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A Impossibilidade de Renunciar ao Karma

Os karmayogis dizem: Verdade, este karma pode dever-se ao upadhi, mas não se deve ao upadhi sozinho; deve-se aos efeitos produzidos pelos dois elementos upadhi e cartnyam. Aqueles filósofos que querem rejeitar todo o karma fingem renunciá-lo por completo. Mas essa é uma tarefa impossível. Nenhum homem, enquanto for um ser humano, pode jamais renunciar ao karma por completo. Ele está ao menos obrigado a fazer aquilo que a mera existência de seu corpo físico exige, a menos que pretenda morrer de fome, ou por outro modo dar um fim prematuro à sua vida.

Suponhamos que você renuncie ao karma — isto é, se abstenha dele na ação — como poderá manter controle sobre sua própria mente? É inútil abster-se de um ato e ainda assim pensar constantemente nele. Se você chega à resolução de que deve renunciar ao karma, deve necessariamente concluir que não deve sequer pensar sobre essas coisas. Sendo assim, vejamos em que condição vocês se colocarão. Como quase todos os nossos estados mentais têm alguma conexão com o mundo fenomenal, e estão de uma forma ou de outra conectados ao karma em suas várias fases, é difícil compreender como é possível a um homem renunciar a todo o karma, a menos que possa aniquilar sua mente, ou entrar em um estado eterno de susupti.

Além disso, se você tem que renunciar a todo o karma, tem que renunciar ao bom karma tanto quanto ao mau, pois karma, em seu sentido mais amplo, não se confina unicamente às más ações.

Se todas as pessoas do mundo renunciarem ao karma, como existirá o mundo? Não é provável que se ponha fim a todos os bons impulsos, a todos os atos patrióticos e filantrópicos que todas as boas pessoas, que têm se esforçado em realizar atos altruístas pelo bem de seus semelhantes, serão impedidas de trabalhar? Se você convocar todos a renunciar ao karma, simplesmente criará um número de zangões preguiçosos e impedirá as boas pessoas de beneficiar seus semelhantes.

E, além disso, pode-se argumentar que esta não é uma regra de aplicabilidade universal. Quão poucos há no mundo que podem renunciar a todo o seu karma e reduzir-se a uma posição de eterna inatividade! E se você pedir a essas pessoas que sigam este caminho, elas podem, em vez de renunciar ao karma, simplesmente se tornar pessoas preguiçosas e ociosas, que na verdade não renunciaram a nada.

É inútil abster-se de um ato e ainda assim pensar constantemente nele. Nenhum homem, enquanto for um ser humano, pode jamais renunciar ao karma por completo.

— Filosofia do Bhagavad Gita — T. Subba Row

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