A Ciência Secreta dos Números
Todos os seres, desde a primeira emanação divina, ou “Deus manifestado”, até a mais ínfima existência atômica, “possuem seu número particular que distingue cada um deles e se torna a fonte de seus atributos e qualidades, bem como de seu destino.”
O acaso, como ensinado por Cornélio Agripa, é na realidade apenas uma progressão desconhecida; e o tempo, uma sucessão de números. Sendo o futuro um composto de acaso e tempo, estes são colocados a serviço dos cálculos ocultos para encontrar o resultado de um evento, ou o futuro do destino de alguém.
Disse Pitágoras: “Há uma conexão misteriosa entre os Deuses e os números, sobre a qual se fundamenta a ciência da aritmancia. A alma é um mundo que se move por si mesma; a alma contém em si mesma, e é, o quaternário, a tétrada [o cubo perfeito].”
Existem números benéficos e maléficos. Assim, enquanto o ternário — o primeiro dos números ímpares (o Uno sendo perfeito e estando por si mesmo no Ocultismo) — é a figura divina ou o triângulo; a díade foi desprezada pelos pitagóricos desde o princípio. Representava a Matéria, o princípio passivo e mau — o número de Maya, a ilusão.
Enquanto o número Um simbolizava harmonia, ordem ou o princípio do bem (o Deus único expresso em latim por Solus, de onde vem a palavra Sol, o Sol, o símbolo da Divindade), o número Dois expressava uma ideia contrária. A ciência do bem e do mal começou com ele. Tudo que é duplo, falso, oposto à única realidade, era representado pelo binário. Expressava também os contrastes da Natureza, que são sempre duplos: noite e dia, luz e trevas, frio e calor, umidade e secura, saúde e doença, erro e verdade, masculino e feminino.
Por outro lado, o triângulo, uma figura puramente geométrica, recebeu grande honra de todas as nações. Em geometria, uma linha reta não pode representar uma figura absolutamente perfeita, assim como duas linhas retas. Três linhas retas, no entanto, produzem pela sua junção um triângulo, ou a primeira figura absolutamente perfeita. Portanto, simbolizou desde o princípio e até hoje o Eterno — a primeira perfeição. A palavra para divindade em latim, como em francês, começa com D; em grego, o delta ou triângulo, Δ, cujos três lados simbolizam a trindade, ou os três reinos, ou, ainda, a natureza divina.
— Escritos Compilados Vol. 1-15 (Completo) — H.P. Blavatsky
GET HERMES — Grupo de Estudos Teosóficos Hermes