📚 Escritos Compilados de Helena Petrovna Blavatsky
ARTIGO QUE PUBLICAMOS HÁ APENAS DOIS MESES SOB O TÍTULO “FRAGMENTOS DE VERDADE OCULTA”*
Volume: 3/15 | Páginas originais: 349-351
Fonte: Blavatsky, H.P. Collected Writings, Volume III, Theosophical Publishing House
…artigo que publicamos há apenas dois meses sob o título “Fragmentos de Verdade Oculta”,* esforce-se para explicar, em sua própria mente, mesmo que da maneira mais vaga e indistinta, a história dos seis princípios superiores em qualquer criatura humana, durante o tempo em que seu corpo estava sendo gradualmente aperfeiçoado, por assim dizer, na matriz da evolução. Onde, e o que eram seus princípios espirituais superiores quando o corpo não havia elaborado forma mais digna do que a de um babuíno? Naturalmente, a questão é colocada com pleno reconhecimento dos erros colaterais implícitos no tratamento de um único ser humano como o ápice de uma série de formas, mas, mesmo supondo que a evolução física fosse questão tão simples quanto isso, como explicar a presença final, no corpo humano aperfeiçoado, de uma alma espiritual? Ou, retrocedendo um passo no processo, como explicar a presença da alma animal na primeira criatura com volição independente que emerge da condição semi-vegetal das formas anteriores? Não é óbvio, se o materialista cego não deve ser aceito como guia suficiente para os mistérios do universo — se realmente existem esses princípios superiores no Homem de que falamos — que deve haver algum vasto processo de evolução espiritual ocorrendo no universo pari passu com a evolução física?
Por ora, limitamo-nos a lançar sugestões e nos esforçamos por provocar reflexão e investigação; tentar, desta maneira casual, uma exposição completa das conclusões da filosofia oriental nesta direção seria como iniciar uma jornada ao Polo Sul a propósito de uma pergunta passageira sobre se alguém acreditava haver terra lá ou não.
Mas já dissemos, talvez, o bastante para responder à sugestão um tanto imperfeita no artigo do Sr. Gerald Massey sobre o efeito de que os elementais talvez possam ser os espíritos de animais ou de “elos perdidos” pertencentes a uma época anterior da história do mundo. A noção de que, sob alguma forma imaterial — pode-se usar uma expressão absurda para expor uma conjectura absurda — os espíritos de qualquer criatura viva possam levar uma existência perpétua como duplicatas estereotipadas das formas materiais transitórias que habitaram enquanto atravessavam o estágio terreno de sua peregrinação, equivale a contar inteiramente sem a própria doutrina que o Sr. Massey tão gentilmente oferece à consideração dos filósofos orientais. Assim como nenhuma forma material está destinada à perpetuação infinita, tampouco os organismos mais sutis que constituem os princípios superiores das criaturas vivas podem estar condenados à imutabilidade. O que aconteceu com as partículas de matéria que compunham os corpos físicos dos “predecessores do homem sobre a terra”? Há muito foram trituradas no laboratório da Natureza e entraram na composição de outras formas. E a ideia ou desígnio das formas anteriores elevou-se em ideia ou desígnio superior que se imprimiu sobre formas posteriores. Assim também, embora a analogia possa nos dar não mais que uma concepção nebulosa do curso dos acontecimentos, é manifesto que os princípios superiores, uma vez unidos às formas anteriores, devem ter se desenvolvido também por sua vez. Ao longo de que infinitas espirais de gradual ascensão a evolução espiritual se realizou, não nos deteremos a considerar agora. Basta apontar a direção em que o pensamento deve prosseguir, e algumas poucas considerações que podem contribuir para impedir que os pensadores europeus considerem com demasiada prontidão os reinos do espírito como um mero cemitério fantasmagórico, onde as sombras dos habitantes sepultados da Terra dormitam para sempre em transe sem propósito.*
