É o sujeito puro, sem nada em si do passado, nada devido aos processos do tempo, não desejando, não buscando, não projetando, que conhece sozinho a Verdade. Uma opinião ou ponto de vista não é a verdade. Sobre a questão da beleza, por exemplo, podem existir duas opiniões sobre se uma coisa é bela. A opinião depende ou é influenciada pelo que dá prazer e estímulo, ou pelo condicionamento de cada um. Mas não existirá algo como a verdadeira beleza, independentemente de opiniões moldadas por tantos fatores adventícios? É esse sujeito puro, sua natureza pura, que conhece infalivelmente o que é verdadeiramente belo. Ele tem em si mesmo a prova ou pedra de toque da verdade, da verdadeira virtude, da verdadeira moralidade e de todas as outras coisas que são belas em mais do que o sentido físico. Num aspecto é uma extensão pura, o espelho da verdade, mas em outro é um ponto sem dimensões, o centro da individualidade espiritual, do qual irradia a cada momento uma ação de natureza específica ou numa direção específica, conforme a natureza do objeto ou situação que desafia sua atenção.
Este ponto sem dimensões não é um centro de apegos, nada retém, não é o ‘eu’ que descreve um círculo ao redor de si mesmo, separando-se dos outros. Ele não é nada em si mesmo exceto aquilo que dele brota como criação ou como forças capazes de criação. É um centro para o transbordar da vida como energia pura, ramificando-se a partir desse ponto como de uma raiz invisível para um mundo de verdade e beleza. A consciência em seu aspecto de extensão pura se transforma num meio ou se torna o corpo do Espírito. A individualidade, cuja própria substância é consciência, se torna uma árvore de vida e sabedoria, ou podemos imaginá-la como uma flor da Raiz desconhecida. Todas essas símiles são apenas sugestões para a nossa compreensão.
É esse sujeito puro, sua natureza pura, que conhece infalivelmente o que é verdadeiramente belo. Ele tem em si mesmo a prova ou pedra de toque da verdade, da verdadeira virtude, da verdadeira moralidade e de todas as outras coisas que são belas em mais do que o sentido físico.
— A Consciência: Sua Natureza — N. Sri Ram
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