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A Energia Inerente e os Parâmetros da Percepção

A Energia Inerente e os Parâmetros da Percepção

Era crença dos feiticeiros da linhagem de dom Juan que existe uma quantidade inerente de energia em cada um de nós, uma quantidade que não está sujeita aos ataques de forças externas para aumentá-la ou diminuí-la. Eles acreditavam que essa quantidade de energia era suficiente para realizar algo que aqueles feiticeiros consideravam ser a obsessão de todo homem na Terra: quebrar os parâmetros da percepção normal. Dom Juan Matus estava convencido de que nossa incapacidade de quebrar esses parâmetros era induzida por nossa cultura e meio social. Ele sustentava que nossa cultura e meio social empregavam cada porção de nossa energia inerente no cumprimento de padrões comportamentais estabelecidos que não nos permitiam quebrar esses parâmetros da percepção normal.

— Por que razão eu, ou qualquer outra pessoa, desejaria quebrar esses parâmetros? — perguntei a dom Juan em certa ocasião.

— Quebrar esses parâmetros é a questão inevitável da humanidade — respondeu ele. — Quebrá-los significa a entrada em mundos impensáveis de valor pragmático em nada diferente do valor de nosso mundo da vida cotidiana. Independentemente de aceitarmos ou não essa premissa, estamos obcecados em quebrar esses parâmetros, e fracassamos miseravelmente nisso, daí a profusão de drogas e estimulantes e rituais religiosos e cerimônias entre o homem moderno.

— Por que você acha que fracassamos tão miseravelmente, dom Juan? — perguntei.

— Nosso fracasso em realizar nosso desejo subliminar — disse ele — se deve ao fato de que o enfrentamos de maneira desordenada. Nossas ferramentas são demasiado rudimentares. Equivalem a tentar derrubar uma parede dando cabeçadas contra ela. O homem jamais considera essa quebra em termos de energia. Para os feiticeiros, o sucesso é determinado apenas pela acessibilidade ou inacessibilidade da energia.

— Como é impossível — continuou ele — aumentar nossa energia inerente, a única via aberta para os feiticeiros do antigo México era o redirecionamento dessa energia. Para eles, esse processo de redirecionamento começava com os passes mágicos e a maneira como eles afetavam o corpo físico.

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