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A Dispersão: o egoísmo que separa e a força que une

Para superar o egoísmo que separa os homens é preciso recorrer a forças religiosas.

O meio empregado pelos grandes governantes para unir os homens era a celebração comunitária das grandes festas de sacrifícios e ritos sagrados, que expressavam tanto a articulação social como a ligação existente entre a família e o estado.6 A música sacra e o esplendor das cerimônias envolviam as pessoas numa intensa emoção conjunta, depertando-lhes a consciência para a origem comum de todos os seres.

Assim, a desunião era superada e a intransigência, dissolvida.

Outro recurso consiste em promover a cooperação entre as pessoas num grande empreendimento comunitário que funcione como um objetivo superior aos interesses individuais.

A concentração conjunta nessa finalidade comum dissolve todas as barreiras que provocam isolamento, assim como num barco, atravessando uma correnteza, todos a bordo precisam se unir, trabalhando coordenadamente.

Porém, só um homem livre de todo e qualquer interesse pessoal, que seja constante em seu senso de justiça e firme em suas atitudes, será capaz de dissolver a rigidez do egoísmo.

No outono e no inverno as águas começam a se congelar.

Quando sopram as suaves brisas da primavera, a rigidez se dissolve e tudo o que se dispersara em blocos de gelo volta a se unir.

O mesmo ocorre com as mentes das pessoas.

A rigidez e o egoísmo endurecem o coração e essa rigidez leva o homem a se separar dos outros.

O egoísmo e a cobiça isolam o homem.

Por isso é necessário que uma emoção de devoção se apodere do coração dos homens.

Eles precisam ser sacudidos por uma comoção religiosa diante da revelação da Eternidade, experimentando o tremor provocado pela intuição do Criador de todos os seres, e unindo-se através do poderoso sentimento de fraternidade experimentado durante o ritual de adoração da divindade.

A rigidez e o egoísmo endurecem o coração e essa rigidez leva o homem a se separar dos outros. O egoísmo e a cobiça isolam o homem. Porém, só um homem livre de todo e qualquer interesse pessoal, que seja constante em seu senso de justiça e firme em suas atitudes, será capaz de dissolver a rigidez do egoísmo.

— I Ching — O Livro das Mutações — Richard Wilhelm

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