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A Liberdade da Autoridade Interior

O que vamos fazer é aprender a respeito de nós mesmos — não de acordo com este que vos fala, ou de acordo com Freud ou Jung ou um certo analista ou filósofo — porém aprender o que realmente somos. Se aprendermos a respeito de nós mesmos de acordo com Freud, aprenderemos a respeito de Freud e não de nós mesmos.

Para aprendermos a respeito de nós mesmos, toda autoridade deve deixar de existir — toda e qualquer autoridade, a autoridade da igreja, do pároco de nossa freguesia, ou do analista famoso, dos maiores filósofos, com suas fórmulas intelectuais, etc. etc. A primeira coisa, portanto, que se precisa compreender, quando nos tornamos sérios e exigimos uma revolução total na estrutura de nossa própria psique — a primeira coisa que devemos compreender é que não existe autoridade de espécie alguma.

Isso é dificílimo, porquanto não só existe a autoridade externa, fácil de rejeitar, mas também a autoridade interna, a autoridade interior da experiência, dos conhecimentos acumulados, das opiniões, idéias, ideais de cada um, que lhe guiam a vida e de acordo com os quais o indivíduo procura viver. Libertar-se dessa autoridade é dificílimo — não só da autoridade que seguimos em relação às coisas exteriores, mas também da autoridade de ontem, da experiência de ontem que nos ensinou alguma coisa; o que ensinou se torna a autoridade de hoje.

Há não só a autoridade do conhecimento acumulado como tradição, a autoridade das experiências que nos deixaram sua marca, mas também a autoridade de ontem, tão destrutiva como a de mil anos. A compreensão de nós mesmos não requer nenhuma autoridade de ontem nem de um milênio atrás, porque cada um de nós é uma força viva, sempre em movimento, nunca em repouso, em perene fluir. Quando nos olhamos com a autoridade de ontem, o que tem importância é a autoridade e não o movimento da vida, que somos nós, e por essa razão não compreendemos o movimento, a fluidez, a beleza e a natureza desse movimento.

Libertar-se dessa autoridade é morrer para todas as coisas de ontem, para que a mente se conserve sempre juvenil, inocente, cheia de vigor e de paixão; só nesse estado uma pessoa observa e aprende. Essa liberdade já não é então um instrumento que pode ser manejado pela autoridade, a nosso gosto ou contragosto. Para tanto, requer-se muito percebimento, percebimento real do que se passa em nosso interior, sem o corrigirmos, sem lhe dizer o que deve ser ou não deve ser; porque, se corrigis, está estabelecida a autoridade, o censor.

Libertar-se dessa autoridade é morrer para todas as coisas de ontem, para que a mente se conserve sempre juvenil, inocente, cheia de vigor e de paixão; só nesse estado uma pessoa observa e aprende.

— Como Viver Neste Mundo — J. Krishnamurti

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