Pode a mente que a si mesma impôs uma disciplina estar livre, alguma vez, para receber aquela felicidade? Pelo esforço e pela luta, pela resistência e pelas renúncias, a mente se torna insensibilizada; e pode uma mente em tais condições estar aberta e ser vulnerável? Como o desejo daquela beatitude, não levantastes ao redor de vós uma muralha que o imponderável, o desconhecido, não pode penetrar? Não vos fechastes efetivamente ao novo? Com o velho fizestes um caminho para o novo; mas pode o novo estar contido no velho? A mente não pode, em tempo algum, criar o novo; a mente é um resultado, ela própria, e todos os resultados são produtos do velho.
Os resultados jamais podem ser novos; a busca de um resultado nunca pode ser espontânea; o que é livre não pode andar a procura de um fim.
O alvo, o ideal é sempre uma projeção da mente, e isto, por certo, não é meditação.
A meditação é o libertar do meditador; só na liberdade há descobrimento, há sensibilidade para receber.
Sem liberdade, não pode haver beatitude; a liberdade, porém, não vem por meio da disciplina. A disciplina desenha o padrão da liberdade, mas este padrão não é a liberdade. O padrão precisa ser quebrado para que a liberdade possa existir. A quebra do molde é meditação.
A meditação é o libertar da mente dos seus pensamentos, em todos os níveis. O pensamento cria o pensador. O pensador não está separado do pensamento: ambos são um processo unitário e não dois processos separados.
Então, a mente é só, não tornada só; é silenciosa, não tornada silenciosa. Somente ao que é só pode manifestar-se aquilo que não tem causa; apenas para o que é só existe a beatitude.
A meditação é o libertar do meditador; só na liberdade há descobrimento, há sensibilidade para receber. Sem liberdade, não pode haver beatitude; a liberdade, porém, não vem por meio da disciplina. Então, a mente é só, não tornada só; é silenciosa, não tornada silenciosa. Somente ao que é só pode manifestar-se aquilo que não tem causa; apenas para o que é só existe a beatitude.
— Comentários sobre o Viver Vol. 1 — J. Krishnamurti
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