Há pessoas tão próximas da porta do conhecimento que a própria vida as prepara para ele, e nenhuma mão individual precisa invocar o hediondo guardião da entrada.
Essas devem naturalmente ser organizações aguçadas e poderosas, capazes do mais vívido prazer; então a dor vem e cumpre seu grande dever.
As formas mais intensas de sofrimento caem sobre tal natureza, até que por fim ela desperta de seu estupor de consciência, e pela força de sua vitalidade interna cruza o limiar para um lugar de paz.
Então a vibração da vida perde seu poder de tirania.
A natureza sensível deve ainda sofrer; mas a alma se libertou e permanece à parte, guiando a vida em direção à sua grandeza.
Aqueles que são súditos do Tempo, e avançam lentamente por todos os seus espaços, vivem através de uma longa série de sensações, e sofrem uma constante mistura de prazer e de dor.
Não ousam tomar a serpente do eu em um firme aperto e conquistá-la, tornando-se assim divinos; mas preferem continuar a se afligir através de diversas experiências, sofrendo golpes das forças opostas.
Quando um desses súditos do Tempo decide entrar no caminho do Ocultismo, é esta a sua primeira tarefa.
Se a vida não lhe ensinou isso, se ele não é forte o bastante para ensinar a si mesmo e se tem poder suficiente para exigir a ajuda de um mestre, então esta terrível provação, retratada em Zanoni, é imposta a ele.
A oscilação em que ele vive é, por um instante, estancada; e ele tem de sobreviver ao choque de enfrentar o que lhe parece, à primeira vista, o abismo do nada.
Somente quando ele tiver aprendido a habitar neste abismo, e tiver encontrado sua paz, é que seus olhos poderão ter se tornado incapazes de lágrimas.
A natureza sensível deve ainda sofrer; mas a alma se libertou e permanece à parte, guiando a vida em direção à sua grandeza.
— Luz no Caminho — Mabel Collins
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