Elementos fenomenais anteriormente inimagináveis revelarão, por fim, os segredos de seus misteriosos funcionamentos. Platão estava certo em readmitir todo elemento de especulação que Sócrates havia descartado. Os problemas do ser universal não são inatingíveis ou inúteis se alcançados. Mas estes só podem ser resolvidos dominando aqueles elementos que agora emergem no horizonte do profano.
Mesmo os Espíritos, com suas visões e noções equivocadas e grotescamente distorcidas, estão vagamente percebendo a nova situação. Eles profetizam, e suas profecias nem sempre carecem de um ponto de verdade nelas, de uma previsão intuitiva, por assim dizer. Ouçam alguns deles reafirmando o velho, velho axioma de que “as Ideias governam o mundo”; e à medida que as mentes dos homens recebem novas ideias, deixando de lado as antigas e obsoletas, o mundo avançará — revoluções poderosas brotarão delas, instituições (sim, e mesmo credos e poderes, podem acrescentar) ruirão diante de sua marcha avassaladora, esmagadas por sua força inerente — não pela força irresistível das novas ideias oferecidos pelos Espiritualistas!
Sim, eles estão tanto certos quanto errados. Será tão impossível resistir à influência delas quando chegar a hora quanto impedir o progresso da maré. Mas o que os Espiritualistas falham em perceber, eu vejo, e seus Espíritos em explicar (estes não sabendo mais do que podem encontrar nos cérebros daqueles) é que tudo isso virá gradualmente e que, antes que chegue, eles, assim como nós, todos temos um dever a cumprir, uma tarefa posta diante de nós — a de varrer, tanto quanto possível, a escória deixada por nossos ancestrais piedosos.
Novas ideias têm de ser plantadas em lugares limpos, pois essas ideias tocam nos assuntos mais momentosos. Não são os fenômenos físicos ou a agência chamada Espiritualismo, mas essas ideias universais que temos precisamente de estudar — o noumeno, não o fenômeno — pois, para compreender este, primeiro temos de compreender aquele. Elas tocam a verdadeira posição do homem no Universo, sem dúvida, mas apenas em relação ao seu futuro — não aos seus nascimentos anteriores.
Não são os fenômenos físicos, por mais maravilhosos que sejam, que jamais poderão explicar ao homem sua origem — quanto mais seu destino último, ou, como um deles expressa — a relação do mortal com o imortal, do temporário com o eterno, do finito com o infinito, etc., etc. Falam muito desembaraçadamente sobre o que consideram como novas ideias — “maiores, mais gerais, mais grandiosas, mais abrangentes” — e ao mesmo tempo reconhecem, em vez do reino eterno da lei imutável, o reino universal da lei como expressão de uma vontade divina!
