O Continente Hiperbóreo e o Clima Tropical da Groenlândia
Mas para nós o principal ponto não é a concordância ou discordância dos naturalistas quanto à duração dos períodos geológicos, mas sim o perfeito acordo que há entre eles em um ponto — algo assombroso — e o ponto é de grande importância. Eles todos concordam em dizer que durante a “Era do Mioceno” — esteja ela situada há um milhão de anos ou dez — a Groenlândia, e mesmo Spitsbergen, remanescentes do nosso Segundo Continente ou Continente Hiperbóreo, “tinham quase um clima tropical”.
Ora, os gregos pré-homéricos haviam preservado uma tradição vívida sobre esta “Terra do Sol Eterno”, para a qual o seu Apolo viajava todos os anos. A Ciência afirma que “durante a Era do Mioceno, a Groenlândia (a 70 graus da Latitude Norte) desenvolveu uma abundância de árvores, entre elas o Teixo, o Pau-Brasil, a Sequoia, combinadas com as espécies californianas, a Faia, o Plátano, o Salgueiro, o Carvalho, o Álamo, a Nogueira, assim como a Magnólia e uma Zamia”; em resumo, a Groenlândia tinha plantas do hemisfério Sul e desconhecidas nas regiões do Norte.
E agora surge uma questão natural. Se na época de Homero os gregos sabiam de uma terra Hiperbórea, isto é, uma terra abençoada além do alcance de Bóreas, o deus do inverno e do furacão, uma região ideal que os gregos posteriores e os seus clássicos tentaram em vão localizar procurando por ela além da Cítia, um país em que as noites eram curtas e os dias eram longos, e além daquela terra um país em que o Sol nunca se punha e as palmeiras cresciam livremente — se eles sabiam de tudo isso, quem contou estas coisas a eles? Na época deles, e durante eras antes deles, a Groenlândia deve certamente ter estado coberta de neve perpétua, com gelo permanente, assim como é agora.
Tudo tende a mostrar que a terra das noites curtas e dias longos era a Noruega ou a Escandinávia, além da qual estava a terra abençoada da luz e do verão eternos; e para saber disso, essa tradição dos gregos deve ter chegado a eles desde um povo mais antigo que eles, um povo que estivesse familiarizado com aqueles detalhes climáticos dos quais os próprios gregos não podiam saber nada.
Mesmo em nossos dias, a ciência pensa que pode existir, além dos mares Polares e no próprio círculo do polo Ártico, um mar que nunca se congela e um continente que é sempre verde. Os ensinamentos arcaicos — e também os Puranas, para quem entende as alegorias destes últimos — contêm as mesmas afirmações.
Resta, então, para nós, a forte probabilidade de que um povo, agora desconhecido pela História, tenha vivido durante o período Mioceno da ciência moderna, em uma época em que a Groenlândia era uma terra quase tropical.
