Somente aqueles que são devastados pelo Amor conhecem o Amor.
O sol sozinho desvela o sol àqueles que têm
O senso de receber o insensato e não se desviar.
Sombras cavernosas precisam da luz para brincar, mas a luz
E somente a luz pode conduzir-te à luz, sozinho.
Sombras materiais pesam sobre tua visão com escória.
Mas o sol nascente fende a lua cinzenta em metade vazia.
O sol exterior é nosso milagre diário, no oportuno
Nascimento e morte; o sol interior
Ofusca o fogo interior num espaço atemporal.
Nosso sol diário é apenas uma estrela operante numa galáxia de estrelas.
Nosso sol interior é Uno, a nuance dançante da luz eterna.
Tu deves ser incendiado pelo sol interior.
Tens de viver teu Amor, ou então
Acabarás apenas em palavras.
O Amor é anseio, e o anseio, a dor da separação:
Nenhuma doença é rica o bastante para a aflição do coração.
O lamento de um amante supera todos os outros gritos de dor.
O Amor é o limiar real para o mistério de Deus.
O carnaval de pequenos afetos e apegos polidos
Que enchem e consomem nosso tempo passageiro
Não se compara ao Amor que pulsa por trás dessa peça.
É fácil falar interminavelmente sobre o Amor.
Viver o Amor é ser tomado pela alegria e pelo assombro:
O Amor não é lúcido, ocupado com imagens e argumentos.
A linguagem é precoce demais, impudente demais, sã demais
Para deter a lava derretida do Amor que agita o sangue.
Essa energia atuante queima a língua até o silêncio;
A pena que sabe está incapacitada, o papel servil
Murcha no fogo do Amor. A razão careca também é um asno
Ao explicar o Amor, enganada pela lucidez estragada.
O Amor é perigoso, não oferece consolação.
O Amor é anseio, e o anseio, a dor da separação: Nenhuma doença é rica o bastante para a aflição do coração. O Amor é o limiar real para o mistério de Deus. O Amor não é lúcido, ocupado com imagens e argumentos.
— Palavras do Paraíso — Rumi
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