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Por Que Não Lembramos de Vidas Passadas?

Nenhuma pergunta é mais frequentemente ouvida quando se fala de reencarnação do que: ‘Se eu estive aqui antes, por que não me lembro?’

Em primeiro lugar, observemos o fato de que esquecemos mais de nossa vida presente do que lembramos. Muitas pessoas não conseguem se lembrar de terem aprendido a ler; contudo, o fato de saberem ler prova a aprendizagem. Incidentes da infância e da juventude desapareceram de nossa memória, mas deixaram traços em nosso caráter.

Esses eventos, no entanto, não estão totalmente perdidos para nós; estão submersos, não destruídos. Grande parte de nossa subconsciência consiste nessas experiências submersas, memórias lançadas para o fundo, mas recuperáveis.

Se isto é verdadeiro quanto a experiências do corpo presente, quanto mais o será quanto a experiências de corpos anteriores, que morreram e se decomuseram há muitos séculos. Nosso corpo permanente, que permanece conosco ao longo do ciclo de reencarnação, é o corpo espiritual; as vestes inferiores caem e retornam aos seus elementos antes que possamos nos reencarnar.

A nova matéria na qual somos revestidos para uma nova vida recebe da inteligência espiritual não as experiências do passado, mas as qualidades, tendências e capacidades delas resultantes. Nossa consciência, nosso assentimento aos princípios fundamentais do certo e do errado — eis os traços da experiência passada.

Essas afinidades, esses avisos, provêm da inteligência espiritual imortal que somos nós mesmos. O espírito fornece à mente os resultados do passado, não a memória de seus eventos. Como um mercador, ao fechar o livro-razão do ano e abrir um novo, não registra no novo todos os itens do antigo, mas apenas seus saldos, assim o espírito transmite ao novo cérebro seus juízos sobre as experiências de uma vida que se encerrou, as conclusões a que chegou, as decisões que tomou. Este é o patrimônio transmitido à nova vida — uma verdadeira memória.

Como um mercador, ao fechar o livro-razão do ano e abrir um novo, não registra no novo todos os itens do antigo, mas apenas seus saldos, assim o espírito transmite ao novo cérebro seus juízos sobre as experiências de uma vida que se encerrou.

— O Enigma da Vida — Annie Besant

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