lua cheia « do mês de Visakha. Esses eventos são hh viveka: afastamento. O afastamento comemorados nesse dia no festival do pode ser de cinco tipos: (i) em relação a Visakha que é celebrado anualmente em um aspecto em particular (temporário, todo o mundo do Budismo Theravada. através da prática de insight); (ii) através  da supressão (temporário, ao alcançar « os jhanas); (iii) através da erradicação (permanente, através do caminho hh vitakka: pensamento aplicado. supramundano); (iv) através do Nos suttas, vitakka é com frequência apaziguamento (permanente, através usado como sinônimo para pensamento. do fruto do caminho supramundano); e Vitakka também é chamado sankappa, (v) através da escapatória (permanente, Glossário de termos Budistas em Pali 339 em Nibbana). sinônimo de dosa; é um dos Cinco « Obstáculos (nivarana) e um dos Dez Grilhões (samyojana). hh vyapada: má vontade — é um « W XYZ hh Yatha bhuta ñanadassana: O reflexão com sabedoria ou reflexão hábil — é conhecimento e visão de como as coisas descrita como a atenção com os meios na verdade são. Esta expressão aparece corretos (upaya) e na direção correta com frequência e representa o primeiro (patha). Significa dar atenção, considerar estágio no processo de insight. Yatha e refletir de maneira cuidadosa, bhuta tem sido traduzido como “como equilibrada e analítica, empregando as coisas na verdade são” e, regra geral, a capacidade de investigação para é traduzido de modo semelhante para reconhecer como as coisas na verdade o Inglês. Essa tradução no entanto funcionam, pensar em termos de relações apresenta algumas limitações no sentido causais e de acordo com a verdade de dar a impressão de que existe algo — isto é, aquilo que é impermanente especial a ser visto “nas coisas” e que a como impermanente, sofrimento como experiência de insight corresponde a ver sofrimento etc. esse algo especial, quando na verdade hh No MN-2 é descrita como um estamos mais interessados em ver o antídoto contra as impurezas (asava); é processo de fabricação que ocorre na uma das condições para o surgimento mente e, nesse sentido, uma tradução do entendimento correto (MN-43); mais esclarecedora para yatha butha seria conduz ao fruto de ‘entrar na correnteza’ “como as coisas vêm a ser” (através do (SN-LV.55); ao surgimento e processo de fabricação na mente). Em desenvolvimento dos fatores da seguida a esse primeiro estágio de insight iluminação (bojjhanga) (SN-XLVI.24). segue o desencantamento (nibbida), depois A atenção sem sabedoria (ayoniso- o desapego (viraga), e por fim culminando manasikara) conduz ao surgimento das na completa libertação (vimutti). impurezas (MN-2); ao surgimento e « expansão dos cinco obstáculos (nivarana) hh yoniso manasikara: atenção com (SN-XLVI.24).  sabedoria ou hábil, também pode ser « Glossário de termos Budistas em Português Glossário de termos Budistas em Português 343 Glossário de termos Budistas em Português Da mesma forma como ocorre com outras disciplinas do conhecimento humano, o Budismo também conta com um conjunto de termos que são importantes para a correta compreensão dos ensinamentos e que aparecem com frequência tanto no Cânone em Pali (Tipitka) como em livros, ensaios e textos de diversos autores. Os textos do Cânone foram redigidos em Pali e em alguns casos a interpretação ou tradução para o Português pode não capturar de forma completa o significado desses termos. Este glossário traz ao lado da palavra em Português o termo original em Pali. Para entender o significado de qualquer termo basta ‘clicar’ na palavra em Pali, o que fará a conexão com o Glossário de termos Budistas em Pali. O símbolo « indica um link para o Sumário no início da obra. A Abençoado...............................Bhagavant Aquisições . .................................. Upadhi Absorção Mental............................Jhana Arahant....................................... Arahant Ação Intencional..........................Kamma Ardente........................................... Atapi Afastamento................................. Viveka Ascetismo. .......... Veja Práticas Ascéticas Agregado. ..................................Khandha Aspiração..................................... Chanda Alegria altruísta.......................... Mudita Atenção com Sabedoria. ....................... Alimento........................................Ahara Yoniso-manasikara Amor bondade. .............................Metta Atenção Plena. ................................. Sati Angústia. ............................Veja Tristeza Atenção Plena no Corpo........ ............... Ansiedade................................. Kukkucca Kayagata-sati Apego..........................................Upadana Atenção Plena na Respiração.. ............. Aplicação . ................................Appamada Anapanasati Apoios para a iluminação. .................... Aversão...................................Veja Raiva Bodhi-pakkhiya-dhamma « B Bases sensuais............................ Ayatana Buda............................................. Buddha Benéfico..................................Veja Hábil « Bodisatva................................ Bodhisatta C Caminho. ...................................... Magga Conhecimento e visão de como as Características (Três) ......... Ti-lakkhana coisas na verdade são............. Yatha Ciclo de morte e renascimento. ....... .... butha ñanadassana Samsara Consciência. ............................... Viññana Cessação. .................................... Nirodha Contaminações. ............................Kilesa Cobiça. ........................................... Lobha Contemplar. .......................... Anupassana Compaixão................................... Karuna Contemplativo. ........................... Samana Compreensão.............................. Pajanati Contentamento.............. Veja Satisfação Compreensão Completa......... Parijanati Convicção. ....................................Saddha Concentração............................. Samadhi Coração................................. Veja Mente Conhecimento................................. Vijja Corrupção...................... Veja Imperfeição Conhecimento Direto.............Abhijanati Corpo. ..............................................Kaya « D Delusão. ..........................................Moha Discernir......................................Vijanati