Qual era a religião da Terceira e Quarta Raças? No sentido comum do termo, nem os Lemurianos, nem tampouco seus descendentes, os Lemuro-Atlantes, possuíam alguma, pois não conheciam dogma algum, nem tinham que crer pela fé. Logo que o olho mental do homem se abriu para a compreensão, a Terceira Raça sentiu-se una com o sempre-presente e sempre-desconhecido e invisível TODO, a Única Deidade Universal. Dotado de poderes divinos, e sentindo em si mesmo o seu Deus interior, cada um sentia ser um Homem-Deus em sua natureza, embora um animal em seu Eu físico. A luta entre os dois começou desde o dia em que provaram do fruto da Árvore da Sabedoria; uma luta pela vida entre o espiritual e o psíquico, o psíquico e o físico. Os que conquistaram os princípios inferiores, obtendo domínio sobre o corpo, uniram-se aos “Filhos da Luz.” Os que caíram vítimas de suas naturezas inferiores tornaram-se os escravos da Matéria. De “Filhos da Luz e Sabedoria” terminaram por se tornar os “Filhos das Trevas.” Haviam caído na batalha da vida mortal contra a Vida imortal, e todos os assim caídos se tornaram a semente das gerações futuras dos Atlantes.
No alvorecer de sua consciência, o homem da Terceira Raça-Raiz não tinha, portanto, crenças que pudessem ser chamadas de religião. Ou seja, era igualmente ignorante das “religiões alegres, cheias de pompa e ouro” quanto de qualquer sistema de fé ou culto exterior. Mas se o termo for definido como a união das massas numa forma de reverência prestada àqueles que sentimos superiores a nós, de piedade — como um sentimento expresso por uma criança para com um pai amado — então mesmo os mais antigos Lemurianos tiveram uma religião — e a mais bela de todas — desde o início de sua vida intelectual. Acaso não tinham seus deuses brilhantes dos elementos ao redor deles, e mesmo dentro de si mesmos? Acaso sua infância não se passou junto àqueles que lhes haviam dado a vida e os haviam chamado à vida inteligente e consciente, sendo por eles nutridos e cuidados? Asseguramos que assim foi, e nisto cremos. Pois a evolução do Espírito para a matéria jamais poderia ter sido alcançada; nem teria recebido seu primeiro impulso, se os Espíritos luminosos não tivessem sacrificado suas respectivas essências super-etéreas para animar o homem de barro, dotando cada um de seus princípios internos com uma porção, ou melhor, uma reflexão daquela essência. Os Dhyanis dos Sete Céus (os sete planos do Ser) são os NOÚMENOS dos Elementos atuais e futuros, assim como os Anjos dos Sete Poderes da natureza — cujos efeitos mais densos percebemos no que a Ciência se compraz em chamar de “modos de movimento” — as forças imponderáveis e afins — são os noúmenos ainda mais elevados de Hierarquias ainda mais altas.
Foi a “Idade do Ouro” naqueles dias antigos, a era em que os “deuses caminhavam pela terra e se misturavam livremente com os mortais.” Desde então, os deuses partiram (isto é, tornaram-se invisíveis), e as gerações posteriores acabaram por adorar seus reinos — os Elementos.
Dotado de poderes divinos, e sentindo em si mesmo o seu Deus interior, cada um sentia ser um Homem-Deus em sua natureza, embora um animal em seu Eu físico. Os que conquistaram os princípios inferiores, obtendo domínio sobre o corpo, uniram-se aos “Filhos da Luz.” Os que caíram vítimas de suas naturezas inferiores tornaram-se os escravos da Matéria.
— A Doutrina Secreta Vol. 2 — H.P. Blavatsky
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