Depois que o encontro com o Guardião do Limiar se conclui, o estudante de ocultismo terá de enfrentar novas experiências, e a primeira coisa de que se aperceberá é da conexão interna que existe entre este Guardião e aquela força da alma que já caracterizamos como a sétima força a resolver-se numa entidade independente. Esta sétima entidade é, de fato, em certos aspectos, nada mais que o duplo, ou o Guardião do Limiar mesmo.
Isso impõe uma tarefa particular ao estudante. Aquilo que ele é em seu eu ordinário, que agora lhe aparece numa imagem, tem de ser conduzido e guiado pelo eu recém-nascido, de modo que surge uma espécie de guerra contra o duplo, que lutará constantemente para ganhar a supremacia. Este esforço de estabelecer a justa relação, este cuidado em não permitir que o duplo faça nada que não resulte da influência do eu recém-nascido, é o que confere firmeza e vigor aos poderes do homem.
A questão do autoconhecimento é, em certos aspectos, diferente nos mundos superiores do que no mundo físico dos sentidos. Pois, enquanto neste último o autoconhecimento ocorre apenas como experiência interna, o eu recém-nascido torna-se imediatamente discernível como uma visão espiritualizada externamente. Vemos nosso eu recém-nascido diante de nós, mas não podemos percebê-lo em sua totalidade, pois qualquer que seja o degrau a que tenhamos ascendido, haverá sempre degraus mais altos, e nestes perceberemos visões ainda mais claras de nosso “eu superior”.
A tentação que aqui assalta o homem é tremenda, pois, tendo entrevisto esse eu superior, ele se inclina a considerá-lo do ponto de vista que adquiriu no mundo dos sentidos físicos. E, no entanto, mesmo essa tentação é salutar; é necessária, se o desenvolvimento do homem deve prosseguir da maneira correta. Pois o estudante deve notar aqui o que aparece como seu duplo, como o Guardião do Limiar, e colocá-lo sempre diante do eu superior, a fim de observar com justeza a disparidade entre o que ele é e o que deve vir a ser.
A tentação que aqui assalta o homem é tremenda, pois, tendo entrevisto esse eu superior, ele se inclina a considerá-lo do ponto de vista que adquiriu no mundo dos sentidos físicos. E, no entanto, mesmo essa tentação é salutar; é necessária, se o desenvolvimento do homem deve prosseguir da maneira correta.
— Esboço da Ciência Oculta — Rudolf Steiner
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