Assim como não pode estar sempre desperto, o homem tampouco pode dispensar, no âmbito global das circunstâncias da vida, o que o supra-sensível lhe pode proporcionar. A vida continua no sono, e as forças que trabalham e criam no estado de vigília retiram seu vigor e sua renovação daquilo que o sono lhes dá. O mesmo acontece com o que o homem pode observar no mundo manifesto. O âmbito do mundo é mais amplo do que o campo dessa observação. E o que o homem conhece no plano sensível deve ser completado e fecundado pelo que ele pode saber sobre os mundos invisíveis. Um ser humano que não buscasse repetidamente no sono o fortalecimento das energias despendidas conduziria sua vida à destruição; do mesmo modo, uma cosmovisão não fecundada pelo conhecimento da realidade oculta conduziria à desolação.
Algo semelhante ocorre com a ‘morte’. Os seres vivos sucumbem à morte para que nova vida possa surgir. É justamente o conhecimento do supra-sensível que espalha uma clara luz sobre esta bela sentença de Göethe: “A natureza inventou a morte para ter mais vida.” Assim como, no sentido comum, não pode haver vida sem a morte, não pode existir qualquer conhecimento autêntico do mundo visível sem a visão do supra-sensível. Todo conhecimento do visível deve imergir sempre de novo no invisível para poder desenvolver-se. É, portanto, evidente que só a ciência do supra-sensível possibilita a vida do conhecimento do manifesto; ela nunca enfraquece a vida quando desponta em sua forma genuína: fortalece-a e volta a revigorá-la quando esta, entregue a si mesma, se tornou fraca e enferma.
Um ser humano que não buscasse repetidamente no sono o fortalecimento das energias despendidas conduziria sua vida à destruição; do mesmo modo, uma cosmovisão não fecundada pelo conhecimento da realidade oculta conduziria à desolação.
— A Ciência Oculta — Rudolf Steiner
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