Há muitas pessoas que desejam servir, de uma forma ou de outra, mas o discípulo deve desejar servir o Mestre da maneira que Ele quer, e onde Ele requer o serviço. Tal serviço incondicional não é possível enquanto o coração está preso a alguma coisa.
Como diz uma das Upanishads: “Até que os laços do coração sejam rompidos, o homem não pode alcançar a imortalidade.” Isso soa como uma coisa dura de dizer, se pensarmos nos laços do coração como incluindo as qualidades do amor, às quais damos o maior valor.
Não diz, porém, que o coração deve ser quebrado, mas que os laços devem ser rompidos, para que o amor do coração possa ser ilimitado. Não me interpretem mal, e pensem que eu disse que amar não é desejável.
Não é o amor que prende, mas os elementos de egoísmo que muitas vezes se misturam a ele. O amor do Si Mesmo em um homem pelo Si Mesmo em outro é, por sua própria natureza, eterno; não poderíamos mudar isso mesmo que quiséssemos, mas quando o amor pelo Si Mesmo se mistura com o amor pela forma, ele começa a prender, e assim até o próprio amor pode se tornar uma escravidão.
Não há maneira de alcançar a condição que o torna livre para a obra do Mestre senão pelo esforço constante em romper todo laço que o restringe. Se você encontrar em seu amor algo que possa causar dor, há egoísmo nele, que deve ser eliminado. Livra-se dele, e seu amor permanecerá, mais forte, mais nobre, mais puro; e tal amor nunca pode interferir na obra do Mestre.
Tem havido muito mal-entendido na Índia e alhures sobre este assunto, por causa da confusão entre amor (que é altruísta) e desejo (que é egoísta). Alguns filósofos tentam endurecer-se de modo a ficarem indiferentes ao que acontece, para escapar do sofrimento evitando o amor.
Mas esse é o caminho errado; produz homens pela metade, intelectuais mas não emocionais. Devemos ter o poder de expressar até grandes ondas de sentimento, mas elas devem ser reflexos das emoções superiores do Si Mesmo, sob estrito controle.
Não é o amor que prende, mas os elementos de egoísmo que muitas vezes se misturam a ele. O amor do Si Mesmo em um homem pelo Si Mesmo em outro é, por sua própria natureza, eterno; não poderíamos mudar isso mesmo que quiséssemos, mas quando o amor pelo Si Mesmo se mistura com o amor pela forma, ele começa a prender, e assim até o próprio amor pode se tornar uma escravidão.
— Conversas sobre a Senda do Ocultismo Vol. 1 — Annie Besant e C.W. Leadbeater
📖 Continuar lendo o texto original
Abrir na Biblioteca Teosófica
📬 Receba esses conteúdos por email: GET HERMES no Google Groups