A Imagem Viva e a Provação do Discípulo
O Mestre em muitas ocasiões escolhe Seus discípulos fora das fileiras dos estudantes e trabalhadores sérios do tipo que eu já descrevi. Mas antes que Ele os aceite Ele toma precauções especiais para Se assegurar de que eles são realmente o tipo de pessoa que Ele poderia atrair para um contato mais íntimo consigo, e este é o objetivo do estágio chamado Provação. Quando Ele pensa que uma pessoa é um possível discípulo, Ele usualmente pede que alguém que já esteja intimamente ligado a Ele que Lhe traga o candidato em corpo astral. Geralmente não há muita cerimônia associada a esta etapa, o Mestre dá umas poucas palavras de conselho, diz ao novo discípulo o que se espera dele, e muitas vezes, de Seu modo gracioso, pode encontrar alguma razão para congratulá-lo pelo trabalho que já realizou.
Então Ele cria uma imagem viva do discípulo — quer dizer, Ele modela a partir de matéria mental, astral e etérica uma réplica exata dos corpos causal, mental, astral e etérico do neófito, e mantém esta imagem à mão, de modo que Ele possa observá-la periodicamente. Cada imagem é magneticamente ligada à pessoa que representa, e assim toda variação de pensamento e sentimento nela é reproduzida na imagem por vibração simpática, e deste modo com uma simples olhadela na imagem o Mestre pode ver de imediato se desde o momento em que a olhou da última vez ocorreu algum tipo de distúrbio nos corpos representados — se a pessoa perdeu o controle, ou se permitiu ser presa de sentimentos impuros, preocupação, depressão, ou qualquer coisa deste gênero. É só depois que Ele verifica que ao longo de um considerável período de tempo não ocorreu nenhuma excitação séria nos veículos representados pela imagem que Ele admite o discípulo a uma relação mais estreita consigo.
Quando o discípulo é aceito ele deve ser levado a uma unidade com seu Mestre muito mais íntima do que qualquer coisa que possamos imaginar ou entender; o Mestre deseja fundir sua aura com a Sua própria, de modo que através disso Suas forças possam estar constantemente atuando sem uma atenção especial de Sua parte. Mas uma relação tão íntima como esta não pode funcionar só em uma direção; se entre as vibrações do discípulo houver alguma que cause perturbação nos corpos astral e mental do Adepto ao reagirem sobre Ele, tal união seria impossível. O futuro discípulo teria de esperar até conseguir eliminar de si mesmo estas vibrações. Um discípulo probacionário não é necessariamente melhor do que as outras pessoas que não estão em provação; apenas ele é de certas maneiras mais adequado para o trabalho do Mestre, e assim seria aconselhável submetê-lo ao teste do tempo, pois muitas pessoas, elevadas pelo entusiasmo, parecem de início ser as mais promissoras e ávidas por servir, mas infelizmente depois de algum tempo cansam e retornam ao que eram. O candidato deve vencer quaisquer falhas emocionais que possa ter, e continuar firme no trabalho até que se torne suficientemente calmo e puro. Quando por um longo tempo não tiver acontecido nenhuma perturbação séria na imagem viva, o Mestre sente que chegou o tempo de trazer o discípulo, com proveito, para mais perto d’Ele.
Não devemos imaginar as imagens vivas como registrando apenas defeitos ou perturbações. Ela espelha toda a condição da consciência astral e mental do discípulo, sendo que deve registrar muito da benevolência e alegria, e deveria irradiar paz na Terra e boa vontade entre os homens. Jamais esqueçamos que uma bondade ativa e não meramente passiva é sempre um pré-requisito para o avanço. Não fazer o mal já é grande coisa, mas lembremos o que se registra sobre nosso Grande Exemplo quando perambulava pela Terra fazendo o bem. E quando solicitaram ao Senhor Buda que epitomizasse todo o seu ensinamento em um único verso, Ele começou: “Cessa de fazer o mal”, mas imediatamente continuou dizendo: “Aprende a fazer o bem”.
Se um discípulo em provação faz alguma coisa extraordinariamente boa, o Mestre por um momento lhe dá um pouco mais de atenção, e se Ele achar adequado pode enviar uma onda de encorajamento de algum tipo, ou pode colocar algum trabalho no caminho do discípulo e ver como ele o desempenha. Geralmente, contudo, ele delega esta tarefa a algum de Seus discípulos mais antigos. Espera-se que ofereçamos oportunidades ao candidato, mas fazer isso é uma séria responsabilidade. Se a pessoa usa a oportunidade, tudo está bem, mas se ela não o faz, isso conta como um ponto desfavorável. Muitas vezes gostaríamos de oferecer oportunidades às pessoas, mas hesitamos, porque se elas as aceitam isso lhes faria muito bem, mas se elas perdem a chance será um pouco mais difícil repetir a oferta na próxima vez.
Vemos, então, que o elo entre o discípulo em provação e seu Mestre destina-se principalmente à observação e talvez a um uso ocasional do discípulo. Não é hábito dos Adeptos empregarem testes especiais ou sensacionais, e em geral, quando é um adulto quem está em provação, ele é deixado a seguir o curso comum de sua vida, e o modo como a imagem viva reproduz sua resposta aos desafios e problemas do dia dá uma indicação suficiente a respeito de seu caráter e progresso. Quando com estas informações o Mestre conclui que a pessoa constituirá um discípulo satisfatório, Ele a levará para mais perto de Si e a aceitará. Às vezes bastam umas poucas semanas para decidir o caso, às vezes o período se estende ao longo de anos.
— Os Mestres e a Senda — C.W. Leadbeater
GET HERMES — Grupo de Estudos Teosóficos Hermes