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A alma, elo entre o corpo e o espírito

A alma é efetivamente o que propicia ao homem ligar-se à sua vida terrena. Por seu corpo, ele pertence fisicamente à espécie humana; por meio do corpo ele é um membro dessa espécie. Com seu espírito, ele vive num mundo superior. A alma interliga temporariamente ambos os mundos. Porém o mundo físico em que o espírito humano penetra não é um cenário estranho. Nele estão gravados os traços de suas ações.

Algo desse cenário lhe pertence, leva o cunho do seu ser, tem afinidade com ele. Assim como outrora a alma lhe transmitiu as impressões do mundo exterior para que estas se lhe tornassem duradouras, ela própria, como seu órgão, metamorfoseou em ações igualmente duradouras as faculdades que lhe foram comunicadas por ele. Assim sendo, a alma se acha efetivamente instilada nessas ações.

Nos efeitos de seus atos, a alma do homem continua a viver uma segunda vida independente. Isso, no entanto, pode ensejar que se observe como as vicissitudes do destino incidem nessa vida. Algo ‘vem de encontro’ à pessoa. De início ela tende a considerar esse ‘algo vindo de encontro’ como um ‘acaso’ adentrando sua vida. Só que consegue constatar como ela própria é resultado de tais ‘acasos’.

Quem observa a si mesmo aos quarenta anos de vida e, ao indagar pela natureza de sua alma, não quer permanecer numa idéia vã e abstrata do eu, pode dizer consigo: “Eu não sou outra coisa senão o que me tornei por causa daquilo que até hoje ‘veio de encontro’ a mim por obra do destino. Acaso não seria eu um outro se, aos vinte anos, houvesse tido uma série de experiências diversas das que tive?”

Ele então buscará seu eu não somente nos impulsos evolutivos oriundos de seu ‘íntimo’, mas também naquilo que ‘de fora’ interfere de forma plasmadora em sua vida. Naquilo que ‘lhe acontece’, reconhecerá o próprio eu.

Quem observa a si mesmo aos quarenta anos de vida e, ao indagar pela natureza de sua alma, não quer permanecer numa idéia vã e abstrata do eu, pode dizer consigo: “Eu não sou outra coisa senão o que me tornei por causa daquilo que até hoje ‘veio de encontro’ a mim por obra do destino.” Naquilo que ‘lhe acontece’, reconhecerá o próprio eu.

— Teosofia — Rudolf Steiner

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