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O Despertar da Alma Divina

Aqueles que possuem algum conhecimento dos diferentes estágios no desdobramento da consciência humana verão imediatamente que a história em Durga-Saptashati busca apresentar de forma alegórica a libertação da consciência humana das ilusões, limitações e apegos dos mundos inferiores.

Essas limitações e ilusões são uma parte necessária do processo evolutivo através do qual a alma embrionária tem que passar antes de estar apta a empreender a luta com essas mesmas limitações e ilusões e realizar sua verdadeira natureza Divina, que conduz à sua Libertação.

O jivatma (alma individual) é essencialmente Divino, mas em sua descida aos mundos inferiores de manifestação perde a consciência de sua natureza Divina e sua evolução nesses mundos ocorre num estado de escuridão espiritual.

Quando, como resultado de ter atingido um estágio bastante elevado de desenvolvimento e maturidade mental, está apta a entrar no campo da evolução espiritual, ela enfrenta sua primeira dificuldade neste caminho. A personalidade, através da qual essa evolução espiritual deve ocorrer, está cortada de sua fonte Divina e nem sequer está ciente de que possui uma origem Divina e um destino Divino a cumprir.

Sua Buddhi, ou intuição, ainda não começou a funcionar, viveka (discernimento) ainda não nasceu, e assim, apesar de sua prontidão para os estágios superiores da evolução e apesar do intelecto estar altamente desenvolvido, a alma espiritual permanece aprisionada dentro da personalidade ignorante e rebelde, sem qualquer meio de resgatá-la.

Dois perigos ameaçam-na especialmente: a perpétua busca de prazer e poder pela personalidade. É sob essas condições de pralaya espiritual que a Mente Superior, que é uma ponte entre o eu inferior e o Eu Superior, apela à Sabedoria Universal representada por Vishnu para iluminar a personalidade e assim tornar possível a evolução espiritual.

O despertar de Vishnu é obviamente o nascimento do discernimento na personalidade. Quando a luz de Buddhi irradia a mente, ela destrói a complacência e faz mesmo a personalidade ver parcialmente as ilusões e limitações da vida humana comum e a urgente necessidade de desdobrar a natureza espiritual. Abre-se assim o caminho para os estágios superiores da evolução e para a redenção do jivatma.

O jivatma é essencialmente Divino, mas em sua descida aos mundos inferiores de manifestação perde a consciência de sua natureza Divina. Quando a luz de Buddhi irradia a mente, ela destrói a complacência e faz mesmo a personalidade ver parcialmente as ilusões e limitações da vida humana comum.

— Introdução ao Simbolismo Hindu — I.K. Taimni


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