Esta passagem revela uma misericórdia paradoxal oculta em um ato de aparente crueldade. Rumi conta sobre um médico que mata um homem, não por desejo ou ordem de um rei mundano, mas por inspiração Divina. Como Khidr no Alcorão, que matou uma criança como parte de um plano Divino maior, invisível para Moisés, este médico não é movido pelo ego ou pela luxúria, mas pelo sussurro de Deus. Sua mão torna-se um instrumento da Vontade Divina.
O poema nos exorta a enxergar além das aparências. O que parece violência pode ser purificação, como uma fornalha que queima para remover a escória da prata. O ato do rei, mal compreendido pelos mentalidades mundanas, é comparado a uma rosa vermelha confundida com sangue. Rumi insiste: não o chame de louco—ele está embriagado com a sabedoria Divina. Não chame isso de assassinato—é misericórdia disfarçada.
Somos lembrados de que os verdadeiros amantes de Deus se entregam voluntariamente, como Isma’il à faca de Abraão, e que a dor enviada por Deus é sempre para cura. Assim como uma criança chora diante da lâmina do barbeiro enquanto a mãe se alegra, também a alma pode se entristecer sem ver a alegria que está por vir.
A lição mais profunda é a confiança espiritual (tawakkul). Aqueles próximos de Deus podem agir de maneiras incompreensíveis para a razão, mas o fazem com a permissão e a presença do Divino. Fé significa render até mesmo o próprio entendimento, e lembrar que o que Deus remove, Ele apenas remove para dar algo maior em retorno.
Não o chame de louco—ele está embriagado com a sabedoria Divina. Não chame isso de assassinato—é misericórdia disfarçada. Fé significa render até mesmo o próprio entendimento, e lembrar que o que Deus remove, Ele apenas remove para dar algo maior em retorno.
— O Masnavi Vol. 1 Parte 1 — Rumi
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