Participe do Grupo de Estudos Teosóficos no WhatsApp: https://TEOSOFIA.net.br

Cronologia Esotérica e o Continente Hiperbóreo

Cronologia Esotérica e o Continente Hiperbóreo

A Cronologia Esotérica tampouco deveria assustar ninguém, porque, em relação a números, as maiores autoridades de hoje são tão instáveis e tão inseguras como as ondas do Mediterrâneo. Só em relação à duração dos períodos geológicos, os eruditos da Royal Society estão todos irremediavelmente perdidos, e saltam de um milhão para quinhentos milhões de anos com a maior facilidade, conforme veremos mais de uma vez ao longo desta comparação.

Vejamos um exemplo em função do nosso propósito atual — os cálculos do sr. Croll. Quer seja que, de acordo com esta autoridade, o tempo decorrido desde o começo da era terciária ou período Eoceno é de 2.500.000 anos, segundo as palavras dele citadas por um geólogo norte-americano, quer seja que o sr. Croll “admite quinze milhões [de anos] desde o começo do período Eoceno”, conforme citado por um geólogo inglês, as duas cifras são coerentes com as afirmações feitas pela Doutrina Secreta.

Porque atribuir, como faz este último, quatro ou cinco milhões ao período entre o começo e o fim da evolução da Quarta Raça-Raiz, nos continentes lemuro-atlantes; um milhão de anos para a Quinta Raça ou Raça Ariana, até o momento atual; e cerca de 850.000 anos desde a submersão da última grande península da grande Atlântida — tudo isso pode ter facilmente ocorrido dentro dos 15 milhões de anos concedidos pelo sr. Croll à Era Terciária. Mas, cronologicamente falando, a duração do período tem uma importância secundária, já que, afinal, temos alguns cientistas norte-americanos nos quais podemos nos apoiar. Estes cavalheiros, imperturbáveis diante do fato de que as suas afirmações são chamadas não só de dúbias mas também de absurdas, defendem a tese de que o homem existia já na Era Secundária. Eles encontraram sinais de pegadas humanas em rochas da Era Secundária; e, além disso, o sr. Quatrefages não encontra qualquer razão científica válida pela qual o homem não poderia ter existido durante a Era Secundária.

As “Eras” e os períodos em geologia são na verdade termos puramente convencionais, porque ainda estão delineados de modo muito precário; e além disso, não há dois geólogos ou naturalistas que concordem quanto às datas indicadas. Assim, uma larga margem de escolha é oferecida aos Ocultistas pela comunidade dos eruditos. Devemos considerar que um dos nossos apoiadores é o sr. T. Mellard Reade? Este cavalheiro, num texto sobre “Limestone as an Index of Geological Time”, lido por ele em 1878 na Royal Society, afirma que o tempo mínimo requerido para a formação dos estratos sedimentares e a eliminação da matéria calcária é em números redondos 600 milhões de anos. Ou devemos pedir apoio para a nossa cronologia às obras do sr. Darwin, em que ele exige com base na sua teoria entre 300 e 500 milhões de anos para as transformações orgânicas? Sir C. Lyell e o prof. Houghton ficaram satisfeitos atribuindo o começo da Era Cambriana respectivamente a 200 e 240 milhões de anos. Geólogos e zoólogos pedem o tempo máximo, embora o sr. Huxley, em certa ocasião, tenha situado o começo da incrustação da Terra um milhão de anos atrás, sem abrir mão de um só milênio deste total.

Mas para nós o principal ponto não é a concordância ou discordância dos naturalistas quanto à duração dos períodos geológicos, mas sim o perfeito acordo que há entre eles em um ponto — algo assombroso — e o ponto é de grande importância. Eles todos concordam em dizer que durante a “Era do Mioceno” — esteja ela situada há um milhão de anos ou dez — a Groenlândia, e mesmo Spitsbergen, remanescentes do nosso Segundo Continente ou Continente Hiperbóreo, “tinham quase um clima tropical”. Ora, os gregos pré-homéricos haviam preservado uma tradição vívida sobre esta “Terra do Sol Eterno”, para a qual o seu Apolo viajava todos os anos. A Ciência afirma que “durante a Era do Mioceno, a Groenlândia (a 70 graus da Latitude Norte) desenvolveu uma abundância de árvores, entre elas o Teixo, o Pau-Brasil, a Sequoia, combinadas com as espécies californianas, a Faia, o Plátano, o Salgueiro, o Carvalho, o Álamo, a Nogueira, assim como a Magnólia e uma Zamia”; em resumo, a Groenlândia tinha plantas do hemisfério Sul e desconhecidas nas regiões do Norte.

E agora surge uma questão natural. Se na época de Homero os gregos sabiam de uma terra Hiperbórea, isto é, uma terra abençoada além do alcance de Bóreas, o deus do inverno e do furacão, uma região ideal que os gregos posteriores e os seus clássicos tentaram em vão localizar procurando por ela além da Cítia, um país em que as noites eram curtas e os dias eram longos, e além daquela terra um país em que o Sol nunca se punha e as palmeiras cresciam livremente — se eles sabiam de tudo isso, quem contou estas coisas a eles? Na época deles, e durante eras antes deles, a Groenlândia deve certamente ter estado coberta de neve perpétua, com gelo permanente, assim como é agora. Tudo tende a mostrar que a terra das noites curtas e dias longos era a Noruega ou a Escandinávia, além da qual estava a terra abençoada da luz e do verão eternos; e para saber disso, essa tradição dos gregos deve ter chegado a eles desde um povo mais antigo que eles, um povo que estivesse familiarizado com aqueles detalhes climáticos dos quais os próprios gregos não podiam saber nada. Mesmo em nossos dias, a ciência pensa que pode existir, além dos mares Polares e no próprio círculo do polo Ártico, um mar que nunca se congela e um continente que é sempre verde. Os ensinamentos arcaicos — e também os Puranas, para quem entende as alegorias destes últimos — contêm as mesmas afirmações. Resta, então, para nós, a forte probabilidade de que um povo, agora desconhecido pela História, tenha vivido durante o período Mioceno da ciência moderna, em uma época em que a Groenlândia era uma terra quase tropical.

Deixe um comentário

Participe do Grupo de Estudos Teosóficos no WhatsApp: https://TEOSOFIA.net.br