O Ciclo Irresistível: Ascensão e Queda das Civilizações
Mas o que certamente equivale a uma revelação agora, enquanto nossos cérebros estão em função e nossa mente está agudamente atenta a alguns fatos proeminentemente sugestivos, são as incessantes descobertas da arqueologia, geologia, etnologia e outras ciências. É a convicção quase irreprimível de que, tendo o homem existido sobre a Terra por milhões de anos — pelo que sabemos — a teoria dos ciclos é a única teoria plausível para resolver os grandes problemas da humanidade, a ascensão e queda de inúmeras nações e raças, e as diferenças etnológicas entre estas últimas.
Essa diferença — que, embora tão marcada quanto a que existe entre um europeu inteligente e formoso e um índio digger da Austrália, faz com que os ignorantes estremeçam e ergam grande clamor ao pensar em destruir o imaginário “grande abismo entre o homem e a criação bruta” — poderia assim ser bem explicada. O índio digger, então em companhia de muitas outras nações selvagens, embora superiores a ele, que evidentemente estão desaparecendo para dar lugar a homens e raças de tipo superior, teriam de ser considerados sob a mesma luz que tantos espécimes animais em extinção — e nada mais.
Quem pode dizer que os antepassados deste selvagem de cabeça chata — antepassados que podem ter vivido e prosperado em meio à mais elevada civilização antes do período glacial — não estavam, nas artes e ciências, muito além daquelas da civilização atual — ainda que talvez em direção completamente diferente? Que o homem viveu na América há pelo menos 50.000 anos está hoje provado cientificamente e permanece um fato além de dúvida ou contestação.
O ciclo irreprimível, no curso do tempo, fez com que os descendentes dos contemporâneos do antigo habitante deste esqueleto declinassem, e intelectual bem como fisicamente degeneraram, como o elefante atual degenerou de seu orgulhoso e monstruoso antepassado, o Rivatério antediluviano cujos restos fósseis ainda são encontrados nos Himalaias; ou como o lagarto degenerou do plesiossauro. Por que o homem seria a única criatura sobre a Terra que jamais mudou de forma desde o primeiro dia de sua aparição neste planeta?
A pretensa superioridade de cada geração da humanidade sobre a precedente ainda não está tão bem estabelecida que nos torne impossível aprender algum dia que, como em tudo o mais, a teoria é uma questão de dois lados — progresso incessante de um lado e uma decadência tão irresistível do outro do ciclo. “Mesmo no que diz respeito ao conhecimento e ao poder, o avanço que alguns reivindicam como traço característico da humanidade é efetuado por indivíduos excepcionais que surgem em certas raças sob circunstâncias favoráveis apenas, e é perfeitamente compatível com longos intervalos de imobilidade, e mesmo de declínio”, diz um cientista moderno.
Este ponto é corroborado pelo que vemos nos modernos descendentes degenerados das grandes e poderosas raças da América antiga — os peruanos e os mexicanos. Quão mudados! Quão decaídos de sua grandeza devem ter estado os Incas quando um pequeno bando de cento e sessenta homens pôde penetrar incólume até seus lares montanheses, assassinar seus reverenciados reis e milhares de seus guerreiros, e levar suas riquezas — e isso, em um país onde alguns homens com pedras poderiam resistir com sucesso a um exército! Quem poderia reconhecer nos atuais índios Inichua e Aymara sua nobre ancestralidade?
Assim escreve o Dr. Heath, e sua convicção de que a América esteve um dia unida à Europa, Ásia, África e Austrália parece tão firme quanto a nossa. Devem existir ciclos geológicos e físicos, assim como intelectuais e espirituais.
— Escritos Compilados Vol. 2 — H.P. Blavatsky
GET HERMES — Grupo de Estudos Teosóficos Hermes