Resposta 1) Não em todos os casos, porque na passagem anterior o Espaço é chamado o “Eterno Mãe-Pai”; mas quando é chamado assim, é porque é impossível definir Parabrahman; entretanto, cada vez que falamos desse algo que primeiro pode se conceber, devemos tratá-lo como um princípio feminino. Em todas as cosmogonias, a primeira diferenciação foi sempre considerada feminina. É Mūlaprakriti que oculta ou vela Parabrahman; Sephira é a luz que emana primeiro de Ain-Soph; e em Hesíodo é Gaia que surge do Caos, precedendo a Eros. Isso se repete em todas as criações menos abstratas e materiais subsequentes, como a declaração de que Eva foi criada de uma costela de Adão etc. São a deusa e as deusas que aparecem primeiro. A primeira emanação converte-se na Mãe imaculada da qual procedem todos os deuses, ou as antropomorfizadas forças criadoras. Temos que adotar o gênero feminino ou masculino, porque não podemos usar o neutro “isso”. De AQUILO estritamente falando, nada pode proceder, nem uma radiação nem uma emanação.
Pergunta 3) Então, esse AQUILO não é o “Eterno Pai-Mãe de Sete Peles”?
Resposta 3) Certamente que não. AQUILO é o Parabrahman da Filosofia Hindu, aquilo que está além de Brahmā, ou, como se lhe chama agora na Europa, “o incognoscível”. O espaço do qual falamos é o aspecto feminino de Brahmā, o masculino. Quando acontece o primeiro movimento de diferenciação o Subjetivo emana ou cai, como uma sombra, no Objetivo, e se converte na Deusa Mãe de quem procede o Logos, o Deus Filho e Deus Pai ao mesmo tempo, os dois imanifestados, um a Potencialidade, e o outro a Potência. Mas o primeiro não deve ser confundido com o Logos manifestado, também chamado “o Filho” em todas as cosmogonias.
Pergunta 5) Ocorre o mesmo na Filosofia Hindu?
Resposta 5) Exatamente o oposto. Porque se vamos às cosmogonias hindus, vemos que ali Parabrahman não é sequer mencionado, mas somente Mūlaprakriti. Esta última é, por assim dizer, a veste ou aspecto de Parabrahman no Universo invisível. Mūlaprakriti significa Raiz da Natureza ou da Matéria. Mas não se pode chamar “Raiz” a Parabrahman, porque é a absoluta Raiz sem Raiz de tudo. Portanto, devemos começar com Mūlaprakriti, ou o Véu deste incognoscível. Aqui vemos uma vez mais que o primeiro é a Deusa-Mãe, o reflexo da raiz subjetiva, no primeiro plano da Substância. Logo segue, emanando de, ou antes, residindo em, esta Deusa-Mãe, o Logos imanifestado, o que é seu Filho e Esposo ao mesmo tempo, chamado o “Pai oculto”. Desses procede o primeiro Logos manifestado, ou Espírito, o Filho de cuja substância emanam os sete Logoi, cuja síntese, considerada como uma só força coletiva, se converte no Arquiteto do Universo visível. São os Elohim dos judeus.
A primeira emanação converte-se na Mãe imaculada da qual procedem todos os deuses, ou as antropomorfizadas forças criadoras. Quando acontece o primeiro movimento de diferenciação o Subjetivo emana ou cai, como uma sombra, no Objetivo, e se converte na Deusa Mãe de quem procede o Logos.
— Comentários sobre A Doutrina Secreta — H.P. Blavatsky
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