Antes que eu possa responder, precisamos discutir o que você quer dizer com ‘Eu’ ou ‘Ego’. Distinguimos entre o simples fato da autoconsciência, o simples sentimento de ‘eu sou eu’, e o pensamento complexo de ‘eu sou o Sr. Smith’ ou ‘Sra. Brown’. Acreditando, como fazemos, numa série de nascimentos para o mesmo Ego, ou reencarnação, esta distinção é o eixo fundamental de toda a ideia. Você vê, ‘Sr. Smith’ significa na verdade uma longa série de experiências diárias enfileiradas pelo fio da memória, formando aquilo que o Sr. Smith chama de ‘si mesmo’. Mas nenhuma dessas ‘experiências’ é realmente o ‘Eu’ ou o Ego, nem dão ao ‘Sr. Smith’ o sentimento de que ele é ele mesmo, pois ele esquece a maior parte de suas experiências diárias, e elas produzem nele o sentimento de Egoidade apenas enquanto duram.
Nós, teosofistas, distinguimos, portanto, entre esse feixe de ‘experiências’, que chamamos de personalidade falsa (por ser tão finita e evanescente), e aquele elemento no homem ao qual o sentimento de ‘eu sou eu’ se deve. É este ‘eu sou eu’ que chamamos de individualidade verdadeira; e dizemos que este ‘Ego’ ou individualidade representa, como um ator, muitos papéis no palco da vida. Chamemos cada nova vida na terra do mesmo Ego de uma noite no palco de um teatro. Uma noite o ator, ou ‘Ego’, aparece como ‘Macbeth’; na seguinte, como ‘Shylock’; na terceira, como ‘Romeu’; na quarta, como ‘Hamlet’ ou ‘Rei Lear’, e assim por diante, até que ele tenha percorrido todo o ciclo de encarnações. O Ego começa sua peregrinação pela vida como um espírito, um ‘Ariel’ ou um ‘Puck’; representa o papel de figurante, é soldado, servo, parte do coro; ascende então a ‘papéis falados’, representa papéis principais, intercalados com papéis insignificantes, até que finalmente se retira do palco como ‘Prospero’, o mago.
É este ‘eu sou eu’ que chamamos de individualidade verdadeira; e dizemos que este Ego representa, como um ator, muitos papéis no palco da vida. O Ego começa sua peregrinação como um espírito, um ‘Ariel’ ou um ‘Puck’; é soldado, servo, parte do coro; ascende a papéis principais, até que finalmente se retira do palco como ‘Prospero’, o mago.
— A Chave para a Teosofia — H.P. Blavatsky
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