Quando o corpo físico é derrubado pela morte, o corpo etérico, carregando Prana consigo e acompanhado pelos princípios restantes — isto é, o homem todo, exceto o corpo denso — retira-se do tabernáculo de carne, como o corpo externo é apropriadamente chamado. Todas as energias de vida que saem recolhem-se para dentro, e são reunidas por Prana, sua partida sendo manifestada pela opacidade que se espalha sobre os órgãos físicos dos sentidos. Eles estão ali, ilesos, fisicamente completos, prontos para agir como sempre fizeram; mas o “Governante Interno” está partindo, aquele que através deles via, ouvia, sentia, cheirava, provava, e por si mesmos eles são meros agregados de matéria, vivos de fato mas sem poder de ação perceptiva. Lentamente o senhor do corpo se afasta, envolto no corpo etérico cinza-violeta, e absorto na contemplação do panorama de sua vida passada, que na hora da morte se desenrola diante dele, completo em cada detalhe.
Nesse quadro da vida estão todos os eventos de sua vida, pequenos e grandes; ele vê suas ambições com seu sucesso ou frustração, seus esforços, seus triunfos, seus fracassos, seus amores, seus ódios; a tendência predominante do todo emerge claramente, o pensamento reinante da vida se afirma, e imprime-se profundamente na alma, marcando a região na qual a maior parte de sua existência pós-morte será passada. Solene é o momento em que o homem se coloca face a face com sua vida, e dos lábios de seu passado ouve o presságio de seu futuro. Por um breve espaço ele vê a si mesmo como é, reconhece o propósito da vida, sabe que a Lei é forte, justa e boa. Então o laço magnético se rompe entre o corpo denso e o etérico, os companheiros de uma vida são separados, e — salvo em casos excepcionais — o homem mergulha em pacífica inconsciência.
Quietude e devoção devem marcar a conduta de todos os que estão reunidos ao redor de um corpo moribundo, a fim de que um silêncio solene possa deixar ininterrupta esta revisão do passado pelo homem que parte. Choros clamorosos, lamentos altos, apenas perturbam e inquietam a atenção concentrada da alma, e romper com a dor de uma perda pessoal o sossego que o ajuda e conforta é ao mesmo tempo egoísta e impertinente. A religião sabiamente ordenou orações pelos moribundos, pois estas preservam a calma e estimulam aspirações altruístas dirigidas a ajudá-lo, e estas, como todos os pensamentos amorosos, protegem e abrigam.
Algumas horas após a morte — geralmente não mais que trinta e seis, diz-se — o homem se retira do corpo etérico, deixando-o por sua vez como um cadáver sem sentidos, e este último, permanecendo próximo de sua contraparte densa, compartilha seu destino. Se o corpo denso for enterrado, o duplo etérico flutua sobre o túmulo, lentamente se desintegrando, e as sensações desagradáveis que muitos experimentam em um cemitério devem-se em grande parte à presença desses cadáveres etéricos em decomposição. Se o corpo for queimado, o duplo etérico se desfaz muito rapidamente, tendo perdido seu nidus, seu centro físico de atração, e esta é uma entre muitas razões pelas quais a cremação é preferível ao sepultamento como forma de dispor dos cadáveres.
Nesse quadro da vida estão todos os eventos de sua vida, pequenos e grandes; ele vê suas ambições com seu sucesso ou frustração, seus esforços, seus triunfos, seus fracassos, seus amores, seus ódios… Solene é o momento em que o homem se coloca face a face com sua vida, e dos lábios de seu passado ouve o presságio de seu futuro.
— A Sabedoria Antiga — Annie Besant
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