Inscreva-se no Grupo de Estudos no WhatsApp Conteúdos diários sobre filosofia, espiritualidade e autoconhecimento

O QUARTO ESTADO DA MATÉRIA

📚 Escritos Compilados de Helena Petrovna Blavatsky

O Quarto Estado da Matéria

Volume: 4/15 | Páginas originais: 209-213

Fonte: Blavatsky, H.P. Collected Writings, Volume 4, Theosophical Publishing House

Que os três estados da matéria — o sólido, o líquido e o gasoso — são apenas outros tantos estágios em uma cadeia ininterrupta de continuidade física, e que os três se correlacionam, ou se transformam uns nos outros por gradações insensíveis, não precisa, cremos, de demonstração adicional. Mas o que é de importância muito maior para nós, Ocultistas, é a admissão feita por vários grandes homens da ciência em diversos artigos a respeito da descoberta desse quarto estado da matéria. Diz um deles no Scientific American:

Não há nada de mais improvável na suposição de que esses três estados da matéria não esgotem as possibilidades da condição material, do que em supor que as possibilidades do som se estendam às ondulações aéreas às quais nossos órgãos de audição são insensíveis, ou as possibilidades da visão às ondulações etéreas demasiado rápidas ou demasiado lentas para afetar nossos olhos como luz.

E, como o Professor Crookes conseguiu agora refinar gases até uma condição tão etérea a ponto de alcançar um estado de matéria “razoavelmente descritível como ultra-gasoso, e que exibe um conjunto inteiramente novo de propriedades”, por que os Ocultistas deveriam ser censurados por afirmar que além desse estado “ultra-gasoso” existem ainda outros estados da matéria; estados tão ultra-refinados, mesmo em suas manifestações mais grosseiras — como a eletricidade sob todas as suas formas conhecidas — a ponto de terem iludido de fato os sentidos científicos, e deixado os felizes possuidores deles chamarem a eletricidade — uma Força! Dizem-nos que é óbvio que se a tenuidade de algum gás é enormemente aumentada, como nos mais perfeitos vazios atingíveis, o número de moléculas pode ser tão diminuído que suas colisões, em condições favoráveis, podem tornar-se tão poucas, em comparação com o número de massas, que cessarão de ter um efeito determinante sobre o caráter físico da matéria sob observação. Em outras palavras, dizem:

as moléculas livres em voo, se deixadas a obedecer às leis da força cinética sem interferência mútua, cessarão de exibir as propriedades características do estado gasoso e assumirão um conjunto inteiramente novo de propriedades. Isto é a MATÉRIA RADIANTE. E ainda além jaz a fonte da eletricidade — ainda MATÉRIA.

Ora, seria demasiado presunçoso de nossa parte lembrar ao leitor que, se um quarto estado da matéria foi descoberto pelo Professor Crookes, e uma quarta dimensão do espaço pelo Professor Zöllner, ambos indivíduos na própria fonte da ciência, não há nada impossível em que com o tempo se descubram uma quinta, sexta e até sétima condição da matéria, bem como sete sentidos no homem, e que toda a natureza seja por fim achada septenária, pois quem pode atribuir limites às possibilidades destas! Falando de sua descoberta, o Professor Crookes justamente observa que os fenômenos que ele investigou em seus tubos evacuados revelam à ciência física um novo campo para exploração, um novo mundo —

Um mundo, onde a matéria existe em um quarto estado, onde a teoria corpuscular da luz prevalece, e onde a luz nem sempre se move em linha reta, mas onde nunca poderemos entrar, e no qual devemos nos contentar em observar e experimentar de fora.

A isto o Ocultista poderia responder: “se nunca podemos entrar nele, com a ajuda de nossos sentidos físicos, há muito tempo entramos e até fomos além dele, levados até lá por nossas faculdades espirituais e em nossos corpos espirituais.”

