O mundo se tornou um lugar perigoso para se viver; e em nossas escolas, qualquer forma de coerção, ameaça, ira, deve ser evitada total e completamente, porque todas essas coisas endurecem o coração e a mente, e o afeto não pode coexistir com a crueldade.
Como estudante, você compreende o quanto é importante dar-se conta de que qualquer forma de crueldade não só endurece seu coração, mas também perverte seu pensar e deforma suas ações.
A mente é, como o coração, um instrumento delicado, sensível e muito capaz, e quando a crueldade e a opressão a afetam, então há um endurecimento do eu. O afeto, o amor, não têm um centro como o eu. Agora bem; tendo lido isto e compreendido o que foi dito aqui, o que você fará a respeito? Você estudou o que foi dito, está aprendendo o conteúdo destas palavras; qual é, então, sua ação? Sua resposta não consiste meramente em estudar e aprender, mas também em atuar.
Quase todos nós conhecemos as implicações que a crueldade tem e nos damos conta de tudo o que realmente ocasiona externa e internamente, mas deixamos isso aí sem fazer nada a respeito — pensando uma coisa e fazendo exatamente a oposta.
Isto não só gera muitíssimo conflito, mas também hipocrisia.
Em sua maioria, os estudantes não gostam de ser hipócritas; gostam de olhar os fatos, mas nem sempre atuam.
Portanto, é responsabilidade do estudante ver os fatos acerca da crueldade e, sem persuasão nem bajulação de nenhuma espécie, compreender o que ela implica e fazer algo a respeito.
Quase todos nós conhecemos as implicações que a crueldade tem e nos damos conta de tudo o que realmente ocasiona externa e internamente, mas deixamos isso aí sem fazer nada a respeito — pensando uma coisa e fazendo exatamente a oposta. Isto não só gera muitíssimo conflito, mas também hipocrisia.
— Cartas às Escolas — J. Krishnamurti
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