Desapego. ..................................... Viraga Distorções................................. Vipallasa Desatamento Total. ..............Parinibbana Digno.......................................... Arahant Desejo...... Tanha; Veja também Aspiração Diligência..................................Appamada Desencantamento....................... Nibbida Discípulo leigo. ..........................Upasaka Desenvolvimento da Mente........... Veja Divindade. ....................................... Deva Meditação Doutrina e Disciplina......Dhamma-vinaya Destino infeliz......................Apaya-bhumi Dúvida...................................... Vicikiccha Desprazer. ..........................Veja Tristeza « Desvantagem.........................Veja Perigo E Elemento. ......................................Dhatu Equanimidade............................Upekkha Energia........................................... Viriya Eu (Ideia da existência de um). ............ Entendimento. ........................ Veja Ideia Sakkaya-ditthi Escapatória.............................. Nissarana Êxtase.................................................Piti Esforço......................................... Vayama « Glossário de termos Budistas em Português 345 F Fabricação. .......................Veja Formação Forma............................................... Rupa Fatores Mentais. ........................Cetasika Formação..................................Sankhara Felicidade. ..................................... Sukha Fruto .... ...................................... ...Phala Fé ................................... Veja Convicção « Fundamentos da Atenção Plena........... ........................................Satipatthana G Generosidade. .................................Dana Grilhões. .................................. Samyojana Gratificação..................................Assada « H Hábil..............................................Kusala « I Ideia. ..............................................Ditthi Inábil........................................... Akusala Identidade. ................................. Veja Eu Insatisfatório................. Veja Sofrimento Ignorância. .....................................Avijja Insight........................................Vipassana Imperfeição............................ Upakkilesa Intenção........................................ Cetana Impermanente............................. Anicca « Impurezas.......................................Asava J Joia Tríplice............................... Tiratana « L Libertação................................... Nibbana Libertação através da Sabedoria.......... Libertação....................................Vimutti Pañña-vimutti Libertação (Processo de).........Vimokkha « Libertação da Mente. ......... Ceto-vimutti M Má vontade. ............................... Vyapada Mérito............................................Puñña Meditação...................................Bhavana Monge......................................... Bhikkhu Materialidade........................Veja Forma Morada Divina. ................Brahma-vihara Mentalidade. .................................. Nama Mundo.............................................. Loka Mentalidade-materialidade. Nama-rupa « Mente...............................................Citta N Não-eu. .........................................Anatta Nobre Verdade...................... Ariya-sacca Negligente................................... Pamada Noviço.......................................Samanera Nobre .......................... Veja Pessoa Nobre « O Obstáculos. ............................... Nivarana Origem Dependente. .. Paticca-samuppada Obsessões ... Veja Tendências Subjacentes « Opinião. ................................... Veja Ideia P Pensamento Aplicado. .............. Vitakka Perigo...........................................Adinava Pensamento Sustentado. ............ Vicara Pessoa comum. ......................Puthujjana Percepção...................................... Sañña Pessoa nobre. .................... Ariya-puggala Perfeição.......................................Parami Plena Consciência................. Sampajañña Glossário de termos Budistas em Português 347 Práticas Ascéticas....................Dhutanga Proliferação................................ Papañca Prejudicial. ............................ Veja Inábil « Presunção.......................................Mana Q Que entrou na correnteza. ....Sotapanna Que retorna uma vez............ Sakadagami Que não retorna.........................Anagami « R Raiva. ............................................... Dosa Repulsivo..................................... Asubha Raiz. ................................................ Mula Resultado das ações..................... Vipaka Refúgio Tríplice. ....................... Tisarana « S Sabedoria....................................... Pañña Ser/existir..................................... Bhava Satisfação. ...................................Pamujja Sete Fatores Da Iluminação .Bojjhanga Senhor do Mal................................Mara Sinal. ............................................Nimitta Sensação.......................................Vedana Sofrimento. .................................Dukkha Senso de Urgência.....................Samvega Supramundano. ......................Lokuttara Sensualidade..................................Kama « T Temor De Cometer Transgressões ... Tentação...................Veja Senhor do Mal Veja Vergonha Treinar........................................Sikkhati Tendências Subjacentes............ Anusaya Treinamento gradual.....Anupubbi-katha Tranquilidade. .......... Veja Concentração Tristeza................................... Domanassa Tranquilidade. .........................Passaddhi « Torrente. .........................................Ogha U V Vazio........................................... Suññata Vida Santa. ....................... Brahma-cariya Venerável Senhor....................... Bhante Vigilância. .................................. Jagariya Conhecimento e Visão de como as Virtude. ............................................ Sila coisas na verdade são.............. Sacca Volição............................... Veja Intenção Vergonha De Cometer Transgressões. « Hiri-ottappa XZ Zelo. ................................. Veja Diligência «
