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O Eu, a Palavra que Só a Alma Pode Dizer

Esse eu é o próprio homem. Isto lhe dá direito a considerar esse eu como sua verdadeira entidade. Portanto, ele pode chamar seu corpo e sua alma de ‘invólucros’ dentro dos quais vive, podendo designá-los corno condições corpóreas para seu agir. No decorrer de seu desenvolvimento, ele aprende cada vez mais a utilizar esses instrumentos como servidores do seu eu. A palavrinha ‘eu’, como, por exemplo, é empregada na língua alemã [Ich], é um nome que se distingue de todos os demais. Quem reflete adequadamente sobre a natureza desse nome tem, com isso, acesso ao conhecimento da entidade humana num sentido mais profundo. Todas as pessoas podem aplicar, de maneira igual, cada nome ao objeto correspondente. Cada uma pode chamar a mesa de ‘mesa’, a cadeira de ‘cadeira’. O mesmo já não ocorre com o nome ‘eu’. Ninguém pode utilizá-lo para designar outra pessoa; cada um só pode chamar a si mesmo de ‘eu’. Nunca a palavra ‘eu’ pode chegar de fora ao meu ouvido quando esta designação se refere a mim. Só de dentro para fora, por si própria, a alma pode denominar-se ‘eu’. Portanto, quando o homem diz ‘eu’ referindo-se a si, começa a falar dentro dele algo que nada tem a ver com nenhum dos mundos dos quais procedem os ‘invólucros’ mencionados até agora. O eu torna-se cada vez mais senhor do corpo e da alma.

Ninguém pode utilizá-lo para designar outra pessoa; cada um só pode chamar a si mesmo de ‘eu’. Só de dentro para fora, por si própria, a alma pode denominar-se ‘eu’.

— Teosofia — Rudolf Steiner

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