Mas houve um dia em que os Mistérios se desviaram de sua pureza da mesma forma que as religiões exotéricas. Isso começou quando o Estado resolveu, por conselho de Aristogeiton (510 a.C.), extrair das Eleusínias uma fonte constante e prolífica de renda. Uma lei foi aprovada para esse fim. Doravante, ninguém poderia ser iniciado sem pagar certa soma pelo privilégio. Aquele dom que até então só se podia adquirir ao preço de esforço incessante, quase sobre-humano, rumo à virtude e à excelência, agora se comprava por tanto ouro. O rasgo no véu ampliou-se a cada século; e mais do que nunca os Sumos Hierofantes, temendo a publicação final e a distorção dos mais santos segredos da natureza, trabalharam para limitar o pleno conhecimento deles a uns poucos.
Foram esses, os “separados”, que logo se tornaram os únicos custódios do legado divino das eras. Sete séculos depois, encontramos Apuleio escrevendo em seu O Asno de Ouro uma sátira mordaz contra a hipocrisia de certas ordens de sacerdotes meio iniciados. Em sua época (século II d.C.), os Mistérios haviam se tornado tão universais que homens, mulheres e crianças, em todos os países, todos eram iniciados! A iniciação se tornara tão necessária quanto o batismo o veio a ser entre os cristãos; e, assim como este é hoje, aquele se havia tornado então — sem sentido, mera cerimônia de letra morta e pura forma.
Os Epoptae, aqueles “que veem as coisas como são”, desapareceram um a um, emigrando para regiões inacessíveis aos cristãos. Os Mystae, aqueles “que veem as coisas apenas como parecem”, ficaram logo a sós, senhores absolutos da situação.
Foi o primeiro grupo, os “separados”, que preservou os verdadeiros segredos; foram os Mystae, que os conheciam apenas superficialmente, que lançaram a primeira pedra fundamental da Maçonaria moderna; e foi dessa fraternidade primitiva, meio pagã e meio convertida, que nasceram o ritualismo cristão e a maioria dos dogmas.
Os Epoptae, aqueles “que veem as coisas como são”, desapareceram um a um, emigrando para regiões inacessíveis aos cristãos. Os Mystae, aqueles “que veem as coisas apenas como parecem”, ficaram logo a sós, senhores absolutos da situação. Foi o primeiro grupo, os “separados”, que preservou os verdadeiros segredos.
— Escritos Compilados Vol. 11 — H.P. Blavatsky
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