Não tenho que discutir aqui sobre a natureza do nirvâna. Direi somente que a ideia do nada é absolutamente estranha à Índia, que o objeto do Buda foi subtrair a humanidade às misérias da vida terrestre e aos seus retornos alternados; que enfim ele passou sua longa existência a lutar contra Mâra e seus anjos, que ele mesmo chamava a Morte e o exército da morte. A palavra nirvâna quer bem dizer extinção, por exemplo de uma lâmpada sobre a qual se sopra; mas quer dizer também ausência de vento. Penso, pois, que o nirvâna não é outra coisa senão este requies aeterna, esta lux perpetua que os cristãos também pedem para seus mortos. É neste sentido que ele é entendido no texto birmanês publicado há alguns anos em Rangoun, em inglês, pelo reverendo Bigandet.
Poucas concepções foram mais mal compreendidas do que a do Nirvâna, com exceção talvez da divindade. Entre os judeus e outros semitas, entre os antigos gregos e os romanos, e mesmo entre os brâmanes, o sacerdote é o mediador entre o homem e Deus.
Ele transmite a Deus a oferenda e a adoração do fiel; Deus dá em troca as suas graças e os seus socorros na vida, e no dia da morte Deus recebe o fiel entre os seus eleitos. Para que esta troca seja possível, é necessário que Deus seja concebido como um ser individual, como uma pessoa, de algum modo como o rei do universo, distribuindo os seus favores segundo a sua vontade, sem dúvida também segundo a justiça.
Nada disto existe no Budismo. Como não há deus pessoal, não há santo sacrifício, não há intermediário.
Este Buda não é um deus que se implora; foi um homem que chegou ao grau supremo da sabedoria e da virtude. Quanto à natureza do princípio absoluto das coisas, que as outras religiões chamam Deus, a metafísica budista o concebe de maneira totalmente diferente e não o faz um ser separado do universo.
Penso, pois, que o nirvâna não é outra coisa senão este requies aeterna, esta lux perpetua que os cristãos também pedem para seus mortos. Este Buda não é um deus que se implora; foi um homem que chegou ao grau supremo da sabedoria e da virtude.
— Escritos Compilados Vol. 10 — H.P. Blavatsky
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