Enquanto o homem não tiver atingido estágio mais elevado do que a Cognição Material, a alma, embora verdadeiramente viva durante o sono, é incapaz de perceber qualquer coisa no mundo em que então habita.
Ela está nesse mundo como um cego no mundo da matéria.
Tal pessoa vive em meio à luz e à cor, mas é incapaz de percebê-las.
Dos órgãos sensoriais externos — o olho, o ouvido, a atividade ordinária do cérebro, e assim por diante — a alma, no sono, retirou-se.
Ela não recebe impressões através dos sentidos.
O que, então, está ela fazendo durante o sono?
Devemos perceber claramente que, na vida de vigília, a alma está em um estado de atividade constante.
Ela absorve as impressões dos sentidos externos e trabalha sobre elas: essa é a sua ocupação.
Isso cessa durante o sono, mas a alma não fica então ociosa.
Adormecida, ela trabalha sobre o seu próprio corpo.
Este é desgastado pela atividade do dia, que se manifesta na fadiga.
E durante o sono, a alma ocupa-se com o seu próprio corpo, a fim de prepará-lo para o trabalho de vigília subsequente.
Vemos por isso quão essencial é o bom sono para a manutenção da saúde corporal.
As forças com as quais a alma trabalha sobre o corpo no sono são as mesmas com as quais ela age durante o estado de vigília; apenas, neste último caso, elas são usadas para absorver impressões dos sentidos externos e trabalhar sobre elas.
Ora, quando a Cognição Imaginativa desperta no homem, parte da força despendida sobre o corpo no sono deve ser empregada de outra maneira.
Por essas forças formam-se os órgãos espirituais dos sentidos, que capacitam a alma não apenas a existir nos mundos superiores, mas também a tomar conhecimento deles.
Assim, a alma durante o sono não trabalha mais somente sobre o corpo, mas também sobre si mesma.
O que, então, está ela fazendo durante o sono? Adormecida, ela trabalha sobre o seu próprio corpo. Por essas forças formam-se os órgãos espirituais dos sentidos, que capacitam a alma não apenas a existir nos mundos superiores, mas também a tomar conhecimento deles.
— Escritos Diversos — Rudolf Steiner
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