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A Ciência e a Teosofia: Balaam Abençoando

Tem-se tocante ler certas lamentações nos jornais diários, aprender os patéticos arrependimentos expressos quanto à suspeita instabilidade da opinião pública. A atitude de certos círculos sociais está visivelmente mudando, e algo terá de ser feito novamente para trazer a Teosofia ao descredito, se não quisermos vê-la ressurgir como Lázaro de seu túmulo.

Pois, à medida que o tempo passa, mais de um inimigo começa a expressar sérias dúvidas. Alguns suspeitam que a Jesabel teosófica pode, afinal, ter sido meramente uma vítima: Jó, visitado com a permissão do KARMA — ou, se preferirem, pelo Todo-Poderoso entronizado, concedendo a seu Filho-Satanás plena liberdade para testar a resistência de seu ‘servo íntegro’ da terra de Ug (Jó, ii, 1-8). Outros perceberam que, embora Satanás-Grundy, usando as línguas venenosas das multidões, tivesse coberto ‘Jó’ de chagas doloridas, o paciente jamais havia sucumbido. A Teosofia não foi derrubada pela poderosa onda de calúnia e difamação, nem mostrou qualquer sinal de agonia. Estava tão firme nas pernas quanto sempre.

Temam os inimigos da Sociedade Teosófica e de seus líderes como ficam desconcertados! Ouçam como, na amargura de seus corações, por doces esperanças frustradas, eles se contorcem e nem têm a decência de ocultar seu mau humor com o que foolishly consideram o triunfo da Teosofia. Verdadeiramente, o vento oriental encheu seus — cérebros, e o conhecimento vão discordou decididamente com os homens eruditos do Ocidente!

Temedo que lhes afrouxasse o apetite por devorar e assimilar a comida corrompida arrancada dos bicos dos corvos de Bombaim pelo ‘garoto esperto’, os homens sábios da ciência conceberam, ao que parece, um novo pequeno plano para estrangular a Teosofia. Se podemos acreditar no Birmingham Post (o sincero diário que deixa o segredo vazar), os mandachuvas do muito cristão ‘Victoria Institute’ não esqueceram a fábula do ‘macaco e do gato’. Os ‘macacos’ da ciência haviam selecionado, há algum tempo, as patas de seu gato mais hábil para lhes tirar as castanhas do fogo teosófico, e esperavam assim extinguir para sempre a luz odiada.

Eis, porém, a surpresa da assembleia de homens sábios quando Sir Monier-Williams, em vez de negar, quase confirmou a verdade das afirmações feitas pelos teosofistas, e admitiu que, embora a ciência da Teosofia moderna fosse imperfeita, há fundamentos para crer que, em vez de serem negligenciados como têm sido pelos estudantes de filosofia, deveriam ser examinados com o maior cuidado.

Um homem sábio, pela primeira vez em sua geração, este recém-cavaleiroado conferencista! Quanto maior a pena que este ‘primeiro estudante de sânscrito do mundo’ (Professores Max Müller, Whitney, Weber e tutti quanti, escondei vossas cabeças diminuídas!) saiba tão pouco sobre o Budismo a ponto de cometer os erros mais ridículos. Talvez houvesse uma razão de ser para cometê-los.

O resultado desta extraordinária conferência é que Gautama Buddha jamais havia alcançado sequer os poderes de um simples Yogi moderno. Pois tais poderes transcendentes são admitidos pelo conferencista até em nossos dias atuais a alguns hindus. Enquanto os teosofistas deveriam sentir-se profundamente gratos a Sir Monier-Williams pela excelente publicidade que sua sociedade e filosofia receberam de suas mãos, os editores de Lucifer falhariam em seu dever se deixassem passar sem comentários várias autocontradições feitas nesta palestra pelo ‘maior estudante de sânscrito do mundo’.

— Extraído de: Escritos Compilados Vol. 10 — H.P. Blavatsky

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