O Discipulado e as Qualificações do Caminho Probatório
Os Mestres vigiam constantemente a raça e observam aqueles que, pela prática da virtude, pelo trabalho altruísta em prol do bem humano, pelo esforço intelectual voltado ao serviço da humanidade, pela devoção sincera, piedade e pureza, se destacam da massa de seus semelhantes e se tornam capazes de receber assistência espiritual além daquela que é derramada sobre a humanidade como um todo. Se um indivíduo deseja receber ajuda especial, deve demonstrar receptividade especial. Pois os Mestres são os distribuidores das energias espirituais que impulsionam a evolução humana, e o uso destas energias para o crescimento mais rápido de uma única alma só é permitido quando essa alma demonstra capacidade de progresso rápido e pode, assim, ser rapidamente preparada para se tornar uma ajudadora da raça, devolvendo-lhe o auxílio que lhe foi concedido. Quando um homem, por seus próprios esforços, utilizando plenamente toda a ajuda geral que lhe chega através da religião e da filosofia, avança até a frente da onda humana em progresso, e quando demonstra uma natureza amorosa, altruísta e prestativa, então ele se torna objeto de atenção especial dos Guardiões vigilantes da raça, e oportunidades são colocadas em seu caminho para testar sua força e despertar sua intuição. À medida que ele as utiliza com êxito, recebe ainda mais ajuda, e vislumbres lhe são concedidos da verdadeira vida, até que a natureza insatisfatória e irreal da existência mundana pressione cada vez mais a alma, com o resultado já mencionado — o cansaço que o faz ansiar pela liberdade e o conduz ao portal do Caminho probatório.
Sua entrada neste Caminho o coloca na posição de discípulo ou chela em provação, e algum Mestre o toma sob Seus cuidados, reconhecendo-o como um homem que saiu da estrada principal da evolução e busca o Instrutor que guiará seus passos pelo caminho estreito e íngreme que conduz à libertação. Esse Instrutor o aguarda na própria entrada do Caminho, e embora o neófito não conheça seu Instrutor, seu Instrutor o conhece, vê seus esforços, dirige seus passos, conduzindo-o às condições que melhor favorecem seu progresso, velando por ele com a terna solicitude de uma mãe e com a sabedoria nascida da percepção perfeita. A estrada pode parecer solitária e escura, e o jovem discípulo pode imaginar-se abandonado, mas um ‘amigo mais chegado que um irmão’ está sempre próximo, e a ajuda que é negada aos sentidos é concedida à alma.
Há quatro ‘qualificações’ definidas que o chela em provação deve se propor a adquirir, estabelecidas pela sabedoria da grande Fraternidade como as condições para o discipulado pleno. Não se exige que sejam possuídas em perfeição, mas devem ser buscadas e parcialmente possuídas antes que a Iniciação seja permitida. A primeira delas é a discriminação entre o real e o irreal, que já vinha despontando na mente do pupilo e que o atraiu ao Caminho no qual agora ingressou; a distinção torna-se clara e nitidamente definida em sua mente, libertando-o gradualmente e em grande medida dos grilhões que o prendem, pois a segunda qualificação, a indiferença às coisas externas, surge naturalmente na esteira da discriminação, da clara percepção de sua falta de valor. Ele aprende que o cansaço que retirou todo o sabor da vida devia-se às decepções constantemente decorrentes de sua busca de satisfação no irreal, quando somente o real pode contentar a alma; que todas as formas são irreais e sem estabilidade, sempre mudando sob os impulsos da vida, e que nada é real senão a Vida una que buscamos e amamos inconscientemente sob seus muitos véus.
Esta discriminação é muito estimulada pelas circunstâncias rapidamente mutáveis nas quais um discípulo é geralmente lançado, com o objetivo de gravar fortemente nele a instabilidade de todas as coisas externas. As vidas de um discípulo são geralmente vidas de tempestade e tensão, para que as qualidades que normalmente são desenvolvidas em uma longa sucessão de vidas nos três mundos possam nele ser forçadas a um rápido crescimento e rapidamente levadas à perfeição. À medida que alterna rapidamente da alegria para a tristeza, da paz para a tormenta, do repouso para a labuta, ele aprende a ver nas mudanças as formas irreais, e a sentir através de tudo uma vida constante e imutável. Ele se torna indiferente à presença ou ausência das coisas que assim vêm e vão, e fixa cada vez mais seu olhar na realidade imutável que está sempre presente.
Enquanto assim ganha em percepção e estabilidade, ele trabalha também no desenvolvimento da terceira qualificação — os seis atributos mentais que lhe são exigidos antes que possa ingressar no Caminho propriamente dito. Não precisa possuí-los todos perfeitamente, mas deve tê-los todos ao menos parcialmente presentes antes que lhe seja permitido prosseguir. Primeiro, ele deve ganhar controle sobre seus pensamentos, a progênie da mente inquieta e indisciplinada, difícil de refrear como o vento. A prática constante e diária de meditação e concentração já havia começado a reduzir este rebelde mental à ordem antes que ele ingressasse no Caminho probatório, e o discípulo agora trabalha com energia concentrada para completar a tarefa, sabendo que o grande aumento no poder do pensamento que acompanhará seu rápido crescimento se provará um perigo tanto para os outros quanto para si mesmo, a menos que a força em desenvolvimento esteja completamente sob seu controle. Melhor dar dinamite a uma criança como brinquedo do que colocar os poderes criadores do pensamento nas mãos dos egoístas e ambiciosos.
