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O Agente Universal e a Alma do Mundo


O Agente Universal e a Alma do Mundo

Os antigos o chamavam de Caos; Platão e os pitagóricos o denominavam a Alma do Mundo. Segundo os hindus, a Divindade sob a forma de Éter permeia todas as coisas. É o Fluido invisível, mas, como já dissemos, demasiado tangível. Entre outros nomes, este Proteu universal — ou “o nebuloso Todo-Poderoso”, como de Mirville o chama em tom de escárnio — era denominado pelos teurgistas “o fogo vivo”, o “Espírito da Luz” e Magnes. Esta última denominação indica suas propriedades magnéticas e revela sua natureza mágica. Pois, como bem expressou um de seus inimigos — μάγος e μάγνης são dois ramos que brotam do mesmo tronco e produzem os mesmos frutos.

Magnetismo é uma palavra cuja derivação nos remete a uma época incrivelmente remota. A pedra chamada ímã é considerada por muitos como devendo seu nome à Magnésia, uma cidade ou distrito da Tessália, onde estas pedras eram encontradas em abundância. Nós, no entanto, acreditamos que a opinião dos hermeticistas seja a correta. A palavra Magh, magus, deriva do sânscrito Mahaji, o grande ou sábio (o ungido pela sabedoria divina). “Eumolpo é o fundador mítico dos Eumólpidas (sacerdotes); os sacerdotes remontavam sua própria sabedoria à Inteligência Divina.” As várias cosmogonias mostram que a Alma Universal Arcaica era considerada por todas as nações como a “mente” do Criador Demiúrgico, a Sofia dos gnósticos, ou o Espírito Santo como princípio feminino. Assim como os Magos derivaram seu nome dela, também a pedra magnesiana ou Ímã recebeu esse nome em sua honra, pois foram eles os primeiros a descobrir suas propriedades maravilhosas.

A ciência moderna, após ter negado inutilmente o magnetismo animal, viu-se forçada a aceitá-lo como um fato. É hoje uma propriedade reconhecida da organização humana e animal; quanto à sua influência psicológica e oculta, as Academias guerreiam contra ela, em nosso século, mais ferozmente do que nunca. É tanto mais lamentável e até surpreendente, pois os representantes da “ciência exata” são incapazes de explicar ou mesmo oferecer qualquer hipótese razoável para o inegável e misterioso poder contido num simples ímã. Começamos a ter provas diárias de que estas potências subjazem aos mistérios teúrgicos e, portanto, poderiam talvez explicar as faculdades ocultas possuídas pelos taumaturgos antigos e modernos, assim como muitas de suas mais surpreendentes realizações.

Pitágoras ensinava a seus discípulos que Deus é a mente universal difundida através de todas as coisas, e que esta mente, pela simples virtude de sua identidade universal, podia comunicar-se de um objeto a outro e ser levada a criar todas as coisas unicamente pelo poder da vontade humana. Entre os antigos gregos, Kurios era o deus-Mente (Nous). “Agora Koros (Kurios) significa a natureza pura e não misturada do intelecto — sabedoria”, diz Platão. Kurios é Mercúrio, a Sabedoria Divina, e “Mercúrio é o Sol”, de quem Thaut — Hermes — recebeu esta sabedoria divina, que, por sua vez, transmitiu ao mundo em seus livros. Hércules é também o Sol — o celeiro celeste do magnetismo universal; ou melhor, Hércules é a luz magnética que, ao abrir caminho através do “olho aberto do céu”, adentra as regiões do nosso planeta e torna-se assim o Criador. Hércules passa pelos doze trabalhos, o valente Titã! Ele é chamado de “Pai de Todos” e “autogerado” (autophues). Hércules, o Sol, é morto pelo Diabo, Tifão, e assim também Osíris, que é pai e irmão de Hórus, e ao mesmo tempo idêntico a ele; e não devemos esquecer que o ímã era chamado de “osso de Hórus”, e o ferro de “osso de Tifão”. Ele é chamado “Hércules Invicto” apenas quando desce ao Hades (o jardim subterrâneo) e, arrancando as “maçãs de ouro” da “árvore da vida”, mata o dragão. A rude força titânica, o “revestimento” de todo deus solar, opõe sua força de matéria cega ao espírito magnético divino, que tenta harmonizar tudo na natureza.

Todos os deuses solares, com seu símbolo, o sol visível, são os criadores apenas da natureza física. O espiritual é obra do Deus Supremo — o Oculto, o Sol Central e Espiritual — e de seu Demiurgo: a Mente Divina de Platão e a Sabedoria Divina de Hermes Trismegisto — a sabedoria emanada de Oulom ou Cronos.

“Após a distribuição do Fogo puro, nos Mistérios Samotrácios, uma nova vida começava.” Este era o “novo nascimento”, a que Jesus alude em sua conversa noturna com Nicodemos. “Iniciados no mais bendito de todos os Mistérios, sendo nós mesmos puros… tornamo-nos justos e santos com sabedoria.” “Soprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Santo Pneuma’.” E este simples ato de força de vontade era suficiente para transmitir a vaticinação em sua forma mais nobre e perfeita, se tanto o iniciador quanto o iniciado fossem dignos dela.

— Ísis Sem Véu Vol. 1 — H.P. Blavatsky

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