Recentes descobertas feitas por grandes matemáticos e Cabalistas provam, deste modo, sem sombra de dúvida, que todas as teologias, desde a primeira e mais antiga até a mais recente, surgiram não só de uma fonte comum de crenças abstratas, mas de uma linguagem universal dos “Mistérios”, ou esotérica. Estes eruditos detêm a chave da antiga linguagem universal, e a fizeram girar com êxito, embora apenas uma vez, na porta hermeticamente fechada que dá para o Salão dos Mistérios. O grande sistema arcaico, conhecido desde eras pré-históricas como a Ciência-Sabedoria sagrada, a qual está contida e pode ser identificada em toda religião velha assim como em toda religião nova, tinha, e ainda tem, a sua língua ou linguagem universal — de cuja existência o maçom Ragon suspeitava — a língua ou linguagem dos Hierofantes, que tem sete “dialetos”, digamos assim, sendo que cada um deles corresponde a, ou está especialmente relacionado com, um dos sete mistérios da Natureza. Cada um deles tinha o seu próprio simbolismo. A Natureza podia assim ser lida na sua totalidade, ou desde um dos seus aspectos especiais.
A prova disso está, até hoje, na extrema dificuldade que os orientalistas em geral, e mais especialmente os pesquisadores sobre a Índia e os egiptólogos, enfrentam ao interpretar os escritos alegóricos dos Árias e os escritos hieráticos do antigo Egito. Isso ocorre porque eles jamais lembrarão que todos os registros antigos foram escritos em uma linguagem que era universal e conhecida igualmente por todas as nações nos dias de antigamente, mas que hoje só é inteligível para os poucos. Assim como os algarismos arábicos, que são claros para um homem de qualquer nação, ou como a palavra inglesa and, que se torna et para o francês, und para o alemão e assim sucessivamente, porém pode ser expressada para todos os povos pelo simples signo &, assim também todas as palavras daquela linguagem dos mistérios significavam a mesma coisa para todos seres humanos de qualquer nacionalidade.
As facetas desta linguagem dos mistérios, cada uma delas com muitos aspectos, levaram à adoção de dogmas e ritos amplamente variados no plano exotérico dos rituais cristãos. Estas facetas estão na origem da maior parte dos dogmas da Igreja Cristã, como por exemplo, os sete sacramentos, a Trindade, a Ressurreição; os sete pecados capitais e as sete virtudes. As sete chaves do idioma dos mistérios, no entanto, têm estado desde sempre sob a guarda dos mais elevados entre os Hierofantes iniciados da antiguidade, e foi só o uso parcial de umas poucas, entre as sete, que passaram, devido à traição de alguns dos primeiros Padres da Igreja — ex-iniciados dos Templos — para as mãos dos membros da nova seita dos Nazarenos. Alguns dos primeiros Papas eram Iniciados, mas os últimos fragmentos do conhecimento deles agora caíram em poder dos jesuítas, que os transformaram em um sistema de feitiçaria.
Afirma-se que a ÍNDIA (não nos seus limites atuais, mas incluindo as suas antigas fronteiras) é o único país no mundo que ainda tem, entre os seus filhos, adeptos que têm o conhecimento de todos os sete subsistemas e a chave para o sistema inteiro. Desde a queda de Mênfis, o Egito começou a perder aquelas chaves uma por uma, e a Caldeia havia preservado apenas três nos dias de Beroso. Quanto aos hebreus, em todos os seus escritos eles não demonstram mais do que um completo conhecimento dos sistemas astronômicos, geométricos e numéricos usados para simbolizar todas as funções humanas, e especialmente as fisiológicas. Eles nunca tiveram as chaves mais elevadas.
Cada religião antiga é apenas um capítulo ou dois do volume inteiro dos mistérios arcaicos primitivos; só o Ocultismo Oriental pode dizer que possui o segredo completo, com as suas sete chaves. Comparações serão feitas, nesta obra, e tanto quanto possível serão explicadas — o resto é deixado para a intuição pessoal do estudante. Porque ao dizer que o Ocultismo Oriental tem o segredo, não se está dizendo que a escritora pretende ter um conhecimento “completo” nem sequer aproximado, o que seria absurdo. O que eu sei, eu transmito; o que eu não posso explicar, o estudante deve descobrir por si mesmo.
— Extraído de: A Doutrina Secreta Vol. 1 — H.P. Blavatsky
