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A Jornada da Mônada: Do Mineral ao Ciclo Divino

No oceano ilimitado do espaço irradia o Sol central, espiritual e Invisível. O universo é seu corpo, espírito e alma; e segundo este modelo ideal são formadas TODAS AS COISAS. Estas três emanações são as três vidas, os três graus do Pleroma gnóstico, as três “Faces Cabalísticas”, pois o ANCIÃO dos anciãos, o santo dos idosos, o grande En-Soph, “tem uma forma e também não tem forma”. O invisível “assumiu uma forma quando chamou o universo à existência”, diz o Sohar, o Livro do esplendor. A primeira luz é Sua alma, o Sopro Infinito, Ilimitado e Imortal; sob cujo eflúvio o universo agita seu poderoso seio, infundindo vida Inteligente por toda a criação. A segunda emanação condensa matéria cometária e produz formas dentro do círculo cósmico; põe os inúmeros mundos a flutuar no espaço elétrico e infunde o princípio vital cego e não inteligente em cada forma. A terceira produz todo o universo de matéria física; e à medida que vai gradualmente recuando da Luz Divina Central, seu brilho diminui e ela se torna TREVAS e o MAL — matéria pura, as “grosseiras purgações do fogo celestial” dos Hermetistas.

Quando o Invisível Central (o Senhor Ferho) viu os esforços da Cintila divina, que não queria ser arrastada para baixo na degradação da matéria, para libertar-se, permitiu-lhe que projetasse de si mesma uma mônada, sobre a qual, ligada a ela como que pelo mais fino fio, a Cintila Divina (a alma) deveria velar durante suas incessantes peregrinações de uma forma a outra. Assim, a mônada foi lançada na primeira forma de matéria e tornou-se encerrada na pedra; então, com o tempo, pelos esforços combinados do fogo vivo e da água viva, ambos refletindo-se sobre a pedra, a mônada rastejou para fora de sua prisão em direção à luz solar como um líquen. De mudança em mudança, foi subindo cada vez mais alto; a mônada, a cada nova transformação, tomando emprestado mais do resplendor de sua progenitora, a Cintila, que dela se aproximava a cada transmigração. Pois “a Causa Primeira quis que ela procedesse nesta ordem” e a destinou a rastejar para o alto até que sua forma física se tornasse novamente o Adão de pó, moldado à imagem do Adam Kadmon. Antes de sofrer sua última transformação terrena, o invólucro externo da mônada, desde o momento de sua concepção como embrião, passa por sua vez, mais uma vez, pelas fases dos vários reinos.

Em sua prisão fluídica, assume uma vaga semelhança, em vários períodos da gestação, com a planta, o réptil, a ave e o animal, até tornar-se um embrião humano.

No nascimento do futuro homem, a mônada, radiante com toda a glória de seu progenitor imortal que a vigia desde a sétima esfera, torna-se insensível. Perde toda a recordação do passado e retorna à consciência apenas gradualmente, quando o instinto da infância cede lugar à razão e à inteligência.

Após a separação entre o princípio vital (espírito astral) e o corpo, a alma liberada — a Mônada — rejubilosamente se reúne ao espírito pai e mãe, o radiante Augoeides, e os dois, fundidos em um só, formam para sempre, com uma glória proporcional à pureza espiritual da vida terrena passada, o Adão que completou o círculo da necessidade e está livre do último vestígio de seu invólucro físico.

A partir de então, tornando-se cada vez mais radiante a cada passo de seu progresso ascendente, ele galga o caminho brilhante que termina no ponto de onde partiu ao redor do GRANDE CICLO.

Ísis Sem Véu, Vol. 1 — H.P. Blavatsky

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