O sábio tranquilo continua sua ronda de esmolas no vilarejo, de casa em casa, tomando apenas um punhado de cada casa, e somente o que é dado de forma respeitosa e de boa vontade. Os ascetas errantes e todos os outros religiosos mendicantes são dependentes do vilarejo para os seus requisitos. Mas o sábio virtuoso e tranquilo cuida para que o vilarejo não seja explorado de forma alguma. A abelha ao extrair o mel das flores as poliniza, sem lhes causar o menor dano. Enquanto em busca de esmolas o sábio tranquilo também está fazendo, espiritualmente, um favor ao povo. O mérito que ele obtém através de sua prática é compartilhado com as pessoas que sustentam a sua sobrevivência. Os doadores obtêm muitos méritos — o que lhes traz felicidade aqui e no futuro. Um monge Budista, apesar de estar afastado da sociedade, não está isolado dela.
Uma flor pode ser bela e chamativa aos olhos. Pode ser colorida e brilhante. Mas, se não tem fragrância, ela falha como flor. A analogia aqui é com as palavras do Buda ditas por alguém que não as coloca em prática. As palavras são brilhantes e cheias de cor. Mas o seu aroma adocicado somente aparece quando colocadas em prática.
Se uma flor é colorida, bonita de se ver e tem uma fragrância sedutora, ela cumpriu o seu papel como flor. Assim também o é com as palavras do Buda. Elas adquirem seu aroma adocicado quando praticadas.
O desejo sensual é direcionado para todos os objetos dos sentidos: é um dos cinco obstáculos, um dos dez grilhões, um dos três tipos de desejos, um dos três tipos de pensamentos incorretos. O perigo e o sofrimento dos desejos sensuais são frequentemente descritos nos textos, que muitas vezes insistem no fato de que aquilo que prende o homem ao mundo dos sentidos não são os órgãos dos sentidos nem os objetos dos sentidos, mas sim o desejo sensual.
O corpo é comparado com espuma e borbulhas, porque ele se desintegra muito rapidamente, assim como espuma e borbulhas. Em muitas ocasiões a transitoriedade do corpo humano é equiparada à desintegração de uma borbulha. Tornar-se profundamente consciente da quimérica substancialidade e da natureza ilusória da vida: a borbulha e a quimera juntamente enfatizam a natureza evanescente e ilusória da vida.
— Extraído de: Dhammapada
