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O destino acalanta quem o segue

Ao cumprir pela mente seu destino, se aproxima do caminho da imortalidade, diziam os antigos. Ainda tenho à minha frente a escolha entre cumprir o meu destino ou não. Escolha essa que se confunde com liberdade. Os deuses, já diziam os antigos, eles não impõem o destino a cumprir. Apenas sugerem. Conta-nos esse ditado. Nossos talentos são só uma sugestão. Eu posso abandonar tudo isto e seguir coisas completamente diferentes na minha vida. E frequentemente isso é verdade. Mas os deuses também diziam um outro ditado. O destino acalanta quem o segue e arrasta quem o nega. A gente sabe quando a gente vai contra a nossa corrente. A gente até consegue, mas como somos arrastados. Liberdade existe. E não se opõe a destino. Sempre será vista como um compromisso ou um descompromisso com o seu caminho cósmico.

Posso fazer o que quiser com a minha vida. E ser somente guiado para o meu ego. Todo indivíduo pode seguir o caminho que bem entender. No entanto, ainda o melhor caminho para ele cumprir o seu destino é passar sua vida se tornando cada vez mais ele próprio. É que muitos vão contra si mesmos em suas escolhas egóicas. E confundem identidade com persona, com ego ideal, achando que isto é o belo da sua vida. E isto é o desastre de sua vida. É o retrato de uma catástrofe total. Com escolhas desastrosas feitas por ideais egóicos. O melhor exemplo, sem dúvida, nos deu Oscar Wilde em seu brilhante livro O Retrato de Dorian Gray. É uma excelente metáfora do auge desse narcisismo que só busca fugir do tempo como se isto fosse o belo. Mas a finitude é o momento que representa o infinito. O indivíduo que se realiza é a mais pura representação do infinito nesta busca do belo.

Podemos tocar o infinito e o eterno, cumprindo o plano cósmico, sendo quem nascemos para ser.

A gente sabe quando a gente vai contra a nossa corrente. A gente até consegue, mas como somos arrastados. Liberdade existe. E não se opõe a destino.

— Palestras Transcritas de Victor de Salis

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