O Caminho é um, discípulo, mas, no fim, duplo. Marcados estão os seus estágios por quatro e sete portas. A uma extremidade a felicidade imediata, à outra, felicidade renunciada. Ambos são a recompensa do mérito: a escolha a ti pertence. O um toma-se os dois, o Aberto e o Secreto. O primeiro leva à meta, o segundo à imolação de si próprio. Quando ao permanente o mutável se sacrifica, o prêmio é teu; volta a gota ao lugar de onde veio. O Caminho Aberto conduz à mudança imutável — Nirvana, o estado glorioso de absoluto, a felicidade para além da concepção humana. Assim, o primeiro caminho é a Libertação. Porém, o segundo caminho é a Renúncia; por isso é chamado o Caminho da Dor. O Caminho Secreto conduz o Arhan a uma angústia mental inexprimível; dor pelos mortos que estão vivos, e compaixão inútil pelos homens da tristeza cármica; o fruto do Carma não ousam os Sábios fazer parar. Porque está escrito: “Ensina a evitar todas as causas; à maré do efeito, como à grande onda, deixarás seguir o seu curso”. Tens agora o conhecimento a respeito dos dois Caminhos. Chegará o momento em que terás de escolher, ó de Alma ansiosa, quando tiveres chegado ao fim e passado as sete portas. A tua mente está lúcida. Já não estás preso a pensamentos ilusórios, porque aprendeste tudo. Sem véu está ante ti a Verdade, e fita-te gravemente. Diz ela: “Doces são os frutos do descanso e da libertação por causa da Personalidade; porém, mais doces ainda os frutos do dever longo e amargo; sim, da renúncia por amor aos outros, aos homens que sofrem”. Aquele que se converte em Pratyeka-Buda só presta obediência à sua Personalidade. O Bodhisattva que ganhou a batalha, que tem o prêmio na mão, mas exclama, na sua divina compaixão: “Por amor aos outros abandono esta grande recompensa” — realiza a renúncia maior. Ele é um Salvador do Mundo.
“Doces são os frutos do descanso e da libertação por causa da Personalidade; porém, mais doces ainda os frutos do dever longo e amargo; sim, da renúncia por amor aos outros, aos homens que sofrem.” — A Voz do Silêncio
— A Voz do Silêncio — H.P. Blavatsky
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