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O Uno Inefável: Além da Inteligência

De outro modo, ou se moverá antes de se mover e pensará antes de pensar, ou seu ato primeiro será imperfeito, sendo não mais que uma tendência.

A que tende, pois, como se houvesse fracassado em algo? Se adotarmos uma posição razoável, nossa tese será que a atividade emanada, por assim dizer, dele como a luz do sol constitui a inteligência e toda a natureza inteligível; que aquele, em contraste, assentado sobre o cume do reino inteligível, reina sobre ele; que aquela luz que apareceu, ele não a arrojou de si tirada de si — de outra forma, introduziríamos uma luz anterior à luz —; e que permanecendo, enfim, para sempre, fulge sobre a natureza inteligível.

Porque o que provém dele não está desconectado dele, embora tampouco seja idêntico a ele, nem tampouco seja tal como para não ser substância nem como para estar cego, por assim dizer, mas sim que se vê e se conhece a si mesmo e é o primeiro cognoscente.

Aquele, em contraste, como está além da inteligência, assim também está além da cognição; e como não necessita de nada para nada, assim tampouco necessita do conhecimento.

O conhecimento se encontra em uma natureza de segunda ordem.

Porque o conhecimento é «um uno», enquanto que aquele é «uno», não «um uno». Porque se fosse «um uno», não seria «o Uno em si», porque o «em si» é anterior ao «um». E por isso é também verdadeiramente inefável. Porque digas o que disseres, dirás algo. Mas a expressão «além de todas as coisas e além da inteligência mais augusta» entre todas é só verdadeira não se for uma denominação daquele mas se aquele não é um entre todos nem há «nome dele», porque nada se predica dele. Mas nós tratamos de designá-lo a nós mesmos como podemos.

Aquele, em contraste, como está além da inteligência, assim também está além da cognição; e como não necessita de nada para nada, assim tampouco necessita do conhecimento. E por isso é também verdadeiramente inefável. Porque digas o que disseres, dirás algo.

— Enéadas III-IV — Plotino

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