Não se escondam do desejo num mosteiro, não professem votos. Isso é apenas uma fuga. O que defendo é: examinem-no, vejam-no, não analiticamente, mas observem-no à medida que se desenvolve. A observação mostra-nos a resposta óptica ao vestido ou à camisa azuis, o contacto com os mesmos quando entramos na loja, quando lhes tocamos no tecido. E depois o pensamento cria a imagem e nasce o desejo. E apenas quando o pensamento cria a imagem que surge o desejo.
Assim sendo, o desejo surge e floresce no momento em que o pensamento cria a imagem. Alguém teve uma experiência agradável, o que criou uma imagem, uma representação, que os senhores perseguem. Conseguem observar este facto: no momento em que o pensamento cria a imagem, nasce o desejo? Dão-se conta disto? Vêem quando acontece? Como o pensamento cria, através da imaginação, o desejo de continuar a perseguir o seu objecto até ao fim? Conseguem observar este facto em si mesmo?
Surge então a pergunta: poderá o pensamento abster-se de criar a imagem? Essa é a verdadeira questão. Chegámos ao ponto em que observam o aparecimento do desejo. Percepção, visão, contacto, sensação. Até então não há desejo. Trata-se apenas de uma reacção. Porém, no momento em que o pensamento cria a imagem, todo o ciclo começa. Por que razão o pensamento cria sempre esta imagem?
Ora, conseguirão observar a camisa ou o vestido azuis da montra e dar-se conta da natureza do pensamento, compreendendo que, no momento em que o mesmo surge, o problema começa? Tudo isto pode ser provocado não só pela camisa ou vestido, mas também pela imagem que constroem de uma posição, estatuto ou função — por qualquer imagem e por a ela regressarem repetidamente. O desejo é isso. Conseguirão observar sem que surja um desejo ardente? Este é o novo instrumento: a observação.
Percepção, visão, contacto, sensação. Até então não há desejo. Trata-se apenas de uma reacção. Porém, no momento em que o pensamento cria a imagem, todo o ciclo começa. Conseguirão observar sem que surja um desejo ardente? Este é o novo instrumento: a observação.
— Será que a Humanidade Pode Mudar — J. Krishnamurti
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