Saber que não se Sabe

O primeiro passo nesta caminhada é se dar conta de que nossas opiniões em geral são baseadas em erros, pois um verdadeiro conhecimento nunca deveria ser apoiado em uma visão pequena da realidade, já se ouviu falar do efeito borboleta, onde uma borboleta que bate asas na américa pode criar um tsunami na ásia, guardada a licença poética, nossa visão da realidade deve sim levar em conta que existem inúmeros fatores imponderáveis que esquecemos de observar quando nos lançamos a analise de uma situação, isto por que além de ignorarmos muitos fatores, ainda inserimos nossa visão de mundo que em geral é baseada em nossas lembranças passadas boas ou ruins, que pintam tudo com a cor dessa  nossa visão limitada.

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Então se considerarmos que muitas vezes julgamos aos outros e a nós mesmos, é sempre com uma visão limitada da realidade e sendo assim é um erro adotarmos posições fixas em relação a determinados assuntos antes que tenhamos algum material livre de pré conceitos, já que ao traçarmos duas linhas paralelas, por menor que seja a inclinação de uma destas linhas em relação a outra, com o passar do tempo as duas linhas vão acabar por estarem infinitamente longe uma da outra, mesmo que tenham começado a ser traçadas bem próximas. Nossos conceitos sobre a vida também podem acabar se direcionando infinitamente longe de onde queriamos chegar no caso de uma pequena inclinação ocasionada por um erro de cálculo inicial.

A doutrina hindu nos fala de karma e dharma, onde o dharma seria o caminho correto, justo e que muitas vezes nos distanciamos deste reto caminho devido a erros de cálculo, descuidos ou conceitos errados, quando isso acontece entra o karma como fator de correção, nos causando dor e chamando a mudanças, reflexões e até mesmo reviravoltas completas dependendo do caso.

Quando Sócrates foi denominado pelo Oráculo como o homem mais sábio da grécia, ele não pode aceitar este título, e inclusive se lançou em uma empreitada para provar que o Oráculo estava errado, ele andou por vários lugares conversando com as pessoas e lhes perguntando o que pensavam sobre vários assuntos, ao que respondiam com uma certeza inabalável, isso causou grande desconserto a Sócrates, pois percebeu que apesar de ele não saber sobre os assuntos, através da dialética, ele percebia que estas pessoas também não sabiam sobre o que falavam, eram apenas opiniões limitadas por suas experiências passadas e conjecturas limitadas, então ele entendeu que o Oráculo estava certo, já que ele ao menos sabia que não sabia, colocando-se um patamar acima de quem achava que sabia, mas não sabia.

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