Toda entidade quadripartida justamente desencarnada — seja qual for a morte, natural ou violenta, por suicídio ou acidente, mentalmente sã ou insana, jovem ou velha, boa, má ou indiferente — perde no instante da morte todas as recordações; é mentalmente aniquilada; adormece o seu sono akásico no Kama-loka. Esse estado dura desde poucas horas (raramente menos), dias, semanas, meses — às vezes vários anos. Tudo isso depende da entidade, do seu estado mental no momento da morte, da natureza da sua morte, etc.
A recordação retornará lenta e gradualmente em direção ao fim da gestação (para a entidade ou ego), ainda mais lenta mas muito mais imperfeita e incompletamente para a casca, e plenamente para o Ego no momento da sua entrada no Devachan. Sendo este último um estado determinado e provocado pela vida passada, o Ego não cai de cabeça, mas mergulha nele gradualmente e por estáveis suaves.
Com a primeira aurora desse estado, aparece aquela vida (ou melhor, é novamente vivida pelo Ego) desde o seu primeiro dia de consciência até o último. Do mais importante ao mais trivial, todos os eventos são reunidos diante do olho espiritual do Ego; apenas, diferentemente dos eventos da vida real, aqueles permanecem que foram escolhidos pelo novo vivente, apegando-se a certas cenas e atores — estes permanecem permanentemente, enquanto todos os outros se desvanecem para desaparecer para sempre, ou retornar ao seu criador — a casca.
Ora, tenta compreender esta importantíssima — porque tão altamente justa e retributiva — lei em seus efeitos. Do passado ressuscitado nada resta senão aquilo que o Ego sentiu espiritualmente — aquilo que foi evolvido por, através de, e vivido pelas suas faculdades espirituais — sejam amor ou ódio. Tudo o que agora tento descrever é, em verdade, indescritível. Como não há dois homens, nem mesmo duas fotografias da mesma pessoa, nem duas folhas que se assemelhem linha por linha, assim não há dois estados no Devachan que sejam iguais. A menos que seja um adepto que possa realizar tal estado no seu Devachan periódico — como se pode esperar que alguém forme uma imagem correta do mesmo?
Sim; amor e ódio são os únicos sentimentos imortais; mas as gradações de tons ao longo das sete por sete escalas de todo o teclado da vida são inumeráveis e, como são esses dois sentimentos — (ou, para ser correto, devo arriscar ser mal compreendido novamente e dizer aqueles dois polos da ‘Alma‘ do homem, que é uma unidade?) — que moldam o estado futuro do homem, seja para o Devachan ou Avitchi, então a variedade de tais estados deve também ser inesgotável.
— Extraído de: Cartas dos Mahatmas — Alfred Sinnett
