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O Logos e a Natureza Dual-Tríplice do Homem

A suma das Estâncias no Livro I mostrou a gênese dos Deuses e dos homens surgindo em, e a partir de, um único e mesmo Ponto, que é a UNIDADE Una, Universal, Imutável, Eterna e absoluta. Em seu aspecto manifestado primário, vimo-la tornar-se: (1) na esfera da objetividade e da Física, Substância e Força Primordiais (centrípeta e centrífuga, positiva e negativa, masculina e feminina, etc., etc.); (2) no mundo da Metafísica, o ESPÍRITO DO UNIVERSO, ou Ideação Cósmica, chamado por alguns de LOGOS.

Este LOGOS é o ápice do triângulo pitagórico. Quando o triângulo está completo, torna-se o Tetraktis, ou o Triângulo no Quadrado, e é o símbolo dual do Tetragrammaton de quatro letras no Kosmos manifestado, e de seu tríplice RAIO radical no imanifestado, ou seu noumenon.

Colocando de modo mais metafísico, a classificação aqui dada dos Últimos Cósmicos é mais uma questão de conveniência do que de absoluta precisão filosófica. No início de um grande Manvantara, Parabrahm manifesta-se como Mulaprakriti e depois como o Logos. Este Logos é equivalente à “Mente Universal Inconsciente”, etc., dos panteístas ocidentais. Ele constitui a Base do lado-SUJEITO do Ser manifestado, e é a fonte de todas as manifestações da consciência individual. Mulaprakriti, ou Substância Cósmica Primordial, é o fundamento do lado-OBJETO das coisas — a base de toda evolução objetiva e Cosmogênese. A Força, portanto, não emerge com a Substância Primordial da Latência Parabráhmica. Ela é a transformação em energia do pensamento supraconsciente do Logos, infundido, por assim dizer, na objetivação deste último a partir da latência potencial na Realidade Una. Daí brotam as maravilhosas leis da matéria: daí a “impressão primordial” tão vãmente discutida pelo Bispo Temple. A Força, assim, não é sincrônica com a primeira objetivação de Mulaprakriti. Mas como, à parte dela, esta última é absoluta e necessariamente inerte — uma mera abstração — é desnecessário tecer uma teia demasiado sutil de sutilezas quanto à ordem de sucessão dos Últimos Cósmicos. A Força sucede Mulaprakriti; mas, sem a Força, Mulaprakriti é, para todos os efeitos e propósitos práticos, inexistente.

O “Homem Celestial” (Tetragrammaton), que é o Protogonos, Tikkoun, o primogênito da deidade passiva e a primeira manifestação da sombra dessa deidade, é a forma e ideia universal, que engendra o Logos manifestado, Adam Kadmon, ou o símbolo de quatro letras, na Kabala, do próprio Universo, também chamado de segundo Logos. O segundo brota do primeiro e desenvolve o terceiro triângulo (ver a Árvore Sefirótica); do último dos quais (a hoste inferior de Anjos) os HOMENS são gerados. É com este terceiro aspecto que lidaremos no momento.

O leitor deve ter em mente que há uma grande diferença entre o LOGOS e o Demiurgo, pois um é Espírito e o outro é Alma; ou como diz o Dr. Wilder: “Dianoia e Logos são sinônimos, sendo Nous superior e em estreita afinidade com To Agathon, um sendo o superior que apreende, o outro o que compreende — um noético e o outro frênico.”

Ademais, o Homem era considerado em vários sistemas como o terceiro Logos. O significado esotérico da palavra Logos (fala ou palavra, Verbum) é a tradução em expressão objetiva, como em uma fotografia, do pensamento oculto. O Logos é o espelho que reflete a MENTE DIVINA, e o Universo é o espelho do Logos, embora este último seja o esse daquele Universo. Assim como o Logos reflete tudo no Universo do Pleroma, o homem reflete em si mesmo tudo o que vê e encontra em seu Universo, a Terra. São as três Cabeças da Kabala: “Unum intra alterum, et alterum super alterum” (Zohar, Idra Suta, sec. VII). “Cada Universo (mundo ou planeta) tem seu próprio Logos”, diz a doutrina. O Sol sempre foi chamado pelos egípcios de “o olho de Osíris”, e era ele mesmo o Logos, o primogênito, ou luz tornada manifesta ao mundo, “que é a Mente e o intelecto divino do Oculto”. É somente pelo Raio setenário desta luz que podemos nos tornar conscientes do Logos através do Demiurgo, considerando este último como o criador de nosso planeta e de tudo que a ele pertence, e o primeiro como a Força guiadora desse “Criador” — bom e mau ao mesmo tempo, a origem do bem e a origem do mal.

Todas estas alegorias apontam para uma única e mesma origem — para a natureza dual e tríplice do homem; dual, como masculino e feminino; tríplice — como sendo de essência espiritual e psíquica interiormente, e de uma estrutura material exteriormente.

O Logos é o espelho que reflete a Mente Divina, e o Universo é o espelho do Logos. Assim como o Logos reflete tudo no Universo do Pleroma, o homem reflete em si mesmo tudo o que vê e encontra em seu Universo, a Terra.

— A Doutrina Secreta Vol. 2 — H.P. Blavatsky


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