No desenvolvimento de seus sentidos superiores, ele próprio deve trabalhar. Deve cultivar a alma e o espírito se quiser perceber os mundos anímico e espiritual, do mesmo modo como a natureza cultivou seu corpo para que ele possa perceber seu ambiente corpóreo e nele orientar-se.
Em particular, deveria ser contra a operação dos cegos natos — pois um cego de nascença, operado com êxito, bem pode ser comparado ao homem que desperta em si seus sentidos superiores do modo descrito na última parte deste livro. O mundo passa a revelar-lhe fatos, propriedades e fenômenos dos quais os sentidos físicos nada lhe apresentavam. Fica-lhe claro que, embora ele próprio nada acrescente à realidade por meio desses órgãos superiores, sem estes a parte essencial dessa realidade lhe teria permanecido oculta.
Os mundos anímico e espiritual não são, em absoluto, paralelos ao mundo físico ou exteriores a ele; não estão separados espacialmente deste mundo. Assim como para o cego nato, operado com êxito, o mundo antes mergulhado em trevas irradia luzes e cores, para quem está anímica e espiritualmente desperto os objetos que antes só lhe apareciam fisicamente passam a revelar-lhe suas próprias qualidades anímicas e espirituais.
Deve cultivar a alma e o espírito se quiser perceber os mundos anímico e espiritual, do mesmo modo como a natureza cultivou seu corpo para que ele possa perceber seu ambiente corpóreo e nele orientar-se. Fica-lhe claro que, embora ele próprio nada acrescente à realidade por meio desses órgãos superiores, sem estes a parte essencial dessa realidade lhe teria permanecido oculta.
— Teosofia — Rudolf Steiner
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