E agora eu encerrarei o artigo, por demais longo, com a seguinte reflexão. Os antigos nunca inventaram seus mitos. Aquele versado na ciência do simbolismo oculto pode sempre detectar um fato científico sob a máscara da fantasia grotesca. Assim, quem se desse ao trabalho de estudar a fábula de Electra — uma das sete Atlântidas — à luz da ciência oculta, logo descobriria a verdadeira natureza da Eletricidade, e aprenderia que pouco importa se a chamamos de Força ou Matéria, pois ela é ambas, e até agora, no sentido que lhe dá a ciência moderna, ambos os termos podem ser considerados impropriedades. Electra, sabemos, é a esposa e filha de Atlas, o Titã, e o filho de Ásia e de Pleione, a filha do Oceano… Como observa justamente o Professor Le Conte: “Há muitos dos melhores cientistas que ridicularizam o uso do termo força vital, ou vitalidade, como um resquício de superstição; e, no entanto, os mesmos homens usam as palavras gravidade, força magnética, força química, força física, força elétrica, etc.” e são, não obstante, incapazes de explicar o que é a vida, ou mesmo a eletricidade; nem são capazes de atribuir qualquer boa razão para o fato bem conhecido de que, quando um corpo animal é morto por um raio, depois da morte o sangue não coagula. A Química, que nos mostra cada átomo, seja orgânico ou inorgânico por natureza, suscetível de polarização, seja em sua massa atômica ou como unidade, e a matéria inerte aliada à gravidade, a luz ao calor, etc. — portanto, como contendo eletricidade latente — ainda insiste em estabelecer a diferença entre a matéria orgânica e a inorgânica, embora ambas sejam devidas à mesma energia misteriosa, sempre em obra, por seus próprios processos ocultos no laboratório da natureza, no reino mineral não menos que no vegetal. Portanto, os Ocultistas sustentam que a concepção filosófica do espírito, como a concepção da matéria, deve repousar sobre uma e mesma base de fenômenos, acrescentando que a Força e a Matéria, o Espírito e a Matéria, ou a Divindade e a Natureza, embora possam ser vistos como pólos opostos em suas respectivas manifestações, ainda assim, em essência e verdade, são apenas um, e que a vida está tão presente em um corpo morto quanto em um corpo vivo, na matéria orgânica quanto na inorgânica. Por isso, enquanto a ciência ainda busca e pode continuar buscando para sempre a solução do problema “o que é a vida?”, o Ocultista pode dar-se ao luxo de recusar o trabalho, pois ele reivindica, com tanta boa razão quanto qualquer outra dada em contrário, que a Vida, seja em sua forma latente ou dinâmica, está em toda parte. Que é tão infinita e tão indestrutível quanto a própria matéria, pois nenhuma pode existir sem a outra, e que a eletricidade é a própria essência e origem — da própria Vida. “Purush” é inexistente sem “Prakriti”; nem pode Prakriti, ou matéria plástica, ter existência ou existir sem Purush, ou espírito, energia vital, VIDA. Purush e Prakriti são, em suma, os dois pólos do único elemento eterno, e são termos sinônimos e convertíveis. Nossos corpos, como tecidos organizados, são na verdade “uma distribuição instável de forças químicas”, mais uma força molecular, como o Professor Bain chama a eletricidade, que a percorre durante a vida, separando suas partículas na morte, para se transformar em uma força química após o processo, e daí novamente para ressuscitar como força elétrica ou vida em cada átomo individual. Portanto, seja chamada Força ou Matéria, permanecerá sempre o Proteu Onipresente do Universo, o único elemento — VIDA — Espírito ou Força em seu polo negativo, Matéria em seu polo positivo; aquele o universo MATERIO-ESPIRITUAL, este o universo MATERIO-FÍSICO — Natureza, Svabhavat ou MATÉRIA INDESTRUTÍVEL.

*[Resumido de Joseph Le Conte, Evolution and its Relation to Religious Thought (1888), Parte 3, cap. iv, p. 299, nota de rodapé. — Compilador.]

Tradução progressiva dos Escritos Compilados de Helena P. Blavatsky | Volume 4 de 15

📖 Acesse a Tradução Completa

Deixe um comentário



Inscreva-se no Grupo de Estudos no WhatsApp Conteúdos diários sobre filosofia, espiritualidade e autoconhecimento