O que é o desejo? Observem-no vocês mesmos.
Vamos fazê-lo juntos.
Desejamos uma roupa que vemos numa montra e dá-se uma reacção.
Gostamos da cor, da forma, do modelo e o desejo diz: «Vou comprar.» O que foi que aconteceu concretamente nesse momento? Isto não é uma análise, trata-se antes de observar factualmente a nossa reacção ao vermos aquela roupa na montra e a resposta que se lhe segue.
Não adormeçam, por favor.
Vemos aquela roupa, gostamos da cor, gostamos do modelo – o que é que aconteceu aqui? Observamos, há a sensação, certo? Há também contacto, tocamos-lhe e, de seguida, surge o desejo através de uma imagem construída pelo pensamento, na qual nos vemos a vestir aquela roupa.
Compreendem isto? O acto de ver, a sensação, o contacto, depois o pensamento a imaginar-nos com aquela roupa e, por último, o desejo.
Estão a acompanhar-me? Não a acompanhar-me a mim, mas ao facto em si mesmo.
Eu apenas dei uma explicação, palavras, mas nós estamos a falar da verdadeira reacção, da resposta concreta: o acto de ver, o contacto, a sensação, o pensamento a imaginar-nos com aquela roupa e o nascimento do desejo.
O desejo surge e floresce no momento em que o pensamento cria a imagem. Aperceber-se disso — sem analisar, apenas observando — é o novo instrumento. E é o pensamento, que criou o desejo, que é também tempo, e por isso medo.
— Será que a Humanidade Pode Mudar — J. Krishnamurti
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