Com o que devemos nos comprometer?

Como uma vez disse Don Juan para o seu Discípulo Carlos Castaneda, “ninguém escolhe o caminho do guerreiro por vontade própria, ele é levado a isso por alguém. Ninguém em sã consciência escolhe este caminho”

Existe um ditado árabe que diz que não se pode sentar em dois camelos ao mesmo tempo, isso nos comunica uma idéia de que toda escolha envolve abrir mão de diversos outros caminhos.

Ainda citando Castaneda, ele diz que todo caminho é válido, desde que tenha coração.

O que todas estas citações significam?

Creio que aqui está se falando de compromisso, e com compromisso está implícito trabalhar e se dedicar a algo em que se acredita, algo que temos avaliado como muito importante.

Mas como escolher um compromisso em meio a tantos caminhos e tão escasso tempo?

O mais evidente é que nos deparamos com inúmeros caminhos que nos atraem, e o responsável por estes caminhos se cruzarem com nossa caminhada é o destino, ou o karma se preferirem.

No budismo tibetano se diz que menos de 90% de nossas vivências são escolhas nossas, a verdade é que nos deparamos com circunstâncias.

Mas e quando encontramos algo que consideramos muito importante e trabalhamos muito tempo a favor disso, e chega um momento que isso que demos tanto valor já não encontra mais ressonância dentro de nós? Quando começamos enxergar equívocos que até então haviam passados despercebidos?

Neste momento, ainda mais quando este caminho é compartilhado com outras pessoas que se dedicaram e se dedicam a isso muito tempo, o que sentimos é um misto de medo de abandonar o que nos dedicamos por tanto tempo, medo de despontar nossos companheiros de jornada, mas ao mesmo tempo convicção de que é necessário abrir as portas para algo novo, algo que nos pareça mais em consonância com a pessoa que nos tornamos e com o que consideramos o correto.

Quando se trata de um ideal transcendente, quando os dogmas e manipulações se tornam gritantemente evidentes, nem mesmo a reflexão e a engenharia de auto-convencimento dão conta.

É claro que para se chegar a um nível de entendimento, é preciso passar por caminhos intermediários difíceis, e se não houver um método de manter as pessoas neste caminho, elas nunca chegarão a progredir até o ponto de maior consciência que fica além dos dogmas.

Mas o custo não é demasiadamente alto? Os fins justificam os meios? É justo pedir tudo?

Vemos maior compaixão por TODOS com o crescimento interno? Ou apenas com os comprometidos? Os demais não merecem nada além de um tapinha nas costas?

Quem pode dizer quem é mais importante? Finalizando com Castaneda, seu mestre um dia lhe disse que é um erro valorizar mais um ser em detrimento de outro, mesmo sendo eles de classes diferentes, como um caracol ou uma pedra, quanto mais um ser humano em comparação com outro.

Uma ultima frase de Castaneda “O homem é um ovo de luz resplandecente. O que poderia ser modificado em um ovo de luz? Nada”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *